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Ciúme tresloucado

16 de fevereiro de 2010 6

Um dos mais longos cárceres privados com acompanhamento da polícia estava se desenrolando ontem à tarde, no horário em que escrevo, no bairro Guajuviras, em Canoas.

Eram decorridas 65 horas de cativeiro da mulher do autor do delito, não sei se houve desfecho horas depois, mas impressiona vivamente a resistência do sequestrador.

Da mulher não, que deve estar com os nervos em frangalhos, mas ela não tem a obrigação de resistir à ação da polícia, encargo recaído sobre o ex-marido, que é obrigado a vigiar a casa para impedir a invasão policial.

O dramático cárcere privado era acompanhado ontem por toda a imprensa nacional.

Segundo foi noticiado, o sequestrador da ex-mulher ergueu barricadas diante da porta e das janelas da casa, com isso se acautelando de uma ação policial que até ontem não acontecera.

Como em tudo na vida, aguarda-se o resultado. Se for feliz, sobrevivendo o sequestrador e a ex-mulher, todos dirão que a ação da polícia foi correta.

Se não for feliz o desfecho, não faltarão vozes para dizer que a polícia errou em contemporizar com o criminoso, que devia ter invadido a casa etc.

Pois eu quero dar minha opinião antes do desfecho: esteve certa a polícia em não desligar a água e a luz da casa onde está o casal e também em fornecer comida para eles, aguardando que pelo cansaço o sequestrador se entregasse vivo com sua cativa.

Existem dois motivos concorrentes para aprovar a ação policial: o primeiro é filosófico, compete à polícia, assim como à medicina, salvar vidas e não destruí-las.

É preciso que se tenha em mente que o perigo que corria a mulher, enquanto se desenrolava o drama do não desfecho, era virtual, não iminente, embora o homem estivesse armado e já fizera disparo contra um cunhado que fugiu.

Tudo então tinha de fazer a polícia para preservar as duas vidas que estavam sob sua custódia, contando com o tempo para levar o sequestrador à exaustão.

O que impressiona é que por quase 72 horas, aparentemente, o sequestrador não dormiu: diziam que, por ser vigilante, estava acostumado a longas horas de vigília. Mesmo assim, três dias sem dormir está além das forças humanas, a menos de que tenha cochilado esparsamente, depois que se assegurou que a tática da polícia era a contemporização.

O segundo motivo por que cabia à polícia esperar o desenvolvimento dos fatos na esperança de uma negociação favorável é que afirmam os psiquiatras criminais que os sequestradores passionais são imprevisíveis. A qualquer momento o homem poderia resistir violentamente à invasão ou a uma ameaça ou à possibilidade dela, matando a mulher e talvez suicidando-se, mesmo diante somente da hipótese de que seria atacado. Uma delicadeza.

Cabia à polícia, então, o que ela fez: convencer o sequestrador de que não era intenção das forças policiais invadir a casa, incutindo-lhe a confiança de que a casa não seria atacada.

Estou, pois, como esteve toda a opinião pública até a hora em que escrevo, torcendo para que tudo termine bem nesta interminável série de agressões de homens a mulheres que os abandonaram.

Não há dia que o noticiário policial passe sem o registro desses casos.

*

Não há outra coisa que fazer senão declarar a Unidos da Tijuca campeã do carnaval do Rio de Janeiro depois do seu inesquecível desfile da Comissão de Frente.

*Texto publicado hoje na página 39 de Zero Hora

Comentários (6)

  • eliseu diz: 16 de fevereiro de 2010

    Bom o sequestrador em ccasa, com água e luz, TV e, com a esposa, talves até com
    hora íntima, não contando com a super segurança em frente de casa, bom aí como
    diz o ditado:” Não a resistência que resista”.

  • Jefferson Nunes de Lima diz: 16 de fevereiro de 2010

    Meu caro, Pablito, me criei ouvindo e assitindo seus comentários, sei que tiveste problemas de labirintite e que fisseste uma cirurgia, mas gostaria de saber quando voltaras a fazer seus comentários no Jornal do Almoço, que deverá ser sentado na bancada, para poder cutucar a Cristina Colorada.

    Um abraço deste gremista e melhoras na saúde.

    Jefferson – Taquari/RS

  • Alessandro Veronese Manica diz: 16 de fevereiro de 2010

    Boa tarde, Paulo. Como deves saber, o cárcere teve seu fim. Ninguém morreu, ótimo. Corrije-me se estiver enganado, mas casos como esse não são raros de se encontrar por aí. Fica martelando em minha cabeça um raciocínio, quase lógico, sobre como as mulheres deixam-se envolver por homens como esse – ciumentos exagerados. Não sei o motivo do fim do seu relacionamento, talvez quando ela percebeu esse pequeno defeito já era tarde. Embora me pareça estranho que um homem de bem, esclarecido, repentinamente pegue uma arma, ameaça matar a ex, atira contra o ex-cunhado… E que isso dure tanto tempo!
    Pois bem. Alheio as particularidades, me parece apenas mais um caso onde um ser humano egoísta, desconhecedor de si mesmo e da verdadeira causa dos seus problemas, ameaça tirar a vida da mulher que diz amar, mas lhe é apenas indiferente – e ele nem sabe. Quando descobrir, quem sabe resolva seus problemas. Enfim, são homens como esses, que parecem não conseguir viver sem companhia, que devem continuar sozinhos. Não porquê são violentos, mas para resolver seus problemas e dissertar sobre a verdadeira origem dos seus impulsos. Assim, quem sabe, poderão amar alguém sem ser egoístas.

    Um abraço!

    Alessandro

  • JorgeEduardo diz: 16 de fevereiro de 2010

    Felizmente tudo terminou bem. agora, tenho minhas dúvidas quanto a ação da PM, que como toda PM do Brasil é despreparada para esse tipo de situação. Nenhuma polícia do mundo espera tanto tempo para agir. Aí o comandante da PM afirma que só vão invadir se ouvirem tiros. Ora, se tivesse ocorrido tiros já era tarde, o fato já estaria consumado. Mas o mais ridículo de tudo foi ao final na rendição. Não fizeram nada o tempo todo. Aí, quando o cara se rende e sai desarmado com a mulher à frente e a mulher é pega por um policial, cinco ou seis PMs, com escudos, caem em cima do cara, com violência, para algemá-lo. O cara se entregou e estava desarmado, não bastava que dois, calmamente, se aproximassem e colocassem as algemas nele? Ridículo!!!

  • Marcio diz: 17 de fevereiro de 2010

    Pelo amor…o gremio vai pra segundona se continuar assim, faz alguma coisa. No sala de redação o cacalo só fala de juiz e o wianey só fala bobagem com o lauro. Alguém precisa fazer esse alerta. O gremio vai cair pra segunda divisão.

  • JorgeEduardo diz: 18 de fevereiro de 2010

    Zero Hora de 18/02/2010: “Homem mata mulher que mantinha em cárcere privado e comete suicídio em Tenente Portela”. Esperaram de novo houvir o tiro para agir. Só que dessa vez, após 14h, o ex-marido puxou o gatilho. A PM/Polícia/Esquadrão especial são uns incompetentes para tratar esses casos. A prioridade não é salvar a vida da coitada vítima de cárcere, mas sim o criminoso. É uma barbaridade isso. No Rio de Janeiro, no caso Eloá, foi a mesma coisa. Até quando vão continuar agindo assim amadoramente.

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