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Posts de janeiro 2009

A viuvez

31 de janeiro de 2009 3

Dinheiro não traz felicidade. A falta de dinheiro é que torna as pessoas infelizes.

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Não se sabe o que mais se desejou em toda a vida: casar-se ou enviuvar.

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Ou seja, por vezes, a suprema ventura é casar-se. Outras vezes, a suprema ventura seria enviuvar.

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Da mesma forma, para alguns a suprema ventura seria enviuvar. Para outros, enviuvar se constitui na pior desgraça.

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Todo o dilema da vida consiste na incapacidade do homem em ser só e na incapacidade de viver com outrem.

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Eu me casaria novamente se me dessem a certeza de que enviuvaria.

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Deus me livre de enviuvar se for para casar-me novamente.

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O único perigo do casamento é não enviuvar.

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Há só uma forma de não sofrer a dor de enviuvar: é não casar-se.

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A separação consiste em os dois cônjuges ficarem viúvos ao mesmo tempo.

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O casamento, por vezes, torna-se uma disputa ferrenha entre os dois cônjuges pela viuvez.

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A pessoa mais desgraçada do mundo é aquela que era infeliz no casamento e ficou mais infeliz com a viuvez.

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Os casais nunca deveriam viajar juntos no mesmo avião. Melhor viajarem em aviões separados: assim, em caso de acidente, um dos dois tem a chance de ficar viúvo.

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Nunca entendi a atração que as viúvas jovens exercem sobre os homens: ao contrário do adultério, qual é a graça em competir com um defunto?

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Há mulheres que sofrem tanto com a viuvez, que deveriam ser tombadas.

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Os homens devem evitar casar-se com as viúvas alegres: elas podem estar atrás de um novo êxito.

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A maior atração do casamento é que só por ele se pode chegar à viuvez.

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Casar é acertar na Quina. Enviuvar é acertar na Mega Sena.

 

* Texto publicado em Zero Hora dominical.

Postado por Paulo Sant`Ana

Um acordo óbvio

31 de janeiro de 2009 21

Quando o tema é hospital público, eu me agito e fico alerta.

Acontece que o Ministério Público Federal, através das procuradoras da República Ana Paula Carvalho de Medeiros e Suzete Bragagnolo, ajuizou uma ação civil visando a que o Hospital de Clínicas de Porto Alegre dedique 100% dos seus leitos e o total dos seus procedimentos médicos ao Sistema Único de Saúde.

Elas destacam na ação que, no setor de radiologia do hospital, muitas vezes os pacientes do SUS podem levar de seis a oito meses para serem atendidos. E que a realização de uma cirurgia eletiva chega a demorar anos para sua concretização.

É que o Hospital de Clínicas reserva parte de sua capacidade para atendimento de pacientes particulares e de convênios privados.

As procuradoras argumentam que o privado serve-se da estrutura do hospital público, que é custeado por quantidade superior de recursos públicos.

 

***

Em nota publicada quinta-feira aqui em ZH, com letrinhas muito pequenas, pelo que dou mais realce agora nesta coluna, a direção do Hospital de Clínicas contra-argumenta que apenas 11% dos leitos são destinados aos convênios, entre os quais o IPE e outros subsidiados por recursos públicos, o que em nada prejudica o atendimento pelo SUS.

Pelo contrário, acresce a direção do HCPA, o atendimento aos convênios gera uma receita que financia o atendimento do hospital excedente ao limite máximo imposto pelo SUS.

Alega a direção do Clínicas que o hospital atende o SUS em mais que os 100% contratados, chega a 113% nos atendimentos de média complexidade, 286% nos atendimentos laboratoriais, 210% na radiologia, 127% na quimioterapia, 106% na hemodiálise e 107% nas consultas.

Em outras palavras, o Clínicas atende o SUS em mais do que lhe compete por contrato, em razão justamente da receita que obtém com o atendimento de apenas 11% de sua capacidade para os convênios.

***

Comovem-me vários dados deste embate judicial. Um deles é que entre os conveniados que são atendidos pelo Clínicas está o IPE, que praticamente é o mesmo que o SUS, com a única diferença de que os associados são ou foram servidores públicos.

Eu não gostaria de ver os sacrificados associados do IPE sem atendimento no Clínicas.

Tocou-me também que as procuradoras tenham citado que há uma demora de seis a oito meses para um exame radiológico no Clínicas. Isso não é aceitável.

E finalmente me comoveu que o Clínicas, como a Santa Casa, tenha inteligentemente ido se valer dos recursos que aufere atendendo aos convênios para destiná-los em primeira e última análise para o melhor atendimento dos pacientes do SUS. Isso é precioso e tem de ser respeitado.

***

Mas também é respeitável a ação que intenta o Ministério Público Federal.

É neste instante que esta coluna pede licença para mediar o conflito, cuja decisão é vital para a saúde pública gaúcha.

