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Na faixa de segurança

07 de maio de 2010 4

Começam a surgir sobre a minha mesa vários casos de motociclistas que atropelaram suas vítimas no trânsito, afinal 40% dos acidentes com lesões em Porto Alegre são protagozinados por motos.

Mas há também algumas manifestações favoráveis aos motociclistas, solicitando que eles não sejam demonizados, “a vida deles não é fácil, os prazos que têm de cumprir são absurdos, obrigados a percorrer grandes distâncias em meio a um trânsito caótico e em faixas de tempo mínimas.

Outros pedem que não se incorra no preconceito de prejulgar o motoqueiro que atropelou e matou a professora, pedindo que ele seja julgado de forma justa e cega, como deve ser a Justiça.

E ainda outros solicitando que não se generalize: há milhares de motociclistas que dirigem com cuidado seus veículos e não podem ser jogados na vala comum dos culpados.

Tudo bem, se entende. Mas já há 517 mortes envolvendo motocicletas em acidentes de trânsito, de 2000 até hoje, e vêm crescendo assustadoramente na Capital os atropelamentos de pedestres por motociclistas.

Sinal de que há um abuso nítido da parte de grande parcela de motoqueiros.

*

Vejam este caso doloroso de morte de pedestre sobre a faixa de segurança: “Querido Paulo Sant’Ana, meu nome é Luciana. Hoje de manhã, escutei o teu comentário na Rádio Gaúcha sobre o atropelamento daquela senhora, professora que foi pega por um motoboy. Há quatro anos, eu perdi minha mãe da mesma forma. Ela estava atravessando a rua, na faixa de segurança, e o sinal estava vermelho para os veículos, veio um maluco e a atropelou. Minha mãe já tinha 69 anos e mesmo assim foi a maior tragédia da minha família. Eu ainda não consigo atravessar a rua onde aconteceu o acidente e desvio uma quadra quando tenho que passar pelo local de carro.

Imagino perfeitamente o drama dos familiares dessa professora, a dor que devem estar sentido e a raiva, ódio e vontade de matar esse cidadão, pois é o que a gente sente primeiramente. Eu queria acabar com a vida do animal que matou minha mãe, pois, além de tudo, ele fugiu do local e só foi pego porque, ironia, dois motoqueiros foram atrás dele e fizeram com que ele parasse.

Minha mãe morrendo na rua e o cidadão ficou comendo dentro da sua Kombi e descarregando o gelo que ele carregava, pois era entregador e provavelmente o seu veículo não era habilitado para entregas. A história é muito pior e mais cheia de detalhes que eu não quero ficar te enchendo o saco, eu só queria te dizer que as leis de trânsito neste país são tão nojentas, ridículas, indignantes e não sei mais o que, que o desgraçado acabou sendo condenado a trabalhos comunitários e ficaria sem carteira de motorista por um ano e seis meses, em primeira instância.

Pois bem, a advogada dele recorreu e em segunda instância conseguiram diminuir a pena e só cassaram a carteira dele por três meses. Até o dia em que minha mãe morreu, eu achava que, ao atropelar alguém, nessas circunstâncias, no mínimo a pessoa ficaria por um tempo presa nem que fosse num regime semiaberto, sei lá. Achava que alguma punição as pessoas teriam. Eu não sabia que as leis de trânsito são assim tão ridículas. Nós não conseguimos nem um dolo eventual, mesmo ele tendo passado o sinal fechado, a minha mãe estar na faixa de segurança e termos muitas testemunhas do acidente, que poderia ter sido uma tragédia muito maior, porque tinha várias pessoas atravessando a rua, inclusive o meu pai, que estava acompanhando a minha mãe.

Desculpe eu te contar tudo isso, mas é que me deixa indignada toda essa história e saber que com esse motoboy muito provavelmente também não vai acontecer nada. Beijos. (as.) Luciana Albertoni (lucianaalbertoni@uol.com.br)”.

