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As motos assassinas

05 de maio de 2010 15

Vejam o caso da senhora Maria Paula Leal, 43 anos, acontecido anteontem à noite na Avenida Benjamin Constant, na Capital.

Ela estava se dirigindo para a Paróquia São João, atravessou a faixa de segurança no cruzamento da avenida, quando viu que um cego estava tendo dificuldades para realizar a travessia no sentido contrário.

Solicitamente serviu ajuda ao cego, transportando-o pela faixa de segurança e fazendo-o atravessar a pista.

Ao retornar, ainda pela faixa de segurança, foi atropelada e morta por um motociclista.

*

Como é o destino das pessoas! Se ela não tivesse se condoído com o cego em dificuldades para atravessar a pista da avenida, estaria a esta hora sã e salva.

Mas seu imperativo dever de solidariedade fê-la voltar e ajudar o cego.

Encontrou a morte pelo seu altruísmo.

Como são intrigantes os descaminhos da existência e os caminhos para a morte.

Se o coração dessa mulher não tivesse compaixão, ela não teria morrido como mais um dos milhares de mártires do nosso trânsito.

*

Agora, a questão objetiva: o motociclista atropelou a vítima em alta velocidade e em cima da faixa de segurança.

Grave transgressão que custou a vida de uma pessoa humana.

Segundo a EPTC, são 12 acidentes diários com motocicletas que causam lesão corporal no mínimo, em Porto Alegre.

E já somam 40% dos acidentes gerais os acidentes com motos.

É um morticínio.

*

Antes, temíamos todos a sorte dos motociclistas: as motos são muito vulneráveis a qualquer choque, os corpos dos motociclistas ficam expostos a nu em cima da geringonça, são milhares os que morrem em acidentes.

Só que nos últimos dias, em Porto Alegre, ao grupo de risco dos motociclistas somou-se um outro grupo de risco nos acidentes de moto: o dos pedestres atropelados pelas motos.

Tudo pela velocidade desregrada, pela ânsia de chegar à frente de todos os veículos que domina os motociclistas.

A gente anda dirigindo pelo trânsito e vê passar zunindo, pela nossa direita ou esquerda, as motocicletas apressadas.

E vão se amontoando as vítimas de acidentes com motos, que atingiam antes os próprios motociclistas e agora deram para ceifar as vidas dos pedestres atropelados pelas motos.

*

Para uma moto matar um transeunte, é necessário que ela viaje em alta velocidade. E elas viajam em alta velocidade, sob as vistas aturdidas dos motoristas e descaso completo das autoridades.

Urge uma campanha a ser difundida em todos os meios de comunicação para alertar contra a imprudência dos motociclistas. Alguém vai ter que pôr um paradeiro nesses acidentes com motos. As infrações dos motociclistas se amontoam aos milhares e nada se faz para interrompê-las.

*

Somente a educação dos motociclistas pode diminuir o índice de tragédia em que eles se envolvem no trânsito.

O Detran e a EPTC precisam urgentemente se engajar em campanhas e providências que visem a atenuar densamente essa montanha de vítimas das motos.

A ação desta coluna é somente esta: alertar para o nível assustador a que chegou essa calamidade irresponsável dos motociclistas.

Comentários (15)

  • Roberto diz: 5 de maio de 2010

    Só para lembrar que alem de faixa de segurança ali tem SINALEIRA….

  • Dilson Mottin diz: 5 de maio de 2010

    A primeira coisa é parar com esta bobagem de que não é proibido às motos circularem entre os veículos e fora das faixas de rolamento limitadas. Se há pistas delimitadas e se há distância mínima regulamentar entre veículos, estas servem para impedir que o espaço entre quaisquer veículos sejam utilizados. Não existe corredor entre entre os veículos como muitos supõem. Nestas circunstâncias, parar em faixa de segurança é condenar o pedestre à morte. Além disto, pedestres atravessam entre os carros fora de faixa ou sinaleira.

  • Antonio Carlos diz: 5 de maio de 2010

    Eu cheguei a uma conclusão sobre a violência no trânsito: o problema é a falta de condições psíquicas e/ou o baixo nível intelectual de uma parcela – de 50% a 60% – de quem atualmente está habilitado a dirigir veículos. É só olhar o que fazem ou deixam de fazer os condutores de automóveis, motos, caminhões, ônibus.
    Cito um exemplo: um dia com neblina, ou chuva torrencial na estrada. É só contar; de cada 10 carros, 5 ou 6 não acendem os faróis. Isso é falta de inteligência, pois o perigo se volta também contra esses condutores, pois seus veículos não são vistos a uma distância segura.
    O que fazer então? Não adiantam as campanhas, pois a estupidez não se corrige com conscientização. Os exames de direção devem ser rigorosos, aferindo as condições psicológicas e intelectuais dos pretendentes à carteira de habilitação. Assim, os idiotas serão reprovados e impedidos de matar pessoas como aconteceu neste e em inúmeros outros casos diariamente neste país.

