Não me sai da cabeça o relato do jovem que tirou a fotografia do velocímetro de seu carro, em plena freeway, marcando 195 km/h, e jactava-se perante seus amigos dessa façanha.
Uma semana depois, sexta-feira, esse jovem morreu estraçalhado por um choque na direção do seu carro.
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A autoestima hipertrofiada, ou seja, a megalomania, está sempre por trás dos desvios do comportamento humano.
Esse jovem que mostrava a todos a velocidade desumana que conseguiu atingir na freeway esperava encontrar nos outros a admiração originada em sua jactância.
Ele se considerava, ao trafegar a 195 km/h, um deus, um avatar, um ser acima dos outros todos, um batedor de recordes transgressivos que o colocavam também acima da lei e de qualquer preceito ou regramento de bom senso.
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A megalomania, que, repito, preside grande parte dos transtornos psíquicos, consiste no extremo prazer em sentir-se superior aos outros.
Para esse jovem, a freeway foi construída para ele exercitar essa superioridade exibicionista.
Mas o interessante é que não bastava para ele a consciência de que era superior aos outros: ele tinha que obter dos outros a confissão da superioridade dele.
É inseparável da megalomania o reconhecimento alheio: “Todos precisam saber que eu sou o maior, o imbatível, o inigualável”.
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“Venham agora todos vocês, sentem no banco da frente do meu carro e no banco de trás e vejam do que sou capaz no volante. Convido-os para a febricitante aventura de mim no volante, não há quem se equipare a mim nas ruas, nas avenidas, nas estradas, nem sei como eu mesmo, com tão poucos anos de direção, consigo ser tão hábil e tão rápido nas minhas manobras e impulsos.”
E convida a todos, em horas e dias diferentes, a entrar no seu carro e ver como os outros motoristas do trânsito não passam de babacas coadjuvantes de sua louca aventura.
Pior é que alguns que embarcam em seu carro vão também de encontro à morte.
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O megalômano do trânsito é tão megalômano, que ele nem pensa na morte.
Ele acha que é tão eficiente na sua ousadia do volante que se torna capaz de evitar todo e qualquer acidente.
O megalomaníaco do trânsito entende que ele dominou em definitivo a matéria e só podem morrer no trânsito as pessoas que não têm a sua versatilidade malabarista no volante.
Mas não basta para ele saber que é exímio no volante: é preciso, antes de tudo, que todos reconheçam que ele é um ás incomparável no volante.
Só depois ele vai dormir tranquilo, sem lhe passar nem de leve pela mente que pode a qualquer momento morrer em um acidente.
E, na semana seguinte, numa manobra arriscadíssima, ele perde a vida no trânsito, como aconteceu sexta-feira com o jovem da fotografia do velocímetro.
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Um dia, os megalomaníacos do trânsito escapam com vida de suas loucuras. No outro dia, escapam também.
Quanto mais escapam, mais ousados se tornam no trânsito.
Mas qualquer criança sabe que um dia não escaparão.
Em breve.
E se um só desses megalômanos do trânsito estiver me lendo e com isso o meu texto vier a salvar a sua vida, um só, já me basta.



CARO SANTANA.
COM PESAR LEIO A SUA COLUNA.
MAS ISTO É CULPA DA SOCIEDADE " COMPETITIVA", ONDE OS PAIS DÃO COISAS INCLUSIVE VEICULOS), MENOS EDUCAÇÃO E CONVIVENCIA.
LAMENTO DIZER ISSO. AINDA BEM QUE NÃO FOI EM MIM QUE ELE BATEU.
A velocidade fascina o ser humano, a ponto de correr simplesmente pelo prazer de correr, mesmo que não tenha nenhum objetivo a ser atingido.
Desde q morra sozinho...pode se achar a vontade ...o ruim eh quando afeta quem nao eh louco....
Sant'Ana, esse fato realmente é terrível, mas em proporções diferentes nossos "motoristas" fazem exatamente as mesmas coisas. Vivemos numa inversão de valores muito grande, onde para ser "bom" é preciso ser "mau", as pessoas não respeitam praticamente as leis de trânsito nem as leis da física, o cidadão que joga lixo pela janela é o mesmo que estaciona em vaga para deficientes e idosos, que fura fila no banco...etc.. a famosa lei de "Gérson" nunca acabou, está presente no nosso dia a dia.
Abraço.
EU NÃO SOU LOUCO,LOUCO É QUEM ME DIZ !!!
Caro Santana, parabéns! A abordagem e o texto estão impecáveis.