É imprescindível que as duas partes entrem em um acordo pelo qual o Hospital de Clínicas continue ocupando somente 11% dos seus leitos destinados aos convênios, portanto 89% destinados ao SUS, desde que cumpra as exigências do Ministério Público Federal no que se refere a zerar a demora nos exames radiológicos, obrigando-se a atendê-los num prazo máximo de 15 dias, alargue um pouco mais o atendimento cirúrgico, de forma a aliviar a imensa fila que há nesse aspecto no SUS.

Em suma, pelo acordo entre as duas partes, que pode ser celebrado no juízo federal competente, o Clínicas não perde seu atendimento aos convênios, o que, se ocorresse, significaria o seu sucateamento, segundo sua direção argumenta – e o Ministério Público Federal veria sua exigência de que sejam alargados os atendimentos do hospital pelo SUS atendida.

Este conflito está clamando por um entendimento.

Espero que as partes e a Justiça Federal o celebrem.

É vital e imperioso para a saúde pública gaúcha que o celebrem.

* Texto publicado na página 39 de Zero Hora deste sábado

Postado por Paulo Sant`Ana

A nossa inundação

30 de janeiro de 2009 19

Ainda bem que são raros os leitores que reclamam do colunista de que ele se debruça sobre assuntos sinistros, entre eles a grave crise econômica que saiu pelo mundo a devorar empregos e ameaça chegar até nós.

Se há um espaço de atividade que não pode deixar de se ocupar com as tragédias é o jornalismo. Até mesmo porque as tragédias são acontecimentos singulares, elas irrompem no cotidiano e alarmam todos.

Se o jornalismo não for se ocupar de tragédias, irá se ocupar de quê? As notícias boas, os fatos agradáveis, estes são ingredientes de rotina, muitos deles passam até despercebidos.

Enquanto que o desastre é uma forte ruptura da normalidade. Todas as atenções se desviam para ele, tornando-se irrecusável ao jornalismo abordá-lo.

***

Vejam esta inundação que caiu anteontem e ontem sobre Pelotas, Capão do Leão, Arroio do Padre, Turuçu e São Lourenço.

Uma senhora narrava à Rádio Gaúcha, ontem, que às 20h de anteontem a água batia à soleira de sua porta, em Turuçu, a Terra da Pimenta. Já tinha envolvido a calçada e ameaçava penetrar na casa a enchente.

Pois, 10 minutos depois, a água já estava atingindo o pescoço daquela senhora, que teve de fugir às pressas, deixando o refrigerador, o televisor, o fogão, os colchões, as cobertas, os móveis todos a boiarem pelas peças. Notem a velocidade espantosa da água.

Uma tragédia que atingiu milhares de pessoas nos cinco municípios.

***

Em Capão do Leão, a fúria das águas atingiu a linha férrea, derrubou um trem de seus trilhos. Ao que constava ontem, o maquinista havia morrido afogado.

Na ponte sobre o Arroio Fragata, entre Pelotas e Capão do Leão, segundo narrativa de uma testemunha, três a quatro veículos, entre eles uma motocicleta, vinham pela estrada e foram acossados furiosamente pelas águas.

Os motoristas calcularam que se atingissem o vão da ponte se salvariam do outro lado.

Só que do outro lado as águas também fustigavam a estrada e a margem da ponte, ficaram encurralados.

Decidiram dramaticamente os motoristas permanecer homiziados em cima da ponte, esperando por melhor sorte.

Só que, se as águas estavam derrubando as duas margens da ponte, inevitavelmente elas acabariam também por derrubar a ponte, se ela estivesse ligada à terra pela estrada.

E tragicamente foi o que aconteceu: a ponte caiu sobre o arroio, levando juntos os passageiros dos veículos.

Até a hora que eu escrevia, ontem, tinham sido recolhidos dois cadáveres por afogamento, um casal que se refugiara dentro de um carro sobre a ponte.

A Defesa Civil estava à procura de outros cinco cadáveres, que estariam também sobre a ponte na hora da queda, inclusive o motociclista, segundo relato de uma testemunha.

***

Interrompeu-se completamente a ligação da Zona Sul pela BR-116, Capão do Leão ficou ilhada, somam-se aos milhares os desalojados, os desabrigados. Muitos perderam tudo com a inundação.

Como poderia furtar-me, não fosse pelo jornalismo seria pela compaixão, de voltar minha atenção para o drama grave de tantos conterrâneos?

Espera-se que a mesma solidariedade que os gaúchos tiveram recentemente com os catarinenses flagelados se verifique novamente com envio de alimentos, roupas, colchões, cobertas e outros itens para as localidades atingidas.

É muito triste e respeitável a dor dos gaúchos atingidos por esta inundação.

Estendamos as mãos a eles nesta hora.

