Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Nós perdemos a graça

13 de fevereiro de 2010 8

Um amigo da minha idade me chamou a um canto e disse: “Pablo, no nosso tempo a noite era linda. Não faltavam lugares onde se pudesse ouvir uma seresta ou um bom samba, os bandolins, os banjos, os violões, e os cavaquinhos encantavam os nossos encontros, havia uma poesia superior nos versos e uma encantadora harmonia nas melodias. Aquilo sim é que era tempo, aquilo sim é que era noite, hoje não existe mais isto. Não existe mais graça na noite”.

Olhei-o demoradamente e disse-lhe que estava completamente enganado, não era a noite que tinha perdido a graça, nós é que perdemos a graça.

Observando bem, as pessoas se divertem a valer na noite de hoje. Quando que um evento musical iria atrair dezenas de milhares de pessoas como faz hoje o Planeta Atlântida? Quando? Nada havia naquele tempo que se comparasse ao Planeta Atlântida.

E, olhando bem na cidade, você vai observar que existem centenas de boquinhas onde se faz música de qualidade, onde se dança, onde se namora, onde se bebe e se come com alento.

Não foi a noite que mudou, nós é que mudamos.

Verdade que o carnaval mudou. Não existem mais nas cidades os bailes do Dinamite e do Panamirim.

Não existem mais na cidade os bailes de carnaval da Cabana do Turquinho.

Não existem mais na cidade os bailes do Mil e Uma Noites em Assunção. Não existem mais na cidade os bailes de carnaval do Clube do Professor Gaúcho, em Ipanema. Nem existem mais os bailes de carnaval da Sogipa e do União.

Não existem mais na cidade os espetaculares bailes de carnaval do Teresópolis Tênis Clube, que faziam a existência da gente se dividir entre o baile deste ano e, findo ele, a expectativa pelo baile do ano que vem.

A diferença talvez só seja a dos bailes de carnaval, mas é uma baita diferença.

É grande a diferença, mas é só no Carnaval. Aqueles bailes de carnaval de antigamente eram os locais em que se praticava a alegria, a verdadeira alegria, a legítima felicidade, dos sons, das cores, das fantasias, das marchinhas e dos sambas, a vida estuante de sorrisos, dos cantos, as vozes, os flertes, os encontros, os romances, as manhãs extenuadas das saídas dos bailes, a consciência do dever cumprido e a sensação de que no ano que vem haveria tudo de se repetir maravilhosamente.

Guardo ainda bem guardada a serpentina

Que ela jogou

Ela era uma linda colombina

E eu um pobre pierrô!

Guardei a serpentina

Que ela me atirou

Brinquei com a colombina

Até as sete da manhã

Chorei quando ela disse

Vou me embora, até amanhã,

Pierrô, até amanhã!

***

Isso não existe mais, existia naquele tempo. No mais tudo é igual ou hoje é superior a antigamente.

Tudo tem seu tempo certo.

Comentários (8)

  • ale macedo diz: 14 de fevereiro de 2010

    caro santana, sempre leio teus artigo, e hoje peço que comente uma imagem que eu vi, que considerei um absurdo!
    no desfile da imperatriz dona leopoldina, vi uma mulher comum bebê de colo, dormindo, com ela saracoteando, deveria ter , 6 meses ou 8 meses de idade, naquele som, sob chuva e ela toda feliz, onde esta o juizado para com este caso, pra quem gosta de carnaval tudo, mas expor uma crinça a um castigo, um menor indefeso, nas mãos endoidecida de uma foliã, é inaceitavel, e eu espero que tu veja as imagens, e que essa mãe ou coisa parecida
    seja punida

  • rafael diz: 14 de fevereiro de 2010

    Me desculpe santanna mas eu devo discordar do Sr…as noites eram mais belas em sua epoca sim senhor…hj eu nao vejo mais graça na noite…talvez ateh haja lugares onde ir mas nao ha mais akele prazer e alegria nos bares e danceterias…hj ha musica alta e homens somente “a Caça” nao ha mais saidas sem segundas intençoes…assim como eu acho q na sua epoca o carnaval era mto melhor e mto mais alegre…tocava apenas marchinhas e samba mais “largado” sem procupaçoes em apenas impressionar uma mulher como eh agora…era a mais pura alegria e diversao onde era apenas isso q importava…tenho 17 anos e queria q o carnaval voltasse a “pureza” q era antigamente onde se fazia festa e nao encontro pra pegaçao

