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E os lotéricos honestos?

27 de fevereiro de 2010 13

Eu me preocupo com esta enchente de notícias no caso do bolão de Novo Hamburgo por um aspecto: o que devem estar sentindo, sofrendo e pensando os donos de agências lotéricas honestos, que cumprem suas obrigações e que até podem organizar bolões, mas o fazem de forma correta, registrando-os no terminal da Caixa Econômica e atendendo solícita, idônea e prestimosamente seus clientes?

Como estão essas pessoas? A imprensa tem uma força muito grande, mas muitas vezes não se sensibiliza com todo o campo que atinge. Para os proprietários decentes de lotéricas, a notícia foi um desastre.

Tentando atenuar esse drama é que publico hoje uma carta que me foi enviada por um dono de lotérica:

Bom dia, Paulo Sant’Ana. Eu também, como milhares de gaúchos, sou leitor assíduo de tua coluna há vários anos, e como este assunto é de meu interesse particular, pelo fato de ser proprietário de uma agência lotérica em Porto Alegre, resolvi te escrever.

Sou revendedor lotérico desde maio de 1989, portanto há mais de 20 anos, sempre na Avenida Wenceslau Escobar, no bairro Tristeza, na zona sul de Porto Alegre. Tenho, por isso, plena consciência para opinar sobre o assunto: os bolões de qualquer jogo realizados em nossos estabelecimentos são desde o início das atividades de revenda de jogos oficiais praticados e de grande procura e solicitação dos clientes. É uma modalidade que permite a pessoas de poder aquisitivo menor participar de jogos com maior quantidade de números, que lhes darão maiores chances ou possibilidades de ganhar com um investimento pequeno, dentro de suas posses. Outros casos também existem, de pessoas com poder aquisitivo grande que se unem e procuram uma lotérica, investindo altas somas quando os acumulados são de grande monta. Portanto, é uma prática usual e amplamente aceita entre os apostadores, o que diferencia é a maneira como esses bolões são montados. Eu, na minha experiência, desde que houve a troca de sistema de apostas pela Caixa Federal, que permitiu que um jogo de grande quantidade de números pudesse ser feito em somente um comprovante de aposta, passei a anexar este recibo em forma de cópia xerox junto com o comprovante que é entregue para cada cliente e nunca fiz esses bolões para mais de 10 participantes. E mais: eu mesmo, como proprietário e responsável pelo negócio lotérico, é que cuido, confiro e guardo no cofre o recibo original junto com a relação dos compradores, todos com telefone para posterior identificação.

Portanto Sant’Ana, após ler esta semana em tua coluna a carta de nosso revendedor lotérico mais antigo tanto em idade quanto em tempo prestado, me senti também no dever de externar minha tristeza por este momento em que toda a nossa classe está sendo julgada por um fato tão lamentável que ocorreu infelizmente com um representante de nossa categoria entre mais de 10 mil existentes em todo o país. Já na carta do senhor Genarino, em tua coluna desta semana, ele salienta o grande trabalho social que exercemos hoje para a população brasileira. Hoje somos uma extensão de nossa parceira Caixa Federal, não somente para jogos, atendemos a classe mais sofrida deste Brasil pagando todos os benefícios e aposentados do INSS, prestamos serviços bancários de toda ordem, recebemos contas tanto de empresas prestadoras de serviços (luz, telefonia, saneamento e outros) quanto boletos bancários. Enfim, tudo o que um banco faz, nós, hoje, além das apostas, também fazemos, e com um agravante Sant’Ana: com funcionários na sua maioria de pouca instrução, sem nenhuma experiência e treinamento (toda a responsabilidade de transmitir algum conhecimento recai sobre o proprietário), sem traquejo bancário e com salários baixos, que é o que dentro da lucratividade podemos pagar, trabalhando das 8h às 19h.

Meu registro para finalizar é de que a imprensa em geral tente separar o fato grave ocorrido de toda uma classe que representa hoje para nosso país uma importância imensurável, o fato é lamentável, é triste mas é uma situação isolada, nossa categoria continua trabalhando com honestidade e presteza para a população brasileira. (as.) João Cezar Aguiar Borowski, Galeria da Sorte”.

* Texto publicado hoje na página 47 de Zero Hora

Comentários (13)

  • Francisco Correia diz: 27 de fevereiro de 2010

    A resposta é: Os lotéricos honestos ficam como estão todos os demais cidadãos honestos neste país de duas faces: sem espaço para viver em paz.

