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Posts de agosto 2009

Fernandão amigo

31 de agosto de 2009 98

Fernandão (9) é expulso após lance com Magrão (11)/Jefferson Botega
O melhor negócio que o Internacional fez foi não trazer Fernandão.

Assim, ficando em Goiás, junto da sua fazenda, cuidando de perto seus bois, Fernandão pôde teoricamente dar o título deste Brasileirão para o Internacional ontem no Beira-Rio.

Bastou ser expulso e colaborar com o seu querido Internacional na conquista do Brasileirão, ontem.

E, se alguém duvidar do que estou escrevendo, desafio-o a me responder o seguinte: quando o Goiás jogar contra o Grêmio neste segundo turno, Fernandão será também expulso?

Claro que não será expulso. E mais: deve marcar, segundo deduzo, dois gols contra o Grêmio lá no Serra Dourada.

Assim não dá para torcer no futebol. É desigual.

Mais útil do que foi ao Internacional não poderia ser Fernandão. Nem que viesse de volta para Porto Alegre, em vez de ir para Goiás.

E o cúmulo da ironia é que Fernandão prestou ontem este grande serviço ao Internacional no Beira-Rio, palco onde ele se consagrou, erguendo taças, algumas conquistadas longe daqui.

Ele delicadamente prestou ao clube do seu coração, o Internacional, este gigantesco serviço aqui no Sul. Não foi lá em Goiás, foi aqui.

Lá para Goiás, Fernandão está preparando um requinte para seu amantíssimo coração colorado, conjugado com o ódio que tem do Grêmio: lá em Goiânia, Fernandão marcará dois gols contra o Grêmio.

Só faltará que o terceiro gol do Goiás seja marcado por… Iarley.

Não adianta quererem justificar a goleada de ontem no Beira-Rio, como o fez a totalidade dos analistas, pelas grande atuações de Marquinhos, de Magrão e Giuliano, estes três gênios, como os chamaram os analistas, só sobressaíram depois da expulsão de Fernandão.

Objetivamente, materialmente, a goleada, não a vitória, que esta até poderia ter vindo, se apoia numa só pilastra dialética: a expulsão de Fernandão.

Aos que não me acreditam, lembro só de um fato indeclinável: com o Goiás tendo 11 homens em campo, o jogo estava só em 1 a 0, ou seja, com possibilidade de endurecer.

O resto é conversinha.

Agora, abordo obrigatoriamente o Grêmio. Até pouco antes de terminar o jogo, o Grêmio figurava no quinto lugar da tabela do Brasileirão.

Mas, infelizmente, um jogo de futebol tem de modo maldito a duração de 90 minutos.

Já lá se vão oito derrotas fora e três empates.

Não se vá atribuir isso ao azar ou a causas misteriosas que importam o enigma de um time que é o melhor do Brasileirão em sua casa e um dos piores fora.

A causa principal é a modéstia do time gremista.
Eu não queria escrever a palavra porque ela pode ser dura, implacável, por demais severa, mas é a mediocridade do time gremista que o leva a não ganhar fora. Mediocridade, é bom que se diga, vem de “médio” filologicamente, isto é, na origem da palavra.

O Grêmio é, portanto – está bem, concedo –, um time médio que só sabe ganhar quando é apoiado por sua grande torcida.

Órfão da torcida, nos jogos de fora, o Grêmio expõe aos analistas, que não enxergam porque são cegos, a sua mediocridade.

Lembram-se daquele time gremista treinado por Mano Menezes? Deu-se com ele exatamente o que se dá com o time de Paulo Autuori, não ganhava fora de casa e no Olímpico vencia todos os jogos.

Sabem como é que terminou aquele time do Mano Menezes? Perdendo para o Boca Juniors, no jogo de Buenos Aires e na partida daqui por, 5 a 0. Uma tragédia por mim esperada.

* Texto publicado na página 43 de Zero Hora de hoje

Postado por Sant`Ana

Um grande homem

31 de agosto de 2009 2

Morreu ontem e será enterrado hoje o Dr. Gildo Russowsky. Seu filho, Ricardo, sabe que ele era meu amigo.

Morreu um médico humanista
. Até quase o fim de sua vida, em torno dos 90 anos, atendia pacientes nas vilas populares, com sua maletinha profissional.

Um grande homem.

* Texto publicado na página 43 de Zero Hora de hoje

Postado por Sant`Ana

Megalomania e insegurança

29 de agosto de 2009 2

Não sei se o pensamento a seguir transcrito embute uma verdade, mas estou meditando bastante sobre ele: “É melhor morrer crendo do que viver duvidando”.
E me inclino a adotá-lo.

