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Os escalpos conjugais

06 de novembro de 2009 12

Minha corda só tem 10 metros, mas continuo salvando afogados.

***

E, fora isso, ainda vou conseguir com as autoridades encaminhar aquela menina cega de um olho e o outro por cegar-se também para Goiás.
Vocês não sabem o que é a felicidade de quem, como eu, se sente útil! Só por isso já valeria a pena viver.

 

***

É mais fácil libertar-se um povo, um país, do jugo externo de mais de séculos de duração do que libertar-se um homem de uma mulher. Não há nada que mais escravize o homem que o jugo de uma mulher. E mais trágico se torna esse domínio de uma mulher sobre um homem quando este dominado e subjugado nada faz para se libertar, pelo contrário, adora a sua submissão.
 

 

***

 

Esta escravização de um homem sob uma mulher começa no namoro, tímida, depois avança pelo noivado e se consagra no casamento.  Sem dar-se conta, o homem vai sendo aos poucos manietado, amordaçado, humilhado, escorraçado pela mulher. E, quando vê, a tragédia está instalada.
E não pensem que sou machista. Não sou. Sei que isso também se dá pelo contrário e há homens que tiram os escalpos de suas mulheres. Por isso é que volta e meia me refiro a trágicas relações conjugais que se instalam entre as pessoas.

 

***

 

A esse respeito, muitos anos atrás contei aqui uma história da minha infância. Nós morávamos na antiga Rua dos Coqueiros, hoje denominada 17 de Junho, aqui no Menino Deus. E a gurizada toda – éramos cerca de 30 – assistia todos os dias na hora da Ave-Maria, exatamente às 18h, aos gritos do açougueiro da rua apanhando de sua mulher, dentro do açougue.
Sentávamo-nos no meio-fio para ver o açougueiro apanhar todos os dias da mulher. Era uma gritaria danada, gritava a mulher do açougueiro espancando-o, gritava o açougueiro sendo espancado, era um escândalo na vizinhança.
Mas um dia o espancamento do açougueiro por sua mulher passou dos limites.
Eram 18h exatas daquele sábado quando estourou o alarido do espancamento dentro do açougue. E o pobre do açougueiro fugiu para a rua, onde a nossa plateia de garotos já estava postada para assistir ao escarcéu.
Só que dessa vez, de tanto apanhar, o açougueiro correu para a rua, fugindo da mulher. Esta não se fez de rogada e saiu pela rua perseguindo o açougueiro. E, quando saiu do açougue, a mulher do açougueiro deu de mão numa manta de mondongo, dobradinha, que estava dependurada num dos ganchos do açougue, e surrava o marido com aquele mondongo, que batia nas costas do pobre coitado, que berrava como um cabrito.
Naquele dia, o espetáculo da surra que a mulher do açougueiro impunha ao marido não causou tanta sensação à gurizada. Até hoje ainda guardo aquela cena como depositária da nossa compaixão pelo açougueiro.
Foi demais a execração pública do açougueiro ante as nossas vistas infantis.
Apanhar de mondongo é uma suprema humilhação. Maior que apanhar de mulher.

Postado por Paulo Sant`Ana

Comentários (12)

  • Sandro diz: 6 de novembro de 2009

    Pô, José!!! Qual é a tua???
    rsrsrsrsrs

  • RENATO TRICOLOR diz: 6 de novembro de 2009

    QUERIDO SANT`ANA.ÉS O NOSSO PORTA-VOZ. ACOMPANHO O NOSSO TRICOLOR HÁ 30 ANOS. NUNCA VI TAMANHO MARASMO.ESTAMOS EM 6/11/2009 E MAIS NADA A FAZER NO BRASILEIRÃO.POR FAVOR,SANT`ANA,PERGUNTE AO DUDA,AO MEIRA E AO MAURO GALVÃO(SE ELE ESTIVER ACORDADO)PORQUE NÃO ANTECIPAM FÉRIAS DOS JOGADORES.COMECEM A REFORMULAÇÃO AGORA E, PELO AMOR DE DEUS, CONTRATEM OS JOGADORES QUE O PAULO AUTUORI QUER. AFINAL, TROUXERAM O CARA DA ARÁBIA, DEPOIS DE 40 DIAS NA LIBERTADORES SEM TPECNICO, PAGAM UMA FORTUNA, PRÁ QUÊ??

