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Hein?

14 de julho de 2009 3

Para quem me acusa de ser delirante ou hipocondríaco, dou como testemunhas os médicos Nédio Stefen e Sérgio Moussale, que me atenderam ontem por duas horas no Centro Clínico da PUC: desde manhã cedo, perdi completamente a audição, o que deve estar prosseguindo pelo dia de hoje.

Estou surdo. Não consigo ouvir nada, nem os outros pelo telefone.

Apesar do meu pavor quando ontem despertei já surdo, quero dar um depoimento para meus leitores: na minha casa, tendo já pela manhã constatado que eu estava surdo, os meus familiares deixaram de falar comigo, ou seja, deixaram imediatamente de falar comigo.

Exatamente agora é que compreendo o ditado popular que afirma “antes ser surdo do que ouvir isso”.

O colega Marcelo Rech, depois de reunir-se com este colunista e com o nosso vice-presidente de Produto, Geraldo Corrêa, por mais de uma hora, tendo se comunicado comigo apenas por escrito, em razão da minha total surdez, saiu-se com esta: “Genial o teu truque, Sant’Ana, deste jeito só tu falas”.

Visivelmente pesaroso, depois de me constatar surdo, o colega Moisés Mendes perguntou se eu não estava escutando pelos dois ouvidos.

Minha resposta: “Só tenho dois”.

Faleceu na semana passada um inesquecível amigo: Hugo Antônio Mazeron Amorim.

Os amigos vão morrendo, a gente vai ficando um pouco mais sozinho.

E cada um deles que se vai nos deixa indelével a última impressão: o caixão, o visor que permite que os pósteros vejam os traços fisionômicos do cadáver.

Um amigo, só cadáver.

Haverá maior contradição na vida do que a morte? A morte espreitando todos os dias a gente, saindo para a rua para levar alguém consigo e sempre conseguindo.

Não devia ser assim. A morte não tinha que ter o direito a essa colheita macabra, todos os dias, todos os anos, todos os séculos.

Morreu na semana passada um amigo inesquecível: Hugo Antônio Mazeron Amorim.

* Texto publicado hoje na página 55 de Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Comentários (3)

  • Dinaldo J.Morsch diz: 15 de julho de 2009

    Hugo Amorim,cronista esportivo,delegado de
    polícia se não me engano.Não era uma pessoa
    simpática.Que Deus o tenha.

  • Sandro diz: 14 de julho de 2009

    Santana, concordo com vc, não há maior contradição na vida que a morte, isto porque não fomos criados para a morte, e sim, para vida eterna com Deus.
    Santana, lembre-se do seu criador, só Jesus tem palavras de vida eterna.

    Fica com Deus,

    Sandro

  • Tiago José Fernandes diz: 14 de julho de 2009

    Não há meu caro Sant`Ana maior contradição na vida do que morte.Todavia,se não morressemos,instalar-se-ia o caos.Aliás,José Saramago sugere em “As intermitências da morte”,exatamente isso:que não morressemos,só que,evidentemente isso não é possível dado o caráter cíclico da natureza da qual fazemos parte.Outra contradição desse mistério que é a morte;em grande escala,de alguma forma,ela acaba fortalecendo quem fica e fazendo com que pequenos gestos naquilo que nos cerca ganhem mais valor.

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