                                                        ***

Eu não concordo em largar o cigarro, mas se aparecer uma mente brilhante que me argumente lucidamente sobre a vantagem que terei deixando de fumar, cedo e faço o sacrifício da renúncia a esse prazer, digamos assim, quase incomparável.

                                                        ***

Acho mesmo que só largaria o cigarro se me ressurgisse de repente, numa esquina da vida, um daqueles templários de priscas eras e me convencesse a substituir o cigarro por algum prazer físico ou espiritual que me fizesse esquecer o cigarro.
Largar o cigarro, só pela substituição.
Substituir o cigarro por um grande amor por exemplo. Será? Mas não será que, arranjando um grande e incontrastável amor, terei, por isso mesmo, nervoso, emocionado e inseguro, que fumar mais ainda cigarros do que hoje repelentemente fumo?
O diabo do cigarro é que a gente sempre arranja para que ele se conjugue com outro prazer, com o cafezinho, com o almoço recém saboreado ou até mesmo nos instantes que se seguem aos jogos de amor bem realizados, entre os lençóis.
Por sinal, os lençóis podem servir como excelente combustível tanto para as labaredas do amor quanto para uma brasa caída do cigarro logo após o intercurso ou durante a irrupção do sono, naquele estado de lassidão e languidez que se sucede ao orgasmo.

                                                        ***

Por falar em orgasmo, o que vem a ser ele? É mesmo o ápice da excitação?
Mas, se é o ápice, isso transmite a ideia de que nada melhor há que o orgasmo na excitação.
E, se nada é melhor do que o orgasmo e ele é o ápice, isso não subentende que o orgasmo é também a extinção, o fim da excitação?
E, se o orgasmo é o fim da excitação, se ele extingue a excitação, ele é uma sensação bem-vinda ou malvinda?
Digo isso porque o ideal seria que a excitação se prolongasse indefinidamente: não fosse interrompida pelo orgasmo.
Todo esse meu último e intrincado silogismo sobre o orgasmo se destrói porque dizem os sexólogos que algumas mulheres têm o privilégio de sentir o orgasmo múltiplo, ou seja, uma metralhadora de prazer.

                                                        ***

Atenção psiquiatras, analistas, psicólogos e outros terapeutas adjacentes: surgiu-me de repente o raciocínio de que todos os homens, portanto eu e meus leitores incluídos, somos ao mesmo tempo megalomaníacos e inseguros.
Dirão alguns terapeutas e filósofos que a insegurança peculiar nossa nasce exatamente da nossa megalomania.
Ou seja, que todos somos megalomaníacos, disso não resta dúvida: todos exacerbamos nossa autoestima.
Mas o interessante é que somos megalomaníacos porque no fundo desconfiamos da nossa real capacidade.
Então, tiro na mosca: é justamente porque somos megalomaníacos que somos simultaneamente inseguros.

Tiro e queda.

* Texto publicado na página 47 de Zero Hora dominical

Postado por Paulo Sant`Ana

Cadeira dura

28 de agosto de 2009 60

É como eu digo sempre aos ateus: um pouco com Deus é muito, um muito sem Deus é nada.

Tento consolar os gremistas aflitos que me procuram: Duda Kroeff entende tanto de futebol quanto de propriedade rural.

A diferença entre um restaurante fino e um restaurante popular é que o restaurante fino cobra caro e adota guardanapos de pano. Já o restaurante popular cobra barato e adota guardanapos de papel.

Talvez seja porque usa guardanapos de papel que o restaurante popular cobre barato de seus clientes.

Mas não é raro que a comida do restaurante popular seja melhor que a do restaurante fino.

E é raríssimo que o restaurante popular cobre mais caro que o fino.

Venham por mim, que tenho mais de 38 anos de experiência em debates. Eu costumo dizer que debater por 38 anos no Sala de Redação é a mesma coisa que a gente levantar peso durante 38 anos, fica-se capaz de erguer o peso de um trator. De tanto treino, uma hora por dia de qualquer exercício te faz forte e/ou exímio.

Mas o que eu queria dizer é que o debatedor pior e mais irritante de a gente enfrentar num debate é o bunda-mole de cadeira dura.

Vejo pastores evangélicos pregando insistentemente na televisão, principalmente nos horários de tarde da noite e de madrugada.

E fico a cismar o que sempre cismei quando era criança e via os padres pregarem nos púlpitos da Igreja Católica: “Será que eles acreditam verdadeiramente em Deus?”.

Falo-lhes sinceramente: uns acreditam e outros não, é o que penso.