  • jose antonio de souza mello diz: 27 de fevereiro de 2010

    /Todos os lotérios são iguais. É uma mudança necesária que deve ser feita urgentemente. Retiraram as filas dos bancos e hoje as pessoas são sacrificadas em filas que não tem justificativa. Faltam caixas e funcionários nas lotéricas. Também são sujas as dependencias das lotéricas. E, a maioria delas são totalmente insalubres pois funcionam em prédios inadequados só avaliam o ponto. São peças acanhadas e sem ventilação. Com relação a honestidade há que lembrar o seguinte: Honestidade não é virtude é obrigação. E, a maioria dos lotéricos cometem várias arbitrariedades desde o funcionamento irregular, atendimento précario, todos fazem e vendem o famigerado BOLÃO, bem como a famosa aposta no escuro e o que é muito curioso, todos fazem o JOGO DO BICHO. Portanto me parece que é preciso ajustar muitas atitudes desses concedidos. Não esta tudo bem, ao contrário a Caixa Federal tem muito fiscalizar, tem muito a melhor para atender melhor seus clientes via agências lotérias.

  • nelson L diz: 27 de fevereiro de 2010

    Não é o caso de se preocupar tanto…..Claro que o episodio macula as lotericas,mas logo logo sera esquecido.O Jose Dirceu , o Roberto Jefferson o Jose Janene , o Pedro Henry,o Jose Paulo Cunha e o Jose Genoino estão ai para comprovar minha tese.Alias,eles e milhares de outros que ,mesmo com ficha “suja” são eleitos e reeleitos.

  • ronan wittee diz: 27 de fevereiro de 2010

    …risos…
    Tão raro quanto os números premiados,ao menos parece – e a cada dia,são várias as apostas contrárias- é o honesto.
    Talvez neste universos nas probabilidades,andem escassos.
    É preciso resistir.
    Generosidade de aferição,ao que tudo indica,já é delinquência de opinião.
    abração!

  • glenio machado diz: 27 de fevereiro de 2010

    Caro , sant’ana, a minha intervenção dá-se motivada pela barbárie, acometida ao cidadão Eliseu Santos. Até quando iremos aguentar a violência urbana que assola todos os rincões deste país; Quantos inocentes ainda irão cair, sem que as autoridades competentes tomem providências. Oxalá, que através deste novo mártir, possam os nossos parlamentares e juristas abrirem os olhos, e constatarem a desgraça que assola este país. A impunidade impera, leis não são cumpridas, em razão das brechas jurídicas existentes na legislação atual. Penso que se a lei é severamente branda, deve-se no mínimo investir na prevenção. Ouvi no noticiário que no local do crime é constante a prática de furtos de veículos; se isto é verdade, porque a autoridade policial não fez diligências/blitz. Claro que a resposta será, não disposmos de efetivo; ou iremos a partir de amanhã monitorar aquele local; retirando é claro, o efetivo de outro ponto, também crônico de violência. Tenho 42 anos e lembro-me de que quando criança, a polícia do exército patrulhando as ruas centrais da capital, nas épocas de fim de ano. Quanta sensação de segurança tínhamos. Pergunto, porque não usar o efetivo das forças armadas para auxiliar o policiamento ostensivo, não me refiro a esta gurizada (com todo o respeito) que permanece apenas um um ano nos quarteis; mas sim, pessoal qualificado intressado em prestar e permanecer nas forças armadas. Sou um sonhador, chamais isto ocorrerá, enquanto governantes que foram “molestados” pelo regime militar, estiverem empossados em cargos públicos, isto não será feito, em virtude do fortalecimento das forças armadas e “virtual receio da retomada no tempos de ferro.” Sou democrata, abomino qualquer violência de direitos, mas imperioso é tratar vagabundo como tal, e não como vítima da sociedade e meio que o produziu. Para encerrar meu desabafo, informo que fui muito pobre e até fome passei, e nunca um grão de arroz me apoderei sem ser de meu direito. Uso este canal para expor minhas idéias, em função do canhão de audiência que és. Votos de estima.