Santanna, por isso defendo todo tipo de fiscalização no trânsito, para pouparem vidas de pessoas que muitas vezes estao obedecdendo as leis. Já fui autuado algumas vezes, custou caro mas mais barato do que ter me acidentado ou acidentado alguém. Prefiro levar um puxão de orelhas do que ter de ficar numa cama de hospital. Já fui responsável por acidente de danos físicos leves, uma motoqeira, e serviu de lição. Torço para que os engenheiros de trânsito sejam mais valorizados quando realizam um estudo que melhora o trânsito mas que vai contra certos interesses de pessoas que pensam apenas no "eu". Abraços gremistas.
caro amigo santana.
a sociedade quase que em geral esta adormecida e preciza despertar comesando pela educação.
ocorre que educar e dificil exige a diciplona. sito por exemplo o sinal da mão para os pedestres não foi aplicada a educação eos pedestres sem a infomação querem diciplinar os motoristas. multas!!! eu ja vi agentes e obs que nesta ocasião era um soldado da BM ha não mais de 15mts do veiculo parado sinal alerta ligado,MOTORISTA estava na direção do veiculo em serviço, o transito não estava sendo prejudicado,mas o soldado não se deu o trabalho de fazer a abordagem aquele motorista, e multou aquele veiculo este motorista sera surpreendido quando chegar aquela multa eos pontos em CNH sertamente ira questionar mas a onde é que eu errei. a educação deve gerar a diciplina ...
Paulo Santana. Eu concordo com o teu texto mas, eu queria enteder uma coisa.
Porque na Europa algumas estradas sao permitidas velocidades como 300km/h?
E isso é serio, existe mesmo.
E pouca gente se mata.
Eu ate sei a resposta.
Eu sei que isso é impossivel no Brasil. O problema é o motorista nao respeitar.
Eu moro na Nova Zelandia e me apavoro de como obedecem
50km/h num lugar que no Brasil seria 80km/h. E NINGUEM PASSA DOS 50KM/H.
Eu nao entendo isso.
O pior de tudo de ler na matéria de sábado sobre os acidentes, foram as respostas do tio do rapaz sobre as causas do acidente. Tu deves lembrar que ele culpa a ganancia do governo pela arrecadação de impostos é que matou seu sobrinho....
Por Favor, uma família que dá um Ford Fusion para uma criança se matar e culpa os impostos pela irresponsabilidade no transito pode esperar que outras fatlidades virão...
é uma pena...
abraços.
Excelente comentário Santana.
É um caso crítico...
Parabéns pelo texto. Sabias palavras. Vejo muitos aqui criticando os pais dos jovens que correm em demasia, ocorre que muitas vezes estes não sabem do problema, nem tem como descobrir, tendo em vista alguns filhos terem uma grande capacidade de ludibriar a realidade que é passada para os pais, quase em um caso de dupla personalidade. Acredito que as pessoas que sofrem da megalomania no trânsito necessitem de tratamento psicológico urgente. O problema é quando este não chega a tempo e temos acidentes antes. Falo por experiência própria, graças a Deus estou conseguindo melhorar minha conduta no trânsito, e este texto me ajudou. Obrigado.
Acho que deveriam ser colocados pardais de 110 km/ h em pontos diversos e sem placas de aviso nas mais diversas rodovias brasileiras. As milhões de pessoas que fossem multadas dariam muito dinheiro ao governo, e não poderiam reclamar, afinal falar o quê, se estavam a mais de 110 km/h? Mas o melhor de tudo é que em algum tempo ninguém passaria de 110 km/h por não saber onde estão os pardais e com certeza os acidentes diminuiriam em mais de 90% nesse país. Seria melhor para todo mundo.
Caro Sant’Ana
O número de mortes no trânsito são um verdadeiro absurdo, mas completamente previsível pela forma com que os motoristas dirigem nas estradas, principalmente no momento de ultrapassar, é inacreditável, mas uma quantidade significativa dos condutores não têm um mínimo de preparo psicológico, pois não são capazes de esperar um momento seguro para ultrapassar, preferem arriscar a própria vida e a dos outros, numa verdadeira roleta russa.
Neste domingo à tarde viajava pela BR-290 e o que mais presenciei foram ultrapassagens forçadas, algumas não foram fatais por detalhes.
No caso do acidente em Rio Pardo, que vitimou a Sra. Lúcia Maria Bresciani Lopes, não vi o fato ocorrer, mas estava muito próximo e me recordo que o Clio, envolvido na tragédia, há pouco tempo havia me chamado a atenção pela forma totalmente irresponsável e imprudente com a qual fazia as ultrapassagens, não respeitando os locais onde estas eram proibidas e parecendo não se importar muito se haviam veículos no sentido contrário.
Alguns minutos após esse Clio ultrapassar perigosamente por mim, o trânsito parou, logo notei que algo grave havia acontecido, mas não conseguia ver o que era, pois estava num aclive e não enxergava o que havia após.
Alguns minutos depois, quando pudemos seguir adiante, vi que o Clio havia se envolvido no acidente e a terrível imagem de uma pessoa morta na rodovia.
Conforme li em notícias na internet, ele colidiu contra a traseira do automóvel onde viajava a vítima fatal, fazendo com que este capotasse, deixado ainda o saldo trágico de uma criança ferida gravemente.
É muito triste, mas parece que as mortes, que têm se amontoando no trânsito, não sensibiliza os condutores imprudentes, mesmo assim apelo àqueles que têm um mínimo de consciência que reflitam e mudem sua forma de dirigir.
