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Posts do dia 7 julho 2009

Eu e Luana

07 de julho de 2009 3

Divulgação

Na minha coluna de hoje na Zero Hora, citei uma parte do vídeo que foi exibido na festa dos meus 70 anos. Durante entrevista com Luana Piovani no Jornal do Almoço, fiquei estonteado diante da beleza angelical daquela mulher e recitei-lhe um poeta romântico.

>> Clique aqui e assista ao vídeo em que recito o poema à Luana.

Aquele rosto tinha de ser tombado historicamente.

Postado por Sant`Ana

A grande festa do futebol gaúcho

07 de julho de 2009 5

Tesourinha jogou no Inter e no Grêmio, se tornando o primeiro jogador negro no time gremista/Banco de Dados ZH

Posso dizer que, como espectador do clássico, eu já participei de mais da metade dos Gre-Nais. Eu nem sei quantos são. Mas devo ter 60 anos de Gre-Nal. Me lembro de um clássico da Dupla que assisti e não entendi absolutamente nada. Eu devia ter uns seis ou sete anos.

Eu vi o Tesourinha jogar no Inter e, mais tarde, já decadente, ir para o Grêmio, depois de ter jogado no Vasco. Tesourinha quebrou o preconceito racial no clube tricolor, que não aceitava negros no time. Tesourinha era um jogador extraordinário. Quando eu o vi jogar, ele já tinha deixado de ser um grande craque, que integrou a Seleção Brasileira da época. Certo dia, fui descobrir por meio de uma tampinha da Pepsi, que colocava curiosidades sobre o futebol, que o Inter admitiu o primeiro jogador negro em 1927, 27 anos antes que o Grêmio.

De todos os Gre-Nais, até agora, eu só não vi um clássico fora do Estado. Os municípios do RS que já sediaram foram: Santa Cruz, Caxias do Sul, Rio Grande e Erechim. Mas acho surpreendente como ainda não foi realizado um Gre-Nal fora do Estado, como no Paraná e em Santa Catarina, que abriga vários gaúchos.

Teve um clássico da Dupla que eu fui protagonista central, em 1961, no Estádio dos Eucaliptos. Durante muito tempo, havia uma mania de festejar com papais noéis azuis os Gre-Nais que se realizavam em dezembro. Isso marcou o futebol do Rio Grande do Sul, como não havia outras competição, a não ser o Campeonato Gaúcho que, em geral, acontecia no segundo semestre.

E o papai noel de 1961 que entrou em campo fui eu. É uma recordação extraordinária. O Grêmio ganhou de 3 a 2, de virada. Em um momento, eu entrei em campo e a Guarda Civil bateu em mim com borrachadas, enquanto os dirigentes do Grêmio me empurravam para dentro do campo. Depois, para comemorar, fui para o Centro. Como o Inter era campeão, minha comemoração foi complicada. Dentro de um bonde, os colorados me lincharam e reduzi a trapos a minha fantasia.

É um clássico extraordinário. Foram tantos os narradores da Rádio Gaúcha e Guaíba que celebrizaram o Gre-Nal: Pedro Pereira, Armindo Ranzolin, Mendes Ribeiro, Haroldo de Souza e Pedro Ernesto Denardin.

Segundo uma pesquisa realizada, a expressão Gre-Nal surgiu quando um jornalista do jornal Correio do Povo queria colocar um nome para o clássico. Em uma mesa de bar, ele acabou chegado a essa fórmula. E, como era gremista, ele queria o Grêmio aparecesse na frente.

Essas recordações são todas muito boas. Um centenário, 100 anos de Gre-Nal. A nossa grande festa do futebol ainda viva.

Ouça o meu comentário no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

Enfrentando a maré

07 de julho de 2009 8

Certa vez, cometi um assédio verbal contra uma mulher formosa.

Ela me disse que aquilo lhe parecia um escândalo. Ela estava entendendo como uma proposta para carregá-la para uma alcova.

Respondi prontamente a ela: “Nada disso, querida, para quem já tocou no teu coração, para quem já mergulhou no teu coração como eu, tocar na pele do teu corpo é uma estupenda insignificância”.

No auge da minha festa de aniversário, 250 convidados fervilhando de felicidade intensa no salão, a champanha e o vinho correndo soltos, encontrei o Kenny Braga e perguntei a ele: “Que tal está a festa?”. E ele respondeu patético: “Que festa?”.

No vídeo que expuseram no palco do Hotel São Rafael, na festa dos meus 70 anos, mostraram uma cena impagável. Eu estava entrevistando Luana Piovani no Jornal do Almoço, ela me dirigindo aquele olhar de mormaço fugidio, e eu, estupefato diante da beleza angelical — e doce — daquela mulher, recitei-lhe um poeta romântico, olhos nos olhos dela:

Formosa qual se a natureza e a arte
Dando as mãos em seus dons, em seus lavores
Jamais puderam imitar no todo ou parte.
Luana celeste, oh anjo de primores!
Quem pode ver-te sem querer amar-te?
Quem pode amar-te sem morrer de amores?

Eu senti naquele instante Luana Piovani arrepender-se de ter casado com seu então marido, que meses mais tarde parece que, pelas notícias publicadas nas revistas especializadas, andou agredindo-a fisicamente.

Que mau gosto estúpido agredir aquele luminoso rosto.

Aquele rosto tinha de ser tombado historicamente.

Como disse a Rosane de Oliveira, nossa especialista em noticiário político, eu consegui no meu aniversário uma façanha extraordinária: subiram ao palco para cantar comigo a governadora Yeda Crusius e a primeira-dama de Porto Alegre, Isabela Fogaça, esta última tendo sido barrada, dizem, pela governadora, para cantar no Beira-Rio, no jogo Brasil x Peru.

Pois não só cantaram as duas comigo, cada uma a seu tempo, como se sentaram à mesma mesa. Se a contragosto, além de cantoras são atrizes, pois afetavam intensa cordialidade.

Trecho do blog de Luciana Genro: “Tive a deferência de ser convidada para o aniversário do Paulo Sant’Ana, a que compareci porque o julgo livre e corajoso. Foi corajoso quando saiu de carroça pela cidade, para mostrar que o carroceiro é um ser humano e sofredor, e não um estorvo que tem de ser removido da rua para os carros andarem mais rápidos.

E o Sant’Ana é livre porque sofreu pressões para calar quando divulgou a denúncia que fizemos sobre a bactéria Acinetobacter, que estava infestando os hospitais da Capital. E o Sant’Ana não silenciou porque estavam em jogo as vidas de muitos gaúchos.

O Sant’Ana é livre e corajoso porque não raro ele navega contra a maré. Ele frequentemente enfrenta o poder como muitas vezes contraria a opinião pública”.

* Texto publicado hoje na página 55 de Zero Hora.

Postado por Sant`Ana