  • Felipe Dias diz: 28 de fevereiro de 2010

    Prezado Sant´Ana,
    Sou gaúcho e resido em Santa Catarina (Blumenau) há 30 anos. Acompanho sua carreira desde os tempos da TV Gaúcha em Ijuí, minha cidade natal. Creio que posso contribuir com seu texto de hoje no ZH. Sou um apreciador de vinho e acompanho na midia tudo o que se fala a respeito da bebida. Sobre o resveratrol, o que sei é que ele se encontra em abundância na casca da uva. Daí sua baixa presença no suco ou na uva de mesa, da qual não comemos a casca. O vinho tinto é produzido a partir da fermentação das uvas (escuras ou brancas) com sua casca. O Vinho branco é produzido a partir da fermentação da uva (branca ou escura) sem a casca.
    Daí, portanto, resulta essa prodigiosa substância ser encontrada em maior concentração nos vinhos tintos.
    Duas taças por dia, um brinde e um abraço de um admirador!
    Felipe J. Dias
    Blumenau – SC

  • geisha barbosa moreira diz: 1 de março de 2010

    nao tenho pratica de internet e so consegui entrar aqui para pedir pra voce que pergunte as incompetente autoridades porque resolveram reparar a br 116 so agora que as ferias acabaram.obrigada

  • Davi O. K. diz: 1 de março de 2010

    Olha só, gostaria de perguntar pros 37 apostadores dos 38 (1 é o próprio lotérico) se pediram para dar uma olhada no jogo feito.
    Se ninguém pediu, acho que a Caixa não tem nada que fazer.
    Tinham sim que confiscar os bens do Lotérico e dividir entre os apostadores além de cassar a concessão

  • Roberto Vianna diz: 3 de março de 2010

    Na verdade acredito que se todo Lotérico antes de assinar o contrato do negócio com a CEF, tivesse oportunidade de ler atentamente a circular 471/2009, uns 80% a 90% pensaria duas vezes pra fechar o negócio, trata-se literalmente de um par de algemas. E se não nos unirmos esse par de algemas se perpetuará.

  • Augusto diz: 5 de março de 2010

    Independente das normas internas constantes em contratos firmados entre a caixa e as lotéricas, o apostador que apostar em uma agência lotérica devidamente homologada pela caixa está tranquilo em relação a uma coisa: Ele fez sua aposta. Se houve erro humano ou mecânico posterior a sua aposta, se o funcionário da lotérica fez o devido registro não é problema do apostador. A imagem da caixa está bastante arranhada neste episódio e o prejuízo poderá ser bem maior do que os 53 milhões dos que ela terá de pagar.
    Sim, pois se ela não é responsável pelo que ocorre nas agências lotéricas então começaremos a ter toda a sorte de produtos e serviços mal feitos no mercado e as empresas quando inquiridas sobre suas responsabilidades culparão os funcionários. Imagine sua caderneta de poupança ou seu saldo em alguma conta da caixa simplesmente sumir do dia para a noite… culpa do funcionário!

  • Roberto Vianna diz: 5 de março de 2010

    Que será que passa nas cabeças dos caciques do PR partido dos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho ? Acreditem, esses caciques informaram que devido aos últimos acontecimentos envolvendo os ex-governadores, com bloqueio de bens e tudo mais. O ex-governador Garotinho deveria desistir da candidatura a Governador e tentar eleger-se Deputado Federal. É INCRÍVEL NA CONCEPÇÃO DELES GOVENADOR NÃO PODE SER CORRUPTO, MAS DEPUTADO FEDERAL PODE. SÓ RINDO MUITO E NÃO REELEGENDO MAIS NINGUÉM.

    Obs. Matéria publicada no Jornal “O Dia”, hoje.

  • William diz: 5 de março de 2010

    A questão nao é se alguns são honestos e outros não.

    E sim que bolões são uma prática ilegal e não devem ser feitos.
    Se o sujeito em questão é honestou não, não vem ao caso.
    Ninguém diz que a MAIORIA das, não todas, lotéricas são falcatruas, que fazem apostas e JOGO DO BICHO e tudo o mais de ilegalidades.

    Mas, só de admitir fazer bolões, já constitui um ato ilegal e repreendido pelos orgãos competentes. FATO.
    Qualquer outra reclamação é chororô.

    Honestidade e Ética é obrigação social.

  • Robinson Regges diz: 24 de março de 2010

    Boa Tarde !!!

    Prezado Sant’Ana,

    Gostaria muito de informações de como abrir uma unidade loterica em minha região?
    Você possui uma casa lotérica? Você consegue que fornecer informações de como abrir minha unidade e se existe algum contato que pode me instruir por favor peço sua ajuda para chegar até a pessoa.

    Muito obrigado e fico no aguardo de um feedback.

    Robinson Regges

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