Andei durante muito tempo anunciando nesta coluna que procurava ansiosamente por um pregador religioso que fosse culto, eloquente, didático e instigante à minha inteligência.

Pois encontrei o homem: Silas Malafaia, que fala quase todos os dias na TV Bandeirantes, fim de noite e início da madrugada.

Estou apaixonado pelo modo como ele prega a Bíblia. A impressão que ele transmite habilidosamente é de que tem decorados todos os capítulos e versículos da Bíblia. Escolhe alguns deles e faz sua brilhante oratória explicá-los e justificá-los, num improviso criativo de abismar.

Eu o entendo, ele jamais me deixou qualquer dúvida em quaisquer sermões. Sua palavra me penetra e convulsiona o meu arsenal neuronial.

A única coisa que me falta para me jogar submisso aos seus pés é saber se ele é sincero, se ele não é só um ator, se não está me enganando.

E confesso também que ele, depois de um intervalo entre o seu sermão principal, que dura uma hora, e o próximo espaço, ele próprio aparece pedindo ajuda financeira dos telespectadores para sua igreja, com a finalidade, diz ele, de custear aquele espaço de televisão que ocupa, que custa-lhe os tubos.

Acredito no custo caro da televisão, mas duvido que o que sobra vá todo para a igreja.

Em todo caso, o desenvolvimento cultural e o conhecimento bíblico do pastor Silas Malafaia me levam a intuir que ele é sincero e que acredita em Deus.

Seu preparo e seu desempenho na televisão, algo assim como um pop star, me levam a crer serem potencialmente verossímeis sua crença e suas boas intenções.

Estou envolvido pela oratória desse homem.

Peço a Deus que me elucide depressa se ele é honesto.

E eu quero firmemente que ele seja honesto.

Se for, me entrego a ele.

Se não for, me desiludo definitivamente.

* Texto publicado na página 71 de Zero Hora de hoje

Postado por Sant`Ana

Filhos indesejados

27 de agosto de 2009 12

Tenho observado atentamente as vidas dos jovens casais que não são casados.

Sob certo aspecto, esses jovens casais obedecem ao meu conselho de que não devem amanhecer na mesma cama. Se possível, devem morar em casas diferentes.

Eles vão vivendo seus romances muitas vezes durante cinco ou sete anos. No entanto, a maioria dessas relações termina em meses.

O ponto a que eu queria chegar, entre as várias faces desses conúbios entre dois jovens de sexos diferentes, é a notícia de que a moça está grávida.

O auspício de que em breve ele será pai e ela mãe muitas vezes serve para uni-los ainda mais. Eles até celebram o casamento, vão morar juntos etc.

Ocorre no entanto que, outras muitas vezes, a notícia de que terão um filho, em vez de uni-los, separa-os definitivamente.

Quase sempre, quem refuga a relação quando aparece um filho é o homem, esse eterno fujão peregrino, que rejeita responsabilidades.

A mulher segue em frente, às vezes desamparada. Vai criar seu filho, depois aparece a história da pensão alimentícia etc., embora as mulheres de hoje sejam tão independentes, que por questão de dignidade recusam-se a aceitar pensão alimentícia.

Mas deixemos de perfumarias e voltemos ao fulcro da questão: o filho que surge depois de algum tempo de relação.

Há filhos bem-vindos e há filhos malvindos. Eu, por exemplo, fiquei sabendo por várias assistentes sociais que, na grande maioria, os filhos das pessoas muito pobres ou miseráveis são malvindos, indesejados: eles vão servir apenas de encrenca econômica e financeira para os casais desassistidos.

Eu sei de uma história de uma prostituta, a profissional que menos deseja ter um filho, justamente por não saber quem é o pai.

A prostituta ficou grávida e quase enlouqueceu. Não se perdoava.

Mas não era pelo filho que ela não se perdoava. Era por ela mesma.

Explico: não sei por que cargas d’água, ensinaram a essa prostituta, erradamente, que todo feto de mulher grávida foi concebido se a mulher teve prazer, ou melhor, orgasmo, no congresso carnal respectivo.

Disseram para ela: se tu gozares, pode nascer um filho.

E, desse caso que eu fiquei sabendo, disseram-me que a mulher não só se desesperou porque não cumpriu à risca o mandamento profissional de não gozar, como desconhecia quem era o pai de seu feto, isto é, tinha completa dificuldade em identificar o cliente com quem ela tivera um orgasmo: queria saber quem ele era para procurá-lo outra vez e ter outro orgasmo com ele. Dessa vez, sem punição, pois já estava grávida. Sem punição, mas com consciência.

