Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Posts do dia 27 novembro 2008

Bem merecido

27 de novembro de 2008 42

Jefferson Botega

Foi uma bonita vitória do Internacional contra o Estudiantes ontem em La Plata, por 1 a 0.

Eu me enganei.

Quando o campeonado nacional estava nos seus pródromos, logo no início, olhei a capacidade dos times que disputavam o Brasilerão e previ que o Inter ganharia o Campeonato Brasileiro.

Não, o Internacional vai ser campeão da Taça Sul-Americana.

Errei de certame.

Postado por Sant`Ana

Trapalhada monumental

27 de novembro de 2008 19

Uma trapalhada monumental está acontecendo na Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul. Professores, que não estavam em greve, estão tendo os seus vencimentos descontados. E, os professores que estavam em greve não estão sendo descontados. Mas que injustiça!

Essa confusão está acontecendo em muitos casos. E tudo isso em virtude da pressa em punir. Por que não se pune mais adiante, no mês que vem? Não! Se tem pressa em fazer a folha, em ver quem não trabalhou, quem ficou de braços cruzados. E, por isso, cometeram essa trapalhada monumental, que comete uma injustiça volumosa contra os professores.

Que barbaridade!

Postado por Sant`Ana

Toneladas na pista

27 de novembro de 2008 5

Foto publicada hoje na página 10 de Zero Hora/Mauro Vieira

É de se espantar a fotografia que a Zero Hora estampa hoje na página 10. Uma rocha de 2 mil toneladas caiu sobre a pista da BR-101. O estorvo interrompeu a estrada na altura de Palhoça, perto de Florianópolis. A BR está interditada devido a essa rocha de dois milhões de quilos!

Uma rocha de dois milhões de quilos foi movida pela inundação em Santa Catarina. Se a água é capaz disso, o que mais ela não será capaz? Eu quero acreditar que a água não pode ter tanta força assim. O que deve ter acontecido é que ela minou as camadas de terra que sustavam a rocha, que se moveu.

Agora, para tirar a rocha dali, são necessárias toneladas — to exagerando e brincando — de dinamite. Vão dinamitar a rocha para tirá-la dali e desimpedir a estrada dentro de dois ou três dias. Mas que rocha! Eu não pensava que existissem rochas com tanto peso assim.

Ouça o meu comentário no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

A casa é um bem da vida

27 de novembro de 2008 9

Há um número que considero horripilante nesta calamidade que se abateu sobre Santa Catarina: ontem havia 79 mil desabrigados e, destes, 27 mil tinham perdido inteiramente suas casas.

Não sei se pode haver coisa pior que uma pessoa perder a sua casa.

Perder a casa é um desmoronamento da existência. Perder a casa é o deslizamento da vida.

***

Milhares de pessoas estão desabrigadas mas não perderam suas casas. Estão apenas esperando que as águas baixem para voltar a suas casas.

Mas outras 27 mil pessoas perderam suas casas, das quais não sobraram nenhum tijolo, os alicerces, as paredes, o teto, os móveis. Tudo desabou do barranco e virou lama.

Eu fiquei calculando a dor, o desconsolo, o desespero de uma pessoa que perde a sua casa.

Sem exagero, perder a sua casa é como perder a vida. Pior que perder a vida: é perdê-la, mas sobreviver para enfrentar a tragédia da reconstrução.

***

Quando me casei, aluguei uma casa humilde em São Jerônimo, mas não tinha os móveis. Eu só possuía um colchão e um urinol.

É muito penosa a sorte das pessoas que estão começando a sua vida.

Então vim até Porto Alegre e comprei, na antiga e ex-Imcosul, um armário, dois sofás e uma cama.

Estes meus raros móveis, os únicos que podia comprar com meu salário de inspetor de Polícia (os policiais sempre, eternamente, ganharam mal), foram descendo numa barca pelo Rio Jacuí para me serem entregues no porto de São Jerônimo.

Era tudo que eu tinha, minha vida se resumia a móveis comprados em prestações.

Se eu perdesse esses meus móveis, perdia tudo que eu tinha.

***

Esses 27 mil catarinenses perderam todos os seus móveis, mas perderam mais que isto, perderam suas casas, suas roupas, seus quintais, suas galinhas, seus cachorros, eles perderam literalmente tudo. Ao perderem suas fotografias e outras lembranças, perderam também sua memória.

Fixe bem uma coisa: uma pessoa que assiste a sua casa deslizar de um barranco (e havia não só casas humildes, algumas eram casas muito boas e caras), olha para o lugar em que morava e vê que aquela casa que se esfarelou no deslizamento perdeu também o seu terreno.

Quem perde a casa no deslizamento perde também o terreno, não tem mais onde edificar outra casa sequer.

É uma tragédia pessoal de proporções incalculáveis.

***

Por isso é que fiquei tomado de compaixão por 27 mil pessoas que perderam suas casas, perderam suas referências, sua origem, suas vidas.

Porque uma calamidade dessa ordem determina que a pessoa que tenha perdido sua família entre os mortos permaneça agora com sua casa, mas sem saber o que fará com ela, sem a família.

E determina também outra tragédia: é que a pessoa tenha permanecido, após a inundação, com sua família, mas sem saber o que fará com ela, pois perdeu a sua casa.

É muito mais fácil viver do que reconstruir uma vida.

O sonho da casa própria, quando realizado, é a construção da vida.

O pesadelo da perda da casa é a destruição da vida.

* Texto publicado hoje na página 63 de Zero Hora.

Postado por Sant`Ana