Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts do dia 9 julho 2009

Que crise

09 de julho de 2009 11

Presidente José Sarney durante sessão no Senado nesta quarta-feira (08/07)/Fabio Rodrigues Pozzebom, ABr

Estourou outra acusação contra o presidente do Senado, José Sarney. Foi descoberto que a fundação do senador desviou para empresas fantasmas e outras da família do próprio parlamentar dinheiro da Petrobras. O valor foi repassado em forma de patrocínio para um projeto cultural que nunca saiu do papel.

Eu assisti até às 5h a sessão do Senado que, obviamente, era gravado. Sarney não pronunciou uma palavra na mesa. Ele apenas ficava olhando. Parecia uma coruja empalhada. Enquanto ele ficava sentando, os senadores iam na tribuna para pedir que ele se licenciasse da presidência. Ele não deu uma palavra.

E justamente agora que os senadores do PT resistem à instalação da CPI para apurar irregularidade na Petrobras, surge a denúncia de que José Sarney pegou dinheiro irregular em um patrocínio da estatal.

Imagina como está o Senado hoje. Deve estar um banho de pólvora. Enquanto os senadores do PT resistem à instalação da CPI, a oposição pretende ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir que os ministros decidam pela sua instalação. E o Sarney continua desmilinguido e esperando. Ao mesmo tempo, o presidente Lula está mexendo no Senado para que Sarney continue. Que crise!

Ouça o meu comentário no Gaúcha Hoje

Postado por Sant`Ana

Crime no rumo da solução

09 de julho de 2009 2

A Delegacia de Homicídios já desvendou metade da teia de mistério que cerca o assassinato do médico Marco Antonio Becker, vice-presidente do Cremers, ocorrido dia 4 de dezembro do ano passado, na Rua Ramiro Barcelos.

O delegado Rodrigo Bozzetto e sua equipe, que investigam há sete meses a morte violenta do médico, já reuniram indícios praticamente veementes sobre a autoria intelectual do assassinato, faltando apenas desvendar a ligação fática e material entre o mandante e os executores do crime, os dois homens que tripulavam uma moto e tocaiaram Becker à saída do Restaurante Alfredo.

Os policiais já têm o nome do mandante. Apenas não o indiciaram nem divulgaram o resultado das investigações porque a Delegacia de Homicídios está tendo uma certa dificuldade para lincar o mando do crime com sua execução.

O dilema todo da equipe policial reside em ligar o interesse enorme do mandante em eliminar Becker e a corporificação das circunstâncias em que foi firmado o contrato criminoso entre o autor intelectual do crime, o pistoleiro e o motoqueiro que mataram Becker.

Nos últimos dias, a investigação que se dirige à apuração da identidade dos executores avançou intensamente, a polícia está tensa, embora aplicada no desvendamento total do crime.

Esta notícia que estou dando tem duas pilastras no seu nexo: funcionou tanto nas informações que me chegaram nos últimos dias quanto no meu controle sensorial sobre o crime, sua repercussão e os atos exaustivos da polícia para a solução do caso.

O mandante, repito, já apontado, tinha forte e substancial motivo para mandar matar Becker, o assassinato não teria sido somente por vingança, mas também para impedir que Becker prosseguisse em sua ação prejudicial à reputação e ao então já vacilante e combalido desempenho profissional do autor intelectual do homicídio, ocasionado por ações repressivas de Becker ao mandante, no Cremers.

Para tentar chegar à substanciação do indiciamento do mandante e consequente esclarecimento do crime, a polícia utilizou-se de auxílio de mandado judicial.

Além de ter sido investigado pela vítima no Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul, o mandante tinha a motivação não só de vindita à ação de Becker como também uma paralela mais importante: fazer cessar a ação repressiva de Becker, que parecia obstinado em punir administrativa, profunda e definitivamente, no campo profissional da medicina, o homem que a polícia tem a convicção de ser o autor intelectual do delito.

O delegado Rodrigo Bozzetto, que preside as investigações, mantém rigorosa reserva sobre o resultado delas, recusando-se a prestar qualquer declaração à imprensa, tanto para não prejudicar as investigações quanto por ter elucidado apenas uma ponta do crime, a autoria intelectual interessada e suspeita por indícios relativos à personalidade do mandante, enquanto os esforços árduos da polícia se concentram em solucionar a outra ponta do delito: a sua materialização (execução).

Essa lincagem entre a autoria intelectual de um crime e a autoria material do mesmo delito é dilema tradicional de autoridades policiais em todo o mundo, tendo sido já objeto de abordagem literária nos livros de Agatha Christie e Georges Simenon.

Isso sempre se dá quando o mandante é exímio na escolha dos executores.

* Texto publicado hoje na página 55 de Zero Hora.

Postado por Sant`Ana