  • beto pires diz: 14 de fevereiro de 2010

    No limiar de nossa tão bem vinda e agitada adolecência, tinhamos o mundo pela frente, e naqueles tempos em que não tinhamos microfones e caixas…sentáva-mos a mesa com dois ou três violões e ali a madrugada passava, e qual era a surpresa , em um bar totalmente fechado, chamado Gitano aqui em Santa Maria, ao sair o dia já tinha nos alcançado. E cansados roucos e felizes percorría-mos o caminho longo para casa a pé…o que era motivo de boas conversas, comentários sobre os acontecimentos da noite etc…
    Até o bom e velho rock and rol era outro, escutáva-mos Pink Floyd, Creedence, sem deixar de gostar de Lupicinio Noel, Dalva de Oliveira mesclado com Raul, Belchior entre tantos outros talentosos artistas de nossa época, e outras já mais distantes.
    Hoje Paulo, as noites p mim são irritantes, existem barzinhos anexos, cuja única intenção é vender bebidas por de trás das grades, a jovens (ou não) motoristas que saem promovendo arruaças com Djavus , touch touch, Saveiros transformadas em auto falantes..se impondo como donos da noite, com o poder de acabar com a paz e o sono alheio. Postos de gasolina que viraram pontos de encontro, onde o roncar dos motores a algazarra e a musica alta dão o tom. E as serenatas? Ah, as serenatas…violão cavaquinho, cubana…o dia chegava como se a noite relamente fosse uma criança, não existia crack nem extase, e assim seguía-mos como se aqueles momentos fossem eternos…os olhares , os namoricos. Já falei demais, podería seguir com minhas lembranças, divagando, revivendo….
    Não curto Planeta atlântida, não curto bares apinhados com axés e similares, acho que as canções não são mais as mesmas…penso sim, que as noites não são mais as mesmas, embora eu ainda as frequente com assiduidade, pois sou musico e vivo disto..nunca morreram tantos em confusões, transito maluco e incontrolado e drogas pesadas.
    Acho que é muito pessoal e emocional minha opinião sobre o assunto , mas digo que..na minha opinião não só nós perdemos a graça , mas a noite também.

  • Leandro Carneiro diz: 14 de fevereiro de 2010

    Eu não vivi a sua época, mas acho que em comparação com a sua época e agora mudou e muito. Carros com som alto para impressionar gurias de cabeça fraca, drogas de todo tipo, músicas feitas para mulherada dançar vulgarmente incitando sexo, gurizadinha contando com quantas ficaram na noite, músicas de muito mau gosto na maioria das festas, com exceção nas casas especializadas, violência, insegurança, criminalidade, ninguém vai mais a festa para se divertir apenas e sim para pegar. É claro que frequentando festas se vê gente aparentemente se divertindo – e no mínimo bebendo também – mas é uma falsa diversão e mesmo as que estão se divertindo realmente sem auxílio de algum alucinógeno voltam pra casa e voltam para suas realidades. O mundo de hoje é uma imagem, uma propaganda de cerveja com uma mulher voluptuosa, são mulheres vazias com frutas no nome. É isso que se tornou, os seres humanos em estado de cio permanente tendo acesso a todo lixo cultural e sexual que fica mais fácil de absorver e imitar.

  • GILBERTO LOUREIRO diz: 14 de fevereiro de 2010

    Meu caro Sant’Ana , tenho 50 anos de idade. Me lembro muito bem o que meus pais diziam quando eu saía a noite; ” NÃO BEBA MEU FILHO” . Hoje com meu filho digo: ” CUIDADO MEU FILHO” e rezo para que chegue vivo.

  • Ricardo diz: 14 de fevereiro de 2010

    Ola, Santana. Se os números que o Vianei divulgou sobre a pedida de Jonas para renovar com o Grêmio forem verdadeiros…acho que o Grêmio deve seguir a sua vida e o Jonas a dele…
    Abraços…
    Ricardo Antoniazzi
    Flores da Cunha RS

  • valdoir Severo Machado diz: 14 de fevereiro de 2010

    Pablo,prefiro te chamar de Pablo, nada mudou. Apenas nós estamos mais velhos ´, e não gostamos disso. De estar mais velho.

  • Wilson Zamora Brum diz: 14 de fevereiro de 2010

    Grandes bailes dos Gondoleiros com seu bloco ” Pra Que Tristezas ” e principalmente o seu ” Enterro dos Ossos”

Envie seu Comentário