* Texto publicado hoje na página 63 de Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Um profeta genial

29 de janeiro de 2009 21

Chama a atenção que esta colossal crise financeira que debilita a economia mundial não tenha sido pressentida nem pelos maiores países nem pela elite do capitalismo contemporâneo.

As pessoas comuns, entre as quais os leitores e o autor desta coluna, estamos todos espantados que tenham ruído de repente os alicerces do capitalismo em todo o mundo, sem que ninguém com responsabilidade tivesse advertido o mundo sobre esta catástrofe.

***

Ou melhor, um homem só, um solitário economista em todo o mundo previu esta tragédia.

Foi o economista Nouriel Roubini, nascido em Istambul e criado no Irã e na Itália, tendo depois trabalhado em todo o mundo, tendo sido até mesmo assessor político do Tesouro dos EUA.

Há três anos, Nouriel Roubini foi tachado de fatalista e enganador quando detectou uma enorme vulnerabilidade no sistema bancário dos EUA, prevendo o seu colapso.

Em 2006, Roubini fez um discurso no Fundo Monetário Internacional, afirmando, entre outras coisas, que a economia norte-americana corria o risco de um colapso imobiliário e uma profunda recessão, com consequências funestas para o mundo inteiro.

Exatamente como aconteceu e está acontecendo.

***

Ele próprio declara agora que outras pessoas previram o cenário atual, mas ninguém foi tão preciso e tão grave como ele.

Quando é confrontado com opiniões de que só teve muita sorte em prever esta monumental crise e que “até um relógio parado acerta a hora duas vezes por dia”, reage, acusando de ingênuos seus contestadores, que previram crescimento quando a crise já se intensificava.

Ele declara: “Dizer que foi apenas sorte da minha parte é um absurdo. Fiz previsões concretas que acabaram sendo certas. Exatamente certas”.

***

Nouriel Roubini cita um estudo de sua autoria, elaborado em fevereiro do ano passado, faz quase um ano, intitulado “Doze passos para o desastre financeiro”, no qual, segundo ele, “cada passo foi exatamente como a crise se desenvolveu nos últimos seis meses”.

“Eu disse que as duas maiores corretoras dos EUA iriam à falência e não haveria nenhuma grande corretora independente nos próximos dois anos. Ora, bastaram sete meses para a Bear Stearns e o Lehman (Brothers) quebrarem. Não foi uma análise imprecisa da minha parte quando declarei que ocorreria uma crise financeira. Fui bem explícito. E acertei.”

E acertou na mosca, salientando a fragilidade bancária e das corretoras, chamando a atenção para a precariedade do sistema imobiliário e suas anêmicas hipotecas.

***

Ele explica suas exatas e certas previsões com estudos comparativos do padrão de movimento econômico dos EUA com os de países emergentes, notando em ambos a mesma “exuberância irracional’, que na sua opinião só poderia ser seguida de um enorme colapso.

“Tivemos dezenas de sinais distintos de que tudo acabaria num ponto de não-retorno. A ocorrência de uma crise era algo totalmente óbvio para mim.”

***

Mas o mais trágico é que este homem marcado pela genialidade de suas previsões, contrárias a todas as expectativas dos mercados e dos governos até meses atrás, continua prevendo. E prevendo mais tragédias: “Mais fundos hedges (os mais arriscados do mercado) vão quebrar, mas o efeito cascata nem começou a ser sentido. As perdas agora estão concentradas nas hipotecas. Espere até que atinjam os imóveis comerciais, as companhias de cartão de crédito, os empréstimos automotivos, o crédito estudantil e os bônus corporativos. Há uma pilha de coisas. O sistema financeiro está insolvente. Está tecnicamente falido”.

Nouriel Roubini dá a impressão de que agora não há mais tempo para corrigir os males constantes de suas previsões.

E de que é uma fatalidade que entre em ruína em 2009 o sistema capitalista.

Por sinal, a Organização Internacional do Trabalho previu anteontem que em 2009 serão evaporados 52 milhões de empregos no mundo.

Cruzes!

* Texto publicado hoje na página 55 de Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

O bebê emborcado

28 de janeiro de 2009 9

Esses dias, fiz uma coluna afirmando que o acaso preside as nossas vidas.

Não tenho dúvida nenhuma sobre isso. Todos nós somos fruto do acaso. Tanto que eu não existiria se meu pai não tivesse tido o impulso de ir naquele baile, no distante ano de 1938, em que conheceria a minha mãe.

Se eu não tivesse vindo, no distante ano de 1971, até a redação de Zero Hora, não sei para fazer o que, se naquela ocasião o Cândido Norberto não tivesse me convidado para falar no microfone do Sala de Redação, um convite absolutamente sem propósito, eu não teria me tornado jornalista de rádio, jornal e televisão.

Minha vida se transformou completamente depois que aceitei o convite do Cândido.

