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Lotado de correspondência

16 de novembro de 2009 12

Carta contra os peritos:

“Prezado Sant’Ana. Em relação aos peritos do INSS, quero te relatar a situação de um cunhado meu, homem de 40 anos de idade, trabalhando desde os 14 anos e, por ser de família pobre, não escolheu lado para trabalhar, e desde novo obrou em serviços pesados, com trinta e poucos anos sua coluna começou a dar problemas.

Hoje, graças ao plano de saúde do último emprego, já fez três operações e colocou pinos em dois locais, está agora prestes a fazer a quarta operação. Pois bem, meu cunhado, após estar encostado havia mais de cinco anos, teve alta, voltou à empresa em que trabalhava e um exame foi feito pelo médico da empresa, que também foi ou é perito do INSS, o qual negou sua volta ao emprego e lhe deu um atestado relatando o motivo. Passado o prazo, meu cunhado entrou novamente com novo pedido de perícia. Nesta hora levou pasta com exames recentes, o atestado e tudo mais sobre sua situação. O senhor perito nem sequer abriu a pasta e disse para meu cunhado ver na internet o resultado da perícia, que foi negativo novamente. Com família, contas para pagar e sem sua renda, passou a ter dificuldades, vendeu seu carro e foi obrigado a procurar um advogado, que entrou na Justiça.

Ficou 10 meses sem receber nada, então o juiz obrigou o INSS a voltar a pagar e o encaminhou ao perito federal, que examinou meu cunhado, olhou seu histórico médico-hospitalar e declarou via atestado à Justiça que ele tinha uma doença degenerativa e, se não tomasse cuidado, no futuro correria o risco de ficar paralítico.

Te pergunto: por que só um perito que não é do INSS chegou a esta conclusão? Mas a desgraça não fica por aí, o advogado cobra dele 30% do que receber do atrasado que ainda não foi pago e do valor que recebe mensalmente, sua renda é de R$ 2 mil por mês, e ele agora tem um sócio que todo mês recebe R$ 600. Então, da incapacidade da plêiade de peritos do INSS, hoje se formou outra associação: a dos advogados que os segurados são obrigados a procurar e que passam a ficar com parte da miséria que recebem.

Sant’Ana, faça um levantamento de quantos processos há na Justiça federal contra o INSS e, se tantos existem e são dados ganho de causa aos segurados, alguma coisa de errado existe. Meu cunhado também contou da falta de educação desses sujeitos que o INSS apelidou de peritos. Não é sem razão que muitos têm segurança para protegê-los.

(ass.) Luiz Carlos Soares, Rua Fernando Ferrari, 237, Canoas – RS Fone 3475-0577 (luizcasoares@yahoo.com.br)”

Agora a defesa dos peritos:

“Prezado senhor Paulo Sant’Ana. Teremos muitas e muitas histórias sobre perícias e peritos, mas todas elas têm um ponto em comum, além dos já citados na tua coluna de hoje: foram perícias que tiveram seus pleitos negados!

A perícia médica tem por finalidade maior enquadrar, dentro da legislação existente, o grau de incapacidade que, devido à doença, vai dar direito ao sustento financeiro durante o afastamento do trabalho e o repouso médico. O direito existe, mas não de maneira indiscriminada.

São interesses naturalmente diferentes e, na maioria das vezes, opostos até. Quem procura a perícia médica sempre vai achar que tem o direito, diferentemente do perito, que vai em busca dos elementos que permitam o enquadramento nesse direito ou não.

Some-se a isso a situação social do país, quando um número crescente de pessoas desempregadas procura a perícia médica como forma de sustento durante o desemprego, mesmo não estando doentes, e veremos que o conflito só tende a se agravar. Os benefícios por incapacidade se tornam o objetivo maior e a aposentadoria por ‘incapacidade’ é a meta final que vai permitir ir ‘sobrevivendo’…

O conflito está aí e precisa ser resolvido: nem todos terão suas expectativas de receber o auxílio financeiro do governo ou do seu empregador ao procurar o médico perito. Ele é apenas aquele que, dentro da legislação e dos conhecimentos técnicos necessários, vai verificar a real incapacidade de quem procura o amparo da lei e com educação, é claro.

Mas, convenhamos, ser perito é correr risco de vida, sim! (ass.) Dr. José Andersen Cavalcanti – médico perito, Cel (51) 9808-1121 (jose–andersen@via-rs.net)”

*Texto publicado na página 43 de Zero Hora de hoje

Postado por Sant`Ana

Comentários (12)

  • luis vieira diz: 16 de novembro de 2009

    senhor paulo; gostaria de saber se o paciente a ser periciado apresentar laudos de incapacidade laborativa pode entrar na justiça contra o medico perito quando negado beneficio.obs sempre peço carimbo e assinatura do perito nos exames apresentados.

