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Um clamor geral!

19 de março de 2010 18

Chegamos a um ponto de total saturamento na segurança pública nos casos de assaltos.

Recebo veementes reclamações das pessoas sobre as condições de segurança na Grande Porto Alegre e no Interior.

As pessoas relatam a este colunista, com preciosidade de detalhes, os assaltos de que foram vítimas, a maioria delas quando estavam dirigindo seus carros.

“Na segunda-feira, 8 de março, às 20h, enquanto dirigia meu automóvel, fui surpreendido com uma ação que jamais pensei pudesse acontecer em Porto Alegre, quiçá no Rio de Janeiro. Trafegava nas imediações do Bourbon Country, quando um Ford Ka fechou o meu carro, em pleno trânsito e com as pessoas em volta assistindo. Desceram quatro homens armados e, todos com capuz, cercaram meu carro, estrategicamente nas laterais do meu carro, e ordenaram que eu saísse, exigiram dinheiro e me levaram R$ 3 mil, notebook, celular, pasta com documentos, enfim...

E o mais impressionante é que os quatro assaltantes tinham sotaque paulistano. A coisa está tão fácil aqui, que bandidos estão vindo de todas as regiões do Brasil para assaltar, como se não bastassem os daqui... (ass.) Cláudio Ávila (claudioavila@terra.com.br, fone 51 8179-5363)”.

Num só dia, as manchetes de jornal: “Ladrões atiram e matam advogada para roubar seu carro em Novo Hamburgo”. “Homem é vítima de dois assaltos diferentes em apenas 10 minutos e ainda tem tempo, a seguir, para presenciar uma mulher baleada em outro assalto, no Bairro Rubem Berta”, “Bandidos atiram e matam jovem dentro de creche com cem alunos em sala de aula”, “Garoto de 15 anos tortura menino de cinco anos”.

E por aí vão os casos de banditismo e ladroagem nas ruas, alguns à luz do dia.

E é preciso que se tenha em conta que esses são os casos que vêm parar nos jornais, ou seja, os que importam assassinatos ou ferimentos nas vítimas.

A grande, a maior parte dos assaltos não é divulgada na imprensa.

Estamos entregues à sanha dos assassinos e dos ladrões.

E empilham-se diante da minha mesa as queixas candentes da população, exigindo providências das autoridades.

Isto é uma guerra civil. Declarada. A insegurança perpassa todos os cantos. Há centenas de quadrilhas de ladrões de carros e há outros milhares de ladrões que assaltam com outros fins, espalhados, soltos pelas ruas, fazendo vítimas, triunfando, impunes.

Mas chegou a um ponto em que se levanta um clamor popular contra essas ações criminosas, a sociedade emite um brado de protesto e de socorro, não admite mais que prossiga esse estado de coisas.

Além de urgente aumento do efetivo policial, que se sente exaurido diante do aumento geométrico dos ladrões e assassinos, algo precisa ser feito pelos contingentes policiais existentes atualmente.

A Brigada Militar terá de mudar a estratégia simplista de só atender a chamados, depois que os crimes são cometidos.

Os efetivos policiais fardados têm o dever de evitar o crime, fazem parte de um policiamento ostensivo que tem de sair para as ruas e “adivinhar” o que vai suceder ou então coagir e intimidar os bandidos por sua presença e ação constantes nas ruas.

Assim só, não dá para continuar: a maioria das ações da Brigada Militar se desenvolve após a perpetração dos crimes (assaltos), quando teria de se alastrar obrigatoriamente para evitar o comportamento criminoso, antecipar-se por sua presença ostensiva à ação dos bandidos, principalmente pela intimidação diante do policiamento fardado, o que não está ocorrendo.

A principal e quase essencial função do policiamento ostensivo é o caráter preventivo da sua atuação.

Aqui entre nós, está distorcida essa missão: o policiamento ostensivo só age depois que ocorrem os crimes.

De novo, numa repetição enfadonha, estão faltando policiais fardados nas ruas.

* Texto publicado hoje na página 63 de Zero Hora

Comentários (18)

  • carlos diz: 19 de março de 2010

    Claro que estão faltando, já vinha com carencia o contingente da policia militar, depois com a entrada da Yeda e sua politica de defict zero, o contingente ficou ainda mais reduzido, obvio que se o governo não investe, sobra mais dinheiro, mas a população é quem paga o pato.

    É como um clube de futebol que para não se endividar só contrata pernas de pau, não vai ganhar nada e o torcedor vai ficar descontente.

    O governo tem que ter a medida certa, pensar na população, de contra partida muitos dos bandidos que cometem esses crimes barbaros são do semi aberto, corroborando com a falta de presidios, ou seja esta tudo errado, alguém com poder politico tem que levantar essa bandeira, dar uma basta!Ou voltaremos aos tempos das cavernas.