Se eu não estivesse passando no corredor do jornal quando o Cândido me avistou, outra pessoa estaria agora escrevendo esta coluna, minha vida teria tomado uma outra qualquer direção que não esta por onde enveredei.

***

Assim como a vida do leitor ou leitora que está me lendo. Toda a sua vida, praticamente toda, foi determinada pelo acaso.

Se Barack Obama não tivesse sido abandonado pelo pai queniano, não seria hoje presidente dos EUA.

Se Lula da Silva não tivesse embarcado naquele pau-de-arara, há 50 anos, no distrito de Caetés, município de Guaranhuns, não seria hoje presidente da República.

Se aquela pombinha, da qual não me esqueço, não tivesse ido para a beira do lago do Parcão, com o fim de especular petiscos, não teria sido apanhada pelas maxilas daquele cágado que abocanhou o seu pescoço.

Todos os passos decisivos da nossa vida são decididos pelo acaso.

Para o bem ou para o mal.

Parece que Deus criou os homens e jogou-os no mundo para serem administrados pelo acaso.

***

Mais uma obra fatal do acaso, com impressionantes tinturas, nos é dada a conhecer pelos jornais: um bebê de 11 meses, na Vila Operária, em Passo Fundo, morreu afogado num balde.

É tragicamente intrigante.

Quantos milhares de bebês não morreram nas inundações recentes no Vale do Itajaí, para que um bebê morra afogado num balde em Passo Fundo?

É fácil imaginar como se afogou num balde esse bebê. Recém estava aprendendo a caminhar, passeava pela sala onde havia um balde cheio de água.

É obsessivo nos humanos a procura pela água, tanto que no verão 1 milhão de gaúchos se dirige para o Litoral e outro milhão se refocila nas águas dos rios, dos riachos e dos arroios.

E o bebê foi tentar brincar com a água do balde, uma água que o refrescasse do tórrido verão.

É bem provável que esse bebê tivesse se aproximado do balde e se inclinado para beber a água.

E, ao inclinar-se, emborcou no balde.

***

O acaso fez o menino andar por uma peça da casa enquanto a mãe dava banho em seu irmão gêmeo noutra.

Por que não era o outro irmão que estava na peça do balde? O acaso.

O acaso também fez que o balde não virasse quando o menino emborcou nele.

E imagino a cena patética do bebê com a cabeça no fundo do balde, esperneando, sem ninguém prestar-lhe socorro.

Uma tempestade em copo d’água.

Não foi num tanque, não foi numa piscina, no que o menino se afogou. Foi num balde.

O acaso é sem dúvida o personagem principal do teatro da vida.

* Texto publicado hoje na página 47 de Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Mais vítimas da crise

27 de janeiro de 2009 10

Para reforçar a coluna de ontem, surgiram à tarde novos números atordoantes de demissões: as 12 maiores montadoras do Japão anunciaram ontem o corte de 25 mil empregos; a Caterpillar, fabricante de maquinário agrícola, anunciou o corte de 20 mil empregos; a gigante holandesa da eletrônica Philips vai demitir 6 mil; o grupo holandês de bancos e seguros ING vai desligar 7 mil funcionários.

E, no Brasil, a Federação das Indústrias de São Paulo anunciou que em dezembro foram fechados 130 mil postos de trabalho.

Credo! Valha-nos, Deus!

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Leia mais sobre essa notícia:

Multinacionais demitem mais de 70 mil em um dia

Minha colega Marta Sfredo, de Zero Hora, analisa os impactos dessa demissão em massa:

 

 

Postado por Sant`Ana

A favor da compra do avião

27 de janeiro de 2009 41

Já escrevi duas colunas opinando contra a aquisição de um avião pelo Estado, para servir à governadora.

Na segunda coluna, afirmei que não conheço ninguém que seja a favor da compra desse avião.

Como me incomoda muito a ideia de cometer injustiça, dois leitores, pessoas articuladas, mandaram me dizer que são a favor da compra do avião.

Cumpro, assim, o dever ético de registrá-los. 

O primeiro leitor que se mostra entusiasmado com a compra do avião é Sandra Silva (sandra.silva@brturbo.com.br), de Alegrete.

Ela diz o seguinte, entre outras coisas:

“O avião não é para a governadora, como se diz na imprensa. O avião é para o Rio Grande do Sul. Dona Yeda é apenas uma passageira do avião e do tempo. Yeda parece ser uma mulher destemida, quase lembrando Anahy de las Misiones. Não nasceu neste solo ensanguentado por lutas e disputas políticas, mas que é uma chinoca brava, ah!, isto não dá pra negar. Pois, pois, meu querido Pablo, não tenho filiação partidária com o PSDB, portanto sou isenta de paixões políticas. Mas acredito que seria oportuna a aquisição desse aeroplano. Do jeito que andam as economias, daria até para barganhar o preço do avião. E, afinal, chega desse baixo-astral no Rio Grande. Em vez de falarmos em pobreza e crise, vamos falar em grandeza. É lei física, Pablo, que, milhares pensando além, distante ficará o aquém. Yeda pode ser teimosa, mas, se encasquetou de comprar o avião, é porque foi tomada de mediunidade feminina, que nunca erra. Pode dizer para a governadora que, se houver o plebiscito que Pablo sugere, além dos votos dela e dos pilotos, vai ter o meu. Sem medo de errar e arruinar o Rio Grande”. 

