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Fraude nos concursos

19 de junho de 2010 16

Oconcurso público, a forma mais justa, honesta, proporcional e adequada de ingresso no serviço público e de acesso ao êxito profissional, acaba de ser manchado por uma quadrilha que fraudava os testes e acaba de ser desbaratada pela Polícia Federal.

A quadrilha vazou e vendeu provas para 53 candidatos ao concurso de agente da Polícia Federal e 26 candidatos no exame da OAB, mais, imaginem, 41 candidatos ao concurso da Receita Federal em 1994.

Há, ainda, indícios de fraude nos concursos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

*

A quadrilha conseguia os cadernos das provas aliciando pessoas que tinham acesso a eles; contratava como professores de cursos pessoas que já sabiam as perguntas da prova da OAB; usava pontos eletrônicos para passar respostas; e contratava pessoas para fazer as provas no lugar dos candidatos.

Sofisticadíssima e organizadíssima ação. Porém, dos 53 concorrentes que compraram as provas para o concurso de agente da Polícia Federal, apenas seis atingiram a última fase, tendo sido imediatamente excluídos do concurso.

Os 26 aprovados acusados de comprar as provas para o exame da OAB deveriam ser ouvidos a partir de quinta-feira pela Polícia Federal.

*

A quadrilha cobrava R$ 50 mil por cada prova vazada na OAB e, em dólares, US$ 93 mil por cada prova da Polícia Federal, além de, pasmem, US$ 279 mil para a prova do concurso de auditor da Receita, um dos mais cobiçados cargos do serviço público.

Diplomas e outros documentos falsos custavam R$ 30 mil, a quadrilha já estava pretendendo vazar a prova para delegado da Polícia Federal, com a cobrança de US$ 100 mil por cada pretendente.

Os 41 aprovados por intermédio de fraude no concurso da Receita Federal em 1994 foram excluídos por indícios de irregularidade na época, mas entraram com ação na Justiça Federal de São Paulo e foram reincorporados e indenizados em cerca de R$ 3 milhões, que seriam repartidos com o grupo.

Entre os beneficiários, estão a ex-mulher, a nora, o filho e amigos do filho do dono de uma universidade de São Paulo, apontado como líder da quadrilha.

A Polícia Federal não divulgou os nomes dos envolvidos e da instituição.

Ou seja, uma universidade de São Paulo comandava toda essa lamentável e escandalosa manobra.

*

Eu só fico pensando nos 5 milhões de brasileiros que estudam para os concursos públicos.

E nos milhares que passam honestamente nos concursos públicos, são admitidos e de repente, sem o saberem, têm a seu lado colegas que fraudaram os concursos.

Como se leu acima, há muito tempo que isso vem acontecendo. Agora é que a Polícia Federal conseguiu desmascarar a quadrilha.

*

Nada de mais desanimador que essa notícia. O concurso público é a mais democrática forma de apuração do mérito das pessoas para integrar importantes funções do serviço público.

Essas provas, vendidas a muitos candidatos, tinham de ser mantidas em segredo maçom pelos organizadores dos concursos.

Como é que vazam? A Polícia Federal precisa exterminar esse bando e ajudar o serviço público a munir-se de recursos que possam vir a tornar os concursos sem nenhuma chance de vulnerabilidade.

É muito triste e grave isso.

* Texto publicado hoje na página 43 de Zero Hora

Comentários (16)

  • Carlos Santos diz: 19 de junho de 2010

    Os SERVIDORES que só servem a sí mesmos, na realidade estão saqueando o povo.
    Pois a maioria dos cargos são desnecessários.
    Deveriam diminuir a quantidade de cargos e não aumentar.
    Enquanto houver essa arrecadação monstruosa, os cargos se multiplicarão automaticamente.

  • Jair diz: 19 de junho de 2010

    Por essas e outras que nego-me a concorrer em concurso público. Além destes escândalos há a questão de cargos criados apenas para arrecadar dinheiro com concursos inúteis onde provas que nada condizem com o cargo pretendido. Imaginem qto não rende cada concurso para os cofres do governo?!