Vejam como são as coisas na vida. Uma mulher culpando a si própria por abrigar em seu ventre um filho, que além de indesejado, sem pai conhecido, era fruto de um prazer que ela não sabia que tinha tido, nem com quem.

Por isto, eu digo sempre, amparando-me nos ditados célebres e sábios: o mundo dá tantas voltas, o tempo é o senhor da razão, aqui se faz e aqui se paga e a banca do cassino paga e recebe.

E com esta frase termino minha coluna, porque tenho de tomar meus remédios, preparando meu corpo e meu espírito para a cirurgia que vou fazer daqui a dias, na qual, cada vez mais me convenço, me safarei da doença mais temerária que tenho entre as quase uma dezena de outras.

E as outras eu depois curarei com menor dificuldade.

* Texto publicado na página 63 de Zero Hora de hoje

Postado por Sant`Ana

A solução é a cidade funcionar à noite

26 de agosto de 2009 17

Levei da Farrapos até o Iguatemi, de táxi, às 18h30min de ontem, cerca de 60 minutos para cumprir o trajeto.

A Sertório e a Assis Brasil e respectivas transversais estavam completamente engarrafadas. Supus que outras importantes artérias da cidade estavam também esgualepadas.

Enquanto patinava no táxi, calculei que, àquela hora, um carro que se deslocasse da Restinga até o Bairro Sarandi levaria quase duas horas, senão mais, para percorrer aquela distância.

Ora, duas horas é o tempo que se leva de Porto Alegre a Estrela, a Bento Gonçalves, a Caxias do Sul.

Quem avisa amigo é: não adianta o secretário de Mobilidade Urbana municipal dizer que não há ameaça de colapso no nosso trânsito, porque ela é palpável.

Enquanto não se organizar que os bancos, as repartições públicas, as autarquias, até mesmo empresas privadas, cumpram um rodízio de horários de funcionamento, abrindo suas portas aos clientes durante a noite e a madrugada, não solucionaremos o problema.

Porque qualquer criança de colégio conclui que engarrafamento é só de dia. Pela noite, o trânsito flui sem qualquer gargalo.

Então, a solução é a cidade funcionar à noite.

* Texto publicado na página 55 de Zero Hora de hoje

Postado por Sant`Ana

Não há vagas

26 de agosto de 2009 4

Atenção, executivos, submeto-me a uma cirurgia nos próximos dias, preparem depressa um plano B: porque os emergentes, interinos etc. já não cabem mais em si de aflitos.

A todos que me perguntam, parece-me que são milhares, como estou, respondo com um clichê criado por mim: “Há gente que está pior”.

Manchete de ontem à tarde nas rádios: “Governo estadual paga última parcela da Lei Brito e apela aos funcionários para que não peçam aumento”.

Pode deixar, não precisa se preocupar, os barnabés estaduais, acostumados com decênios de arrocho salarial selvagem, vão se organizar para pedir em passeata redução nos seus vencimentos.

Afinal, contada a inflação, não tem sido feita outra coisa com esses pobres servidores nos últimos tempos.

Um homem desesperado telefonou para um amigo seu, alto funcionário de um hospital, pedindo uma vaga para um seu parente, que estava com sério perigo de morte, doença vascular.

O diretor do hospital disse que vagas em hospitais para pacientes são regradas por um centro que coordena as vacâncias hospitalares. Aconselhou seu amigo a telefonar para aquele centro.

O homem aflito explicou para o diretor do hospital que já telefonara para o centro de vagas do SUS e lhe responderam que não havia vagas:

— Por isso, exatamente, é que estou te pedindo uma vaga: porque não há vagas. Se houvesse vagas, eu não te telefonava.

E a madrugada quase trágica foi decorrendo, se espichando, o paciente, sem consciência, não sabia que seu destino estava se decidindo pela burocracia infame que controla as vagas: há 10 pacientes, no mínimo, aguardando por cada vaga respectiva.

O Brasil, imagino, é recordista mundial, junto, é claro, com vários países africanos, em falta de vagas nos hospitais.

E nos presídios, que, por falta de vagas, estão soltando ou não prendendo os presos!

Toda a problemática social de um país deve ser medida pelas vagas que ele oferece a seus cidadãos.

Vagas de empregos, vagas de hospitais e vagas nos presídios.

Governar é em suma abrir vagas. O resto é conversinha.

* Texto publicado na página 55 de Zero Hora de hoje

Postado por Sant`Ana

Às avessas

25 de agosto de 2009 1

Vejam os meus leitores a que ponto chegou na Europa o desvio psiquiátrico dos batedores de carteira: eles, em vez de furtar das vítimas, estão colocando dinheiro no bolso delas.