  • Paulo diz: 5 de maio de 2010

    Bom dia Sr. Paulo Santana.
    O problema do transito brasileiro, na minha opinião, passa primeiro pela má formação de nossos motoristas, que ganham suas habilitações sem ter a mínima capacidade e habilidade para enfrentar esta guerra que são nossas estradas. No caso de motos, em Estância Velha, os alunos não saem de um circuito fechado em forma de 8, onde tem suas aulas práticas. Andam a 20 ou 30 por hora, uma hora por dia, durante uns 10 dias (aproximadamente). Inclusive o exame final é feito no mesmo local. Pergunto: Isso é formar motoristas? Minha filha que passou por esse processo e tem carteira para moto nunca pilotou nem uma bicicleta, mas poderia sair por ai, quem sabe em alta velocidade matando gente em faixas de segurança. INCONCEBIVEL.

  • Fabio Camargo diz: 5 de maio de 2010

    Santana,

    A Maria Paula foi minha prof. a 20 anos no São João. Pessoa doce e equilibrada que respeitava diferenças de religião e pensamento. Foi numa aula em nossa sala que ela anunciou toda feliz a gravidez de seu primeiro filho. Nunca vou esquecer. Ela e outros professores marcaram minha formação no colegio. Nunca mais a tinha visto, fico surpreso com a forma da morte e estou triste com a noticia.

  • zulema martins da silva diz: 5 de maio de 2010

    Bom dia Dr. Paulo Santana,

    Sou sua fã incondicional, porque além de Gremista, não deixa de comentar fatos relevantes para a vida de todas as pessoas. Gostaria de resaltar sobre a professora Maria Rita. Meus filhos estudam no Colégio Rosário, dois já sairam mas o de 19 anos comentou juntamente com a minha filha de 14 anos, que estava muito abalada, o quanto esta professora (catequista) foi especial, como fazia a diferença demonstrando interesse pelos alunos, demonstrando afeição, com suas atitudes, enfim mostrando o lado do bem querer, da solidariedade, respeito pelo semelhante, estas coisas esquecidas muitas vezes por nós.
    Sinto muito pelos filhos e também pelos alunos que ela conquistou. Espero que o acidente não iniba as pessoas de fazer o bem.
    obs. Só para contar, é a primeira vez que tenho coragem de escrever, principalmente tratando do senhor.
    Muito obrigada!!!
    Zulema

  • Theo Cruz diz: 5 de maio de 2010

    Interessante abordares esse assunto agora Sant’anna: motos são veículos EXTREMAMENTE perigosos, muito mais que carros, pois estes, além de maior estabilidade por acomodarem-se sobre quatro rodas, oferecem proteção quase absoluta aos passageiros e condutores quando ocorrem colisões a velocidades relativamente baixas. Noutras palavras, à mesma velocidade, um acidente de carro causa danos insignificantes, geralmente apenas materiais, enquanto de moto, o mesmo sinistro pode ser fatal ou causar ferimentos bastante agravados. Meu irmão, médico, costuma dizer que há duas categorias de motocicilistas: os que ainda não se acidentaram e os que vão se acidentar. O índice de atendimentos a motoqueiros acidentados é espantosamente alto, como o é a gravidade dos resultados. Eu mesmo já perdi dois amigos em acidentes de moto, um deles no sábado passado. E em 2009, faleceu meu primo aos 23 anos, conduzindo uma moto, enchendo de dor toda a família. Outro primo, anos atrás, acidentou-se grotescamente ao chocar-se com sua moto contra uma não sinalizada pilha de paralelepípedos no cair da noite, sofrendo traumatismos múltiplos e milagrosamente escapando com vida. E tais histórias se repetem infinitamente. Algo deveria ser feito no fito de incrementar a segurança desse meio de transporte tão útil quanto perigoso.

  • Soraya diz: 5 de maio de 2010

    Santana!
    Leio teu texto, ainda emocionada pois por ser mãe de ex-aluna do Rosário, por ter conhecido a Paulinha, ontem fui ao velório e fico me questionando, até onde iremos suportar estas tragédias, quando os motoristas vão tirar o pé do acelerador e colocar a mão na consciência, quando teremos aulas para tirar habilitação que melhor preparem o condutor….quando vamos humanizar o trânsito….as mortes vão acontecendo, as estatisticas aumentando… As motos não são assassinas( entendi bem o sentido que quisestes dar ao título), elas são conduzidas por um ser humano…e sem personalizar neste caso, mas de um modo geral despreparado, apressado, afoito…
    Precisamos mesmo de uma campanha a ser difundida em todos meios de comunicação!! Precisamos “gritar” contra a imprudência, a pressa, a correria, a falta de preparo, segue tua luta, teus comentários, que as pessoas possam refletir e sobretudo os motoristas mudarem sua forma de dirigir!!

  • José Franklin Dias de Moraes diz: 5 de maio de 2010

    Só gostaria de saber porque não foi divulgado
    o nome ocondutor da moto que atropelou a
    professora.
    Consta da notícia que o condutor se feriu e
    foi levado ao Hospital Cristo Redentor para
    atendimento.
    Qual a razão da omissão do nome do tão
    desastrado e imprudente condutor da
    motocicleta?

