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A grande festa do futebol gaúcho

07 de julho de 2009 5

Tesourinha jogou no Inter e no Grêmio, se tornando o primeiro jogador negro no time gremista/Banco de Dados ZH

Posso dizer que, como espectador do clássico, eu já participei de mais da metade dos Gre-Nais. Eu nem sei quantos são. Mas devo ter 60 anos de Gre-Nal. Me lembro de um clássico da Dupla que assisti e não entendi absolutamente nada. Eu devia ter uns seis ou sete anos.

Eu vi o Tesourinha jogar no Inter e, mais tarde, já decadente, ir para o Grêmio, depois de ter jogado no Vasco. Tesourinha quebrou o preconceito racial no clube tricolor, que não aceitava negros no time. Tesourinha era um jogador extraordinário. Quando eu o vi jogar, ele já tinha deixado de ser um grande craque, que integrou a Seleção Brasileira da época. Certo dia, fui descobrir por meio de uma tampinha da Pepsi, que colocava curiosidades sobre o futebol, que o Inter admitiu o primeiro jogador negro em 1927, 27 anos antes que o Grêmio.

De todos os Gre-Nais, até agora, eu só não vi um clássico fora do Estado. Os municípios do RS que já sediaram foram: Santa Cruz, Caxias do Sul, Rio Grande e Erechim. Mas acho surpreendente como ainda não foi realizado um Gre-Nal fora do Estado, como no Paraná e em Santa Catarina, que abriga vários gaúchos.

Teve um clássico da Dupla que eu fui protagonista central, em 1961, no Estádio dos Eucaliptos. Durante muito tempo, havia uma mania de festejar com papais noéis azuis os Gre-Nais que se realizavam em dezembro. Isso marcou o futebol do Rio Grande do Sul, como não havia outras competição, a não ser o Campeonato Gaúcho que, em geral, acontecia no segundo semestre.

E o papai noel de 1961 que entrou em campo fui eu. É uma recordação extraordinária. O Grêmio ganhou de 3 a 2, de virada. Em um momento, eu entrei em campo e a Guarda Civil bateu em mim com borrachadas, enquanto os dirigentes do Grêmio me empurravam para dentro do campo. Depois, para comemorar, fui para o Centro. Como o Inter era campeão, minha comemoração foi complicada. Dentro de um bonde, os colorados me lincharam e reduzi a trapos a minha fantasia.

É um clássico extraordinário. Foram tantos os narradores da Rádio Gaúcha e Guaíba que celebrizaram o Gre-Nal: Pedro Pereira, Armindo Ranzolin, Mendes Ribeiro, Haroldo de Souza e Pedro Ernesto Denardin.

Segundo uma pesquisa realizada, a expressão Gre-Nal surgiu quando um jornalista do jornal Correio do Povo queria colocar um nome para o clássico. Em uma mesa de bar, ele acabou chegado a essa fórmula. E, como era gremista, ele queria o Grêmio aparecesse na frente.

Essas recordações são todas muito boas. Um centenário, 100 anos de Gre-Nal. A nossa grande festa do futebol ainda viva.

Ouça o meu comentário no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

Comentários (5)

  • Tiago Trevisan diz: 8 de julho de 2009

    Olá Pablo, esqueceste do Gre-nal em Bento em 2004! Abraço

  • ezequiel diz: 7 de julho de 2009

    Sant`ana, estás enganado. o Grêmio tinha negros no time ja na decada de 1910…
    dados do memorial do tricolor…

  • Maciel Giroletti Mottin diz: 7 de julho de 2009

    Grande Paulo Sant`Ana, sempre relembrando o grande classico gaucho, e sempre pendendo para o glorioso tricolor… hehe

    Abraços,

    Maciel.

  • Guilherme da Xapa e Xasc diz: 8 de julho de 2009

    Pois é Santana! Vi na relação das cidades que não aparece Pelotas, mas nem poderia, pois lá existe uma expressão intransponível que se chama BRA-PEL. Sds.

  • Juliano Schroeder diz: 7 de julho de 2009

    Fala Sant`ana!
    Realmente grenais são espetaculares. E faz tempo que a gente não ganha um né. Eu e meu irmão temos um detalhe interessante a respeito dos grenais. Nosso bisavô paterno jogou o primeiro Grenal na baixada há 100 anos. Teodoro Schroeder é o nome dele e era atacante do time. Não devia ser muito bom porque dos 10 gols ele não fez nenhum, espero que tenha dado os passes pelo menos. Temos o Grêmio no sangue, de verade. Motivo de orgulho hein?

    Um abração.

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