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Os não diagnosticados

18 de maio de 2009 17

Acho que foi o Barão de Itararé que escreveu que o hospício é o quartel-general dos loucos.

Isto é uma verdade, os loucos sem diagnóstico andam soltos por aí.

Há pessoas que convivem diariamente, em casa, no trabalho e nas ruas, com os loucos.

Mas nunca ninguém parou para pegar esses loucos de todo gênero e levá-los a um terapeuta para obter um diagnóstico.

Agora, você imagina o que é conviver com loucos durante 10, 15, 20 anos?

Eu sei porque participo do programa Sala de Redação há 38 anos e o que já passou de louco por aquele programa não está no gibi.

Fora os que ainda lá permanecem.

O problema é o louco sem diagnóstico. Ele segue pela vida fazendo estragos porque acha que não é louco, pensa que é certo, normal.

Começa que ninguém é normal: 90% das pessoas têm no mínimo neuroses.

E 90% das pessoas não sabem, nunca souberam nem nunca vão saber que têm distúrbios emocionais ou mentais.

Foi por isso, para não me igualar aos desregulados que não têm diagnóstico, que fui buscar um diagnóstico.

E tive a coragem aqui numa coluna de declarar que eu era bipolar.

Bipolar é o cara que alterna a depressão com a euforia. Uma hora ele está para baixo, outra hora para cima.

E o certo, nesta questão do humor, é estar exatamente no meio da linha vertical que tem a depressão num extremo e a euforia no outro.

O deprimido todo mundo conhece. O cara está arrasado, nada há que o anime ou alegre.

Já o eufórico é o cara que tem superativadas as suas emoções. Ele é um emocional exagerado.

E vive de arroubos e explosões de alegria, comete nos gestos e nas palavras muitos exageros que se tornam de alguma forma agressivos para os seus circunstantes.

Em contraposição, também se extrema a criatividade no eufórico. Ele se torna mais imaginativo e inteligente.

Só que o eufórico passa do limite e se torna socialmente inconveniente.

O ideal é o humor estar controlado, nem tão para baixo que beire a depressão – ou afunde nela – nem tão para cima que beire a expansividade – ou mergulhe nela.

Eu tomo remédio para a bipolaridade. De que adianta, se as pessoas com quem convivo não tomam remédio para seus distúrbios?

Ou seja, remédio para mim eu tomo, já estou diagnosticado. Mas como é que vou obter remédios para o enfrentamento, a fricção entre mim e os que não são diagnosticados?

Lá no Sala de Redação é assim, naquele serpentário só eu sou controlado por remédio. Existem vários outros que nunca foram monitorados por qualquer psicanalista ou psicólogo.

E eu, contido, fico assoberbado e cercado por vários ângulos pelos não diagnosticados.

Em qualquer família ou círculo social restrito, todos têm de obter diagnóstico.

Caso contrário, corre-se o risco de o diagnosticado ficar pior do que os outros.

* Texto publicado na página 35 da Zero Hora de hoje.

Postado por Sant`Ana

Comentários (17)

  • Anita Maria Negrine Padilha diz: 18 de maio de 2009

    Santana sou leitora asidua de tua coluna adorei Os não diagnosticados…..Põem loucos soltos por este mundo afora é só o que observamos últimanente.Para todos os gostos e todos os tipos.A loucura tornou-se incontrolavel naõ existe mais parametros de nada e muito menos diagnosticos.abraços…..

  • Mano Marley diz: 18 de maio de 2009

    Caro Santana, o problema é que além de não diagnosticados, ainda somos os psicólogos/psiquiatras(por vezes), de nossas vidas e das vidas alheias(pra piorar)… abraço.

  • luis diz: 18 de maio de 2009

    Fala de futebol,principalmente de erro do juiz,sim,porque o gremio nunca perde,o juiz sempre erra…

  • Luiz Carlos Knopp diz: 18 de maio de 2009

    Santana, há um ditado popular que diz: DE MÉDICO E LOUCO TODOS TEMOS UM POUCO, inclusive eu você………..

  • Ricardo diz: 18 de maio de 2009

    SEGUNDA FEIRA CHATA, PARTE II

    HEHEHE

  • OGNEI SANTOS VIEIRA diz: 18 de maio de 2009

    principakmente morando num país como esse

  • marcia mello diz: 18 de maio de 2009

    tambem sou bipolar controlada mas sinto falta da criatividade hora da euforia hora da depressão. abraço

  • Carlos Santos diz: 18 de maio de 2009

    Só vai piorar, devido a termos gente demais no planeta.
    Humanos vivendo em alto adensamento populacional não é saudável psicológicamente.

  • alceu diz: 18 de maio de 2009

    Santana: de médico e louco todo mundo tem um pouco, diz o adágio popular. Parabéns, tu pelo menos é um louco diagnosticado e não baba. No programa Sala de redação que eu escuto todo o dia (pois também sou louco pelo programa)têm uns loucos que não sabem disso. O Cacalo é um deles e assumido. Ainda bem que dentro desse serpentário tem o Kenny Braga, que é medico-psiquiatra, e o guerrinha ( é o único lúcido) põe a camisa de força nos demais avariados. Parabéns pela coluna Pablo.

  • Vanessa Munhoz diz: 18 de maio de 2009

    A insanidade já teve seu valor, e alguns exemplos estão ai para provar (Sade, Van gogh, Byron entre outros…) a loucura já andou de mãos dadas com genialidade, porém atualmente se tornou algo assustadoramente comum…

  • Gustavo diz: 18 de maio de 2009

    Santana,depois q li o teu comentário,fiquei pensando,pensando,pensando,e mesmo ñ tendo ido ao médico p/uma avaliação… cheguei a conclusão q provavelmente também sou bipolar.Como tu,também ñ sei se isso é bom ou ñ mas confirmo q também venho convivendo com muitos “loucos” sem diagnóstico a muitos anos.Tu afirmas q tomas medicação específica p/o mal mas acredito q na última sexta,no sala de redeção,tu tinhas esquecido de ingeri-lo, né?!…hahaha. Parabéns pela criativa loucura q encanta a todos.

  • Leandro diz: 19 de maio de 2009

    hahahahahahah
    excelente texto!! parabens santana
    ainda nao descobri minha patologia..
    um dia criarei corogem de ir ao psiquiatra

  • Murillo diz: 18 de maio de 2009

    Bah, Santana. Senti falta do teu comentário hoje no JA. Fiquei até preocupado. O Paulo não apareceu? será que teve algum problema de digestão? talvez algum queijo mineiro estragado? “Que saudades eu tenho do meu tempo de infância…quando tudo era só alegria”
    um abraço colorado

  • Lisiane diz: 19 de maio de 2009

    90% das pessoas que eu convivo tomam algum remédio para distúrbios psicológicos, e eu acho chato, que não convivo com quem não toma nenhum, como eu ( e de acordo com meu psicanalista, não preciso tomar, consigo viver bem).

  • Alfredo diz: 18 de maio de 2009

    Alternância no poder: Paulo Santana na Comissão de Arbitragem da CBF e Cacalo na FGF. Os colorados do Sala surtariam.

  • Lino diz: 18 de maio de 2009

    Divertidíssimo! E eu imaginando que, no mínimo, 90% do que foi escrito TEM que ser pro Kenny Braga!!! rsrsrs

  • Rubens diz: 18 de maio de 2009

    Bah Santana!
    Acho que achei o lugar certo para eu trabalhar!! E é no Sala de Redação! Irei me sentir bem por estar perto de pessoas como eu.
    Abraço!

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