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Crianças torturadas

28 de maio de 2010 6

Acordei ontem sobressaltado por três notícias que esperaram eu sair da letargia para sobressaltarem o meu espírito.

As três notícias, além disso, estragaram o meu dia, recém no seu início.

A primeira dizia que um menino tinha sido atropelado defronte à sua escola pelo mesmo ônibus que o deixara naquele instante no colégio.

A segunda dizia que outro menino tinha tido o rosto incendiado por álcool em chamas. O churrasqueiro acusado do crime alegou acidente: estava lançando álcool para iniciar o fogo do churrasco e uma lufada de vento jogou o líquido em chamas sobre o rosto do menino.

Mas o menino disse que o churrasqueiro fez aquilo de propósito.

O menino restou com o rosto desfigurado.

*

Não bastava isso e vinha logo em seguida o exocet fatal para o meu equilíbrio emocional, o Macedo ia lendo a notícia na rádio e eu do outro lado da linha desabava: um homem, pai ou padrasto, havia dado duas facadas no seu filho ou enteado. Depois disso, o homem tentou se suicidar com a faca, sem sucesso. E o bebê tinha sido internado em estado gravíssimo num hospital

Tudo isso aqui entre nós, no nosso meio gaúcho.

*

Ando, sinceramente, apalermado com a onda de violência que se desfere contra as crianças.

Para mal dos pecados, aquela procuradora que foi adotar uma menina de dois anos, com a única finalidade de torturar diariamente a criança, encheu todas as medidas.

Ela está presa porque foi suficientemente provado que submetia, todos os dias e todas as horas, a menina de dois anos à sua extrema truculência: o rosto da menina apresentava olhos crivados de hematomas, quase não podia fechá-los, sabe-se lá que tipo sofisticado de tortura a procuradora, que queria ser mãe adotiva da criança, aplicava na menina.]

*

Uma procuradora, uma mulher que já tinha sido promotora, cometer essa selvageria! Como pode a violência se tornar assim tão injustificável, tão intraduzível?

O desesperante nesta crônica de violências e torturas que assaltam nosso meio é que os praticantes dessa barbárie são pessoas comuns e até respeitáveis, que de repente dão vazão ao gene de destruição que compõe as suas mentes e desatam em crueldades inenarráveis.

Ou são pessoas que convivem conosco, na nossa cidade, na nossa rua, na nossa casa e num repente se mostram como monstros repelentes de violência inexplicável.

*

E vêm aumentando os atos de violência contra as crianças. Cresceram em 11% no período de abril de 2009 até o mês passado.

E isto são só as agressões contra crianças que se noticiam. Porque a maioria delas não chega ao conhecimento da imprensa, fica escondida, oculta no meio familiar, o que aprofunda ainda mais o desastre: as crianças indefesas permanecem anos inteiros à mercê de seus carrascos.

*

A mãe do bebê de três meses de idade que foi esfaqueado pelo seu padrasto chegou em casa a tempo de ver a barbárie: “Quando vi, ele estava enterrando a faca na barriga da minha filha”.

Mas o que é isto? Chego à conclusão de que o hospício é mesmo o quartel-general dos loucos, as outras unidades estão espalhadas entre nós.

De ciúme de sua mulher, não a matou. Mas esfaqueou duas vezes a filha dela, por vingança.

Por que não se matou só a si próprio esse infeliz?

Quando é que vão parar as violências contra as crianças e os animais?

Nunca. Porque a loucura não cessa nunca.

É muito mais que ser patife e canalha esfaquear um bebê de três meses.

Comentários (6)

  • Rodrigo diz: 28 de maio de 2010

    Oi Paulo. Eu não sei você, mas eu sinto uma dor lacinante quando ouço ou vejo estas notícias. Talvez porque tenho dois filhos menores que três anos e não imagino como que algum ser humano poderia fazer mal a seres tão indefesos. A pena de morte nestes casos é uma saída branda para uma mente enlouquecida. Tampouco hospitais resolveriam (a não ser que você conheça algum caso que tenha resolvido). Toda pena e toda justiça passa pelo tempo que estes agressores deveriam passar longe da sociedade. Uma eternidade de reflexão sobre os crimes, que deveria ser lembrada a todo instante, sem possibilidade de esquecimento. As vítima não podem ser esquecidas e por isso não seria tortura psicológica. Neste momento eu imagino os direitos humanos, mas nestes casos, com exceção das vítimas, existem seres humanos?

