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Gostosas rapadurinhas

05 de novembro de 2009 10

A Porto Alegre dos serviços. Ontem fui me servir dos serviços de barbearia e bar da cidade.

Só ontem me apercebi de que não fui engraxate na infância. Fui vendedor de pastéis, fui entregador de jornais, mas nunca me dei bem com trabalhos manuais, decerto por isso não me atraiu a caixa de engraxate, que era um derivativo dos meninos da minha idade.

Ontem pensava nisso enquanto me atendia o engraxate do salão Dia e Noite, na Rua Andrade Neves.

Os preços do engraxate são atraentes: graxa preta, R$ 4,50; graxa marrom, R$ 5; tinta e graxa preta, R$ 7; tinta e graxa marrom, R$ 9; graxa bota pequena, R$ 8; graxa bota grande, R$ 10; tinta e graxa bota pequena, R$ 10; tinta e graxa bota grande, R$ 15; graxa branca, R$ 15.

Bons preços, atraentes preços, o engraxate que me atendeu deixa o sapato como se fosse novo.

Depois fui lavar a cabeça com a cabeleireira Denice. Depois de lavados, meus cabelos recebem um xampu cinza, muito cuidado para não entrar água nem xampu nos ouvidos, espera 15 minutos enquanto a cor do xampu se impregna nos cabelos, depois um banho lustral, quando se aplica o secador nos cabelos, fica uma beleza.

Após fazer as unhas com a manicure Loreni, desci até o Bar Tuim, na Ladeira, onde saboreei o melhor chope da cidade. Os chopes que o David Coimbra descobre e intenta na Calçada da Fama não podem atar as chuteiras do chope cremoso do Tuim, a técnica empregada para tirá-lo e a qualidade do equipamento fazem do Tuim o templo do chope na cidade.

Acompanhado evidentemente dos bolinhos de bacalhau do Tuim, ainda os melhores da cidade. Os bolinhos de bacalhau do Restaurante Pampulhinha, um dos dois mais caros da cidade, não chegam nem perto em delícia dos do Tuim.

Já estiveram melhores do que estão hoje os bolinhos de bacalhau do Tuim, mas ainda são os melhores da Capital.

Eu e a Denice comemos 12 bolinhos, com três chopes, a conta somou singelos R$ 42. Vale a pena a gente ser feliz em uma hora por um preço acessível.

Negócio bom no Centro é estacionamento. Todos os da Rua Andrade Neves estavam lotados pela tarde de ontem. E o preço é salgado, tudo acima de R$ 10, estão fazendo fortunas os donos de estacionamentos, que previ seria o negócio deste século que se inicia, ao lado da industrialização da água.

Faz tanto tempo, mas ainda povoam a minha memória as doceiras da minha infância. Faziam as rapaduras em casa e seus filhos vendiam em torno dos quartéis das Bananeiras.

Eram cocadas alvas, cocadas marrons, cocadas negras, paçocas de amendoim, pés de moleque, havia até rapadurinhas de abacaxi, uma delícia, também olhos de sogra, papos de anjo secos e em calda, doces de batata e abóbora caramelados, rapadurinhas de banana, creiam, assim como havia balas quebra-queixo e o supremo ideal dos glicosados, que era o doce de goiaba.

Já escrevi que minha madrasta fazia um doce de melancia, tirado daquela faixa branca da fruta que fica abaixo da casca, parecido com o doce de abóbora, mas o de melancia nunca mais topei com ele. Que saudade!

E havia um doce nos botecos que era a preferência da garotada, tanto pelo preço baratíssimo quanto pelo seu grande tamanho: o mata-fome.

O mata-fome era um almoço. Felizes dos dias raros em que eu podia juntar um dinheirinho para comer um mata-fome, acompanhado de um refrigerante, que podia ser Crush (o que tinha polpa de laranja no líquido), Marabá, Grapette, Cyrillinha, quem sabe até uma gasosa.

Que festa!

*Texto publicado na página 59 de Zero Hora.