  • Ricardo diz: 19 de março de 2010

    Prezado Santana,

    Leio as suas colunas com frequencia, e fico admirado de tanta coisa que voce escreve (materias das mais diversas) e as vezes fico pasmo com tanta coisa ruim que acontece no nosso Brasil. Estou lutando a muitos anos para conseguir uma vida melhor (14 anos), pois moro na China todo este periodo, mas quando penso em retornar ao Brasil (RS), fico cada vez com mais medo desta volta, acreditando sinceramente em nao voltar mais para minha terra amada, pois o cidadao ser assaltado 2 vezes em 10 minutos, e de matar?
    O pior de tudo, que e o povo, humilde, simples trabalhadores que sofrem toda esta violencia, pois os nossos simplorios politicos andam com segurancas e nao sao expostos a isto, por isto nao estao nem ai para o que acontece no dia a dia com o povo que os elegeu.
    Acredito que no dia que os assaltos forem bater diretamente nessa classe "entitulada politicos", eles vao se mexer mais para tentar resolver a questao, pois o Brasil precisa de leis mais ceveras e policiamento nas ruas. Grande abraco.

    Ricardo
    Guangzhou-China

  • Bárbara diz: 19 de março de 2010

    Quem se sente INSEGURO andando ou dirigindo nas ruas de Porto Alegre em qualquer horário levanta a mão: \o/

    Quem caminha cruzando o caminho dos usuários que minam a sidade só esperando que lhe abordem com facas para tomas seus pertences, levanta a mão \o/

    Quem não aguenta mais a falta de segurança dessa cidade, não fica de braços cruzados, levanta a mão \o/ ao invés de ficar de braços cruzados e exija, proteste, faça-se ouvir e propague sua insatifação para termos a chance de tentar mudar, porque assim não dá mais.

  • Marcelo Nunes diz: 19 de março de 2010

    Caro Paulo Santana. Sou leitor assiduo de tua coluna e profundo admirador de teu trabalho. Gostaria de fazer um comentário sobre tua coluna "Um clamor geral" publicada hoje. Assim como o clamor é geral, geral também deveria ser o comprometimento de toda a população com as questões da segurança. Dizer que as ações da Brigada Militar são simplistas é ter uma visão simplista sobre um assunto tão complexo como é o da segurança pública. Tu como profissional de segurança pública que foi ou é, pois nunca deixamos de se-lo mesmo aposentados, sabes que segurança não é só um problema da Polícia, várias instituições estão intimamente ligadas a segurança, sejam elas governamentais ou não. A parcela de responsabilidade de cada uma delas é importantíssimo no processo, inclusive a do mais humilde e simples cidadão. Ver a problemática da segurança pública como responsabilidade exclusiva da Brigada Militar é um grave erro, pois ela interage com as demais instituições para formar o ciclo. A policia ostensiva é responsabilidade da Brigada Militar, porém segurança pública é responsabilidade de todos, como esta escrito em nossa Carta Magna. Abraço!

  • Luiz Meireles diz: 19 de março de 2010

    Sant'Ana, estou morando em Dublin desde agosto do ano passado e, sinceramente, nao sinto nenhuma vontade de voltar ao nosso pais, a nao ser pela saudade dos familiares. Aqui, a policia nao usa arma. O medo de infringir a lei e enfrentar as consequencias inibe a acao criminal. Infelizmente, vejo essa guerra civil ha cerca de 10 anos e nada foi feito para acaba-la. Era previsivel que chegaria a esse ponto. Hoje, so com o uso das forcas armadas, vamos poder dizer: BASTA. E uma das justificativas para a intervencao das forcas armadas nao e a ocorrencia de guerra civil? Por que, entao, se protela tal providencia? So com uma politica de TOLERANCIA ZERO, iniciando por um combate sem tregua ao narcotrafico, poderemos resgatar aqueles tempos, como disse o eminente Paulo Brossard, em que as senhoras colocavam suas cadeiras na calcada, em fins de tarde, para tomar um chimarrao com as amigas.

  • Camargo diz: 19 de março de 2010

    Caro Santana, a insegurança transborda todos os limites toleráveis. Creia, nas imediações da Av. André da Rocha, Riachuelo, há todo o aparato do exército, um amontoado de soldados a ver a vida passar, uma delegacia de polícia civil bem próxima dali, e os bandidos estão assaltados veículos estacionados na subida da André da Rocha, quebrando vidros, depenando, até mesmo, roubando os veículos que por ali ficam estacionados, e nada acontece. Santana, que palhaçada é essa, bem no centro, onde policiais civis e soldados fortemente armados, não servem para dar segurança... até quando ???