  • RENEU diz: 16 de novembro de 2009

    Sr. R. Barbosa: Ñ sou perito, mas diria que ñ são alguns vagabundos. São muitos! É uma cultura brasileira…Cansei de receber pacientes em consultório cuja vida diária era conhecida. Qd queriam atestados, uns entravam mancando, outros até de cadeira de rodas. Ao estarem afastados ñ apresentavam anormalidades e até faziam suas caminhadas diárias sem dificuldades. Ser perito é uma tarefa ingrata. Perito ñ é médico comum! Ñ presta assistência médica. Dá parecer sobre sobre capacidade laborativa.

  • Claudio Vanelli diz: 16 de novembro de 2009

    Paulo,os perítos são orientados a negar aos cidadãos,o direito de repouso,auxílio doença.Sugiro que a Rádio Gaúcha,e aRBS TV faça uma investigação sigilosa,vão comprovar isso.Porque que os Médicos estão com medo de trabalhar,com guardas do lado???medo do que??? da verdade???

  • Clarita Maraschin diz: 16 de novembro de 2009

    Paulo Santana,
    Obrigado por nos proporcionar este espaço de reclamação.
    Levei meu irmão para fazer pericia,bi-polar, drogas com histórico de suicidio e fui tão insultada que chorei.
    Primeiro o médico peguntou quem eu era e depois disse que eu era muito empolgada.
    Fiquei todo tempo calada só respondendo e depois dele conceder o beneficio não aguentei e disse para ele que eu não estava empolgada e sim desesperada.
    As pessoas não merecem este tratamento.

  • Julio Marx diz: 16 de novembro de 2009

    Caro Paulo Santana não tiro uma vírgula do que esse cidadão relatou sobre seu parente é exatamente isso, minha mãe tem uma doença degenerativa nos ossos e outras complicações tem o tal do cid (código) expedido por um médico especialista de ossos com esse numero e exames o INSS seria obrigado a no mínimo dar auxilio doença, mas sempre é negado e eles nem olham os exames, fico com a sensação de que há uma ordem interna para que se faça isso, a solução é entar na justiça e é o que vou fazer!!!

  • Paulo Freitag diz: 16 de novembro de 2009

    Prezado Sant`Anna. Sou médio, não faço perícias, mas com sinceridade, posso confirmar que existe abuso excessivo por parte de pacientes, que muitas vezes simulam incapacidade pra manter o benefício, sempre usando o jeitinho brasileiro. Também já presenciei, além de desconhecimento e despreparo, má vontade e falta de ética por parte de alguns peritos. Alguns inclusive objetivam algum ganho secundário. Enfim, Brasil. Falcatruas. Mais até dos segurados do que dos Peritos. Presencio diariamente isso

  • josé de alencar souza da silva diz: 16 de novembro de 2009

    DEIXA DE SER GREMISTA SANT ` ANNA.

  • Danilo diz: 16 de novembro de 2009

    No caso do Sr. de Canoas, parece que houve imperícia do perito. Não seria o caso de denunciá-lo ao Ministério Publico e ao CRM. Conforme o caso, pode ser até classificado como erro médico com cassação inclusive do CRM desse “perito”. Nos EUA o caso seria tratado assim. Sem violência, com justiça, acabarão sobrando só os bons e verdadeiros peritos.

  • Jussandra Duarte Moraes diz: 16 de novembro de 2009

    Prezado Paulo,infelizmente faço parte das pssoas a que os peritos do INSS dão como apta ao trabalho, tenho 52 anos e fiquei por 6 anos com auxilio doença passei por mais de 30 pericias fiz várias cirurgias sempre pela mesma equipe,levei laudos de todos os meus problemas mas em Dezembro de 2008 me liberaram dizendo que estou apta a trabalhor è obvio que ninguem está me empregando tendo eu 52 anos e ficado 6 anos no INSS por incapacidade,não preciso nem te dizer qual é a minha atual situação.

  • Rodrigo Barbosa diz: 16 de novembro de 2009

    E por causa de alguns vagabundos que não querem trabalhar , as pessoas que realmente precisam , acabam pagando o PATO!!!

  • JULIÃO diz: 17 de novembro de 2009

    Num país de malandros, todos querem se “encostar” pelo INSS. Mas antes devemos importar marcianos para trabalhar por nós, pois escravos africanos não podem vir mais.

  • Édino diz: 16 de novembro de 2009

    SANTANA gostaria que vc comentasse com toda a nação colorada do Rio Grande a demonstração de ombridade, vergonha na cara e moralidade que o Grêmio demonstrou diante do Cruzeiro no estádio do mineirão lotado ao contrário do Esporte Clube Internacional que entregou o jogo contra o São Paulo ano passado no Morumbi quando escalou um time misto e levou3X0. Com um simples empate naquele jogo e o Grêmio teria sido campeão brasileiro.ISSO SIM É TER VERGONHA NA CARA AO CONTRÁRIO DESSA CORJA VERMELHA!!!

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