  • Vinicius Bittencourt diz: 19 de junho de 2010

    Acho que vem em boa hora uma legislação que regule regras padrões para editais de concursos federais, estaduais e municipais. Sabemos que a regra atual é que cada banca examinadora tem autonomia para estabelecer regras. Entretanto, se quisermos ter um controle rígido, teremos que atuar antes do problema. Regras padrões como coleta de digital, não entrega de provas ao final da prova, etc, seriam interessantes para unificar e generalizar regras e por consequência diminuir a propabilidade de fraude e até mesmo de anulações futuras. Sabemos de relatos de concursos de nível municipal totalmente desleixados quanto a regras, dando azo para imaginarmos um antro de corrupção.

  • Angelus diz: 19 de junho de 2010

    Como tudo no Brasil nos concursos tambem tem fraude. E isso que pegaram e so a ponta do iceberg pois e obvio que tem fraude tambem nos concursos do judiciario, ministerio publico, caixa federal, Banco Central e etc….
    Esta estoria por exemplo de familias inteiras com mesmo sobrenome do judiciario e mera coincidencia ou e porque filho de Juiz e de Desembargador ja possui no DNA os requisitos da magistratura? Ah vamos para de enganar os povao gente e tudo safadeza!

  • Guilherme diz: 19 de junho de 2010

    Olá! Gostei muito do assunto do blog, pois estou prestando a prova da OAB. Gostaria de saber se essa notícia de fraude ao concurso da OAB foi nesse último 2010.1? Se sim, já sabes algo sobre a anulação? Obrigado!

  • julio diz: 19 de junho de 2010

    Aqui em santa maria temos uma quadrilha que roubou milhões dentro do detran e esta quadrilha e a mesma responsavel pelas provas da ufsm. Mas aqui no brasil o lobo é quem cuida das ovelhas.

  • Paulo diz: 19 de junho de 2010

    Um problema mais grave ainda com relação a esses e a outros crimes investigados pela Polícia Federal é que dificilmente os responsáveis serão punidos e se forem num futuro não muito distante conseguem reverter a punição, receber indenizações fabulosas e trabalhar como policial.
    E porque isso? porque advogados, juízes e juristas vivem num mundo de faz de conta, num mundo ideal que não corresponde à realidade, vão “trabalhar” com o ordenamento jurídico como se fosse uma competição de quem defende melhor sua teoria, vão exigir uma perfeição no trabalho da polícia que é inviável nos dias de hoje, vão explorar mínimas falhas para anular todo um trabalho.
    A eficiência que exigem no trabalho policial só poderia existir num mundo ideal, vejam a quantidade de erros que são apontados nas diversas operações da Polícia Federal, dá a impressão que são um bando de incompetentes que só gostam de aparecer e de perturbar a vida dos honestos cidadãos como alguns políticos e empresários.
    Agora se a Polícia Federal brasileira é tão incompetente assim, qual polícia poderia substituí-la? qual órgão poderia fazer o trabalho da maneira que os grandes juristas “acham” (ou tem certeza) que é o correto? Garanto que nenhuma polícia no mundo, muito menos no Brasil.
    Garantimos a todo o cidadão o direito de ampla defesa, mas o direito da sociedade à ampla investigação não existe e é cada vez mais restrito. Criticam a polícia por grampear milhares de telefones, mas garanto que noventa por cento dos números interceptados eram de criminosos que precisavam ser investigados dessa forma, os outros dez por cento? não dá pra exigir perfeição de quem é humano.
    E qual o problema de profissionais isentos monitorarem meu telefone? se não cometo crimes sei que nunca meus assuntos particulares sairão das salas de análise de informações dos órgãos policiais, pelo menos não me lembro de vazamento de conversas intimas de algum investigado. Se vazam conversas ao telefone para a imprensa, são sempre relativas a crimes e tenho certeza que não foi através da polícia que esse material chegou ao repórter.
    Voltando ao assunto, como na maioria dos outros casos investigados pela Polícia Federal que envolvem pessoas importantes, há grande chance de num futuro não tão futuro assim, esses criminosos serem absolvidos, indenizados com dinheiro do povo e restituídos ao cargo policial , agora se for o traficante pé de chinelo, o aposentado que “fraudou” a previdência pra ganhar um salário mínimo, dai sim a coisa funciona, pois ninguém vai perder tempo arrotando belos termos jurídicos em defesa desses criminosos.