Outro aspecto, que insisto é quanto à utilização do cinto de segurança, também, para quem viaja no banco de trás, principalmente crianças.
Um fraterno abraço.
Infelizmente é triste ler um texto desses sobre alguém que conhecia tão bem, o guri em questão era um amigo especial, muito querido.
Concordo que grande parte dos acidentes aconteçam por essas razões que tu citaste, mas por conhecer o Andrigo, sei que ele não era esse Megalômano que tu descreveu.
Comecei a repensar algumas formas minhas de agir, pensar e julgar.... Sempre que lemos alguma notícia de um jovem que morre no trânsito, de cara a primeira coisa q nos vem a cabeça é : tava bebado, drogado, tirando racha, achando q nunca iria acontecer com ele, poderia matar mais inocentes... pobre família.
Exatamente: pobre família... mas nem todos são bebados, drogados ou estavam tirando racha, acidentes acontecem.... afinal o nome ja diz ACIDENTE. É fácil julgar quando ñ se sofre com a perda, é fácil condenar quando não se sabe os motivos.... "ainda bem que ñ matou ngm mais" é o que mais se diz.... mas peraí, matou ele. Não tiro culpas, nem as ponho em ngm. Erros e imprudências são cometidas diariamente, e atire a primeira pedra quem respeita o limite de velocidade, quem dps de beber numa festa NÃO DIRIGE SEU PRÓPRIO CARRO.
Eu mesma, cansei de voltar pela BR dps da balada, com amiga desmaiada no carro, segurando os olhos pra ñ dormir.... isso me torna um MEGALÔMANO DO TRÂNSITO???
Me torna uma irresponsável sim, mas acidentes assim servem para repensar nas atitudes, ponderar até que ponto vale a pena o risco. Quem aos vinte e poucos anos, tem a responsabilidade dos próprios pais???? isso NÃO EXISTE, e justamente por isso que o JOVEM é quem mais morre no transito...
Quem o conhecia ,sabe que ele NÃO ERA ESSA CRÍTICA ESCRITA, sabe o guri incrivel que ele era, o guri amoroso, trabalhador, batalhador, sonhador , que cresceu cheio de dificuldade mas com uma mãe que o amava acima de td, ele era a vida dela, e se tornou ao longo dos anos o amigão do pai, era um baita amigão de tds. A paixao por velocidade tirou sua vida, morreu por um erro dele.
Portanto, antes de julgar alguém que se envolveu em alguma tragédia, parem pra pensar que existe uma vida querida pra alguém envolvida. Não julguem como a pessoa era, pelo ERRO QUE ELA COMETEU.
A vida é uma só, não deixem pra dizer o quanto vcs gostam ou não de alguém dps, pq o dps pode ñ existir mais.... prestem atenção e tomem cuidado, SOFRE MAIS QUEM FICA.
NÃO ESTOU EM MOMENTO ALGUM TIRANDO TUA RAZÃO SOBRE PESSOAS QUE SÃO VIDRADAS POR VELOCIDADE, É SIM UMA IRRESPONSABILIDADE....
mas como leitora posso tirar a minha conclusão sobre a tua crítica, e não concordo com o perfil q tu traçou sobre o acidentado em questão, tu não o conhecia para julga lo como o fez.
Fale dos acidentes, das causas, dos perigos, mas não fale do ser humano envolvido, tu corre o risco de cometer injustiças...
Infelizmente perdemos ele aqui... mas isso serviu pra fazer com que nós, com vinte e poucos anos, abra os olhos enquanto ha tempo....
Abraço.
Amigo santana o bafometro precisa estar presente nas blitz raelisadas pela BM/PRF nas ruas das cidade e nas estradas,agora e importante solientar que as veses os motoristas não estão sobre o efeito do teor alcolico, mas são dependentes quimicos o que certamente deve alterar todo o sistema psicologico do motorista com perigo de danos nas mesmas dimenções do teor alcolico.BLITZ... sugestão a presença de um proficional da saude para avaliação se ha condições do motorista continuar seu percurso.
att.adriano
Gostei do contraponto de Patrícia, devemos olhar o lado dos que ficam com o sofrimento da perda. E quando os responsáveis pelo trânsito acenam com rigor na fiscalização, logo são chamados de exploradores, ué, só é multado quem quer, isso não é imposto. Mas a imprensa chama de arrecadadores de multa, claro arrecadar com erro dos infratores e aplicar em melhorias em todo o setor, como sinalização, planejamento, levantamento de dados. Vamos olhar para frente e tentar continuar melhorando o trânsito, com mais investimento, mais fiscalização e mais pessoal.Vamos salvar vidas nem que doa no próprio bolso, afinal para quem pode ter um carro deve ter condições de mantê-lo e pagar pelos erros. Senão vende o carro e anda de coletivo,caramba. Chega de acomodação, vamos cumprir as leis. Abraço.