O outro que apoia a compra do avião é Carlos Lageman, administrador de empresas e pós-graduado em Negócios Internacionais e Educação Executiva em Empreendedorismo pela Harvard Business School (carlos@lageman.com.br).

Ele afirma:

“Sei que o que vou afirmar será motivo de chacota em muitas rodas, por outro lado, após a confirmação do que digo poderei deleitar-me sobre os corneteiros de plantão. Os motivos que favoreceriam a compra do avião são pequenos detalhes que poderiam fazer a diferença em prol do desenvolvimento do Estado. Mesmo politicamente antipática, a ação de comprar o avião coloca os holofotes sobre a principal líder e demonstra fé em momento crítico (a crise). A governadora possui informações estratégicas privilegiadas, distantes do dia-a-dia. Exemplo: o RS tem a possibilidade de se tornar um grande fornecedor de energia limpa com o maior parque eólico do mundo. O poder de persuasão é potencializado junto a Brasília, onde ocorrem os canetaços de vastos recursos federais, bem como junto a investidores de porte que venham visitar-nos para ver com os próprios olhos aquilo que nos enche de orgulho (o missivista deve ter concluído daí que o avião é essencial para fazer esta costura). O avião não se trata de luxo, e sim de uma excelente ferramenta de trabalho, que ficaria disponível para o próximo governador eleito. O investimento representaria valores pequenos no contexto dos números com que o Estado trabalha e se pagaria em muitas vezes com os resultados que iria gerar. Eu diria que, se a doutora Yeda der o passo certo, poderá ser tão grandiosa quanto Obama. Entendo, portanto, que a ação seria correta”.

Estão aí, portanto, duas opiniões a favor da compra do avião, alicerçadas no otimismo. Querem que a governadora voe alto para enfrentar a crise.

Respeitáveis.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Alex Mineiro

26 de janeiro de 2009 31

Dirigi-me ao Estádio Olímpico paciente e obediente no sábado. Queria ver o esboço do time de Celso Roth com vistas à Libertadores, que está diante das nossas portas.

Gostei muito do Ruy, lateral direito, fiquei impressionado com o progresso de Jonas.

Mas o que mais eu queria ver foi o que mais notei, embora o detalhe pudesse não ter sido observado pela maioria das pessoas: Alex Mineiro.

Eu não o notava muito no Palmeiras, por isso fui tirar a dúvida: Alex Mineiro é notável no passe, no lançamento, de uma inteligência invulgar para colocar seus companheiros de ataque em excelente situação.

Vendo Alex Mineiro jogar contra o Esportivo, lembrou-me ele de André Catimba.

Não quero ser apressado em entusiasmar a torcida gremista, mas me parece que estamos diante de uma colossal contratação.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Um cenário horripilante

26 de janeiro de 2009 14

A crise começa a mostrar a sua face mais assustadora: o desemprego.

“Tudo, menos o desemprego” podia ser um slogan animador para enfrentar a crise, mas de todos os cantos do Brasil surgem notícias de que a desativação da atividade econômica ceifa implacavelmente os postos de trabalho.

Inicialmente, o alvo preferencial das demissões se localiza nos contratos temporários e nos serviços terceirizados, fica mais fácil para as empresas demitir nesses setores de frágil relação trabalhista.

Mas o governo federal começa a se assustar com o espectro da diminuição de jornada de trabalho e redução de salário, uma proposta que é tanto estimulada pelas empresas quanto pelos trabalhadores. 

Há quedas nas vendas das indústrias calçadistas, como também nos setores de mineração e metalurgia.

Há uma violenta queda nas exportações, 20% no volume e 30% no montante em dinheiro, apesar da enorme valorização do dólar.

Não há um só setor da economia, com exceção das montadoras, que tiveram o incentivo da redução de impostos na ponta da aquisição de veículos, que não esteja demonstrando uma inédita e violenta queda na produção em 2009, na relação com os anos anteriores.

Mesmo o setor automobilístico decaiu, em razão principalmente das dificuldades para a obtenção de crédito.

O cenário é de devastação. 

Quando se anunciou a crise no último semestre de 2008, ninguém conhecia o seu alcance.

