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O drama da saúde dos sem-voz

26 de maio de 2010 10

Eu não descanso enquanto não se solucionar o problema da saúde pública entre nós.

Os governantes têm de se render à ideia de que é o nosso maior e mais dramático problema.

E a grande multidão de pessoas que apodrecem nas filas não tem voz. Por isso é que de alguma forma quero emprestar proveito social ao espaço que disponho em Zero Hora.

Para se ter uma ideia do que o povo sofre com o abandono a que foi relegado em saúde, leiam o relato de dois leitores.

Primeiro, o do médico sanitarista e ex-secretário da Saúde de Porto Alegre Lúcio Barcelos:

***

“Prezado Sant’Ana, meus parabéns pela tua coluna de hoje. Estou de pleno acordo com a caracterização de ‘vergonhosa’ que dás para as ‘filas’ das cirurgias eletivas. É patético, mas um cidadão, para conseguir uma simples cirurgia de varizes, que deveria ser para o dia seguinte, fica numa ‘fila’ de espera de dois, três ou até quatro anos. O que dizer de uma cirurgia de alta complexidade, de um exame laboratorial mais complexo, ou das filas reais, do cotidiano das pessoas que se amontoam na frente das unidades de saúde em plena madrugada para conseguir uma simples consulta com um clínico geral. Não é preciso dizer que são pessoas pobres, em geral idosas ou mulheres com crianças de colo. É um desrespeito absoluto com os direitos mais elementares de qualquer cidadão.

Agora, se me permites complementar teu raciocínio, acho que devemos nos perguntar por que existe essa escassez de profissionais, equipamentos e leitos. Certamente não é por falta de recursos financeiros: juntos, a União, os governos estaduais e municipais, nos primeiros quatro meses e 24 dias deste ano da graça de 2010, já arrecadaram a fabulosa quantia de R$ 472 bilhões em impostos. É isso mesmo! R$ 472 bilhões em impostos pagos pela população que trabalha. E vem me dizer que não pode resolver o problema das filas reais ou virtuais da saúde pública?”.

***

“Caro Sant’Ana. Finalmente alguém fala pelo povo. A fila do SUS só é sentida pelo pobre. Sou médico psiquiatra e trabalho em Alvorada, quis escrever porque não é apenas para a cirurgia que há filas. Vou usar um pequeno exemplo: uma pessoa com dor de cabeça que quer consultar pelo SUS, primeiro, para conseguir uma simples consulta com um clínico geral, e não apenas com a enfermeira, que muitas vezes é a única a ver o paciente, ele terá que chegar ao posto às 5h da manhã para tentar ser atendido no mesmo dia, e a consulta não será antes das 14h. Se o sujeito precisar de um neurologista porque sua dor de cabeça preocupou o médico clínico (ou seja, pode ser um caso grave), ele esperará mais de um ano pela consulta. E se o neurologista (um ano depois) quiser uma tomografia para ver como está a cabeça do sujeito, ele esperará mais um ano. Ou seja, o que é realizado em um mês no máximo em um país de Primeiro Mundo (clínico geral, especialista, exames), no Brasil o cidadão (pobre) terá que esperar dois anos no mínimo. Este é apenas um exemplo para te mostrar que a cirurgia eletiva é apenas uma parte da situação triste em que se encontra a saúde do brasileiro que não tem convênio. Fico estupefato quando vejo o Brasil emprestando milhões à Grécia e nosso presidente dizendo que nosso país já é rico o suficiente para dar. É bom que todos saibam como anda a saúde do Brasil antes que cheguem as eleições. Parabéns! (as.) Dr. Leonardo Broilo CRM 22746”.

* Texto publicado hoje na página 55 de Zero Hora

Comentários (10)

  • claudinei diz: 26 de maio de 2010

    Voces acham realmente que alguem (politico) vai se importar se tem fila ou nao? Nossas geraçoes passarao sem que isso um dia seja resolvido.
    Politico quer saber de resolver causas em que ele seja beneficiado o povo (pobre) que se dane.

