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Pobres flagelados!

27 de novembro de 2009 19

Todos os dias, a televisão e os jornais dão conta dos flagelados das chuvas e das tempestades.

Parece que há uma revolução na natureza. As pessoas são expulsas das suas casas aos milhares, metade vai para a casa de parentes, a outra metade é amparada pelos abrigos conseguidos pelas prefeituras.

E todos os dias se sucedem as inundações, os dramas vão se multiplicando na beira dos rios, famílias inteiras se tornam desabrigadas e passa pelo nosso pensamento que não serão socorridas a contento pelo poder público.

É fácil desconhecer a tragédia que atravessa as vidas dessas pessoas. Banalizam-se insistentemente os flagelos das enchentes.

Nada posso fazer por essas pessoas. Mas cumpro o dever apenas de voltar minha lembrança para elas e me apiedar de sua situação.

A tempestades e a alta dos rios se sucedem com frequência assustadora em todo o país. E, nos últimos dias, mais se tornou grave a condição desses flagelados.

Antigamente, a queda de uma descarga elétrica era um acontecimento raro, tanto que passaram a integrar o folclore os relatos das pessoas que eram atingidas pelos raios.

Agora é diferente: todos os dias aparecem vítimas fatais de raios no noticiário dos jornais.

Mas o que está havendo? Será que é mesmo real que o homem está destruindo a natureza e esses desequilíbrios meteorológicos são fruto da devastação das florestas e do efeito estufa, que já preocupa os dirigentes das mais importantes nações?

Anteontem, foi noticiado com ênfase o temporal que caiu sobre o distrito de Progresso, município de Três de Maio.

Os ventos atingiram as casas, os galpões, a escola, a igreja, um enorme ginásio e o centro comunitário.

A fotografia do ginásio destruído pelos ventos é impressionante. Sua estrutura desabou pelo chão.

Da mesma forma, o prédio onde ficava o setor administrativo da escola de Progresso teve suas telhas inteiramente arrancadas pelos ventos.

Os 30 alunos que se encontravam na biblioteca foram apanhados de surpresa pela tempestade e tiveram de se refugiar debaixo das classes. Felizmente não houve vítimas fatais.

No ginásio, as suas paredes e a sua cobertura foram inteiramente demolidos pelos ventos. E, na volta, os galpões de alvenaria desmoronaram.

Que fúria é essa
dos elementos que dias atrás destelhou 11,5 mil casas somente no Litoral?

Será que de repente os ventos foram tomados de uma ira incontrolável e alcançam velocidades nunca antes conseguidas?

A Defesa Civil e os bombeiros se entregam a atividades estafantes. À medida do possível, os governos auxiliam os flagelados, mas permanece a impressão de que eles tiveram suas vidas arruinadas.

Por que tantos raios?
Nunca se viu antes tantas descargas elétricas e tamanhas tempestades destruindo as pontes e levando os telhados por diante.

As estradas pioram, afundam-se no barro. As linhas elétricas se deterioram.

E a nós, aqui nas cidades grandes, imunes às tragédias, só nos resta levantar as mãos para os céus por não termos sido atingidos por essas tragédias e voltar o pensamento para os flagelados, cujas vidas nunca mais serão marcadas pela normalidade de outrora.

É o que estou fazendo nesta coluna, tentando estimular os governantes a liberarem mais verbas para as vítimas dos flagelos, inspirar a todos que socorram seus semelhantes atingidos pelas cheias e de alguma forma voltar a nossa solidariedade, ainda que abstrata, para os nossos irmãos das cheias.

Cheias que cada vez mais se agudizam, sabe-se lá por que fenômeno de zanga da natureza contra o homem.

*Texto publicado na página 79 de Zero Hora de hoje

Postado por Sant`Ana

Comentários (19)

  • Jacira Franco diz: 28 de novembro de 2009

    A culpa e da devastação das árvores à golpes de machado, nossas florestas em extinção.
    E para piorar a carga de “telhas Brasilit” doadas para a população desabrigada, “simplesmente” foi desviada.
    É mole?
    Parabéns e obrigada Sant`Anna

  • silvio roberto diz: 27 de novembro de 2009

    Realmente é lamentavel o que tem ocorrido com o RGS e principalmente com as familias atingidas.
    E o teu gremio? Saudações coloradas.

