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Uma iniciativa milagrosa

01 de maio de 2010 10

De onde veio essa luminosa ideia da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) empregada atualmente no Rio de Janeiro?

Diz-me o Cláudio Brito que é provinda da Colômbia, uma adaptação de lá às favelas cariocas.

Pelas UPPs, a polícia não chega à favela, ela já está lá.

A polícia se instala na favela, como se incorporasse um batalhão ao metabolismo social da favela, integrando-se com a comunidade e evitando assim a instalação de focos criminais e seu alastramento.

Ideia que está regenerando as favelas, limpando as favelas de traficantes.

Deve custar muito efetivo pessoal da polícia, deve custar muitos recursos, mas os resultados são os melhores possíveis, sendo saudados efusivamente pelos moradores das favelas, que viram os locais em que vivem serem restaurados em civilização.

*

Com as UPPs nas favelas, acabaram-se os tiroteios e o reinado dos traficantes entre as moradias e os moradores.

Existia a falsa ideia de que os favelados se acumpliciavam com os traficantes e formavam uma massa só de delinquência.

As UPPs estão mostrando o contrário: os favelados eram dominados pelos traficantes, sentiam-se molestados pela sua presença e agora festejam o império da lei com a instalação de unidades policiais em seu meio.

É gigantesco o esforço do governo do Rio de Janeiro ao instalar as UPPs nas favelas.

Mas de todas as partes brotam sobrados elogios à medida, saudando-a como uma ideia magistral, que pode se alastrar pelo país e mudar a face da delinquência nacional.

*

Resta esperar que o tempo revele se, incrustado na favela, o policial não fará intimidade com os delinquentes e cederá à sua influência.

Talvez, então, as autoridades tomem a medida de não permitir que os efetivos se acostumem aos seus locais de trabalho e sejam permanentemente intertransferidos.

*

Agora, o policial deixou de ser um visitante, muitas vezes indesejado, na favela. Passou a ser um vizinho dos moradores da favela. Vizinho e protetor. Um milagre de solução.

*

Que milagre o dessa ideia, que de repente tornou as favelas os locais melhor policiados do Rio de Janeiro!

Qual arrabalde do Rio de Janeiro, inclusive os da Zona Sul, que têm agora o privilégio das favelas de conviver com os policiais no seu hábitat? Qual?

Os favelados podem dormir sob a proteção dos batalhões que invadiram a sua privacidade e enxotaram do seu território os traficantes.

Se se pudesse fazer com os outros serviços o que está se fazendo com a segurança nas favelas, seria o ideal: cada favela teria a sua unidade de saúde, por exemplo. Que ideia!

São centenas de favelas no Rio de Janeiro, os traficantes poderão migrar para as favelas onde não há UPPs, ainda assim não há na crônica sociopolicial uma medida tão salutar e profilática como essa.

É tão grande a repercussão, que o governador Sérgio Cabral, pelo êxito de sua iniciativa, deve reeleger-se em outubro.

Comentários (10)

  • Dany Moretti diz: 1 de maio de 2010

    Q bom, né? Assim, quando vc for ao Rio, para gravar o CD com o Zeca Pagodinho (risos, risos, risos) sentir-se-á mais seguro.

  • Carlos Santos diz: 1 de maio de 2010

    Morar em favelas é um grande privilégio.
    Não pagam:
    -O terreno.
    -IPTU.
    -Água.
    -Energia Elétrica.
    -Telefone.
    -TV a cabo.
    Tudo isso, ou é apossado ou roubado, tudo com garantias do traficante.
    Outra grande vantagem, nenhum fiscal de obras da prefeitura aparece.
    Como ninguém tem endereço, oficial de justiça, não intima ninguém na favela, talvez essa seja a maior vantagem.
    Além do mais, os traficantes sempre ajudam $$$ os moradores, sem juros.
    Portanto, favelados são a segunda classe mais privilegiada no país, atrás apenas dos donos de boquinhas no governo e nas estatais.
    Se a polícia conseguir expulsar os trafucantes, a pobreza voltará as favelas, deixarão de ser um reduto privilegiado.