Postado por Sant`Ana

Comentários (10)

  • Ricardo Petry Filho diz: 9 de novembro de 2009

    Sant`Ana,

    Comentaste sobre o doce de melancia e que há tempos não o encontras. Saiba que aqui em São Leopoldo, nos almoços de domingo na casa da minha família, desgustamos desta iguaria – discriminada por muitos, apreciada por conhecedores. Quem preserva esta tradição é minha mãe,que se dedica ainda ao figo cristalizado e ao doce de batata-doce.
    Sem dúvida, coisas singelas, com sabor de infância e de nostálgica apreciação.

    Um grande abraço,

  • Fabi Mello diz: 9 de novembro de 2009

    Santa`ana
    Uma das glorias de ser gremista é contar com personagens que instintivamente escolheram a tragedia, o drama e até mesmo a comédia de ser imortal e azul: Saldanha, Lupicinio, Foguinho, Renato e, principalmente, você. Isso ninguém nos tira. Isso causa pesar em que não tem. Talvez tu não serias o Santa`ana da alma sofrida e sensibilizada como a dor do semelhante não fosse gremista e não tivesse sido guri nas ruas de Porto Alegre. Sofrer pelo Grêmio é menos ruim na tua lúcida companhia

  • ICARO diz: 13 de novembro de 2009

    rapadurinhas que deliciosas elas são.

  • Paulo Gilmar diz: 5 de novembro de 2009

    Santana…,é impressionante! Os fatos ou coisas rotineiras, simples, aparentemente sem importância, irrelevantes; quando descritas ou narradas por tí, se tornam, ou tu nos mostra, que na realidade são importantíssimas. É por essas e por outras que há mais de 30 anos acompanho teus comentários. Um abraço do gaúcho e gremista, Paulo.

  • LUCIANO NÉLSON diz: 5 de novembro de 2009

    Maravilha de comentário Sant`anna, só assim para nós gremistas a felicidade se faz presente, pois com o time, aliás ontem na real cheguei a conclusão de que o time do Gremio é muito ruim, pois siquer temos um atacante de oficio, e o treinador é rídiculo. QUE bom ter lugar aplasível como este que aí descreves em teu comentário, para um chopp e bolinhos de bacalhau. Parabens e abraços.

  • josé de alencar souza da silva diz: 5 de novembro de 2009

    Sant ` Anna tu tá acostumado e gosta de ser o freguês,tá de touca vermelha.

  • Marcelo pedroso diz: 5 de novembro de 2009

    Tchê Pablo,sabes dar o devido valor a pequenas delicias e a boas companhias,seguirei ao Portinho terra q amei desde guri,tempos em q ampliei mews conhecimentos em todos os sentidos ou seja educacionais e de relacionamentos pessoais,e com certeza me darei o prazer de conhecer o tuim. fuerte abraço

  • Osvaldo Ávila da Rocha diz: 5 de novembro de 2009

    Prezado Sr. Paulo Sant`Ana:
    Diariamente sou obrigado a ler sua coluna em Zero Hora. Obrigado sim, porque já se tornou um vício, assim como o senhor tem o vício do cigarro.
    E o senhor hoje escreve sobre rapadurinhas, doces de abóbora, doces de batata, mata-fome, Grapette, gasoza, coisas com as quais eu também me deliciei na infância e que dão uma saudade danada. Tenho diabetes e mesmo que encontrasse essas delícias não deveria ingerí-las.
    Essa sua coluna de hoje me deixou com água na boca.

  • Daniele Costa diz: 5 de novembro de 2009

    Apesar da minha pouca idade,ainda peguei essa epoca boa de rapaduras de melado,balas softe refrigerante Cyrillinha que era embalados em garrafas de vidro(cerveja)o que dava um sabor especial.Saudades dessas gostosuras,da minha infancia le em Sao Sepe….

  • gilnei Vargas diz: 5 de novembro de 2009

    Como tenho 59anos, ao ler esta dissecação de detalhes “deliciosos” do Paulo Santana, viajei e me vi lá comendo essas delicioas guloseimas da época inclusive o “Matafome” com refrigerante que só tinhamos direito aos domingos!Hoje sem refri na mesa ninguém come!Gostaria que o Paulo falasse dos jogos de bulita, dos campinhos, a descrição que ele dá é de um expert acima da media!obrigado Paulo!

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