  • Rafael Knust diz: 27 de novembro de 2009

    Eu tenho pena é de tí, eterno fregues!!!
    Que fim de semana tu vai ter, hein ?
    Aproveita e compra as camisas do São Paulo, Flamengo e do Sport, secador!!!!

  • James Pizarro diz: 27 de novembro de 2009

    O dia que os tornados se abaterem sobre as grandes cidades e transformarem em escombros condomínios particulares, mansões e edificios suntuosos – desses onde residem os poderosos, autoridades e políticos – as verbas surgirão como que por milagre…

  • carlos salgueiro diz: 27 de novembro de 2009

    segue… quanto as milhares de casas destelhadas é um “deboche” ao bom senso usar telhas de fibro cimento de 4mm de espessura, quando nossos avós usavam telhas de zinco ou de barro e por isso eram menos afetados por temporais. Talvez o homem moderno em sua pressa tenha deixado de lado a experiência dos mais velhos e por isso esteja tão sujeito às desgraças.
    Inundações sempre houveram, não lembras de uma, antes do muro da Mauá, que alagou a antiga Lojas Gaspari em frente a praça XV? (

  • Marcelo Araldi diz: 27 de novembro de 2009

    “Mas o que está havendo? Será que é mesmo real que o homem está destruindo a natureza e esses desequilíbrios meteorológicos são fruto da devastação das florestas e do efeito estufa?”. Será possível que só gora isso fica visível? Eu infelizmente não consigo chorar ao ver isso na TV, pois isso é só a reação da natureza, fruto da ação dos homens. Quem tem dinheiro, destrói a natureza e se abriga em sua casa forte. Quem não tem, dança.É passada a hora de cuidar da natureza, ou ela “cuidará” de nós.

  • elio miguel diz: 27 de novembro de 2009

    Para quem acredita na teoria do criacionismo, agora tem que admitir a teoria do destruísmo. Quem criou, está destruindo.

  • amaury cruz diz: 27 de novembro de 2009

    É a natureza mandando a conta, e isto vai ser em todo o mundo não tem escapatória, e os grandes lideres fazendo discursos e enchendo o “saco”…

  • Sabrina Vedoy diz: 27 de novembro de 2009

    Boa tarde,
    Estou escrevendo aqui para contar uma história e fazer um pedido:
    Sou de uma família quase que na totalidade gremistas, apenas uma colorada: minha mãe.
    Comecei acompanhar futebol numa época ruim, 1975 e 1976 quando o Internacional ganhava tudo, mesmo assim o Grêmio sempre foi minha maior paixão.
    Já chorei muitas vezes nas derrotas, e nas vitórias… fiz loucuras para assistir o meu Grêmio, inclusive fui demitido do emprego em 1983, quando fugi do serviço para assistir à tar

  • Víctor Lückemeyer Machado Carrion diz: 27 de novembro de 2009

    Devemos parar de pôr a culpa no outro. O culpado é sempre a natureza e nós nada fizemos para que ela reagisse…
    Lave as mãos quem realmente puder.
    Quem anda de ônibus para evitar emitir CO2;
    Quem planta árvores;
    Quem economiza água;
    Quem divide alimentos;
    Quem não faz tudo por dinheiro.
    “Quando o último rio tiver secado;
    quando a última árvore for derrubada;
    quando o último grão de alimento for consumido;
    as pessoas perceberão que dinheiro não se come!”
    Que Deus nos dê a sabedoria necessária!

  • Carlos Santos diz: 27 de novembro de 2009

    A natureza está se vingando dos danos causados pelos humanos.
    Quem são os culpados?
    Ninguém se acha culpado ou diz que é culpado.
    Mas a humanidade se reproduz mais do que deveria para a sustentabilidade do planete; necessitando mais áreas destruídas para habitações, ruas, estradas, fábricas, áreas agricolas, escolas, hospitais; toda essa área conseguida com desmatamento antigo ou atual.
    Com o desmatamento, a chuva transporta a terra para os rios causando assoreamento; que provoca enchentes.

  • Víctor Lückemeyer Machado Carrion diz: 27 de novembro de 2009

    Caro Paulo Santana:
    Não invertamos a ordem dos fatores, pois aqui eles alteram o produto.
    Não é a natureza que está em fúria ou revoltada contra o homem.
    Ela está apenas se defendendo do nosso total descuido e degradação ambiental.
    Não percebes que somos os parasitas ambientais e estamos derrubando a estrutura da nossa casa?
    Ela vai cair sobre nós, e, com ela, nós também morreremos.
    Investimentos públicos reativos não são a solução.
    Devemos investir na recuperação ambiental e energias limpas.