  • BIBIANO ACOSTA DA SILVA diz: 26 de maio de 2010

    Prezado Paulo Sant’ana, primeiramente meus parabéns pela sua história na imprensa gaúcha durante todas estas décadas, você é um exemplo de ser humano e profissional. Com relação ao descaso com a saúde pública no Brasil, isso é uma VERGONHA NACIONAL, um problema crônico que se arrasta ano após ano, governo após governo. A quem interessa este caos na saúde pública? Talvez às empresas privadas que ganham milhões com os Planos de Saúde, dentre outros beneficiários, por incrível que pareça. Mas o que causa mais revolta é que todos os anos bilhões vão pelo ralo em obras públicas não acabadas ou pelo próprio desvio do dinheiro público, nas três esferas de governo. Agora quando o assunto é política externa, o Brasil faz pose de país “rico”, enquanto inúmeros brasileiros morrem nas filas do SUS, ou morrem mesmo de fome ou por falta de saneamento básico neste rincões pelo Brasil afora. Continue nesta luta caro Paulo Sant’ana, pois você é um ícone nesta injusta e ímpia guerra pela melhora da saúde pública de toda população carente no Brasil.

  • Luiz Meireles diz: 26 de maio de 2010

    A grande populacao nao tem espaco para reclamar, excetuando espaco aberto por algum jornalista, como fazes agora, Sant’Ana. So assim e possivel escancarar essa triste e vergonhosa realidade. Que teu exemplo inspire mais pessoas influentes na busca de solucao definitiva para o nosso maior problema. Somente com a participacao da sociedade isso sera conseguido. A partir de um planejamento, poderao ser construidos hospitais regionais e postos de saude, talvez em regime de mutirao, exigindo-se do poder publico o instrumental e recursos humanos. Somente com a iniciativa da comunidade conseguiremos ter uma assistencia medica de primeiro mundo.

  • Rodrigues diz: 26 de maio de 2010

    Carissimo: Paulo Santana;
    È um absurdo o descaso para com a saúde publica neste pais…Enquanto imperar a desinformação e a ignorância em nosso país, irão continuar proliferando igrejas vendendo, aos fiéis, “cadeiras no céu” em troca do dízimo; irão continuar existindo políticos corruptos, surrupiando o dinheiro dos contribuintes; irá continuar a se espalhar o ódio, a violência e, consequentemente, a falta de segurança, tudo em função de estarmos inseridos numa sociedade de desiguais, onde convivem, lado a lado, bilionários e miseráveis.

  • Carlos Santos diz: 26 de maio de 2010

    Vejam só, justamente serão reeleitos pelos mais necessitados de atendimento á saúde, os mesmos ou seus companheiros que não lhes dão a assitência que a Constituíção prevê.
    São essas mesmas pessoas que dão quase 80% de aprovação ao governo; vá entender?
    Essas pessoas foram mantidas propositalmente na ignorância, sem capacidade nenhuma de análise.
    Essas pessoas passaram da classe D de CONSUMO para a classe C de CONSUMO.
    Isso foi manipulado; baixaram temporariamente impostos de alguns produtos e facilitaram o crédito; com isso subiram de classe de CONSUMO.
    O governo agora classificou o povo em A, B, C, D, e E pelo critério de classificação econômica da Associaço Brasileira de Empresas de Pesquisas que visa unicamente subsídios para a publicidade dirigida; visa unicamente o poder de consumo, nada mais.
    O governo desprezou totalmente os índices sociais e humanos do IBGE, da ONU com o seu confiável IDH no qual o Brasil está no lugar 75 no mundo, apesar da economia estar entre os de um digito.