Comentários (4)

  • Omar Cafrune diz: 7 de maio de 2010

    Caro Santana,

    Não se trata de demonizar os motoqueiros, mas a verdade é que existem muitos deles que não respeitam a própria vida, que dirá a vida dos outros. Eu fico extremamente preocupado, cada vez que paro meu carro antes de uma faixa de segurança, pois o meu ato provoca nos pedestres uma sensação errônea de segurança, fazendo com que, muitas vezes, eles atravessem sem cuidar se os demais motoristas e, especialmente, os motoqueiros irão parar.
    Pior ainda, quando os automóveis param e as motos passam entre eles, aí o acidente é inevitável. É necessária uma fiscalização mais atuante, não apenas multas e sim ações preventivas.

  • Zergui Pfleger diz: 7 de maio de 2010

    Caro Paulo Santana.

    Eu relatei dois fatos ocorridos em nossa família. Há outros, mas são só números em estatísticas. E não é só por aqui, nos pagos gaúchos.

    Em Natal-RN temos um parente que se viu exonerado de suas atividades de preservação de animais marinhos (veterinário), por ficar incapacitado após ser atropelado, junto com a nenê de menos de um ano, na época, por um motoqueiro vindo na contramão e em alta velocidade.

    A menina foi arremessada a vários metros de distância com o impacto. E ele está cheio de pinos pelo corpo. Isso porque confiou na faixa de segurança. O condutor da moto nenhum revés sofreu, nem físico nem penal.

    Em minhas andanças por São Paulo presenciei absurdos inimagináveis.

    Motoqueiros pilotando em alta velocidade, no meio de automóveis, ônibus e caminhões, com a buzina sendo acionada sem cessar, com as duas pernas levantadas para frente, indicando aos motoristas que, se não permitissem sua passagem, teriam seus espelhos retrovisores destroçados.

    Instados a comentarem, os motoristas de táxi diziam que, se por uma infelicidade algum motorista se envolvesse em acidente com algum motoqueiro, de imediato seria cercado por um bando de outros, sujeito a ter seu carro depredado e sofrer agressões físicas.

    Esse é o nosso Brasil, tão propagandeado como um paraíso; ledo engano.

    A legislação é tão maléfica, tendenciosa, irresponsável, que permite interpretações benéficas aos infratores, aos criminosos, aos que não respeitam o convívio social pacífico e harmonioso.

    Já as pessoas de bem, via de regra, são prejudicadas em seus direitos; a lei não as ampara.

    Se alguém duvida, experimente apenas segurar o braço de um menor que acaba de furtar ou assassinar uma pessoa.

    De imediato sofrerá sanções contempladas no ECA, tendo em seu encalço os defensores dos direitos humanos e conselheiros tutelares.

    Por que, afinal, a sociedade brasileira está tão enferma, tão vulnerável?

  • Luiz Inacio diz: 7 de maio de 2010

    O incrìvel é que tem gente que justifica o comportamento dos motoqueiros, porque tem pressa, tem tarefas a cumprir, entregas ràpidas, etc…até aì tudo bem! Pois que se “matem
    sozinhos e deixem os outros viverem”. Sò isso, a vida é deles, mas deixem aos outros o
    direito de caminhar onde lhes é permitido. O direito do pedestre atravessar a rua na
    faixa de segurança é sagrado. Infelizmente esses malucos pensam o contràrio. E inadmissìvel, aceitar sò porque eles tem que trabalhar. Sò eles trabalham? Sò eles tem pressa? A rua é sò deles?

  • nelson L diz: 8 de maio de 2010

    No pais do coitadismo,deixapralaismo,invasismo,impunismo , deixismo e geitismo,patrocinados pelos poderes da republica e crescentes pela omissão da sociedade civil,levaremos decadas para podermos ser considerados um pais sério.E olha que o De gaulle,la nos idos dos anos 50 ja afirmava isso….

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