O leitor Arlindo Mallmann é que me contou essa história. Batedores de carteira, em vez de subtrair a grana das costumeiras vítimas, estariam inserindo, em caminho inverso, de forma imperceptível, como sempre, cédulas de 20 libras esterlinas no bolso das ex-futuras possíveis vítimas.

Achei isso muito espantoso. Isso poderia, eventualmente, ter algum financiador da caridade, tipo agências de turismo ou algo assim, um mecenas, pois os gatunos não teriam como bancar essa sua excentricidade por muito tempo. Ou teriam?

Quem sabe, aqui no Brasil, os que estão investidos de poder e que por tanto tempo larapiariam os pobres aposentados, já por tantos anos de todas as maneiras e expedientes possíveis, não poderiam começar a devolver, aos mesmos aposentados, algumas migalhas, de quando em vez?

* Texto publicado na página 55 de Zero Hora de hoje

Postado por Sant`Ana

Que ódio!

25 de agosto de 2009 5

Homem assassinou a sogra com 11 tiros, aconteceu no fim de semana passado em Caxias do Sul.

Que ódio!
Que violência!

O homem há três anos surrava sua mulher,
que estava fugida de casa quando sua mãe foi assassinada.

Com a esposa fugida de casa, o homem ficou com a guarda das duas filhas menores e descarregou duas vezes seu revólver sobre a sogra, desviando todo o ódio que tem de sua mulher para sua pobre sogra.

Ciúme? Inveja? Ou simplesmente loucura?

Foi tal o ódio desse assassino, que ele, depois de ter desferido seis tiros contra a sogra, matando-a, recarregou sua arma e, numa fúria necrofágica, baleou o cadáver ainda com mais cinco tiros.

Eu fico a cismar sobre o terror de que está e esteve possuída a mulher do assassino, que era surrada havia anos por ele, a ponto de fugir de casa e ter assim que abandonar suas duas filhinhas nas mãos do seu marido, quadro que agora atingiu seu ápice com o assassinato.

E o pior é que o horror dessa mulher não termina aí. Se ficasse preso, o assassino ainda inspiraria terrível medo à sua mulher, imagine solto, como acontece agora, ao que suponho.

Eu, às vezes, sou quem me aterrorizo quando vejo o quanto pode caber de ódio num coração humano, no caso do assassino.

E o quanto pode caber de medo num cérebro humano, no caso dessa infeliz mulher perseguida por seu marido, a ponto de que ela é que seria assassinada se não tivesse fugido de casa várias vezes, como estava fugida quando ocorreu o crime.

Diz a notícia que o homem se enfurecia quando estava alcoolizado.

Sempre a bebida.
Sempre o álcool a conduzir a violência. O álcool é uma droga ainda mais maldita por ser uma droga lícita.

Vai-se no botequim, vai-se na festa, bebe-se como se pode beber até em casa.

Não há limite para o uso da droga lícita,
acessível e barata.

E vão se sucedendo, numa carnificina macabra, as mortes ocasionadas pelo álcool, no seio dos lares, como nesta tragédia de Caxias, nas ruas, no trânsito, em todos os lugares.

O álcool é uma das mais catastróficas invenções humanas.

E o pior: nunca será extinto da face da terra, haja vista aquela vez em que foi decretada a Lei Seca nos Estados Unidos da América, quando se bebia mais no país com o álcool proibido.

Que droga maldita!

* Texto publicado na página 55 de Zero Hora de hoje

Postado por Sant`Ana

Dando voz ao povo

24 de agosto de 2009 4

“Caro Paulo Sant’Ana. Lendo a coluna em que descrevias a delicada cirurgia a que deverás te submeter nos próximos dias, dei-me conta de que é uma estratégia ardilosa dos médicos.

Eles se aproveitaram de teu ponto fraco (hipocondria) e te convenceram da necessidade de abrir o teu crânio. O que eles querem na verdade é, abrindo a tua cabeça, tentar desvendar o segredo da tua genialidade. Abraços e boa sorte.

(ass.)Ivo Cassol, Santa Maria.”

***

“Caro Paulo Sant’Ana. Sou seu fã, estou usando o e-mail da minha esposa porque não tenho um. Me chamo Marcos Maffi Pretto, moro em Montenegro, tenho 28 anos e sou caminhoneiro autônomo. Estou mandando este e-mail para o senhor porque estou indignado com um comentário que ouvi na Gaúcha, na terça-feira à noite, no programa de seu colega Cláudio Brito, sobre os caminhões não poderem trafegar na BR-116, nos horários das 6h às 9h e das 17h às 20h.