  • Eduardo diz: 19 de março de 2010

    Caro Santana... relato aqui um dos depoimentos mais extraordinários que recebi durante um assalto, exatamente, DURANTE o assalto.
    Fui vítima de um "sequestro relâmpago" próximo a Protásio Alves, em plena luz do dia. Logo que os assaltantes colocaram a arma na minha cabeça e entrei no carro, eles pediram calma e falaram que eram PROFISSIONAIS. Me falaram "não te preocupa, faço isso 3 vezes por semana, tiro no mínimo R$10.000,00 por mês, e faço isso a 10 anos sem ter sido preso, então pode ficar tranquilo que nada vai acontecer".... Ou seja, são profissionais, fazem isso diariamente sem jamais terem sido flagrados pela polícia. A cidade vive um drama, ao melhor estilo Oriente Médio. Não há segurança nem para andar a pé na rua durante o dia. Somos alvos fácil para a bandidagem. Vergonha total.

  • Pedro Henrique diz: 19 de março de 2010

    O Senhor censurou meu comentario, mas segue o conselho.

  • elio miguel diz: 19 de março de 2010

    Sant'ana, interessante que tu, há poucos dias, escreveste em tua coluna sobre "O Mediador Global", enaltecendo a visita do Lula ao Oriente Médio. Depois dissso, as tuas colunas vem criticando reiteradamente a ausência do poder público para as questões sociais, saúde, segurança, etc. Entendo seres um pouco incoerente nesse sentido, pois o chefe maior deveria estar aqui e não lá longe.
    Alguns creditam os problemas sociais ao governo do estado, por questões meramente partidárias. Isentam o poder central dessas catástrofes sociais em que vive a população brasileira. Deve-se registrar que a falta de leitos em hospitais e de segurança existe de Norte a Sul do país. Não é privilégio do RS. Esses que criticam o governo estadual da atualidade, se esquecem de que a dívida pública estadual não foi criada por este governo, mas sim pelos governos anteriores. O que está acontecendo com o governo atual do RS, tentando sanar dívidas pretéritas, acontecerá com o próximo Presidente da República que vai pagar o pato por essa indecifrável conta que o governo central está fazendo.

  • navarro diz: 19 de março de 2010

    Sant'ana, não achas que está na hora de levantarmos a bandeira de uma nova revolução? O modelo democrático em que vivemos só serve para os políticos se autopromoverem. É sabido que as questões sociais em regimes autoritários são muito mais bem resolvidas que em regimes democráticos, principalmente numa democracia tupiniquim como a nossa.
    Lembro-me de que, no tempo do regime militar, se andanva com tranquilidade pelas ruas, havia um sentimento patriótico nos colégios, a saúde não era tão desastrosa como hoje.
    Verdade que, naquela época, não havia liberdade de manifestação da palavra, mas havia cuidado maior com a vida e a liberdade pessoal, o que é imensamente mais importante.
    Ou a população reage, ou, em breve, viveremos em um Estado selvagem. Se é que já não vivemos.

  • Fabiana diz: 19 de março de 2010

    Prezado...

    Moro nas imediações do Bourbon Country e esses assaltos são constantes. TODOS os dias sabemos de algum vizinho que foi abordado. É um bairro com 40 anos de história que recebe a avalanche de novos empreendimentos prediais ao redor do Parque Germania (que diga-se de passagem, não trouxeram nenhum benefício ao bairro, apenas muita poeira, asfaltos que cederam com a passagem excessiva de caminhoes, etc...e ainda atrairam a atenção dos bandidos).

    Meu filho tem 14anos e fico em pânico qdo ele vai para escola, pois ele, assim como qqr adolescente, quer ir para aula com um tênis bacana, bermudão da moda, boné, celular,etc...Prendo o meu filho em casa pq os ladrões estão soltos...

    Cabe lembrar que o 11 batalhao da brigada fica neste bairro, justamente onde os assaltos estão ocorrendo.

    Convoco qqr pessoa que more nas ruas Cipó, Domingos Seguézio, Indiana, etc...a refletir qdo foi a última vez q viu alguma ronda policial por aqui...

    Ou vc paga segurança particular ou aprenda a rezar!!!

    Governadora: saia do pedestal e venha para vida real. Venha ver como é viver sem segurança e carro blindado.

  • sergio diz: 19 de março de 2010

    ....para aí Pablito....mais PMs na rua????prá dividir o bolo que já é pequeno e ganhar um salário miserável??? O que tem que acontecer e alguém já disse é mudar as leis e acabar com o Coitadismo do Judiciário...enfim vai piorar muito isso aqui enquanto tivermos um legislativo descompromissado e um judiciário acomodado.