    Abraço Paulo. Acho que ficou um pouco preto no branco, mas não consegui identificar os contrastes para tal comportamento.

  • A. César Veiga diz: 28 de maio de 2010

    Inicialmente pensei que o alarmismo estava chegando…
    Sabem que o ser humano necessita de notícias ruins para se sentir melhor…
    São coisas nossas!

    Mas apressadamente descartei essa opção…
    Pelo menos de início…

    O fato era mais do que concreto…
    Aquilo está ocorrendo!

    Notícias estas que já estão com destino definido…
    No ônibus, na fila do banco, no recreio da escola, na mesa à hora do almoço…
    E em outros lugares mais sui generis certamente.

    Mas qual será o real motivo para que estas coisas estejam ocorrendo?

    O que a vida quer dizer-nos com estas demonstrações bizarras?

    Por quê estas pessoas são escolhidas e destinadas a executar estes atos?

    Certamente isto é uma faceta do ser humano…
    Roubos, estupros, abusos com crianças, mortes…
    Quanta coisa ruim para assistirmos.

    Mas somos uma platéia honesta e fiel para com estes acontecimentos!

    Ontem na fila do açougue…
    No supermercado do bairro…
    Um casal de idosos (excedendo aos 70 anos)…
    Após um olhar maroto de ambos…
    Beijaram-se demoradamente na boca.

    Olhem que coisa extraordinária!

    Abraços.

  • Marcos diz: 28 de maio de 2010

    Ora, Paulo, o que você quer? A violência está quase 24 horas por dia na mídia! É nos cinemas, jornais, revistas, etc, etc, e, principalmente, na televisão. É tanta violência, mas tanta, que é natural que vá desembocar na sociedade, ou seja, vá despertar em muitas pessoas a violência encubadas nelas. A libertinagem de expressão é a pior das violências, pois fomenta as barbáries de nossa sociedade.

  • Bibiano diz: 28 de maio de 2010

    Não são apenas crianças torturadas todos os dias, são vidas desvirtuadas pelo resto da vida, traumatizadas pela COVARDIA de adultos que na maioria das vezes descontam suas frustrações sobre pobres seres inocentes. Eu tenho três filhos pequenos e não consigo imaginar como uma pessoa tem coragem de torturar, atear fogo no rosto, ou jogar pela janela o próprio filho. Esse é o mundo em que vivemos, INFELIZMENTE, onde a vida humana é relevada a segundo plano. O que merecem estas pessoas, Pena de morte? Prisão Perpétua? Não sei, só sei que deveria ter uma legislação específica para crimes praticados POR MONSTROS contra crianças, estas sim seres humanos de verdade, com sua pureza, bondade nata, cheias de esperança de um futuro brilhante, mas que têm suas vidas ceifadas por seres que não mercem a qualificação de humanos, ou se são humanos são INSANOS, que devem ir para o local propício para eles: o Hospício. O dia das crianças não é só o 12 de outubro, TODOS os dias elas precisam ser protegidas. As pessoas tem que DENUNCIAR quaisquer MAUS TRATOS contra crianças.

  • Francisco Alves diz: 28 de maio de 2010

    Paulo

    Ligo a TV e me emociono com as imagens e entrevistas com pessoas simples. Uma cadela cujos filhores morreram quando ela dera cria,andava chorosa, carente a procurava os filhos como louca. Dois dias depois a gata de uma vizinha morreu ao dar a luz a quatro filhotes. Os gatinos foram levados à cadela que os assumiu. Amamenta, lambe e cuida como se fosse seus os filhotes.
    Menos de 24 horas depois, uma outra reportagem. Desta vez revoltante. Um pai apunhala e mata seu indefeso bebê de três meses.
    E aí, Paulo. O que dizer????

  • Carlos Santos diz: 30 de maio de 2010

    Tem gente demais no planeta.
    O resultado está aí.
    Para o governo, todos só servem como eleitores e como contribuíntes.
    Não perceberam ainda?

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