  • VALERIO GARCIA diz: 26 de maio de 2010

    CARO SANT’ANA, BOM DIA.
    A INDIGNAÇÃO DO DESCALABRO DA SAÚDE PÚBLICA É UM ASSUNTO REQUENTADO “AD NAUSEAM”. ESPECIALISTAS TRAZEM CASOS ANEDÓTICOS DRAMÁTICOS. OUTROS DOUTRINAM EM TERMOS DE GESTÃO, CORRETAMENTE. TODAVIA, ENTENDO QUE AS ORIGENS DA TRAGÉDIA BRASILEIRA JÁ ESTÃO PLASMADAS NA POESIA TRÁGICA DOS VATES DA COLONIZAÇÃO. COMO MUDAR ISSO? O PROBLEMA SENDO POLÍTICO PASSA PELOS POLÍTICOS. QUEM SABE UMA LEI IMPOSITIVA QUE EXIJA O TRATAMENTO DE MILITARES EM HOSPITAIS MILITARES E DOS SERVIDORES ELEITOS POR VOTO POPULAR EM HOSPITAIS PUBLICOS, COM VERBAS PÚBLICAS. SÓ O DEBATE E SÓ A PROPOSTA JÁ MOTIVARIAM GESTORES DE RELEVANTE COMPETENCIA A GESTIONAR EM CAUSA PRÓPRIA.COM EDICÁCIA E E EFICIÊNCIA. ESTA A MELHOR MANEIRA DE FAZER UM PROJETO DE LEI PROSPERAR EM NOSSO PAIS.
    ABRAÇOS.
    VALÉRIO CELSO MADRUGA DE GARCIA
    MÉDICO

  • Janete diz: 26 de maio de 2010

    Amigo Santana, estou com voce nesta luta.
    Meu protesto será nas URNAS.
    Vou mina os votos de amigos, colegas, clientes, fazendo ver crise na saúde.
    É um protesto silencioso, com efeito prático.Boca a boca.
    Como disse antes, és VOZ DO POVO.
    Santana, SUS que deveria salvar vidas, se tornou uma ameaça grave.Doente termina morrendo dentro e fora dos hospitais.
    Cada segundo SUS, recebe $ 10,00, por mes são milhões, repassa para Hospitais, Clinicas e laboratórios $ 5,00 ou seja 1/3 do valor, no que prejudica o atendimento. Falta de gerenciamento, controle, é atestado de incompetência de Ministro que usam do cargo so para aparecer sem nenhum compromisso social. E os Estados seguem mesma cartilha, se acomodam.Falta gestão.

  • Raquel soares diz: 26 de maio de 2010

    caro amigo! acho que n pode parar de falar esta triste realidade do nosso povo, n pare de falar….. o lula nem parece que precisou os hospitais…. porque o descazo do povo e demais.nossa o que que custa dar o melhor um pouco de dignidade ao povo doente!, sabe sou de Pelotas tenho o Ipe que nem parece o decazo e tanto que 24h ao pediatria n tem….. tenho medo de ir o unico pronto socorro, mas e o que tenho , porque aqui n tem pediatria PRECISAMOS URGENTE!os medicos particular n queren nada c nada, so a criança p ver e ganhar;;;;mas a emergencia n querem trabalhar nos mães passamos HORRORES c as crianças. porfavor! publique esta vergonha , que agora so queren a fena DOce , jogo do Brasil e nada p povo que esta la no chão, do hospital b e abraços RAQUEl soares

  • elio miguel diz: 26 de maio de 2010

    Não é necessário ser doutor em economia para saber que, quando há necessidade de um setor importante, corta-se gastos do menos importante. O Presidente Lula, que um dia criticou a criação do CPMF, agora diz que a crise da saúde se deve a extinção daquele imposto. Ora, essa preocupação estonteante com os problemas fora do país, dinheiro mandado para o exterior em detrimento dos problemas nacionais, será que não minimizariam os problemas da saúde se aqui fossem aplicados? Acho que tudo não passa de gerenciamento dos gastos públicos, pois dinheiro tem. Não há dúvida de que o desleixo com a verba pública, o interesse de mostrar presença em gabinetes alienígenas, o descaso com as necessidades internas são fatores que precisam ser revistos. Já houve época em que a saúde no Brasil não foi tão ruim assim. Acorde, minha gente.

  • ELIO FARINON diz: 27 de maio de 2010

    A saúde pública no Brasil é um descalabro como todos sabem.
    O surpreendente é ver os planos de saúde cada dia mais ricos e poderosos.
    As operadoras de planos de saúde destão patrocinando TUDO, pricipalmente TIMES DE FUTEBOL.
    Elas deveria cuidar melhor de seus associados e pagantes, talvez até o valor escorchante que eles cobram dos usuários para ter direito ao plano!

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