  • marisa freitas diz: 19 de março de 2010

    Querido Pablo, vamos pensar que : a duas maiores instituições estão um caos e não é de agora (policiamento e a educação) o que será do povo gaúcho? Estamos se acostumando rapido demais com os problemas, com a violencia que se não bastase na rua adentra as portas das familias, nas escolas precisam ver a violência de crianças de 6 anos com seus colegas, aprendeu onde ? dentro de sua casa, na sua rua, na tv?cadê a instituição familiar , está tão dissolvida quanto a policia, a escola, temos que parar de cruzar os braços e achar que isso são problemas só de cidades grandes, lá estão combatendo a bandidagem e eles estão chegando e arrancando nossos familiares em troca de "troxinhas", o povo gaúcho é guerreiro, vamos vencer está luta mas tem que haver união e participação do governo . obrigado
    marisa xangri-lá

  • Antonio diz: 19 de março de 2010

    Diferentemente dos comentários acima, pude contar com a competente ação da Brigada Militar, quando membro da minha familia , foi covardemente dominada e teve meu veículo furtado, que naquele momento saía do portão da garagem, por assaltantes que fingiam transitar de moto na Av. Em cerca de seis horas, localizaram o veículo e um dos meliantes preso, quando assaltavam um posto de gasolina em Viamão. A surpresa viria depois, no péssimo e debochado atendimento recebido pela polícia civil local e, no depósito do DETRAN-Rs, que tiveram a audácia de tirar o farol esquerdo do veículo, quando o danificado pela colisão na fuga foi do lado direito, entre outras...
    O que esperar das Instituições, quando nela existe um banda podre ?
    Não bastasse, o estado sem garantir-nos efetivamente uma segurança digna, proíbe apenas as pessoas de bem armarem-se para defender-se.
    É IMCOMPREENSÍVEL , saber que mesmo possuindo a polícia mapeadotodos os locais e ações criminosas , não tenha dele se utilizado com seu serviço de inteligência, para intervir antes da ação consumada, tirando estes bandidos de circulação, mesmo que para isso deva custar-lhes a vida. A propósito: entre eles da pena de morte já existe, porque não pode a sociedade composta por pessoas de bem, também ter o sagrado direito de defender-se por meio da pólícia, e não para capturá-lo após terem eles assassinados um pai de familia.
    Não é preciso ser Secretário da Segurança para ver que só colocando policiais a paisanas e viaturas discretas em locais já mapeados para surpreendê-los. É ingênuo acreditar, que os bandidos irão promover um ataque quando avistarem as dezenas de novas viaturas que circulam. Mas logo ali adiante, eles atacam e destroem mais uma familia.

  • Paulo diz: 20 de março de 2010

    Olha Eduardo é por isso que estamos sem segurança, os PMs ganham em torno de 1.200,00 por Mês e fazem isso a mais de 20 anos.

  • Carlos Santos diz: 20 de março de 2010

    Chegamos a um ponto em que a maioria da população é adepta ao crime e a violência.
    A minoria adepta a paz e a segurança, terá de aceitar ser roubada e violentada.
    Ou existe alguma solução?
    Vejam só, nossa Brigada Militar tem 15 níveis hierárquicos, somente os dois níveis hierárquicos inferiores vão políciar as ruas. Isso torna uma instituíção caríssima e ineficiente; totalmente inviável para ser polícia. Quem entra, logo estuda para ser promovido e se livrar de ir para as ruas. Não estão errados pois a organização oferece.
    Ninguém pede fechamento dessa organização e abertura de uma nova polícia municipal (nada de militar, que só serve para querra); pois conhece a própria cidade.

  • nelson L diz: 21 de março de 2010

    Do jeito que o pais vem sendo administrado não se pode esperar coisa diferente.O coitadismo estimula a transgressão dos menos aptos e a omissão dos demais.Exemplo? para que fazer BO se ja se sabe qual é o seu destino?Para que estudar se passar de ano virou um direito?A sociedade brasileira esta "anestesiada" e sem capacidade de reação.Assiste a demolição oficial da ética e da moral,a corrupção generalizada da vida pública e a desmoralização dos conceitos de moral que vigiam e o rateio dos bens públicos entre os donos do poder , processo que se iniciou com o Mensalão e se completou com a falta de punição dos envolvidos.Só a substituição dos atuais detentores do poder politico,e por gente patriota,pode reverter esta tragédia nacional.

  • marah diz: 26 de março de 2010

    O RS vive o caos na segurança pública, na educação e na saúde. Dengue, escolas de lata, criminalidade... mas os outdoors que a governadora mandou espalhar pelo RS dizem bem outra coisa. Ela pensa que os gaúchos são cegos e idiotas...

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