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Posts do dia 6 fevereiro 2010

Bonita de corpo

06 de fevereiro de 2010 6

Desde criança, ouço uma expressão que, apesar de gasta, dura até os tempos de hoje: “Fulana é bonita de corpo”.

Este “fulana é bonita de corpo” me soa que ela não é bonita de rosto.

Já o “fulana é bonita de rosto” declara solenemente que ela tem um corpo que deixa muito a desejar.

Isso me faz pensar que, quando a mulher é bonita de corpo e de rosto, a expressão é somente a de que ela é bonita.

E bonita não é a mesma coisa do que bela. Quando se diz que uma mulher é bela, está se dizendo que ela, mais do que bonita, é bela..., o que são outros quinhentos.

Porque raramente ouço algum homem dizer que “fulana é bonita de rosto e de corpo”. Nesse caso, “a fulana é estonteante”.

*Texto publicado na página 47 de Zero Hora dominical

Tudo bem

06 de fevereiro de 2010 1

Eu sou invocado com esta expressão: “Tudo bem?”. É a expressão mais usada entre as pessoas que se encontram.

– Tudo bem?

– Tudo bem.

Pode até não estar tudo bem, mas responde-se que está tudo bem.

Comigo se dá diferente, sinto que sou chato, mas não consigo responder que está tudo bem se não está tudo bem.

– Tudo bem?

– Não. Está tudo mal!

– Ué, mas o que há?

A pessoa que ouve que não está tudo bem se choca. Ela esperava ouvir a resposta de que está tudo bem.

Como não ouve a resposta esperada, insiste em saber o que é que há então.

Ora bolas, não está tudo bem e pronto. Como é que quando se responde que está tudo bem não exige o perguntador um relato de tudo que vai bem?

Agora que ouviu que não está tudo bem, calcula então que algo não vai bem.

Eu só não respondo que “está tudo mal” porque o perguntador vai querer saber “tim-tim por tim-tim” o que vai mal.

E seria exaustivo arrolar tudo que vai mal.

Comigo parece que as pessoas que perguntam se vai tudo bem já calculam que vou responder diferente: “Não vai tudo bem”. Não é isso que acontece, mas a mim parece que elas estão torcendo para que tudo não vá bem para que a conversa se espiche.

Porque não há algo mais frustrante num diálogo do que alguém perguntar se tudo vai bem e o outro responder que tudo está bem: então não há mais assunto, nada mais há para tratar, está encerrada a conversa.

Dizer que está tudo bem, me ocorre agora, é uma forma de se despedir da pessoa que perguntou, apressando o encerramento do assunto.

E, por outro lado, responder que está tudo mal dá sempre num espichamento da conversa, o respondedor relatando os seus males e o perguntador tentando consolá-lo ao dizer que tudo se resolve, paciência, em seguida as coisas vão para seus lugares.

Mas eu sinto que sou rigoroso demais ao negar que está tudo bem, era só uma formalidade o que queria saber o outro, enquanto eu desvio a conversa para um “tudo mal” que não estava na programação daquele encontro.

*Texto publicado na página 47 de Zero Hora dominical

Solução que está na cara

06 de fevereiro de 2010 5

Às vezes, sou obrigado a sacrificar o gosto dos leitores por melhores assuntos, com a finalidade de solucionar problemas angustiantes da comunidade. Tudo pela repercussão do que sai nesta coluna.

Vejam que o Diário Gaúcho constatou que em 16 anos a malha hospitalar do SUS Porto Alegre viu desaparecerem 3,2 mil leitos.

Sumiram, foram retirados de serviço.

Então, por que não se aceita essa disposição do Hospital de Clínicas para assumir o Hospital Independência? Por quê?

Isso tem de ser feito já, aqui e agora.

O que falta para ser feito? Leiam o que está escrito na mensagem do presidente do Hospital de Clínicas, abaixo, e vejam que só falta vontade política.

***

“Caro Sant’Ana: em teu comentário no Gaúcha Hoje da última quarta-feira, trouxeste à tona o tema da falta de leitos em hospitais públicos de Porto Alegre. Verdade insofismável, com reflexo evidente nas emergências. De fato, ao longo dos anos houve diminuição no número de leitos disponibilizados ao SUS no RS. Na contramão do desejável, o atendimento primário nos postos de saúde não evoluiu em eficácia e tampouco na integração do sistema. Ao mesmo tempo, cresceu o impacto das enfermidades crônicas.

Em dezembro de 2009, a direção, engenheiros, administrativos e enfermeiras do Hospital de Clínicas de Porto Alegre visitaram oficialmente o Hospital Independência. Um hospital vazio impacta forte na gente. Estive presente e, se interessar, posso te enviar uma cópia do arquivo de imagens realizadas. Verás que, com um planejamento eficiente, logo o hospital poderá estar operacional. Garanto-te que o Independência, que já ajudou a muitos doentes, está pronto para ser uma ativa unidade hospitalar pertencente ao Hospital de Clínicas. Nossa proposta é colocar a serviço da comunidade tudo aquilo que o HCPA possui de mais valioso, uma reconhecida capacidade gerencial, um padrão assistencial de excelência e, sobretudo, o capital intelectual e a experiência dos professores da UFRGS. Aspectos logísticos favoráveis alinharão setores do HCPA que não serão replicados no Independência. O eixo viário (Avenida Ipiranga) entre os hospitais é de apenas 4,5 quilômetros.

Queremos que a população não apenas tenha acesso a mais leitos, mas que neles encontre um atendimento qualificado, resolutivo e humanizado. Onde se trabalhe com indicadores, resultados, e não com conversa fiada.

Em Brasília, já apresentamos o projeto e temos apoio de diversas autoridades. No Ministério da Educação, valorizam-se os leitos do Independência não apenas por sua função assistencial, mas também por exercerem importante papel de formação de recursos humanos para o SUS. Estaremos, como sempre, treinando médicos, enfermeiras, administradores hospitalares e muitos outros profissionais.

Há quem diga que hospitais como o Clínicas e o GHC são caros demais, e que por isso não deveriam expandir-se. Acreditamos, ao contrário, que estes estabelecimentos são de suma importância para assegurar aquilo que, de fato, é o mais CARO às pessoas: sua saúde e qualidade de vida. O Clínicas e o Conceição vão além do conceito tradicional de hospital. Basta que examinemos seus balanços sociais. Afinal, o que é ser caro em se tratando de saúde?

Esperamos, tão cedo quanto possível, que a população possa receber boas novas em relação aos novos leitos com o padrão HCPA. Que melhor aplicação do dinheiro público em saúde poderia haver? Quita-se parte da imensa dívida da Ulbra com o governo federal e este repassa o Hospital Independência ao Hospital de Clínicas, uma empresa pública que orgulha nosso país.

O HCPA é um hospital de alta confiabilidade em saúde, construído e mantido por inspiração e transpiração dos gaúchos. É tempo para que se expanda. Com um cordial abraço, (as.) professor Amarilio Vieira de Macedo Neto, presidente do Hospital de Clínicas”.

*Texto publicado hoje na página 55 de Zero Hora