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700 mortos no RS!

17 de junho de 2010 11

Uma professora foi assaltada dentro da sala de aula, na Escola Ernesto Tocchetto, no Jardim Floresta, aqui em Porto Alegre.

O companheiro Humberto Trezzi, aqui de ZH, diz que nunca viu nada igual no mundo, uma professora sendo assaltada dentro de uma sala de aula.

Mas todos os recordes de ineditismo estão sendo quebrados. Já assaltaram padre na sacristia, médico no consultório, sentinela no quartel, mãe de santo no terreiro, ninguém escapa.

Vendo bem, uma escola é um lugar talhado para assaltar: lá só existem alunos desarmados, no seu interior não há policiais, a chance de escapar é enorme.

Neste caso, o menino de 15 anos, o assaltante, fez-se passar por aluno da escola, na verdade ele já tinha estudado lá, sacou de um revólver de dentro da bermuda e deu voz de assalto à professora.

Para se ter uma ideia da penúria das professoras, ela só tinha R$ 10 na sua bolsa e entregou-os ao ladrão. Que crise!

***

Como já tinha escrito, a Copa do Mundo anestesiou-nos de tal forma, que passou despercebido o número de mortos no trânsito gaúcho em 2010: não estamos ainda na metade do ano e já morreram mais de 700 pessoas nas ruas, avenidas e estradas do RS.

Não são pessoas doentes que morrem. Como os assassinados em geral, são pessoas saudáveis, úteis, normais.

Tudo pela imprudência dos motoristas e dos pedestres. Que não acreditam que possa acontecer com eles o pior.

Mas a verdade é que, quando se empunha um volante, tudo pode acontecer. O carro é uma arma perigosa e é também um alvo de grande risco no trânsito louco que nos envolve.

***

Um dos aspectos que cercam a psicologia de quem empunha o volante é que o motorista não se compenetra de que está dirigindo um bólido que em frações de segundo pode descontrolar-se ou até mesmo ser atingido por outro veículo.

Então, o motorista usa o volante como um divertimento, um prazer, sem atentar para sua responsabilidade.

Como tem dirigido já há algum tempo sem acidentes, pensa que isso vai acontecer sempre. No entanto, se se for fazer a conta, um motorista, em quatro horas de direção diária, corre cerca de 2 mil chances teóricas de se acidentar, sempre que cruza por outro veículo, sempre que ultrapassa, sempre, dependendo da sua habilidade e dependendo das habilidades dos outros.

***

Afinal, por que é que rico tem motorista? Pela simples razão de que se sente muito mais protegido no trânsito fora da direção do que manobrando o volante.

Só que a quase totalidade dos motoristas não entrega o volante para um motorista profissional. E o que temos então é uma multidão de motoristas amadores, despreparados para as armadilhas do nosso trânsito, verdadeiros curiosos na arte de dirigir.

Tanto que, quando uma pessoa de recursos vê a idade de seu filho se aproximar dos 18 anos, já faz a promessa de que dará um carro para ele, sem indagar se ele terá preparo para dirigir. Vai dar o carro, é decisão tomada, e dá o carro. Depois, ele que se arranje no trânsito.

São muito preocupantes estes mais de 700 mortos no trânsito gaúcho em menos de um ano.

São mais de quatro mortes por dia. Pensando bem, em todo o território gaúcho, com as centenas de estradas e milhares de ruas e avenidas sendo ocupadas por veículos com motoristas despreparados, será que não são até poucos os mortos em acidentes?

*Texto publicado na página 55 de ZH desta quinta-feira

Comentários (11)

  • LAURO JULIO KOCH diz: 17 de junho de 2010

    Muito mais coisas irão acontecer no Brasil que muitos ainda duvidarão.Da forma como a maioria da nossa população ainda vive não duvidem desses acontecimentos.Se mantivermos um crescimento econômico,um fortalecimento de nossas instituições,um desenvolvimento humano, nas próximas décadas,aí sim começaremos a fazer pequenas mudanças para melhor.Em alguns países hoje de primeiro mundo,essas mudanças começaram a acontecer há um século atrás,para hoje estarem em pleno gozo de seu IDH elevado.Talvez hoje,com a rapidez que as coisas acontecem,não precisemos de um século para chegar lá.Mas não esperemos grandes melhoras e mudanças em pouco tempo.O grande atrazo em que o país mergulhou no passado,ainda irá se refletir por longos anos difíceis.

  • Carlos Santos diz: 17 de junho de 2010

    Todos são tratados como boiada.
    Ninguém pensa.
    O governo baixou alguns impostos e facilitou o crédito.
    Para que uma parte da população pasasse da classe D de consumo para a classe C de consumo.
    Classe de consumo não quer dizer melhoria de vida; quer dizer que compra mais, mesmo que sejam produtos que logo estarão obloletos; ou se arrebentarão na esquina por não terem equilíbrio psicológico para conduzir um veículo.
    Toda a boiada, seguiu o que o condutor da boiada planejou para propaganda de seu governo.
    Todos foram comprar automóveis.
    Muito se mataram e o pior mataram outros.

