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Posts do dia 12 dezembro 2009

Cão regra-três

12 de dezembro de 2009 10

Foi impressionante o número de e-mails que recebi pela coluna escrita na última quarta-feira, quando me referi à morte da minha cadelinha poodle, de nome Pink.

Centenas de e-mails bateram aqui na caixa, todos se solidarizando comigo e grande parte das pessoas dizendo ter chorado enquanto lia aquela coluna.

Muitos dos remetentes relataram sua experiência com morte de cachorros que possuíam, o que os fazia calcular a minha dor.

E uma das últimas mensagens, achei-a muito curiosa: uma mulher me disse que dois cães seus já morreram e ela agora está escaldada. Quando um cão de sua propriedade está ficando velho, ela adquire um outro, jovem, antes que o velho morra, para quando sobrevir a morte do velho o golpe emocional perder um pouco do seu efeito negativo.

É uma boa ideia.

Mas eu queria agradecer a todos os que se comoveram com a história da minha cadelinha.

As palavras que me enviaram serviram-me de grande consolo.

 

***

A enfermeira Tânia Regina da Silva, com 43 anos, residente em Curitiba, nunca mais vai esquecer o domingo passado, quando estava dentro de um ônibus com a mãe, depois de passar pela casa de sua irmã.

Viajavam num banco do coletivo. Mal sabia ela que uma hora antes tinha terminado o jogo Coritiba x Fluminense, a 20 quilômetros de onde ela se encontrava, e tinha havido tumultos graves no gramado quando a partida findou.

***

Algumas pessoas apedrejaram o ônibus. Ela viu que eram torcedores de futebol. As pedras passavam pelas janelas e caíam junto dos passageiros.

De repente, uma bomba caseira enviada da rua veio cair no seu colo e escorregou para o chão, debaixo do banco onde se encontrava sua mãe.

A bomba espalhava um fogo azul, e a enfermeira Tânia resolveu pegá-la para jogá-la para fora do ônibus, mas não deu tempo, a bomba explodiu em sua mão esquerda.

***

Ela teve decepados três dedos, o polegar, o indicador e o médio, além de sofrer um ferimento no nariz, que terá de passar por cirurgia plástica.

Tânia criou sozinha dois filhos, de 18 e 24 anos: “Estou muito chorona, pois agora é que ia começar a viver. Muitos sonhos meus foram desfeitos com a explosão dessa bomba”.

Ela nem sabe se vai poder continuar a trabalhar como enfermeira num hospital e atendendo particularmente a pacientes.

***

As feras humanas que atacaram a polícia no estádio ainda se espalharam por toda a Capital e uma delas atingiu a enfermeira Tânia, agora sem três dedos importantes e com a vida comprometida.

Tudo em nome só de um valor: a violência gratuita. O que faz um jovem levar uma bomba caseira para o estádio ou para o entorno dele e depois do jogo atirar uma bomba caseira para dentro de um ônibus com visível sanha destruidora?

Até onde vai a maldade humana?

TEXTO PUBLICADO EM ZERO HORA NO DIA 12/12/2009

Postado por Paulo Sant`Ana

Uma lei tirânica

12 de dezembro de 2009 13

Uma das mais arrepiantes notícias dos últimos tempos vem de Uganda, África.

Lá, os homossexuais vão ser condenados à pena de morte se fizerem sexo.

Não se compreende como em pleno século 21 queira se penalizar uma imposição sexual da natureza, uma condição genética irrevogável, como se a prática sexual fosse um costume que pudesse ser renunciado pelos que são atingidos pelo homossexualismo.

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O projeto de lei em curso em Uganda é tão rigoroso e perverso, que pretende punir com pena de prisão os familiares e amigos dos homossexuais que não os denunciarem às autoridades para que sejam executados.

Até mesmo os proprietários de imóveis poderão ser detidos se não informarem que alugam casas para homossexuais.

E qualquer pessoa que tenha autoridade política, religiosa, econômica ou social e que não revele casos de violação à lei pode ser condenada a três anos de prisão.

É a instituição descarada do denuncismo, da delação.

Há casos de gays que são espancados publicamente, presos e demitidos de seus empregos.

Ou seja, trata-se em Uganda de arrancar a cidadania dos homossexuais, não permitindo que eles tenham acesso aos direitos das pessoas comuns, inviabilizando totalmente sua existência.

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A opinião mais moderada em Uganda é, por exemplo, a do comerciante John Muwanguzi: “Acho o projeto de lei bom e necessário, mas não que os gays devam ser mortos, basta que eles sejam recolhidos à prisão por um ano e advertidos de que nunca mais devam fazer isso. A família está em perigo em Uganda”.

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Move-se um ódio sem limites aos homossexuais, tratando de despersonalizá-los e torná-los seres inúteis e indesejados no meio social.

Eu ia escrever que isso se dá por Uganda ser um país pobre, inexpressivo, atrasado, onde proliferam as injustiças e as perseguições.

Mas me lembrei de que há pouco tempo o presidente George W. Bush aprovou, com apoio do Congresso dos EUA, uma lei que oficializava a tortura, dando licença ao Exército de interrogar prisioneiros por “meios não convencionais”, o que se verificou nas prisões de Abu Ghraib, no Iraque, e em Guantánamo.

Quero dizer que não há graus de civilização entre os países do mundo, o que há é a maldade e a prepotência vigorando em todos os quadrantes, seja em países democráticos, seja em tiranias.

***

Volta e meia, surgem notícias de retrocessos civilizatórios em várias partes do mundo, demonstrando que os excessos são intrínsecos a todos os que detêm o poder e o exercem para oprimir os governados.

Não há diferença ética entre condenar à morte homossexuais somente por sua condição sexual e permitir legalmente que se torturem presos de guerra.

Por sinal, o que se vê nos filmes norte-americanos não é verdadeiro: a polícia de lá tortura comumente os prisioneiros comuns para obter deles confissões sobre roubos, assassinatos e outros delitos.

A humanidade é que não presta mesmo. E vai acabar sendo castigada por si própria neste aquecimento global.

*Texto publicado hoje na página 63 de Zero Hora

Postado por Sant`Ana