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Turismo da eutanásia

20 de fevereiro de 2010 19

Como sou interessado por eutanásia, sempre que surge no mundo uma ocorrência relacionada com ela, fico atento.

Agora um caso espetacular vem reacender o incessante debate sobre a eutanásia: na Inglaterra, um jornalista confessou que matou seu ex-companheiro sexual, vítima de aids, porque ele não suportava mais as dores da doença.

Por isso é que se chama a eutanásia de “morte piedosa”. Neste caso, o que impressiona é que o jornalista que asfixiou seu parceiro sexual não era suspeito do homicídio, resolveu confessar a eutanásia num programa de televisão e foi imediatamente preso.

Ray Gosling, de 70 anos, declarou que seu companheiro havia traçado consigo um pacto: se as dores da aids se tornassem terríveis e insuportáveis, ele o mataria por asfixia. E foi o que fez.

“Os médicos haviam dito que ele enfrentaria dores terríveis e que eles nada poderiam fazer. Peguei o travesseiro e o asfixiei até a morte”, relatou Gosling.

Ele prometeu que não diria o nome de seu ex-companheiro nem quando a morte ocorreu, cabe agora à polícia elucidar o caso.

Uma outra declaração de impacto do autor da morte: “Quando se ama alguém, é duro ver a pessoa sofrer”. E não revelou nenhum remorso pela eutanásia.

Na Inglaterra, a eutanásia não é permitida e a pena de prisão por sua autoria é de 14 anos.

Por isso mesmo é que existe uma corrida de pacientes ingleses e seus familiares para a Suíça, onde a eutanásia é permitida e os familiares dos pacientes não são condenados quando instam pela morte provocada em clínicas especializadas.

Só em 2009, 120 britânicos procuraram a Clínica Dignitas, em Zurich, Suíça, especializada em mortes assistidas, o que vem sendo chamado de “turismo de eutanásia”.

Não me envergonho em dizer que sou a favor da eutanásia.

Comove-me até o desespero assistir ao sofrimento de alguém condenado a morrer, sem qualquer chance de sobrevivência, às vezes jungido a tormentos cruciais durante anos seguidos, apenas porque a lei impede que se abrevie por meios artificiais a sua existência.

E como se vê neste caso narrado acima, a lei que impede a morte piedosa é apenas uma questão de territorialidade, um país admite a eutanásia, outro a criminaliza.

Então no caso de que o paciente, impedido de cometer suicídio pela sua imobilidade, consente que o matem (ou até mesmo implora por isso), aí sou mais ainda a favor.

Não sei como o Brasil ainda não admite a eutanásia nesses casos.

“Medicare” em latim não quer dizer curar, quer dizer “tirar a dor”. E quando se torna impossível curar, urge tirar a dor.

Como pode então a medicina permitir a dor em casos de permanente aflição e nos quais não há mais qualquer possibilidade de sobrevivência do paciente? Como pode?

Não tenho dúvida, embora o debate seja instigante, que a eutanásia consiste numa atitude cristã.

Não há nada mais cristão que a piedade.

Comentários (19)

  • Heloísa Pires diz: 20 de fevereiro de 2010

    Sant’ana. Mas se foi duro para esse jornalista inglês ter visto a pessoa amada sofrer de aids, como é que ele conseguiu ver a pessoa amada, durante algum tempo, espernear, se contorcer, se encolher, chutar o nada, na tentativa de poder respirar, quando ele a sufocou com o travesseiro até à morte?…Ainda por cima, ele mandou a alma dessa vivente para o além completamente decepcionada por ter tido o seu corpo assassinado pelo ente amado!… O seu cuidador. Ela não deve ter entendido nada. Um travesseiro acachapado na cara. Quê coisa horrível!…Nada romântico! Aposto contigo que, nesses segundos ou minutos de estertor, um filme de terror passou diante dos olhos da agonizante. Incrédula, aos poucos morria arrependida de um dia ter se deixado conquistar por esse seu então carrasco. Lembra-te daquela matéria do “Fantástico” que mostrou a atividade cerebral quase sadia das pessoas que vivem em estado vegetativo?…Eu não acredito que esse ato, desse jeito, tenha sido por amor. Acho, isso sim, que ele já estava era cansado de carregar essa cruz!…

  • francisco correa diz: 20 de fevereiro de 2010

    QUE PENA SENHOR PAULO SANTANA OUVIR DE VOCE UM COMENTÁRIO TÃO INFELIZ! UMA PESSOA TÃO INTELIGENTE IGNORA À ESSE PONTO AS QUESTÕES ESPIRITUAIS DA VIDA! VOCE ACHA ENTÃO QUE DEUS É INJUSTO? QUE AS PESSOAS SOFREM SEM RAZÃO? QUESTIONA OS DESÍGNIOS DIVINOS? SE CONHECESSE A DOUTRINA ESPÍRITA, SABERIA O QUE SOMOS, DE ONDE VIEMOS, O QUE ESTAMOS FAZENDO SOBRE A TERRA, A RAZÃO DA DÔR E DO SOFRIMENTO. LEIA O ESCRITOR ESPÍRITA LEON DÊNIS E SUAS OBRAS, ENCONTRARÁ A RESPOSTA QUE PRECISA. PERCEBERÁ QUE A “”BOA MORTE”” NÃO TEM NADA DE PIEDOSA, NA VERDADE É UMA PSEUDO-PIEDADE! AINDA O VEREI RECONSIDERAR ESSE PONTO DE VISTA, QUE SE TORNAR-SE REGRA SERIA A VOLTA A BÁRBARIE.