Nos dois meses seguintes, esta coluna e todos encararam a crise com zombaria: perguntávamos “onde está a crise?”, sem percebermos na vida cotidiana os seus efeitos.

A crise já estava se desenvolvendo em velocidade rápida, faltavam apenas os dados estatísticos, que estavam sendo compilados e agora começaram a surgir desafiadores.

Aos juros altos, à falta de crédito, à queda na demanda, juntaram-se agora dois dados aterrorizantes: o desemprego e a inadimplência.

Tanto das pessoas físicas quanto das jurídicas, a inadimplência cresce com índices muito elevados.

Isso que a inadimplência das empresas é registrada para efeitos estatísticos quando se completam 90 dias das dívidas não quitadas.

Quando começarem a se completar com mais intensidade, depois desse início de crise, 90 dias das dívidas não saldadas, imaginem a que nível irá a inadimplência!

Não chegou o Carnaval e já os estrondos da crise estão batendo em nossas bigornas e martelos.

Ao findar o veraneio, todos nós estaremos ingressando num cenário de horror, uma recessão jamais vista no país, ao que se calcula.

Não era marola, era tsunami.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Infância feliz de hoje

24 de janeiro de 2009 9

Entende-se de baixo nível a televisão brasileira, mas desconhece-se a função primordial de lazer que ela encerra para as multidões brasileiras.

 

Eu me lembro de que, na infância, há 50 anos, a única diversão que eu tinha era anunciada: a matinê de domingo no Cinema Brasil, Avenida Bento Gonçalves, ou no Cinema Miramar, na Aparício Borges.

Eu ficava a contar os tostões durante toda a semana, na esperança de que eles pudessem bastar para comprar a entrada da matinê de domingo. Era um dia só de diversão, uma data marcada, uma solenidade para o espírito, a única grande atração da arrastada existência infantil daquele tempo.

***

E lá ia eu para ver o Gunga Din, Sansão e Dalila, com Hedy Lamarr e Victor Mature, todos os filmes de Robin Hood, os seriados completos ou parte deles, Aladim e a Lâmpada Maravilhosa, o sonho de criança embalado uma vez por semana, apenas uma tarde, o resto era estudo ou trabalho.

À noite, nós, crianças, íamos dormir cedo, logo depois da janta. O rádio era odiosamente privativo dos nossos pais, que o colocavam na cabeceira da cama de casal do quarto e ficavam até tarde a ouvir as novelas ou os programas de auditório. Se por vezes algum programa nos interessava, tínhamos que ir de pé em pé até a porta do quarto dos pais e espreitar na escuta clandestina.

***

Hoje, quando vejo as crianças de posse do seu televisor no quarto, ou até mesmo dividindo com os pais o aparelho da sala, os mais bem dotados com seu computador particular, noto que nem imaginam como são felizes em comparação com a nossa infância oprimida e sem acesso à cultura e ao divertimento.

As crianças de antigamente viviam na escuridão, escravizadas na relação tímida com as outras na escola ou nos folguedos das ruas, sem a visão universal da realidade que a televisão hoje lhes empresta, tornando-as desde cedo intelectualmente mais ágeis, na verdade mais preparadas para a vida, sem a prisão dos tabus, sem medo do sexo, sem segredos, mas principalmente mais divertidas e prazerosas, curtindo a existência em todos os momentos do dia.

Se as crianças de hoje soubessem como foi triste e monótona a vida de seus avós e ancestrais, se apiedariam deles e ao mesmo tempo agradeceriam aos céus a vida venturosa que têm, incomparavelmente mais atraente e mais vasta, melhor curtida, mais intensamente vivida, justamente no período mais fértil da formação do espírito e da inteligência.

Não tenho dúvida de que o passado apenas serviu para emburrecer as gerações, em comparação com a civilização atual. Uma criança de hoje, na média, seria considerada gênio perto de uma criança de antigamente. E a diferença é a alegria do conhecimento que a criança de hoje desfruta, enquanto as crianças de outrora eram condenadas a só o acessarem nos burocráticos e frios bancos escolares.

***

Este é o mais importante lado do progresso, que nos passa despercebido. Se o homem mergulha hoje na depressão e no estresse muito mais do que antigamente, é também porque se verifica um choque entre a sua infância bem nutrida de conhecimento e lazer e a dura realidade da vida de adulto, que tem de dar duro para subsistir.

Enquanto antigamente as crianças se libertavam do seu período de sombras da infância quando se tornavam adultos, hoje se verifica o contrário. O trabalho, que antes era o céu para o homem que se livrava das cavernas da infância, hoje, até mesmo pela incerteza do desemprego ou dos salários insuficientes, é a grande decepção dos adultos que viveram um tempo de deliciosas aventuras pelo terreno de sonho da infância descompromissada diante da televisão.