  • George alan diz: 19 de junho de 2010

    Esse é só uma ponta do iceberg que se esconde, existe vários casos em outros concursos… nas comunidades de relacionamento vejo sempre pessoas comentando casos absurdos. Sou concurseiro há 3 anos, e minhas classificações em concurso público só vem piorando, porém venho estudando cada vez mais… outras pessoas estão se preparando mais?será? no TJ do piauí é ridiculo que mais de 70% dos aprovados tem algum parentesco com atuais pessoas que fazem parte do tribunal… estão tirando os comissionados para colocarem os que compram os seus lugares nos serviços públicos. pouca vergonha.

  • Carlos Dias diz: 19 de junho de 2010

    Caro Sant’Ana
    Como servidor público e concurseiro, fico decepcionado em saber que pessoas sem a mínima qualificação e, tampouco, mérito ingressam no serviço público em detrimento de muitos que passam horas estudando sem conseguir aprovação. Esse insucesso momentâneo se dá não por incompetência, mas pelo nível de exigência das bancas examinadoras estar cada vez mais rígido, o que demanda mais horas de estudo. Concordo com você de que esta é a forma mais democrática para o ingresso no serviço público e deve ser preservada e fortalecida. Imagine o profissionalismo de quem entra no setor público através de fraude. Certamente será uma pessoa que contribuirá para denegrir a imagem do servidor público junto á sociedade. Pois antes mesmo de ingressar já é um corrputo nato. Precisamos de pessoas que tenham comprometimento com os princípios da Administração Pública (cobraso em prova).

  • Luiz diz: 19 de junho de 2010

    Santana, pra solucionar esse tipo de problema não é tão difícil.
    A parte mais complicada é descobrir quando alguém foi aliciado (alguém que teve acessso ao caderno de provas na sua formulação ou transporte).

    Mas no caso dos pontos eletrônicos, concursos com remuneração acima de R$ 3.000,00 por exemplo, deveriam ser centralizados nas capitais (não serem mais executados no interior), e nos locais de aplicação das provas a PF fazer monitoramento de ondas de rádio nas mais diversas frequências, coibindo assim transmissões que pudessem estar sendo executadas.

    É só o governo federal querer investir um pouco (equipar a PF para essa ação) que já vai limitar e muito as fraudes, embora possa onerar aos concurseiros a realização da provas (pois quem é do interior vai ter que se deslocar para as capitais – um preço ‘justo’ em troca de uma prova ‘livre’ de fraudes).

    É isso.

  • eron reis diz: 19 de junho de 2010

    Isso que estavam investigando há muito tempo. Fora os concursos fraudados e não descobertos!! O certo seria anular os 5 (cinco) anos dos últimos concursos.

  • Derli diz: 19 de junho de 2010

    Craque não pode jogar no Grêmio.
    O Meira no tempo do Obino mandou o Michel Bastos e o Maicon embora.
    Agora queimou o Douglas Costa, queimou o Maxi, e o Mithuê.
    Estou a partir deste momento em todos os meios de comunicação fazendo um chamado a depor esta diretoria.
    O que o incompetente do Meira está reprisando epsódio Obino, nós não podemos ficar calados.
    Este incompetente vai detonar o Grêmio.
    O cara não pode ser tão burro, pois raia a insânidade, ele só pode ser mal intencionado.