  • Paulo SantAna » Blog Archive » Turismo da eutanásia – turismo diz: 20 de fevereiro de 2010

    [...] http://wp.clicrbs.com.br/paulosantana/2010/02/20/turismo-da-eutanasia/?topo=77,1,1Só em 2009, 120 britânicos procuraram a Clínica Dignitas, em Zurich, Suíça, especializada em [...]

  • francisco correa diz: 20 de fevereiro de 2010

    Recomendo-lhe específicamente o livro O PROBLEMA DO SÊR DO DESTINO E DA DÔR do escritor e pesquisador espírita francês LEON DÊNIS. Com certeza lhe abrirá novas perspectivas sobre as questões existenciais da vida que a maioria das religiões e a propria ciência oficial resolve calar-se, talvez por não ter o que dizer. Abraços.

  • Leandro diz: 20 de fevereiro de 2010

    É um tema bastante complexo. Presenciar o sofrimento alheio, principalmente quando o debilitado é nosso parente, causa comoção e tristeza. A eutanásia, acredito eu, é um meio, e um fim, de “contribuir” para cessar uma dor insuportável, estado vegetativo, …, que o paciente esteja sentindo, tornando-se útil, mas não podemos negar que esse ato é criminoso. Perante a racionalidade estamos sendo sensatos, objetivos, mas do ponto de vista jurídico, entre outros, nos tornamos homicidas. Talvez essa questão tenha que ser decidida democraticamente, pois, não tenho a menor dúvida, existem muitas opiniões contra e a favor.

  • Douglas diz: 21 de fevereiro de 2010

    Também sou totalmente a favor da eutanásia, e não somente dela, mas também do aborto e de pesquisas com células tronco. O exemplo da “boa morte” já está muito bem exemplificado acima. Quanto ao aborto, acho que não vale a pena arruinar (no caso de pessoas de classe média/baixa) uma vida, impondo à adolescentes tamanha responsabilidade que, pela falta de recursos, ou até mesmo de uma boa instrução, terminará em uma criança sem um devido afeto necessário para sua formação, assim como falta de incentivos intelectuais – resultando, quase que certamente, em um criminoso.
    Já no que se refere as pesquisas com células tronco…cito um caso em que vi na rodoviária de Porto Alegre há alguns meses. Um garoto de aproximadamente 7 anos de idade, em uma cadeira de rodas, lendo seu livro… o que será que esse garoto pensava ao ver na televisão toda aquela polêmica sobre a liberação das pesquisas (e esta sendo veementemente combatida por líderes religiosos) ? A curto prazo, esse tipo de pesquisa é a única esperança que este garoto – e milhares de outros pelo mundo – tem de, quem sabe daqui alguns anos, voltarem a andar, mas mesmo assim dogmas estúpidos e arcaícos da religião católica se posicionam contra.

    Eliminando o problema de sua raiz, precisamos de legisladores que levem a sério o ideal de ESTADO LAICO, não deixando que estes dogmas religiosos e sem fundamento algum atrapalhem nosso cotidiano, nosso bem estar (no caso acima, nossa esperança. Por sorte as pesquisas foram aprovadas).

  • mara diz: 21 de fevereiro de 2010

    A PRATICA DA EUTANÁSIA, É A PROVA DE AMOR MAIOR.

  • Paulo Bento Bandarra diz: 21 de fevereiro de 2010

    O Papa Bento XVI se manifestou totalmente contrário de qualquer vacilo neste aspecto, e que leis não deveriam vir a abrigar o direito ao fim do sofrimento imenso em casos de pacientes terminais. Creio que seja a maior manifestação clara e insofismável de um líder religiosos contra a idéia de sobrevivência da alma ou a vida recompensada no céu. Que tudo está aqui mesmo nesta vida, e fora dela não existe recompensa ou prolongação. Em todo o caso, quando a CNBB na sua campanha da fraternidade adere ao ateísmo de Marx para condenar o lucro, mostra a troca de guias espirituais na instituição.

  • Neiva Pavlak diz: 21 de fevereiro de 2010

    Caro sr. Paulo Santana,
    Admiro muito sua cultura e seus pontos de vista, mas este sobre a eutanasia deixou muito a desejar. O senhor acha que a morte deste ‘fulano’, por asfixia, fui uma ‘boa morte’ ou morte doce? Que horror? Na verdade, com os avanços da medicina hoje, é muito difícil que não se consiga aliviar a dor. E, em casos extremos, num paciente terminal, admite-se uma sedação, chamada ‘sedação terminal’ que, em última análise, tem o objetivo de aliviar a dor, mas que, pelas consequências adversas das medicações, podem abreviar a vida, e isto não configura uma eutanásia. Inclusive, se faz em comum diálogo com o paciente, familiares e médicos. A medicina é suficientemente humana para entender a ‘dor da dor’. É um tema que a bioética esclarece muito claramente hoje.