  • HELENO PINTO NOBRE diz: 27 de novembro de 2009

    AGORA A PARTE FINAL ;TODOS SABEM QUE O AUXILIO VIRÁ MUITO POUCO; ELES SOBREVOAM; FAZEM ENROLAÇÃO E DIZEM QUE IRÃO RESOLVER; MAS TODO MUNDO SABE SE CADA UM NÃO ARREGAÇAR AS MANGAS E IR A LUTA; NÃO SE RECUPERARÃO. AQUELES QUE ACREDITAM NA MÃE NATUREZA; VOU DIZER ACHO QUE ESTA MÃE ESTÁ MUITO BRAVA PELO DESCASO QUE NÓS ESTAMOS TRATANDO A PRÓPRIA ;. E VAMOS CONTINUAR COLHENDO DE TEMPOS EM TEMPOS OS TERRIVEIS EFEITOS DE SUA AÇÃO. CADA VEZ PIORES.

  • carlos salgueiro diz: 27 de novembro de 2009

    Bom dia Paulo Santana.
    Embora colorado sou seu leitor assíduo de sua coluna. quanto a fúria da natureza concordo em parte pois realmente o homem não cuida adequadamente de seu habitat. Mas especificamente no caso que realtas do colégio não parece estranho que somente um edificio público tenha sido o mais atingido? não estaria a causa principal no material utilizado ou sub dimensionado para conseguir maior lucro em sua construção ?

  • HELENO PINTO NOBRE diz: 27 de novembro de 2009

    REALMENTE NOS CAUSA BASTANTE TRISTEZA E CONTRANGIMENTO; SABER QUE AS PESSOAS ESTEJAM PASSANDO POR TAL SITUAÇÃO; JÁ ESTIVE ENVOLVIDO EM DUAS ENCHENTES QUANDO MOREI NA CIDADE DE PEDRO OSÓRIO; E LEMBRO QUE AS PESSOAS MAIS ANTIGAS QUE LÁ MORAVAM DIZIAM QUE OS RIOS PIRATINI E SANTA MARIA QUE SE JUNTAVAM PROXIMOS E CRUZAVAM A CIDADE; JÁ NÃO TINHA MAIS BARRANCAS PELO ASSOREAMENTO POIS AS OLARIAS RETIRAVAM TODO O BARRO DAS BARRANCAS. E PERGUNTO

  • josé de alencar souza da silva diz: 27 de novembro de 2009

    Pobre do Sant ` Anna em torcer pro Grêmio campeão de nada,chora Sant ` Anna,vem Nelsinho Baptista.

  • HELENO PINTO NOBRE diz: 27 de novembro de 2009

    SERÁ QUE O PODER PÚBLICO TEM CAPACIDA-DE AGIR; POIS NOS TIRAM TANTO E NÃO NOS DEVOLVEM NADA ? . EU ME LEMBRO QUE EU TIVE QUE ME VIRAR PARA RECUPERAR O QUE HAVIA PERDIDO;( GRAÇAS A DEUS EU TINHA UMA CONDIÇÃO RAZOAVEL DE VIDA PARA PODER BATALHAR E CONSEGUIR SAIR DO PROBLEMA); PORQUE ISTO EU VI ;MUITO POUCO O PODER PÚBLICO TEM PARA FAZER ALÉM DE DAR ABRIGO NOS GINÁSI-OS NÃO ATINGIDOS. AS PREFEITURAS ESTÃO SUCATEADAS E RECEBEM MERRECAS

  • Vilso diz: 27 de novembro de 2009

    A maioria de nossas cidades não foram planejadas,foram criadas por tropeiros levando-se em conta uma boa sombra de capão de mato com boa aguada, onde podiam estacionar a tropa e pernoitar.A patir dai tornaran-se povoados, vilas e mais tarde cidades,que nos ultimos 30 anos triplicaram a população,obrigando seus moradores menos abastados, a contruirem suas casas em locais inseguros, as margens de rios ou morro acima.

  • Carlos diz: 27 de novembro de 2009

    A HUMANIDADE BANALIZOU A FOME E A MISÉRIA PERMANENTE DE 20% DA POPULAÇÃO MUNDIAL!!!
    Em nossa cidade as crianças tomas sopa de zero hora!! Ou tu não sabes disso? Não te faz de rogado.

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