  • “das colonia” diz: 6 de novembro de 2009

    TU APANHA DA MULHER DE VEZ EM QUANDO(E ELA TEM RAZÃO) TUDO BEM.
    MAS, O QUE ESSE INFELIZ FEZ PRA APANHAR TODO DIA E COM HORA MARCADA ?
    EXIJO UMA EXPLICAÇÃO.

  • NOELY MARTINS ABI diz: 6 de novembro de 2009

    É por aí Sant`Ana: é pela escrita jocosa q tu te destacas q a dramática o mundo já tá cheio e quando vejo a amargura com as veias abertas nas tuas colunas eu passo direto.

  • Ivo Leo Hammes diz: 6 de novembro de 2009

    E aquela mulher era bonita? Era de uma feminilidade estimulante? Vestia-se, arrumava-se, “produzia-se”, antes de dar no marido? Ou vocês gurizada, sei lá de que idade, não reparavam nestes detalhes? Pois gostei deste seu relato ocorrido na sua Rua dos Coqueiros ( que revés terem trocado este nome!). Pablo, isto daria um grande romance. Tira um tempinho e, como você tem talento, escreve-o. Na Feira do Livro do próximo ano, vai ser best seller. E você, credenciado para futuro patrono da feira.

  • Júlio Luiz Morosini Filho diz: 6 de novembro de 2009

    Já pensou ao contrário ? A mulher apanhando ? No mínimo a “autoridade” leva o covarde para a Delegacia, onde, na certa, estaria um advogado. E como resultado, separação com o marido trabalhando para sustentar a coitadinha. Já sei hoje em dia não é mais assim. NÃO É ?

  • pedro diz: 6 de novembro de 2009

    Santana e a dobradinha depois foi vendida?

    Me lembrei de buchincho, ” todos perguntam da china e niguém se importa comigo”

    abs.

  • josé de alencar souza da silva diz: 6 de novembro de 2009

    Todo gremista gosta de apanhar,chora Sant ` Anna.

  • elio farinon diz: 6 de novembro de 2009

    A “burrocracia” e administradores insensíveis fazem com que uma criança fique cega por falta de atendimento adequado!
    Malditos governantes!

  • luiz guimaraes diz: 6 de novembro de 2009

    palo querido amigo ,só daqueles que tive o previlegio de te conhecer pessoalmente tu a Tania Carvalho vcs ainda joves ,sou dosantigos brigadianos que trabalhava ai no Palacio Piratini,sempre adimirei teu trabalho mas uiltimamente vc tem sido demais ,um abraço amigo e beijo no teu coraçaõ gremista mas muito gaucho ,luiz

  • João Carlos diz: 6 de novembro de 2009

    Caro Santana, são 08:17 desta sexta-feira, nublada, com cara de inverno (apesar do clima abafado), sendo que, além do mau humor do tempo, se principia um final-de-semana sem perspectivas de dinheiro, mas mesmo assim, ao ler a tua crônica “Os escalpos conjugais”, me vejo aos risos, sozinho em meu escritório, sem alguém para comentar, pois é bom rir junto com alguém. Te juro que foi uma das melhores coisas que li nos últimos tempos e me deu ânimo de enfrentar a sexta carrancuda e sem dinheiro. Abç

  • Gabriela diz: 6 de novembro de 2009

    Tu tem todo jeito de quem apanha de mulher. E é bem merecido, pra tu aprender!Pois por tudo que tu esculacha a tua esposa, tem mais que levar umas porradas mesmo.

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