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O aperto de mãos

29 de abril de 2009 9

Sempre conto que, quando era criança, lia todos os dias nos bondes o seguinte cartaz: “Evite o aperto de mãos. Um conselho do Departamento Estadual de Saúde”.

Por causa disso, inúmeras pessoas, quando me encontram na rua, dizem que gostariam de apertar minha mão, mas hesitam por eu desconfiar desse tipo de saudação por conter inconveniências para a saúde.

Um conhecido e célebre médico gaúcho não se furtava a apertar a mão de ninguém, mas sempre que o fazia ia no banheiro e lavava suas mãos com um líquido especial que continha álcool entre seus integrantes. Era uma obsessão do cientista.

Pois agora vejo que nos EUA e no México, onde já grassa a epidemia da gripe suína, as autoridades estão pedindo a todos que evitem apertar as mãos dos outros.

Aconselham até a evitar os abraços e também os beijos. Mas a insistência maior é com o aperto de mãos.

E logo em seguida vem o conselho de lavar as mãos várias vezes por dia com água e sabão, conselho que é dado no interior dos hospitais e das clínicas, mas que não tem muita divulgação e por isso não é muito seguido.

O fato é que não há talvez no corpo humano uma parte que contenha mais micróbios de todas as espécies, bactérias de todos os tipos do que as mãos.

E todas as bactérias contidas em nossas mãos são facilmente transmissíveis às mãos dos outros que apertamos e a tudo que tocamos.

Aquele velho conselho que eu lia nos bondes era sábio, as nossas mãos são condutoras de muitas doenças, a mais vulgar é a gripe, mas há outras doenças mais graves que são transmitidas pelo aperto de mãos.

As mãos são os instrumentos que usamos para manter contato com o mundo.

Nós contamos dinheiro com as mãos, e não existe nada mais sujo que essas cédulas de dinheiro que passam durante anos pelas mãos de milhares de pessoas e não são desinfetadas.

Já imaginaram em quantos objetos e lugares nós pomos as mãos durante o dia, onde centenas de pessoas também tocaram e depositaram ali as bactérias que traziam em suas mãos?

Usamos as mãos para limpar nossos corpos, mas isso quer dizer que nossas mãos tocam nas sujeiras de nossos corpos.

Uma das recomendações que estão circulando nos EUA e no México é de que as pessoas não levem as mãos à boca quando espirrarem ou tossirem.

Estive pensando que essa recomendação não visa a proteger a saúde de quem espirra ou tosse, pois essas pessoas já estão impregnadas dos vírus das doenças respiratórias.

Essa recomendação visa a proteger a saúde das outras pessoas que serão tocadas pelas mãos de quem espirrou ou tossiu e verão as bactérias da gripe e da tosse transmitidas para si.

Ou pelas mãos de quem está infectado ou pelos objetos que são tocados pelos que estão infectados.

É tão grande a obsessão da medicina contra o aperto de mãos, que no México e nos EUA estão aconselhando os que espirram e tossem que não levem as mãos à boca, e sim um canto do braço.

Há dois perigos de contaminação: o ar e as mãos.

O ar não podemos purificar, mas está a nosso alcance evitarmos que nossas mãos sejam infectadas, não apertando as mãos dos outros e lavando as nossas mãos várias, inúmeras, incontáveis vezes por dia.

Este conselho de não apertar as mãos pode ser interpretado como um óbice às relações sociais afetivas.

No entanto, se substituirmos esse costume de apertar as mãos por outro gesto ou por palavras, aos poucos, durante vidas e gerações, quantas doenças poderão ser evitadas?

*Texto publicado na página 51 de Zero Hora de hoje

Postado por Sant`Ana

Comentários (9)

  • Paulo Leonel diz: 30 de abril de 2009

    Oh,sumidade!!(Gostei dessa.)Como tu és a pessoa mais coerente e com visão de realidade que conheço,é lógico que já te deste conta de que esta é apenas mais uma variação(mutação)que acontecem a cada minuto com todos os virus da natureza,apenas com um pouco mais de potencia,imagino.H´bitos de higiene tem que ser normais em nosso dia a dia.Oque será dos mendigos e dos relaxados(porcos)desse mundo se não pudermos dar nem ao menos um aperto de mão?Anticorpos são o que nos garantem contra doenças.Abra

  • LUCIO MARTIM diz: 29 de abril de 2009

    Oh sumidade !!! esquecestes do principal, as comidas expostas nos buffet`s, cheio de gente em volta, tossindo, espirrado e por aí a fora.

  • Rinaldo César diz: 29 de abril de 2009

    Insubstituível é o aperto de mão. Faz parte de nossa cultura.Porém,após inúmeras gripes em série, escutei meu médico.”Professor, não aperte mais a mão de seus alunos”. Substituido esta forma de carinho, agora raramente adoeço. O carinho, o amor, o respeito, requerem, muitas vezes, medidas estranhas.

  • Milton diz: 30 de abril de 2009

    Porque haveria o costume dos orientais de apenas curvarem o corpo ao cumprimentarem alguém? Pura reverência´ou higiene??? E como alguém citou acima, e os “buffets” expostos?

  • Sérgio Pires diz: 30 de abril de 2009

    Santana, você tá certo. E um álcool em gel nas mãos também diminui a transmissão de doenças…

    Quanto aos comentários: vocês deliram! Epidemia = morte. Chega de romance. Certas medidas devem ser adotadas mesmo que não nos agradem. Afff…

  • Fabiani diz: 29 de abril de 2009

    quando a gripe chegar no Brasil, ou quando ficarmos sabendo que ela já está no Brasil será um pouco tarde pra pensar em prevenção…a que ponto chegamos, nada substitui o bom e velho ( e o verdadeiro)aperto de mãos…isso ta perecendo o começo do fim…

  • ronan wittée diz: 29 de abril de 2009

    Sant`Ana…passei um email pro Macedo,sobre a gripe suína.Pede a ele para te mostrar.
    Parece ser importante diante de tantos desencontros de informação,iniciativas simples como reforçarmos nossos aparelhos imunológicos.
    Ingerir líquidos,qualificarmos a alimentação e evitarmos tanto quanto o possivel,os ambientes fechados.
    E,sem esta de paninho no rosto,que isto não adianta nada…é palhaçada.

  • Kléu diz: 29 de abril de 2009

    Esta matéria deveria ser publicada quando a gripe mexicana estiver no Brasil. Acho que é alarmante demais.
    Pergunto: O ser humano se desenvolveria sem contato?
    Um aperto de mão já curou muitas pessoas e acredito que ele seja uma proteção nas doenças corriqueiras, pois chega a nós com uma força que o organismo pode reagir e criar resistência imunológica.
    Contudo, tomara que não, o aperto de mão, neste momento histórico, trocado por palavras será importante.
    Paz e Bem!

  • Luciano Milani diz: 29 de abril de 2009

    Olha, essas epidemias, ou pandemias surgem eventualmente de tempos em tempos. Parece-me um tanto esquisito, no mínimo questionável. As pessoas são pegas de surpresa com tal voracidade e assim, tem que chegar ao pleno de mudar costumes. Pergunto, como surgem, com que interesse? Vírus jamais estudados, do nada, dizimando muitas vidas, demora nas tomadade de decisões, burocracias, medos, resistências. Até quando? Sei que deveremos colaborar. Se for preciso abolimos o aperto de mãos neste momento.

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