  • joão arregui diz: 1 de maio de 2010

    Sr. Santana: claro que tu sendo do meio televisivo sabe muito bem que o mau exemplo começa de cima. Há pouco pegaram aquele ator famoso da globo, colega de voces, portando, comprando, usando drogas em PA. Divulgaram amplamente. Isso é caso para prender,processar e nem divulgar.é um péssimo exemplo.Vários jogadores de futebol protagonizam grandes novelas e nem respondem processo.Autoridades (pseudos) envolvidas com atividades terriveis. Outrossim, tem que coibir TODOS que se envolvam com drogas, corrupção,pedofilia é claro,mas tem que ser de cima pra baixo. Porém, até hoje, não vi nenhum noticiário publicando que prenderam o mega empresário, do do navio, do avião, do container que transporta essa porcaria. Sim porque prender 5,10,50 quilos se vê no noticiário, mas e as toneladas. E o atacadista.só vemos prenderem gente na favela, no morro, na vila, na parada do õnibus. Ninguém é bobo pra acreditar que esses varejistas pegam o avião e vão la na fonte comprar toneladas desse produto. Pra nós, é brabo ver gente formadora de opinião, gente famosa e rica de dinheiro, servindo de mau exemplo para a população e recebendo tratamento vip.Não Sr. Santana,nçao basta limpar a favela se não limpar a o bairro nobre,não é so a periferia
    que é culpada pois o verdadeiro traficante na minha opinião jamais colocou os pés na favela,na vila,na parada de ônibus, no baile de periferia. Ele sempre frequentou o Club A,B,C, aquela festa naquele navio onde a polícia não vai ou naquele vôo panoramico,naquela cobertura inacessível, naquela ilha, naquela mansão guardada por muitos seguranças.Por tudo, me parece que não será só a polícia que vai mudar esse drama social, pois me parece que é uma instituição pró prevenção que autua contra o fato delituoso consumado.Cabe aqueles que dizem deter o poder institucional, econômico, financeiro, cultural, religioso, tecnológico, etc agirem como verdadeiros empresários, não só de lucros mas de resultados sociais que proporcionem qualidade de vida a todos nós. Só a polícia e só na favela não resolve.Não basta escrever projetos disto e campanhas daquilo. Não basta dizer “sou autoridade, sou empresário, sóu intelectual, sou comentarista esportivo deste o daquele canal de tv, não basta sorrir para as lentes de tv/fotográficas, tem que agir como, tem que ser cidadão no palco e na parada de ônibus. Desculpe os equivocos, agradeço o espaço na esperança que se mude aquela pessima frase: “Faz o que eu mando e não critica o que eu faço”. Um fraterno abraço.

  • Ronald Rodrigues diz: 1 de maio de 2010

    Olá, Sr Paulo

    A idéia, a mim, me parece uma obviedade. A pergunta é: porque não foi tomada esta medida há mais tempo?

  • ewitonluizmorel dias diz: 1 de maio de 2010

    pulo satana voce e muito legal pois sou seu fa. um abraco manda um para livramento.

  • babalu berquó nova prata diz: 1 de maio de 2010

    Paulo! se você lesse o Correio do Povo você teria a resposta para sua seguinte pergunta: “De onde veio essa luminosa ideia da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) empregada atualmente no Rio de Janeiro?”
    a seguir, materia publicada pelo correio do povo de 1°/05/2010:

    Um jantar organizado por politicos cariocas, teve como convidado especial Tarso Genro.
    O prestigio do petista no Rio de Janeiro, que já lhe rendeu declarações de apoio de SErgio Cabral e Eduardo Paes (PMDB), é explicado pelo trabalho frente ao ministerio da justiça.
    “O Tarso estabeleceu um vinculo forte com o Rio ao desenvolver politicas como as UNIDADES PACIFICADORAS” Declarou Carlos Pestana, que acompanhou o petista na homenagem. no evento ainda estavam ex-ministros e o presidente da OAB.

    RESPONDIDO PAULO SANTANA???

  • Felipe diz: 1 de maio de 2010

    Olá Paulo…

    Que tal gravarmos um CD juntos?
    Fico ansioso esperando sua resposta.
    Ass: Zeca Pagodinho

  • Bruno diz: 1 de maio de 2010

    Caro Paulo,

    Humildemente, creio que um livro que preencheria as suas dúvidas sobre o tema o qual propõe aqui seria “O Desafio Metropolitano”, de Marcelo Lopes de Souza, um renomado geógrafo da UFRJ.

    Sou estudante de Geografia da UFRGS, e como trabalho na questão da violência de Porto Alegre a nível de uma pesquisa de mestrado, deparei-me com esse excelente material, que é uma análise profunda mesmo do envolvimento do tráfico com a comunidade.

    Abraço

  • tiago mato diz: 3 de maio de 2010

    ora santana!!! foi o tarso genro que fez as UPPs!!!! gostaria que fosses honesto e falasse isso em sua coluna

  • Paulo Vicente Orso diz: 3 de maio de 2010

    Prezado Sant’Ana:
    Para conclusão de curso, elaborei trabalho sobre policiamento comunitário com vistas à pacificação. Tracei um paralelo entre a atuaçãodos Agentes Comunitários de Saúde e a atuação do policiamento preventivo. Será que se o policial fezesse visitas rotineiras aos moradores da área onde atua(assim como os agentes de saúde fazem), mesmo que não tenha havido ocorrência de ato ilícito, não seria uma boa inicitiva para pacificar o local/ambiente. Assim agindo a polícia estaria estreitando as relações de convivência com a população e chamando-á a contribuir para com a segurança pública?
    Seria o grande lance das forças de segurança, o verdadeiro choque de gestão que tanto se deseja.
    Grande abraço.

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