*Crônica publicada em 12 de abril de 1999 e republicada na edição dominical de ZH

Postado por Paulo Sant’Ana

Avião delirante

24 de janeiro de 2009 34

Leio com respeito os jornais afirmarem que a prioridade do governo gaúcho é a compra de um avião para a governadora.

Zero Hora de ontem anunciou que foram fechadas na China 670 mil fábricas em razão da violenta crise financeira mundial.

Ora, 670 mil fábricas fechadas significam obviamente mais de 10 milhões de empregos extintos. É fantástico o número. 

Mas a governadora declarou anteontem que quer pôr em discussão a compra de um avião a jato para seu uso.

Todos os jornais noticiaram ontem que a Microsoft irá demitir 5 mil funcionários.

E estima-se entre as multinacionais que a Circuit City vá demitir 30 mil funcionários.

A Intel está demitindo 6 mil trabalhadores.

A BHP vai degolar 6 mil funcionários.

A Ericsson vai demitir 5 mil.

A Eaton está demitindo 5,2 mil trabalhadores.

A Hertz porá no olho da rua 4 mil trabalhadores.

A Honda demitirá 3,1 mil funcionários.

A Rio Tinto demitirá 2,6 mil.

A Pfizer demite 2,4 mil.

E a AMD desliga de seus quadros 1,1 mil funcionários. 

A proposta da Vale do Rio Doce é licenciar milhares de empregados mediante o pagamento de apenas meio salário.

Isto que a Vale do Rio Doce já demitiu 1,3 mil funcionários. 

Como se vê, a crise é mastodôntica, aterrorizante.

Fatalmente ela atingirá os cofres do governo do Estado.

Não é crível que, diante de uma crise concretamente demolidora, o governo do Estado do RS esteja querendo pôr em discussão a compra de um avião a jato caríssimo para uso da governadora. 

Evidentemente que, diante de crise assim tão avassaladora, nenhuma empresa do mundo esteja querendo adquirir avião a jato para seus dirigentes e executivos.

O Rio Grande do Sul é uma empresa. Como é que o Estado marcha então no contrafluxo da crise mundial pretendendo adquirir um avião a jato para a governadora? 

É lógico que se achará utilidade para um avião que transporte a governadora.

Mas essa aquisição tinha de ser feita numa época de esplendor financeiro, jamais no vórtice de uma crise econômica aterradora.

A compra de um avião, neste instante delicado, não poderia aparecer nos jornais como assunto prioritário para o Estado. 

Até agora não apareceu sequer uma pessoa que apoiasse a aquisição desse avião.

Todos os que se manifestaram até aqui são contra a compra de um avião, principalmente no instante em que o mundo vive essa tremenda crise.

Desde os jornalistas até os deputados da base aliada, unanimemente dizem que não é o momento para a compra do avião.

Incrivelmente a governadora quer discutir com a sociedade a compra do avião. Ela insiste em comprar um avião, é inacreditável.

Se ela for fazer um plebiscito, insisto em que vivemos uma crise de incalculáveis proporções nocivas, 99% dos gaúchos votarão em que é condenável querer comprar avião nesta hora.

Favoráveis à compra do avião deverão votar nesse suposto plebiscito somente a governadora e os quatro pilotos necessários para manter a aeronave.

Mas a governadora pôs em discussão anteontem a compra do avião.

Há assuntos que não têm discussão. Só têm teimosia.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Propaganda enganosa

23 de janeiro de 2009 48

Uma cena de documentário animal foi colhida tanto em fotografia quanto em filme pelo fotógrafo Ronaldo Bernardi, no Parcão, pleno centro de Porto Alegre.

Disseram para o fotógrafo que as pombas estavam sendo devoradas pelos cágados do lago do Parcão.

Ele foi lá e com certeza depois de muita espera deu o flagrante, digno de um documentário do Animal Planet, o canal da Net que se ocupa da vida selvagem.

As pombas ficam ali na beira do lago, ciscando. Alimentam-se de insetos, sanguessugas, pequenos peixinhos que vêm até a beira do lago.

E nem se importam quando de dentro do lago irrompe a figura do cágado (tartaruga de água doce).

Atrevem-se as pombas a ciscar nas proximidades dos cágados, certamente enganadas pela lentidão do quelônio (as tartarugas são conhecidas, junto com as lesmas e as preguiças, como os animais mais lentos da natureza).

Mas a agilidade com que o cágado catapultou seu pescoço de dentro da carapaça até o pescoço da pomba e abocanhou a sua presa foi impressionante. Abocanhou e levou a pomba para dentro do lago, dividindo com os outros cágados a carne macia da pombinha sacrificada.

As tartarugas não têm dentes, mas suas maxilas, os ossos em que se implantam os dentes, funcionam como torqueses. A pomba, na visão do vídeo e da foto, foi trucidada pelo cágado.

A impressão que aquelas pombas deram, indiferentes ao surgimento do cágado saindo do lago, foi de que as aves não possuem registro genético de perigo quanto ao cágado.