Por isso lhe escrevo: onde está o nosso direito de ir e vir? Os caminhoneiros não têm direito a mais nada. Nos proibiram de viajar, quando tem feriadão, com caminhões chamados bitrens e rodotrens, ou seja, veículos com sete e nove eixos.

Somos nós que transportamos o progresso do Brasil. Estamos solitários na nossa classe. Não temos direito a mais nada. Chegamos em empresas para carregar ou descarregar e somos mal atendidos. Em algumas, não têm lugar para ir ao banheiro, outras não têm lugar para comer, sem contar com outras que mal podemos descer da cabine de medo de sermos assaltado e por aí vai.

Além disso ainda há pessoas que nos julgam mal. Mas enquanto muitas dessas pessoas que nos julgam estão dormindo, estão com sua família ou em uma festa, comemorando o aniversário de um filho, ou comemorando o Natal ou Ano-Novo, ou até mesmo assistindo a um jogo na TV, coisa que eu já perdi há muito, inclusive jogos do Grêmio, nós, ao contrário, deixamos as nossas famílias para transportar a vida dessas pessoas, como alimentos, roupas, remédios, eletrodomésticos e muito mais. Então, queria que o senhor comentasse isso, porque muitas dessas pessoas não sabem o que a gente tem sofrido nessas rodovias, cidades e Estados.

No Brasil, somamos mais ou menos um terço dos veículos que transitam pelo país, sendo que nenhum caminhão sai de casa para ir ao shopping ou para passear. Quando um caminhão está trafegando, é para ajudar o país a crescer e se manter abastecido.

As pessoas reclamam de ficar uma hora no trânsito. E nós, que ficamos dias e às vezes até meses fora de casa, para transportar as riquezas de nosso país? Ouço diariamente a Gaúcha, gosto muito de seus programas. Então, não tenho nada contra o Cláudio Brito, pelo contrário, gosto muito de seu programa, é uma pessoa que fala a verdade.

Paulo Sant’Ana, agradeço de coração se mencionares este singelo e-mail em sua coluna, para que pelo menos essas pessoas conheçam um pouco mais do nosso trabalho, que não é só sentar atrás de uma direção. Desculpe pelos erros ortográficos (corrigidos aqui), pois não manejo muito bem o computador.

Um forte abraço de seu fã e também gremista, esperando que leia com carinho este texto. Muito obrigado pela atenção.

(ass.) Marcos Pretto (anamachypretto@gmail.com)

* Texto publicado na página 43 de Zero Hora de hoje

Postado por Paulo Sant`Ana

O álcool espoliativo

22 de agosto de 2009 6

Discursava na tribuna, sexta-feira passada, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), lembrando que a grande obra de José Sarney como presidente do Senado tinha sido anunciada esses dias: será a reforma material do recinto do plenário, onde se realizam as sessões daquela casa.

E eu concluo agora, por esse fato, que, diante de tanta sujeira em “sua” casa, José Sarney vai trocar o sofá da sala.
                                                       -

No discurso, Pedro Simon também recordou que algum tempo atrás o senador Gérson Camata (PMDB-ES) sugeriu em plenário que fosse acrescentado ao regimento interno do Senado que os senadores poderiam discursar e apartear dispensados do paletó e da gravata.

Simon foi contra.

E teve razão: não podiam ter extinto o uso de gravata e paletó. Se o fizessem, hoje, nos escombros morais que restam no Senado, só sobrariam intactos as gravatas e os paletós.
                                                       -

O Jornal Nacional noticiou esses dias um fato estarrecedor: carros roubados apreendidos no dia ou no dia seguinte, quando em perfeito estado de conservação, eram depenados pelos PMs que deveriam recolher os veículos para as delegacias.

Pegavam os carros nos locais deixados pelos ladrões e furtavam todos os seus acessórios ou suas peças mais valiosas.

Ou seja, as vítimas dos carros roubados escapavam patrimonialmente ilesas dos ladrões, mas eram furtadas pelos policiais militares.

Este acontecimento é sintomático dos dias que correm no Brasil: quem vê os senadores se locupletando sente-se autorizado também a praticar fuzarcas morais.
                                                      -

A companheira Lurdete Ertel, nova editora do Informe Especial, página 3 deste jornal, ofereceu-nos na sexta-feira uma fotografia de um cão que fica o dia inteiro à porta da Câmara de Vereadores de São José do Norte.

Fiquei sabendo que, incrivelmente, aos sábados e domingos, o cãozinho não fica à porta da Câmara, não sei por que instinto ele sabe que a Câmara não funciona.

