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Posts do dia 14 fevereiro 2009

A cirurgia plástica

14 de fevereiro de 2009 4

Lembro-me bem de quando, há mais de 30 anos, levado pela mão generosa do dr. Sílvio Zanini, fui parar na famosa clínica do dr. Ivo Pitanguy, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.

Um ano antes, o dr. Pitanguy tinha examinado detidamente o meu rosto e decidira não me operar, no dizer dele para “não agredir a recuperação de uma paralisia facial que estava em curso”. Mandou que eu voltasse um ano depois.

Quando meu nervo facial foi seccionado inteiramente numa cirurgia no ouvido médio, fiquei com a face desfigurada, um verdadeiro Frankenstein.

Cheguei a pensar que nunca mais trabalharia em televisão e até em rádio, o sério acidente cirúrgico acabou por adulterar minhas feições, suprimiu definitivamente a metade esquerda da expressão da minha face, além de entortar o meu sorriso e avariar profundamente a minha dicção.

***

Apesar do duro golpe, sobrevivi. Quando voltei à televisão, quatro meses depois, recordo-me que me receberam com flores no estúdio, tive o carinho dos meus colegas e a compreensão do público, estima e complacência que até hoje perduram.

Mas voltando ao dr. Pitanguy, que é o assunto que me empolga. Quando finalmente ele decidiu por realizar um lifting no meu rosto, recordo-me que ao dirigir-me na maca para a sala de cirurgia, pedi a ele que aproveitasse a ocasião para tirar as três rugas da minha testa.

Ele, de avental verde, me respondeu: “Ah, isto é muito difícil”.

Em dois minutos, eu estava sedado, inteiramente submetido à extraordinária habilidade do maior cirurgião plástico da história da medicina.

 

***

Quando horas mais tarde me acordei da anestesia, o Éldio Macedo e o saudoso político Mário Ramos estavam à beira do leito para me emprestar solidariedade, tinha se operado no meu rosto um milagre: olhando para as fotos de antes e depois da cirurgia, senti que minha vida profissional estava salva e meu aspecto tinha se tornado socialmente aceitável.

E, por generosidade do grande cirurgião, ele de inhapa fez desaparecer as três rugas da minha testa. Disse-me ele que nunca um paciente seu havia sangrado tanto na costura do couro cabeludo: perdi três litros de sangue.

No dia seguinte à cirurgia, o dr. Pitanguy levou até meu leito um repórter do New York Times, que me entrevistou sobre os clientes do notável cirurgião que foram por ele reabilitados para exercer seus papéis no cinema e na televisão.

Nunca vou me esquecer da gentileza, da humanidade, da serena e cordial sabedoria do dr. Ivo Pitanguy.

Ele foi decisivo em meu rosto para 75% da correção do acidente, que até hoje ostento.

 

***

Escrevo isso porque certamente se deve a Pitanguy o extraordinário avanço da cirurgia plástica no Brasil. O cirurgião dos reis e dos atores de cinema célebres que passaram por suas mãos é o maior responsável por exercermos no mundo uma notável liderança em cirurgia plástica, atraindo para o Brasil milhares de estrangeiros que vêm anualmente submeter-se a operações reparadoras ou estéticas em nosso país, provindos muitos deles dos EUA e da Europa.

 

***

De setembro de 2007 a agosto de 2008, portanto um ano, foi realizado o número de 629 mil cirurgias plásticas no Brasil. Um número fenomenal, não igualado por nenhum outro país.

Pela primeira vez, no ano passado, os implantes de silicone (96 mil no período citado) ultrapassaram as lipoaspirações (91 mil).

As mulheres foram as que mais procuraram os procedimentos estéticos: 402 mil, contra 55 mil homens.

Mas o número que mais impressiona é o de que, por dia, são realizadas 1,2 mil cirurgias plásticas no Brasil. Por dia!

E se popularizou tanto entre nós a modalidade, que esses dias restamos aturdidos quando o governo federal autorizou o funcionamento de consórcios para cirurgias plásticas.

A cirurgia plástica está transformando para muito melhor, numa ajuda milagrosa à natureza e à criação, ou em consertos prodigiosos aos acidentes e sinistros, os rostos e os corpos dos brasileiros.

 

*Texto publicado na edição dominical de Zero Hora

Postado por Paulo Sant’ana

Plano Saci

14 de fevereiro de 2009 13

* Texto publicado na página 47 de Zero Hora


Contando, ninguém acredita, mas acontecem coisas do arco-da-velha em nosso meio.

A leitora Cristina Emília Schüneman (cristinaemilias@yahoo.com.br), assinante de Zero Hora e fiel leitora desta coluna, residente em Panambi, associou-se a um plano de saúde, descontando em seu salário há cinco anos as prestações do plano.
Agora, por disposição genética, está enfrentando problemas com varizes em ambas as pernas.
Foi até o médico, que lhe prescreveu um exame denominado Ecodoppler Vascular.
Dirigiu-se até o plano de saúde para obter a autorização para o exame.
Qual não foi sua surpresa quando, no plano de saúde, lhe disseram que só autorizam o exame para um membro apenas.
Ou seja, só fornecem autorização para o exame radiológico de uma perna. Das duas, não.
Não estou publicando o nome do plano de saúde, um dos mais famosos e prestigiados, porque só tenho a versão de uma parte, não gostaria nem de fazer injustiça nem de arranjar incomodação.
Mas é risível. O que deve ter acontecido é que o plano tem um teto de cobertura para exames e esse teto deve ter sido superado em uma perna só. Se fosse submeter as duas pernas ao exame, ultrapassaria esse teto.
Mas isto é ridículo! Como é que uma pessoa só tem cobertura do plano de saúde para uma perna? E a outra perna?
Quando for com um oftalmologista, a pessoa só pode tratar de um olho?
E, quando for com otorrino, só pode tratar de uma narina?
Que negócio esquisito é este de saúde somente para uma metade do corpo?
Esses planos de saúde estão exagerando em suas exigências e nos limites que impõem a seus associados.
Imaginem a sensação dos segurados: “Metade de mim está segurada, se adoecer a outra metade, que se rale”.
Isto causa uma insegurança às pessoas que têm duas pernas, dois braços, dois ouvidos, dois olhos, dois rins, portanto as pessoas normais.
Imaginem, só uma perna pode ser tratada: a esquerda ou a direita.
A saúde no Brasil já estava em colapso. Agora, tratando as pessoas só pela metade, pobre do povo brasileiro.
Esse plano de saúde tinha de mudar de nome. Tinha que ser Plano Saci, só sai satisfeito quem tem apenas uma perna.
Eu acho a exigência desse plano uma idiotice: que custava fazer o exame nas duas pernas?
Até mesmo porque, se for por causa do preço dos exames, como eu suponho, a paciente poderia requerer exame para a perna esquerda, dali a 15 dias iria lá no plano e pediria autorização para exame da perna direita.
Mas não, a burocracia envenenada submete o paciente à humilhação de ver-se diminuído, constrangido, humilhado, só podendo examinar uma perna, quando as duas pernas estão com varizes.
É uma estupidez tão grande, que estou com vontade de publicar o nome do plano de saúde.
Ou, então, publico o nome do plano pela metade.

Postado por Sant`Ana