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O ponto fraco

10 de maio de 2010 2

Um dos fatos que mais me intrigam é que todos se acham feios, ninguém se julga bonito.

O tempo vai passando e as pessoas bonitas vão recebendo elogios, vão caindo no gosto do mercado e acabam se convencendo, não tanto, de que são bonitas.

Mas uma inclinação muito humana é pôr defeitos na sua própria aparência.

Conheço, por exemplo, pessoas que são bonitas por serem magras e detestam a sua magreza, julgando-se feias.

Enquanto que, se forem atingir o aspecto que pretendem, fatalmente serão consideradas feias.

*

Outro dia, topei com uma senhorita com um dos mais lindos narizes que já vi. E ela me disse que não dorme à noite por ter nariz tão grande, não sabe o que vai fazer, tem medo da cirurgia plástica mas vive escondendo o seu nariz da exposição pública.

Expliquei a ela que desse aos outros o direito de julgar o seu nariz e que a opinião alheia sobre ele era a melhor possível.

Ela me respondeu: “Eu sou a dona do meu nariz, portanto é soberana a minha opinião sobre ele. Todos vêm me dizer que meu nariz é bonito para consolar-me, na verdade sei que meu nariz é feio. Além disso, seja ele feio ou bonito, a única opinião que interessa sobre isso é a minha. E eu decididamente não gosto de meu nariz”.

*

É muito difícil uma pessoa conviver com o que parece ser um defeito físico que tem.

Há mulheres que detestam as pernas grossas que têm e já há outras que não toleram suas pernas finas.

Há outras que se consideram magras demais, gostariam de ser “cheinhas”, mas as que são “cheinhas” se autodetestam, queriam engordar um pouquinho mais.

E assim caminha a humanidade, ninguém se julgando satisfeito com os dons da natureza.

*

O problema reside também em que o corpo humano é dotado de inúmeros equipamentos: as orelhas, os lábios, os dentes, os dedos das mãos e dos pés, a cintura, os cabelos, o nariz, a testa, os seios, as sobrancelhas, os cílios, a barriga, as pernas, as mãos, os pés etc.

Para a pessoa vaidosa, uma só dessas equipagens que não considere esteticamente aceitável serve para infernizá-la.

Elas não sabem que as outras a enxergam como um conjunto, fixa seu pensamento naquele defeito e imaginam que todos estão olhando para ali, quando na verdade para as outras pessoas aquele é apenas um detalhe, desimportante, não decisivo.

Mas a dona do equipamento esteticamente discutível não pensa assim, acha que está vetada para a vida por causa daquela imperfeição.

*

É tudo uma questão de autocrítica. Há homens que adoram na mulher os seios grandes: e há milhares de mulheres que correm para as clínicas de cirurgia plástica em busca de diminuírem seus seios.

O gosto estético é tão variado, que há homens que adoram mulheres dentuças, que têm os dentes da frente pronunciados. Mas a uma mulher dentuça isso soa como uma depressão.

Não adianta a gente dizer a essas pessoas que vão procurar a sua turma, isto é, aproximar-se de homens que gostam de seios grandes, de dentinhos de castor.

Elas teimam em julgar-se infelizes por não serem do tipo de gosto clássico e universal.

E, cá para nós: seria muito difícil, quase impossível, que a natureza pudesse dotar uma pessoa de todos os equipamentos formosos.

Em algum ponto, a natureza iria falhar.

Só que em contrapartida a natureza criou milhares de outras pessoas que não enxergam os defeitos acusados pelos que não se julgam bonitos.

Tudo isso se baseia na pessoa encasquetar que é feia. A Gisele Bündchen, por exemplo, vai ver que há alguma parte do corpo dela que ela detesta.

Pode?

Comentários (2)

  • Lucas Castro diz: 10 de maio de 2010

    Nooossa! Fantástico! Fazia tempo que alguém, fora o Nelson Gonçalves, conseguisse retratar com tamanha genialidade a personalidade feminina. Mas que no caso também pode valer para homens, que de uns tempos pra cá, tem se tornado um problema de saúde. Cotinue respeitando as palavras. Abraço! Lucas Castro – 20 anos

  • Sergio diz: 10 de maio de 2010

    Bem…falando em “defeitos”…acho que o “cheinhas” do 11º paragrafo está em duplicidade, mas de qualquer forma o entendimento é claro.

    Abraço!

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