  • wilson diz: 21 de fevereiro de 2010

    Sr. Paulo

    Nós não somos donos da nossa vida ,pois cabe sòmente à DEUS
    TIRÁ-LA.
    ELE , DEUS , nos colocou no mundo , e nos tirará quando assim desejar.
    Pense numa coisa : PARA DEUS NADA É IMPOSSIVEL – basta crer Nele.

    Obrigado
    Wilson

  • LUIZ CARLOS diz: 21 de fevereiro de 2010

    Sou favorável a pena de morte, seria um contrassenso não ser favorável a eutanásia. A morte é uma certeza, cedo ou tarde ela virá. Se há razões para prolongar ou encurtar a vida, porque não fazê-lo? É insano viver gritando de dor, sem qualquer perspectiva de cura, irradiando dor e sofrimento a todos. Que conversa é essa de que a vida deve ser prolongada, independentemente da dor e do sofrimento que venha causar? Isso é fanatismo! DEUS deu ao homem o livre arbítrio, portanto, parem de culpá-LO por todos os males, tenham um pouco de sangue na cara e assumam as rédeas do próprio destino ou será que são (somos) covardes demais para isso? Aos carolas, leiam as histórias dos santos, dos verdadeiros santos, vão constatar que eram HOMENS MACHOS, como se diz na gíria, MACHOS PARA MAIS DE METRO!

  • Ary diz: 21 de fevereiro de 2010

    Tem também a “eleição eutanásia”, muito em voga no Rio Agachado do Sul.

  • Paulo Bento Bandarra diz: 21 de fevereiro de 2010

    Duvido que estes que fazem loas ao sofrimento deixem de tomar analgésicos ou procurar correndo um médico para se verem livres das dores que Deus mandou para purificá-los ou do o sofrimento que veio resgatar nesta encarnação no seu carma escolhido previamente.

  • Heloísa Pires diz: 22 de fevereiro de 2010

    Francisco Correa. Eu também recomendaria León Denis para o Paulo Sant’Ana, mas o livro “Joana D’arc”. Nele o autor relata que Joana D’Arc gritava muito o nome de Jesus, enquanto ardia na fogueira. Seus algozes regozijavam com o “seu sofrimento”. Tolos materialistas!…Eles não percebiam o que só os videntes alí desfrutavam daquele quadro. Joana D’Arc estava em êxtase. Na realidade seu gritos por Jesus eram contemplativos. À sua volta, uma plêiade de entidades espirituais a refrescavam o tempo todo. Não sofria. Estava feliz. Apenas desfalecia,…desfalecia,…até silenciar. Não há desamparo espiritual nessa hora. Muito menos preconceito. Essa terapia teminal é para todos.

  • CA diz: 22 de fevereiro de 2010

    Tambem sou a favor da eutanasia. Se alguem nao quer mais viver, que morra. Ela tem o direito, pois a vida dela e ela faz o que quiser com sua propria vida.

  • EDER diz: 22 de fevereiro de 2010

    Caro francisco correa:
    E se VOCÊ conhecesse os verdadeiros desígneos de Deus,não era espírita…

  • Heloísa Pires diz: 22 de fevereiro de 2010

    Acho que o Francisco Corrêa deveria processar o Sr. Éder criminalmente, por fazer distinção de credo com requinte preconceitual. Admira-me muito um jornalista culto como o Paulo Sant’Ana, deixar passar o comentário desse senhor na moderação. Caso não consiga a qualificação desse senhor preconceituoso para processá-lo, sugiro que demande judicialmente contra o veículo que publicou essa aberração!…

  • nelson L diz: 23 de fevereiro de 2010

    Enquanto voces se preocupam com este “serio” problema,o Irã (com apoio do Marco Aurelio Garcia,Celso Amorim e Lulla da Silva)fabrica bombas atomicas com o fim especifico de destruir um determinado pais,todos os seus habitantes e muita gente de paises vizinhos(a bomba não escolhe a vitima).è o caso de perguntar: onde esta DEUS.Ou eu estou errado???

  • Pedro diz: 27 de novembro de 2011

    É incrível como as pessoas gostam de impor suas crenças e doutrinas aos outros, e ainda por cima te julgam por pensar diferente! Cada um tem a liberdade de manifestar sua opinião, cabendo aos outros, independente de concordar ou não, respeitá-la. Aos crentes e demais religiosos, respeitem a opinião dos outros, principalmente se for diferente da sua!

    Parabéns pelo texto. Gostei bastante e achei muito bacana o comentário de alguém: “A prática da eutanásia é a prova de amor maior”.

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