A pomba, não por acaso, é um símbolo de paz, ela se entrega candidamente aos outros seres, basta ver como nas praças as pombas convivem com as pessoas e ingenuamente vêm até comer nas mãos dos transeuntes.

Essas pombas precisam, não sei de que jeito, ser advertidas de que vão ser dizimadas pelos cágados.

Um biólogo disse ontem em Zero Hora que ninguém deve intervir nessa caçada: o rumo da natureza deve seguir normalmente. Segundo o técnico, o abate de pombas pelos cágados serve até para a regulação da população dessas aves.

Discordo humildemente, mesmo que tenha quase certeza de que estou errado: pomba não é presa habitual de cágado, o que está acontecendo é uma circunstância especial de desaviso das pombas do Parcão.

A prefeitura não está alimentando os cágados do lago e eles passaram a se constituir em perigo inédito para as pombas.

Os cágados se alimentam de animais mortos. Mas a crise anda tão forte, que agora eles passaram a atacar os vivos.

Os leitores devem ter notado que me posicionei em defesa das pombas.

Sei que na natureza existe a lei da convivência entre a presa e o predador, o ataque da primeira contra o segundo é um acontecimento natural que equilibra a ambiência natural.

Mas como não ter pena de uma pombinha que geneticamente trata de se precaver e proteger de cobras e aranhas, mas não dá nem bola para os cágados, inimigos novos que ela não cataloga como seus exterminadores?

Fiquei com pena das pombas. Elas têm o direito de morrer de velhas, como acontece com todos os pássaros, menos, é claro, com os que são atacados pelas aves de rapina.

Mas cágado rapineiro é um expediente que certamente não está catalogado na ordem natural.

E cágado, que tem fama de lento, sendo rápido no bote certeiro contra a pomba, para mim não passa de sórdida propaganda enganosa.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Sofrimento

22 de janeiro de 2009 15

Charles Guerra

Que início estranho de campeonato gaúcho este! Em pleno Beira-Rio, o plantel luxuoso do Internacional apenas empata com o humilde Santa Cruz.

E, em Santa Maria, o Grêmio decepcionou, apenas empatando com o Inter de lá.

Se prosseguir assim a dupla Gre-Nal, vai encher de sofrimento seus torcedores em 2009.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Mernsagens 3

22 de janeiro de 2009 4

E fico sabendo que o Cláudio Duarte entrou na corrente de solidariedade em favor do Brasil de Pelotas, passando a treinar o time sem cobrar um tostão por isso. Que bela atitude. É ele mesmo quem conta: “Fala, meu amigo Sant’Ana. Atendendo ao pedido do Noveletto, do Silvio Balverdu, e meu mesmo, estou indo hoje para Pelotas assumir o Brasil, depois do triste acidente.

Como deves saber, vou sem custo de salário nenhum ao clube.

Acho que vale a pena participar deste mutirão de esforços.

Até porque, como fui convidado em dezembro para assumir o cargo de treinador e não pude, em virtude do trabalho de fisioterapia que fazia no joelho(que já tem seis cirurgias), sinto que devo ajudar nesta hora.

Tomara que eu tenha sucesso nesta tarefa.

Preciso, e quero, contar contigo. Um abraço. Deseje-me sorte. (ass.) Cláudio Duarte (crpduarte@yahoo.com.br).

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Mensagens 2

22 de janeiro de 2009 1

É verdade, uma vez sugeri isto, sem saber que Charlie Chaplin o tinha sugerido antes de mim. Mas vejamos o que é no e-mail que me foi enviado: “Paulo, Pablito, ou Sant’Ana, meu amigo diário de colunas de ZH, certa feita me lembro que escreveste em certas colunas sobre dois assuntos. O primeiro, que o homem deveria nascer idoso e rejuvenescer até virar criança de novo, e outro sobre o acaso de como certas decisões nas nossas vidas, como atravessar ou não tal rua, podem interferir no destino (inclusive nesse ultimo trágico acidente no centro de Porto Alegre que vitimou mãe e filha, uma obra do acaso). E, enfim, sugiro ao amigo assistir ao excelente filme O Curioso Caso de Benjamin Button, em cartaz nos nossos cinemas.

Um filme que conta a história de um homem que nasce bebê com aparência de 80 anos e passa a vida rejuvenescendo. Enfim, um dos filmes mais belos que já assisti, que vem ao encontro de tudo aquilo que escreves sobre a arte do tempo, em que somos meros viventes em busca de um destino que não foi traçado… Enfim, Pablo, sugiro ao amigo assistir a esse grande filme. Abraço do amigo Lauro Arreguy! (Lauro Marcelo Roth, laurobass@yahoo.com.br)”.

*Texto publicado hoje em Zero Hora.

Postado por Sant`Ana