  • Luciano k. diz: 17 de junho de 2010

    Santana, o que tu pensas a respeito das declarações do Sócrates?

  • Julia diz: 17 de junho de 2010

    Tenho 26 anos e moro no Bairro Jardim Floresta desde que nasci.
    Infelizmente o Bairro está cada vez pior, ponto de drogas no Centro Comunitário (CECOFLOR), escolas perigosas, e assaltos constantes.
    Saudade do tempo em que podia brincar na rua até às 23 horas sem preocupações.

  • Angela de Abreu Rodrigues diz: 17 de junho de 2010

    Isso é uma chacina. O mais desolador de tudo é ver que a maioria dos envolvidos nas mortes, sejam as vítimas que perderam a vida, acompanhantes que saem com sequelas são jovens alcoolizados, drogados, que se sentem poderosos na direção. Acho que falta educação, cuidado, compaixão dessas pessoas que ganham um carro ou compram esse bem tão desejado para muitos, pois significa status, mulherada e ser considerado melhor do que outro que não dispõe. Acho que mortes no trânsito devem ser tratadas como crimes, pois não se pode tirar a vida de alguém quando se está alcoolizado ou em rachas e ficar por isso mesmo. Bom dia a todos.

  • ian diz: 17 de junho de 2010

    também gostaria de saber o que você acha da declaração do Sócrates.

  • jorge diz: 17 de junho de 2010

    Santana, o seu comentario já não nos propicia espanto. Isto e muito mais, nós já participamos no dia a dia. Nós precisamos que voce inquira, os responsaveis por isto : nossos políticos, em especial o presidente e a governadora. Um país que não investe em educação, a bandidagem toma conta. E quando não investe em segurança pública, a bandidagem determina as leis. É o que esta acontecendo. Veja quanto o ministério da cultura vai gastar com show, festas juninas e municipais e observe que nem dez por cento deste valor vai para a educação e saúde. Voce como outros jornalistas, já tem o seu candidato escolhido. O que nós precisamos é que voces, já comecem, desde já, a exigir deles, o comprometimento com percentuais, de valores necessários para a educação, saúde e segurança pública. O resto os empresários e trabalhadores resolvem. Cobre de quem tem o dever de realizar.

  • João Batista da Costa diz: 17 de junho de 2010

    Pois é Santana, apesar de colorado e criador de pit bulls sou seu admirador.
    A culpa é dos carros, das motos ou dos motoristas imprudentes?????
    São as estradas esburacadas as culpadas ou as autoridades que cobram altos impostos e não fazem a manutenção das mesmas????
    Na verdade Santana, somos um povo de terceiro mundo, sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes e vindos de uma cultura, ou melhor, sem uma cultura de exigir os nossos direitos e os deveres das autoridades.

  • Hermes Vargas dos Santos diz: 17 de junho de 2010

    Caro Paulo Santana:

    É sabido que a maioria dos acidentes de trânsito fatais é devida a excesso de velocidade. Então faço uma pergunta singela: se é proibido andar com velocidade superior a 100 km/h, por ser perigoso para os condutores e terceiros, porque é permitido fabricar carros que podem andar a mais de 200 km/hora? Se os carros saíssem de fabrica podendo atingir 130 km/h, no máximo, com certeza os pardais não seriam necessários! Os carros da polícia, por exemplo, poderiam ser excepcionados (para 150 km/h, por exemplo). Eliminaria outro problema – o roubo de carros particulares para usar em assaltos a estabelecimentos comerciais e bancários, pois os carros da polícia sempre seriam mais velozes. É um problema de fácil solução técnica. Mas os interesses …

  • resposta ao hermes diz: 17 de junho de 2010

    Vou te dar um exemplo,um fiat 147 anda no máximo quanto?Uns 140 por hora?Ai os caras põem turbo em cima e ele chega a 200por hora,pense nisso.

  • Hermes Vargas dos Santos diz: 17 de junho de 2010

    Toda lei pode ser burlada, meu caro “resposta ao hermes”, por isso existem as penalidades. Nesse caso, verificada a alteração ilegal, além da pena de perda da liberdade (cadeia), poderia cumulativamente haver a apreensão e perdimento do veículo, que iria à leilão. Os recursos dessa alienação iriam para um fundo de educação do trânsito e assistência às vítimas desses celerados. Multas e pardais sinalizados não adiantam nada, absolutamente nada, apenas promovem o aumento da arrecadação de órgãos falidos (detrans e similares) e do número de mortos e aleijados.

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