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O erro estrutural

27 de maio de 2009 8

Cada um sabe onde lhe dói o calo. Cada um sabe qual é o seu maior problema.

Sendo assim, elejo como as três grandes obras prioritárias para o Rio Grande: 1) o metrô de Porto Alegre; 2) A ponte sobre o Guaíba; 3) o bar da Redação da Zero Hora.

Todo secretário de Transparência de qualquer governo deveria usar óculos escuros.

O nó górdio da questão carcerária gaúcha e brasileira é que está escrito em lei que a administração das penas é da competência do Poder Judiciário.

Ao natural, quem administra as penas tem também de administrar os presídios.

Entre nós, o Poder Judiciário administra, através das Varas de Execuções Criminais, mas quem administra os presídios, erradamente, é o Poder Executivo.

Vai daí que as verbas carcerárias entram no imenso cesto orçamentário do Poder Executivo, que tira de lá toda sorte de verbas menos as carcerárias, que não dão votos.

Aí está a razão estrutural do abandono dos presídios. Se o Poder Judiciário, com sua importância e influência, manejasse as verbas carcerárias, não teríamos este caos.

Ontem, um dos corregedores de Justiça declarou na Rádio Gaúcha que atualmente cerca de 500 detentos já atingiram o regime de progressão, isto é, estão aptos a serem transferidos para o regime semiaberto.

Como não há vagas no regime semiaberto, esses 500 presos permanecem, erradamente e injustamente, nos presídios, não abrindo vagas para os novos candidatos.

Soube-se ontem que o estrangulamento populacional nas prisões não se dá só no regime fechado.

É uma crise de todos os regimes.

A repercussão sobre a minha coluna de anteontem foi enorme. Zero Hora ocupou com ela as páginas 4 e 5 de ontem, o jornal Pioneiro, de Caxias do Sul, encorpou sua edição de ontem na discussão sobre a coluna que escrevi, instalando um interessante debate entre leitores e jornalistas.

Descanse o casal de testemunhas, não se pode atribuir qualquer responsabilidade aos dois no crime.

Mas não era de se exigir de todos que a conduta deles não fosse examinada.

O episódio serviu para que a sociedade adquira a consciência de que não pode cruzar as mãos quando uma agressão (ou um crime) está se desenrolando.

No livro Nada Precisa Ser Como É, o psicanalista Paulo Sérgio Rosa Guedes aborda num poema os pensamentos recorrentes dos homens da terceira idade:

Tenho me surpreendido pensando na morte;

não bem na morte, mas no fim da minha vida.

Tenho me surpreendido pensando na doença,

destino inexorável para quem envelhece

mas não morre. Coisa sabida.

Tenho então olhado a morte,

também como uma sorte, até como uma solução,

dura, é verdade, duríssima, mas talhada

para quem que, como eu, não entende a vida morna,

vida que torna a vida um nada – ou a mantém calada.

Minha a morte, ideia estranha… muito estranha…

Nunca a preferi à vida. Nunca!

A vida forte

A vida que, também por sorte,

A tive quase toda, inteira;

a vida

que cria vida e aceita o fim

que nutre a emoção e dela se alimenta,

que busca , sem parar, dizer que sim.

(a morte,

a sorte,

o fim…

Nunca pensei estas questões

ligadas a mim).

* Texto publicado na página 55 de ZH de hoje.

Postado por Sant`Ana

Comentários (8)

  • Nara Nonnenmacher diz: 29 de maio de 2009

    O cara você está proibido de pensar em morrer. Você não pode morrer. E o meu prazer diário de leitura da penúltima página da ZH?
    Olhe, tampouco pare de fumar, na nossa idade temos sabedoria para escolher as prioridades.

    Abraço.

  • sergio diz: 27 de maio de 2009

    BLA..BLA…BLA!!!!!!!!!
    Mas que forma de perder tempo…opa!!!!
    o tempo nao tem para onde ir…portanto
    que maneira futil, demagogica e politicamente
    te correta…parabens!!baile da cola atada!

  • Ronei diz: 27 de maio de 2009

    Santana, citaste a ponte sobre o Guaíba na introdução do teu blog… Tenho uma dúvida sobre isso: será q uma ponte é o suficiente, já q o resto continuará o mesmo? Pq não existem balsas para transporte de carros até Guaíba como “alternativa” para quem vai para o Sul do Estado, evitando o tráfego até o pedágio? Uma ponte não seria melhor junto com o projeto de duplicação da estrada?

  • Danielmo diz: 27 de maio de 2009

    Nobre Santana,
    desde piazito aprendi a admirar-te. Primeiro, por usar e brigar pelas mesmas cores futebolísticas que eu. Depois, estando mais distante, ao menos fisicamente, do Rio Grande, te vejo preocupado com as coisas da vida, ou melhor, com fatos que repercutem e muitas vezes dificultam a vida das pessoas menos favorecidas. Seria bom se pessoas como você, o Senador Pedro Simom, permanececem vivas e incólumes às intempéries físiscas, para verem florescer as sementinhas que plantaram. Grato.

  • Rafael Andrade Almeida diz: 27 de maio de 2009

    Sant`Ana,
    É claro que o assunto pode gerar discussões intermináveis pois o assunto é muito sério.Lida com vidas humanas.Por isso,deveríamos pensar acima de tudo isso e ir direto ao foco do problema:O delito.A impunidade.O uso de menores de idade no tráfico.A liberdade condicional.Enfim, as punições devem ser mais duras. A gente é assaltado e a ainda diz”Graças a Deus que não morri”.Inocentes morrendo todos os dias nas mãos de bandidos cruéis.Se a puniçaõ não for mais severa, não tem jeito.

  • Marco Gaúcho diz: 27 de maio de 2009

    Santana, nunca me manifestei no teu espaço, mas a situação ultimamente nos obriga a isso. A sociedade chegou ao limite da paciência, na questão da segurança. Os políticos não fazem leis mais duras contra os criminosos. Criminosos presos são soltos em seguida. É simples. Se a justiça não pode fazer nada, que vão prá casa. Não precisamos deles. se os políticos só nos roubam, que vão prá casa, não precisamos deles. Só nos resta reagir, como pudermos. Estamos em guerra…

  • tulia pres soares diz: 27 de maio de 2009

    vc é todo coração amo teu trabalho gostaria que realizase osonho de meu filho leonardo de 14 anos conhece-lo e visitar o olimpico com vc seu sonho é jogar futebol meu esposo e eu somos vigias eu estou desempregada meu esposo esta trabalhando realize osonho dele eu amo vc bjssssssss tia tulia como sou conhecida nas escolas que trabalhei eu amooooooooooo vc paulo santana meu filho que pelo menos possa conhece-lo que tambem sera um sonho realizado vc é uma verdadeira luz vc brilha DEUS TE ILUMINE

  • roberto alves alencar diz: 27 de maio de 2009

    Prezado Sant`Ana,
    Tocasse num ponto crucial.O Judiciário deveria ter autonomia e acesso a determinadas verbas do Orçamenro para gerenciar o Sistema Carcerário.Quem melhor do que os Juízes para seber onde precisa mais de investimento.Não vamos esquecer também de que quem faz as Leis e redigiu nossa Constituição não foi o poder Judiciário, e sim o Congresso Nacional, com interferência direta do Executivo.É fácil dizer” polícia prende, Juiz solta”.Quem conhece as leis, sabe que não é assim.

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