Mas, de segunda a sexta-feira, o cachorrinho não sai da frente do prédio da Câmara, de dia e de noite, do início ao fim do expediente.

Se fosse no Senado, já teriam arranjado para colocá-lo na folha de pagamento.

E, pelo horário que cumpre, com direito a hora extra.
                                                      -

Fui ver quanto custava um vidrinho de álcool com 50ml: R$ 4,99. O recipiente com sifão para usar em casa, acredito que com 200ml: R$ 14,99.

Ou seja, ficou muito caro prevenir-se contra a gripe A usando álcool para imunizar as mãos.

O sistema capitalista é fogo. Ele se mobiliza rapidamente para combater as crises, mas estão cobrando demais pelo álcool higiênico para as mãos.

Como custa mais caro ficar gripado, comprei. Mas bem que esses industriais oportunistas podiam ter mais compaixão da bolsa do povo.

Texto publicado na edição dominical de Zero Hora

Postado por Paulo Sant´Ana

Um dia pra esquecer

22 de agosto de 2009 45

Deixemos que a própria colega nossa, Michele Iracet, 29 anos, companheira de zerohora.com, que trabalha no espaço contíguo ao meu aqui na Redação, conte da bandida imbecilidade de que foi vítima quinta-feira passada aqui na Avenida Ipiranga:

“A gente nunca sabe o que pode acontecer num dia comum. Já escrevi aqui que dias comuns podem se tornar inesquecivelmente perfeitos. No entanto, o dia de ontem se tornou inesquecível, mas de uma forma desagradável.

Ano passado, ganhei uma bolsa grande. Nunca usei bolsas grandes, até porque me conheço e sei que, quanto maior for o espaço, maior é a bagunça. Enfim, adotei aquele presente e pus nele tudo o que eu achava que precisava… e também o que só ajudava a entortar mais a minha coluna para o lado esquerdo. Era fácil, prático. Chaves, celular (que depois que ganhei um novo comecei a carregar dois, por pura preguiça de repassar toda minha agenda), MP3, pen drive.

Não me apego a coisas materiais. Comecei esta história pela bolsa porque foi por causa dela que perdi algo de que eu me gabava: minha sensação de segurança. Aquela que todos temos e pensamos: “Acontece com os outros, não comigo”.

Meu horário de trabalho sempre foi megacedo: sete da manhã. Saía de casa acompanhada pelo seguranças noturnos do meu prédio, que iam pra casa. Mesmo assim me cuidava.

Há poucas semanas, mudaram meu horário, que se tornou intermediário. De cara pensei: mais seguro. Vou sair e pelo menos ver o sol de manhã. Uma bênção!

Ontem, dia cinza, me arrumei e saí rumo ao outro lado de uma das avenidas mais movimentadas de Porto Alegre. Mas não passei da ponte. Dois caras de bicicleta me abordaram e só disseram para que eu passasse a bolsa ‘NA BOA’!

Prontamente! Peguei a bolsa e, quando fui entregar, eles já a agarraram e se viraram. Mas a maldita da bichinha se enroscou no botão do meu casaco, dando a impressão pra eles de que eu estava resistindo em entregar. Pra quê!!!

Primeiro veio o tapa na cara. Depois uma derrapada no chão… e uma sequência de chutes no estômago e na barriga que me deixou sem ar pra respirar. Mesmo com tudo isso, a imagem que não sai da minha cabeça é a arma virada pro meu rosto e as palavras do cara:

– QUER VER EU TE MATAR? QUER VER EU TE MATAR?

Bem, dali eles partiram, e levaram parte boa de mim junto.

Fiquei no chão. Tremendo. Sem ar. Com as calças ‘molhadas’, sim, nunca mais brincarei com a expressão ‘fez xixi nas calças’, pois só quem passa por essa experiência sabe que é inevitável acontecer. Tudo o que eu precisava era que alguém segurasse a minha mão.

Não sinto raiva. Não sinto tristeza. Sinto medo. Medo de passar por isso de novo. Medo de que pessoas que eu amo passem por isso. Medo de ver nos olhos daqueles rapazes a capacidade de matar por tão pouco.

Minha família já passou por uma experiência dessas. Meu pai tinha um armazém. Dois caras entraram, roubaram o que podiam, tentaram estuprar a minha irmã (que por sorte desmaiou e eles desistiram). O que eles levaram de dinheiro e coisas materiais nem conta, mas eles levaram algo também de que até hoje sinto falta: O MEU PAI!