  • João Alonso da Silva diz: 19 de junho de 2010

    Triste e grave! Mas infelizmente é uma prática nada incomum nos concursos públicos aqui e lá. Lembram da fraude do concurso público para Delegado de Polícia aqui no RS., ocasião em que alguns aprovados (inclusive algumas otoridades públicas e políticas em evidência no RS.) que adquiriram o gabarito da prova não possuiam capacidade nem mesmo para decorá-los. Alguns são como icebergs que escondem a verdade dos “trenzinhos da alegria”, respaldados de pseudo legalidade, injustiçando e frustrando os candidatos bem preparados. É sabido que muitos concursos, propositadamente, possuem “brecha” para burlarem a Lei e entrarem pela porta dos fundos, ainda mais agora com a proibição do nepotismo na administração pública. Pô, cadê os bons empregos públicos dos parentes burros de políticos e autoridades neste país? Isto é um absurdo!!!!

  • Gabriel Vieira diz: 19 de junho de 2010

    Sobre o exame de ordem da OAB, vou trazer alguns dados alarmantes. O preço da para fazer a prova é de R$ 200,00 por pessoa. A OAB tem um lucro de R$ 20 milhões por prova e são 3 provas ao ano. O exame é dividido em 2 fases, sendo que para passar na segunda, é necessário ‘torcer’ para que a prova seja corrigida, isso mesmo. Nem todas as provas são corrigidas e, mesmo quem deveria ser aprovado, é sumariamente eliminado sem chance de defesa. Quem é reprovado na segunda fase, é obrigado a fazer a primeira fase de novo, pagando cursinhos, comprando livros (pois eles exigem atualização) etc.
    Eu, por prova, das 2 que fiz, tenho gasto a média de R$ 1.000,00 por prova.
    Um concurso para juiz federal custa R$ 90,00. Algo há de podre aí.
    Além de tudo, é evidente que uma prova de marcar cheia de pegadinhas não avalia quem está apto à vida forense, principalmente quando a segunda fase do concurso considera com certo um procedimento juridicamente errado, como o exame 2009.2 em direito do trabalho.
    Isso é tudo uma vergonha. Pura reserva de mercado e caça niquel.
    É o Brasil….

  • Carlos Dias diz: 20 de junho de 2010

    Deve-se ter muito cuidado para não generalizar. É notório o descontentamento da população com o serviço público. E com certa razão, pois há tempos atrás ainda convivíamos com o modelo patrimonialista, em que os bens do Estado se confundem com os do administrador. Isso em pleno vigor do modelo burocrático de Max Weber, que prega o profissionalismo e a separação entre o público e o privado. Hoje está em voga o gerencialismo no setor público, tendo a eficiência como seu principal ícone. Evidentemente que práticas patrimonialistas, como o nepotismo, ainda são usadas. Mas isso não é motivo para que os servidores públicos sejam considerados o mal do século. A maior parte da corrupação é praticada por quem não tem vínculo com a Administração Pública, ou seja, pessoas que têm cargos que trocam a cada Governo; e também por parlamentares, mas estes têm imunidade.

  • Angela de Abreu Rodrigues diz: 20 de junho de 2010

    Bom dia. Fico impressionada com a forma que a marginália se recicla para cometer falcatruas no país. Metem a mão nos beneficios do INSS – a Georgina levou mais de R$ 2 bi e vai devolver R$ 200mi – e o brasileiro segue sem ter acesso a educação, saúde, alimentação digna. É espantoso saber que muitos desses quadrilheiros saõ funcionários públicos concursados, advogados, juízes, grandes empresários que, quando presos, pagam por uma defesa cara dos melhores do ramo. Além dssso, como alguns têm curso superior, ainda ficam em celas especiais, uma aberração, nesse país de colarinhos brancos corruptos.
    É difícil crer em justiça quando se vê que clãs se formam e famílias inteiras se transfromam em quadrilhas. Estão de parabéns o Ministério Público e as polícias de um modo geral, pois muitos ganham tão pouco que são facilmente aliciados pela criminalidade. Não que salário baixo seja justificativa para bandidagem.

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