De fato, estamos vivendo uma revolução de progresso, civilização e, posso até arriscar, de humanidades no perímetro que compreende a Rua Padre Chagas e adjacências, no Bairro Moinhos de Vento.
Sequer há em Buenos Aires e Rio de Janeiro, com a decadência de La Recoletta e Ipanema, um lugar mais aprazível para se transitar e para estacionar os corpos do que na região da Padre Chagas e vias circunstantes.
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Chegou ao ponto da Padre Chagas e confluentes se tornarem atração turística mais magnética do que os nossos shoppings, a grande novidade do final do século passado.
Houve uma espontânea atração à Padre Chagas e seus arredores de tudo que de mais bom gosto tivemos para expressar nossa arquitetura predial e humana. Eu descobri, por exemplo, anteontem, uma padaria espetacular na Padre Chagas, com variedade e qualidade de produtos superior até mesmo em quantidade às da Banca 43 do Mercado Público.
Ou seja, a Padre Chagas e seus outros cantões limítrofes passam a ser o lugar ideal para se sentar à mesa dos cafés e bares, como também um oásis para o
abastecimento de nossos lares.
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Quer música? Tem lá. Quer comer? Ali você encontra os mais deliciosos acepipes, as comidas mais saborosas, os doces e sorvetes das mais sofisticadas e variadas correntes gastronômicas.
Quer conversar? Não há recantos mais hospitaleiros para um bom papo do que lá. Se alguém deseja encontrar as pessoas mais interessantes, toca para a
Padre Chagas que em seguida se formará, naturalmente, como em camadas tectônicas, uma roda que jamais se poderia formar em outro lugar da cidade.
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Chegou ao ponto em que já deixei, como tanta gente, de viajar, para me dirigir à Padre Chagas. Ali me espera sempre o inesperado, ali me acalanta sempre o acalentado, ali me enternece o espírito e me encanta os olhos sempre a ternura visual e auditiva das pessoas e das coisas.
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Estes dias aconteceu-me uma coisa que está mudando a minha vida: marquei uma consulta com um médico em um café da Padre Chagas.
E é tal a força telúrica e solidária do lugar que já me sinto a criar o costume e a moda: vamos todos marcar as consultas com nossos psicanalistas no bares e cafés da Padre Chagas. Abaixo os consultórios frios, insossos,herméticos dos médicos e psicanalistas. Vou sugerir ao otorrrino Sady Selaimen da Costa, ao rei do pescoço Nédio Steffen e ao clínico geral Mathias Kronfeld que levem seus equipamentos, inclusive otoscópios e estetoscópios para determinadas mesas de bares e cafés da Padre Chagas e ali atendam seus clientes, naquele ambiente que por si só já significa a cura geral e irrestrita dos pacientes.
Isto mesmo, aqueles bares, cafés e bistrôs da região da Padre Chagas compreendem a cura da alma, a cura do corpo e a consequente e ansiada cura do cansaço, da náusea, da depressão e do tédio que perturbam nossas vidas.
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Nem a falta de estacionamento ameaça o sucesso da Padre Chagas. Essa bolação da Zona Azul é fantástica. Ali naquele oásis urbano estupendo, extinguiram-se
como por um milagre os flanelinhas e os inconvenientes.
Ali só tem gente agradável, só tem lugares repletos de beleza estética humana e material e de belas imagens cotidianas.
Que lugar! Parece até que ali é a zona irrepreensível da felicidade. A felicidade que supomos existir está ali. A felicidade que queremos, a que sonhamos e a que merecemos está ali.
Ali se firma, resoluto, o verdadeiro conceito de cidade, que significa a aglomeração de pessoas e de prédios que servem à funcionalidade da vida em comum.
Que lugar!
Quem quiser ter uma ideia do que sejam as paragens do Éden, corra para lá.
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Postado por Sant`Ana



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