Não, ele não morreu. Só que, desde aquele dia, meu pai, por causa da sensação de impotência de ver o que ele construiu ir embora tão fácil e de ver a filha sendo atacada tão covardemente, sofreu um AVC e vive dependente até hoje.

Não sei como essas histórias vão terminar, mas sei como a violência já mudou minha vida. Rezarei todos os dias para que esse tipo de coisa fique longe de todos. O que me deixa triste é que eu sei que só quando eu morrer é que a sensação de segurança que perdi voltará, assim como a possibilidade de correr para os braços do meu pai e ser agarrada no colo novamente”.

 

***

 

Esses monstros acabaram por extinguir, pelo menos por uns dias, o sorriso mais exuberante de nossa Redação. Levanta-te, Michele!

* Texto publicado na página 55 de Zero Hora de hoje

Postado por Paulo Sant`ana

Viva o TOC, ele é a nossa salvação!

21 de agosto de 2009 17

Finalmente, os pacientes da doença mental chamada de transtorno obsessivo compulsivo (TOC) estão vingados.

Aquela mania de não segurar em maçaneta de porta, de não abrir com a mão nua a torneira da pia, de jamais frequentar banheiro público e em casa ter o cuidado de só sentar em vaso sanitário em que apenas uma outra pessoa senta (e olhe lá), munindo-se, ainda assim, de muitos papéis que cubram o assento e evitem que a pele entre em contato com o plástico, ter a cautela de não apertar mãos, como há mais de 30 anos aconselho nesta coluna, além de evitar ao máximo tocar onde muita gente toca.

Enfim, o que era e é considerado uma doença, o TOC, passou agora por milagre a ser precaução utilíssima para não contrair a gripe A e outras doenças.

Ou seja, o TOC, que era considerado uma doença, passa a ser uma virtude altamente elogiável, que deveria ser exaltada pelo mundo médico e pelas autoridades de alguma forma ligadas à saúde pública.

Viva o TOC, ele é a nossa salvação!

Com esse obsessivo e elogiável cuidado que temos agora com a saúde, vamos terminar todos usando luvas e máscaras. Podem esperar, que isso não vai passar de um ou dois anos.

Por sinal, dentro das salas cirúrgicas, os cirurgiões e seu auxiliares já usam e usaram sempre luvas e máscaras.

Chegou o dia em que na rua, em casa, no trabalho, todos esses ambientes, para evitar infecções e outros tipos de efeitos e contágios, se equiparam às salas cirúrgicas.

Luvas e máscaras em nós todos, essa é a nossa salvação!

* Texto publicado na página 63 de Zero Hora de hoje

Postado por Sant`ana

Morcegada

21 de agosto de 2009 2

Rossano Fachetti me telefona de Farroupilha convidando-me para uma grande passarinhada que se realizará neste domingo.

Os italianos da serra gaúcha costumam matar centenas de passarinhos para preparar uma passarinhada.

Mas eu tenho receio de ir. Na última vez que me convidaram para um risoto de passarinho, tive o desprazer de saber que fui vítima de uma cilada. Meus anfitriões, um dia depois, me telefonaram dando gargalhadas para me contar que não foram passarinhos que comi, mas morcegos.

Mas eu juro que me cobrarei deles. Vou convidá-los para uma peixada e vai ser carne de cobra.

Jaime Schneider me telefona de Estância Velha e me conta como deixou de fumar, depois de mais de 20 anos de vício, quatro maços de cigarros por dia.

Ainda fumante, foi realizar um implante num dente. O dentista recomendou-lhe que não fumasse nos 15 dias antes do implante, com a finalidade de evitar uma rejeição no dente, que seria obrigatoriamente verificada se ele continuasse a ingerir a nicotina e o alcatrão do cigarro.

O leitor seguiu o dentista e se comprometeu a deixar de fumar por uma quinzena.

Acabou vendo realizado o implante do dente e não sentiu nunca mais vontade de fumar.

Acho que vou ter de arranjar, depressa, para parar de fumar meus três maços diários, um implante de dente na minha gengiva.

* Texto publicado na página 63 de Zero Hora de hoje

Postado por Sant`Ana

O bom marido

20 de agosto de 2009 66

Ricardo Saibun, AE
Está se tornando irritante a série “invicta” do Grêmio nos jogos fora de casa.

É impossível ganhar fora de casa com uma equipe, como tenho asseverado há tempo, medíocre e despretensiosa.

Será que não acode aos dirigentes ideias mais eficazes e audaciosas na qualificação do plantel?

O Grêmio está sendo apelidado de “bom marido”,
só funciona em casa.

* Texto publicado na página 63 de Zero Hora de hoje

Postado por Sant`Ana