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Posts do dia 14 setembro 2009

Finalmente ganhamos fora de casa

14 de setembro de 2009 20

Rodrigo Lobo, JC Imagem, AE
Minha alegria de ser tradicionalmente gremista é poder neste dia festejar a primeira vitória do Grêmio fora do seu domínio, da sua casa, uma vitória que pode-se dizer consagradora. Uma vitória animadora que pode remeter o Grêmio — quem sabe, é uma esperança que nós torcedores nutrimos — ao grupo do G-4. é, com cerrteza, a melhor notícia do Grêmio neste campeonato nacional. A pior notícia tinha sido aquela de que o Grêmio não conseguia ganhar nenhuma partida fora.

Eu estava vendo aqui a que ponto chegou o Internacional, que o Ibsen Pinheiro chegou a pedir de volta o Edinho! Um jogador rude, ele não só era um jogador enérgico quando dividia a bola contra os adversários, como não era um jogador, digamos, sofisticado.

Mas, de repente, esse tipo de jogador é reclamado pelos analistas e torcedores. O Ibsen sempre foi adepto do futebol-força, ele desconfia do jogador técnico.  No particular, ele até tem razão. Esse Messi, que é com certeza a maior joia técnica do futebol mundial, está desaparecido de campo há muitas partidas.

Confira meu comentário no programa Gaúcha Hoje

Postado por Paulo Sant`Ana

As tonturas teimam em me acompanhar

14 de setembro de 2009 54

Eu estou ainda em fase de recuperação, me sinto tonto como um parafuso: roda para tudo quanto é lado a minha cabeça. Não consigo, por exemplo, vestir meu pijama nem tomar banho sozinho. Estou ainda sentindo os efeitos temerários da labirintite. Mas sentado no sofá do quarto em que estou recolhido no Hospital Mãe de Deus, assim tenho serenidade para conversar com vocês.

Os médicos dizem que sofreu tal agressão o meu labirinto, e toda a extensão do meu ouvido interno, que é natural que eu esteja com essas tonturas, que me deixam assim, preocupado. Porque o que me trouxe aqui principalmente foram as tonturas. É bem verdade que junto com as tonturas me trouxeram aqui outros problemas graves, também relacionados ao ouvido. Eu tenho um tumor permanente nos dois ouvidos, que se chama colesteatoma, e nunca vou deixar de tê-lo, mas queria vê-lo menos agravado. E foi isso que me trouxe ao hospital.

Pelo que se sabe, a cirurgia que foi feita pelo médico Sady Selaimen da Costa teve o mais amplo e absoluto sucesso. O que me deixa preocupado é essa tontura que sequer me deixa caminhar. Mas os médicos me dizem que ela é absolutamente normal neste quadro de aflições que me consumiram nestes últimos meses, e que as agressões sofridas pela cirurgia — porque toda cirurgia é uma agressão que o organismo sofre —, por certo acarretariam estas tonturas.

Ocorre uma coisa que eu nunca tinha revelado: eu também fiz, pelo doutor Nédio Steffen, uma biópsia na minha parótida direita, que neste momento está inchada como um abacate. Eu estou no aguardo deste resultado, que eu acredito, virá até amanhã. E depois deste resultado — que se acontecer como eu quero, peço e imploro, será negativo — , então eu terei condições de ter alta.

A minha cabeça é cheia de problemas, os dois ouvidos são contaminados por tumores, o que vou fazer? É meu destino, minha sina: eu estou lutando contra estes problemas, pela primeira vez explicitados. No entanto, esta cirurgia com certeza virá amenizar de forma confortadora estes problemas.

No meu quarto, os versos de Paulo Setúbal me acompanham em um cartaz por mim fixado na parede:

Como um caboclo bem rude,

Eu vivo aqui, nesta paz,

Recuperando a saúde,

Que eu esbanjei, quanto pude,

Nas tonteiras de rapaz.

Confira minha participação no programa Gaúcha Hoje

Postado por Paulo Sant`Ana

A volta de Pablo

14 de setembro de 2009 1

Moisés Mendes (interino)

Nada é mais desconfortável do que o conforto de um quarto de hospital. Um homem num hospital, mesmo que não esteja ali pelo SUS e possa dispor de quarto privativo e dos serviços oferecidos por um bom convênio, está entregue aos comandos alheios na hora de comer, tomar banho, fazer xixi.

Menos o Sant’Ana. Pablo circula pelo hospital como se desfrutasse dos direitos assegurados por um usucapião. É posseiro de um apartamento desde sexta-feira. Está inquieto, mas feliz.

E Pablo entrou no hospital cheio de temores. Não há homem que não fraqueje quando entra num hospital. Um hospital é como uma oficina. Mexem no carburador e encontram uma mangueira entupida. As primeiras horas num hospital são assustadoras. Tem o reconhecimento do quarto, dos parceiros de quarto. Avalia-se quem está bem, quem está mais ou menos, quem não passa do entardecer.

É preciso se submeter aos procedimentos, às normas, ao olhar enigmático de enfermeiras, à fala de idas e vindas dos médicos. Até o passarinho que senta no parapeito da janela parece trazer alguma mensagem nebulosa.

– Olha o passarinho. É bom sinal – alguém diz para despertar algum otimismo no doente.

– É bonitinho... Mas por que é preto?

Pablo passou bem pela cirurgia no ouvido, feita pelo cirurgião Sady Selaimen da Costa, e pela biópsia na parótida, pelo cirurgião Nédio Steffen. A biópsia é só para que não fique encanzinado, para eliminar dúvidas. Pablo tem nove doenças e não tem nada. Está cercado de craques. Além dos que o operaram, o paparicam os doutores Jorge Gross, Paulo Sérgio Guedes, Paulo Prates, Matias Kronfeld, Fernando Nora e Celso Daligna.

Pablo escolhe as doenças para poder escolher os médicos. Todos têm a mesma marca: o humor solto, fluido, inteligente. Pablito não escolheria médicos burros. Ontem pela manhã, o quarto era uma arquibancada. Estavam ali Gross, Guedes, Prates e Selaimen. Foi divertido ver aqueles homens sábios manipulando dois aparelhos de controle remoto como se estivessem tentando algum contato com marte. Ninguém conseguiu fazer a TV funcionar para que se visse o filme da cirurgia. Uma enfermeira os socorreu. O filme é horroroso. A sessão foi suspensa no segundo minuto. Mas deu para ver que até o ouvido de Pablo é azul. E o pijama de Pablo, claro, é azul.

No sábado, Pablito entrou cantando no bloco cirúrgico. Cantava Folhas Secas, do Nelson Cavaquinho e do Guilherme de Brito:

Quando eu piso em folhas secas

Caídas de uma mangueira

Penso na minha escola

E nos poetas da minha estação primeira.

E cantava Foi um Rio que Passou em minha Vida, do Paulinho da Viola. E entrou na sala cantando, até submergir na penumbra da anestesia e acordar no início da tarde – cantando de novo. À noite, ligou a TV e assistiu a Henrique VIII, de Pete Travis. Ficou acordado até as 7h. Às 11h de ontem, cantava para os médicos. Está bem cuidado pelos médicos e pela mulher, Inajara. Deve voltar até quarta, livre da labirintite. Pablo não para de cantar. Canta e chora, mas canta mais do que chora. É um choro de quem está feliz por poder olhar pela janela e dizer: me aguardem, pardais. A primavera não pode nunca maltratar um pardal.

* Texto publicado hoje na página 43 de Zero Hora

Postado por Moisés Mendes