  • Luiz Inacio diz: 5 de maio de 2010

    Santana, campanha??? Onde é que està o tal Còdigo de Transito? Prà que servem as leis de transito? Sò prà justificar a impunidade? Sò prà propiciar a propina? O Brasil inteiro conhece como procede a PRF! Nas cidades é assim também! Ao contràrio de campanha, é dever das Autoridades de Transito tirarem a “bunda” das cadeiras de seus gabinetes e trabalharem!! Teorizar, dar entrevistas de efeito, blà,blà, na frente das tele-cameras, agora promessas nos palanques, isso, jà encheu o saco!!! O povo brasileiro é mal-educado, sobretudo quando està “sobre rodas”. A impunidade é uma das maiores vergonhas deste paìs. Retirar a carteira e botar na cadeia é pouco prà esse motoqueiro irresponsàvel, que assassinou essa generosa senhora.

  • Zergui Pfleger diz: 5 de maio de 2010

    Em 08/08/08, no dia de início da Olimpíada, por volta das 19:00 h, eu e dezenas de motoristas aguardávamos a abertura do semáforo para prosseguirmos aos nossos destinos.

    O local, nas proximidades do viaduto Ayrton Senna em Novo Hamburgo, naquele horário, recebe um fluxo muito grande de veículos, por ser a entrada principal de pessoas que voltam à cidade, e dos que se dirigem para São Leopoldo, Porto Alegre, Estância Velha, Dois Irmãos, etc.

    Estávamos em três filas de veículos; as duas da minha esquerda para subirem em direção ao viaduto e eu que seguiria em frente.

    Quando abriu o sinal, eu engatei a marcha e olhei para a esquerda, para ter certeza de que os veículos, vindos de cima, pararam (duas fileiras). Iniciei a arrancada, assim como os demais motoristas.

    Ainda olhei para a direita, para comprovar a parada dos que estavam saindo da cidade.

    Andei por uns 12 a 16 m, quando percebi uma luz em movimento, vindo em minha direção.

    Parei o veículo e vi que era uma moto, na contramão, em altíssima velocidade, que furando o sinal, atingiu a frente de meu carro e o empurrou, com a batida, por uns 4 m.

    Carro antigo, 6 cilindros, pesado.

    Não se machucaram, motoqueiro e caroneiro, apesar de provocarem sérios danos no meu veículo. A moto apenas teve a “bengala” entortada.

    Se eu não tivesse freado, a moto atingiria a porta e, provavelmente os dois seriam degolados com a coluna do teto e eu seria esmagado por uma moto de 125 CC, pois a porta não iria suportar tal impacto.

    Velocidade permitida no local: 40 km/h.

    Processei o motoqueiro. Fui vitorioso em primeira instância.

    Ele recorreu e perdeu novamente, mas até hoje nada recebi.

  • Edson Davanne C. Vieira diz: 6 de maio de 2010

    Sr. Sant’Ana.
    O título “As motos assassinas” é no mínimo preconceituoso. Ora é como se somente motos matassem pessoas no trânsito, ou que fossem maioria. Pessoas morrem atropeladas por carros, acidentes com ônibus e caminhões. Acontece que normalmente os usuários de motocicletas o fazem em sua maioria por necessidade, muito mais do que por opção,então nos cegamos para os problemas alheios, afinal somente quem já fez um exame de motocicleta sabe como ele é falho/insuficiente; já quem anda de carro…Outro dos problemas que leva a este fato é de fiscalização. No caso de profissionais liberais, os mal falados moto-boys. São oferecidos para motoristas de ônibus, taxistas diversos cursos de aperfeicoamento profissional, direção defensiva, etc. Já os moto-boys, nem sequer tem sua profissão regulamentada. O condutor da motocicleta demonstra um despreparo tremendo pelo fato como o acidente aconteceu, afinal ultrapasssar carros parados é no mínimo imprudente. Mas não me lembro de em qualquer das aulas teóricas isto me ser ensinado no CFC, isto por que eles preparam motoristas de carros em suas aulas teóricas, nunca olhando o transito como um todo (carros, motos, caminhões, pedestres,etc.). Alias o que torna alguém apto a ser intrutor/professor em um CFC?

  • Carlos Santos diz: 6 de maio de 2010

    Tem gente demais no planeta, essa é a questão.
    Os políticos só querem mais eleitores e contribuíntes,

  • Luiz Cledi diz: 6 de maio de 2010

    A familia da senhora professa tem minha solidariedade, perdeu-se um exemplo de cidadania que poucas vezes temos conhecimento.
    Sou motociclista a 29 anos e digo, as motos não são assassinas e sim os seus condutores.
    Utilizo minha motocicleta somente para viagens de lazer e não tolero de forma nenhuma o tipo de condução que estes elementos impoem diariamente em suas motocicletas pois também sou vítima no trânsito dos abusos de “motoqueiros” mal preparado, muito mal educados com motocicletas visivelmente sem manutenção.
    Mal preparadas também são as ruas e estradas que contém armadilhas para os motociclistas como tachões, desniveis e outras interferências que prejudicam a condução de uma motocicleta.

  • pingos nos is diz: 8 de maio de 2010

    que bom que carros não matam,kkkkkkkkkkkk

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