O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, saiu-se com uma muito boa: “O litro da gasolina que sai das refinarias é mais barato que o litro de água engarrafada. O que encarece para o consumidor é a margem de lucro das distribuidoras e os altos tributos”.
De um lado, espertamente, o presidente da Petrobras faz surgir um terceiro componente para fixação do preço da gasolina: antes era só o preço do dólar e o preço do barril de petróleo.
Agora o presidente lança um terceiro fator causal para o preço da gasolina: o preço da água.
Isso é para confundir.
Porque ele disse que o preço da gasolina é mais baixo que o da água engarrafada.
Mas escondeu maliciosamente que o preço que pagamos pela água que jorra na torneira das nossas casas é mais de mil vezes inferior ao preço da gasolina.
E a Corsan e o Dmae industrializam a água como a Petrobras industrializa a gasolina. Ambas são riquezas minerais que o homem capta gratuitamente e consome.
E o preço da água é mil vezes inferior ao preço da gasolina.
O preço da água engarrafada, este sim é superior ao preço da gasolina.
Mas a Petrobras não vende a gasolina engarrafada. Vende-a por entrega das refinarias aos caminhões.
Tem o mesmo trabalho que a Corsan e o Dmae têm para entregar a água a nós, consumidores.
Portanto, a água que interessa, a que consumimos em nossa casa, é mil vezes mais barata que a gasolina.
O presidente da Petrobras usou apenas de um truque retórico para driblar a opinião pública brasileira e tentar justificar que vendemos a gasolina mais cara do mundo no Brasil, em dólares.
Não tem justificativa.
* Texto publicado hoje na página 63 de Zero Hora.
Postado por Sant`Ana
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