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Bacia das almas

24 de junho de 2010 4

Num trabalho meticuloso do Henrique Erni Gräwer e do Moisés Mendes, foram compiladas as minhas crônicas mais íntimas e se realizou o livro Eis o Homem, da RBS Publicações, onde vazei minha dor e alegria supremas.

O livro foi um projeto de Pedro Haase Filho e editoração de Wildstudio Design.

E, no próximo dia 22, estarei concedendo os autógrafos na Livraria Cultura do Bourbon Country.

É o terceiro livro deste colunista, que teima em nunca escrever o último.

*

Nós, os sul-americanos, somos espoliados pela Europa, que nos pirateia os maiores craques, levando-os para jogar em seus clubes ricos.

Os grandes clubes da Itália, Espanha, Alemanha, França e muitos dos países árabes e asiáticos coam os nossos melhores craques e transportam essa nata do futebol americano para as lonjuras.

A Copa do Mundo tem, no entanto, este caráter reabilitador: torcedores do Chile, do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Paraguai, durante 30 dias e 64 jogos, reencontram-se na televisão com seus craques que foram por este curto período de tempo resgatados da pirataria e levados para jogar em suas seleções.

Já foram considerados os melhores jogadores do mundo Maradona, Ronaldo Nazário, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Messi, autenticando o prestígio americano em formação de craques.

Pena que a Copa do Mundo dure tão pouco, mas é tão grande a qualidade dos jogadores sul-americanos, que os países daqui do Hemisfério Sul estão se candidatando seriamente a ingressar nas oitavas de final da Copa do Mundo.

A Copa do Mundo é a vingança dos espoliados. Pena que dure tão pouco.

Porque depois dela tudo fica novamente à feição dos piratas, que até os fins dos tempos praticarão a rapinagem dos nossos maiores craques.

Enquanto não se fizerem leis que reprimam esse sequestro infame do talento, sofreremos com a distância dos nossos maiores ídolos.

E ficamos destinados a assistir, depois da Copa do Mundo, ao nosso campeonato nacional de times emasculados, a nossa bacia das almas.

*

Que jogador esse Lionel Messi! Que jogador! Ele ainda não mostrou nesta Copa todo o seu talento, mas a gente nota em suas movimentações que ele tem o prodígio da genialidade.

Tão pequenino, tão frágil, mas com que naturalidade ele se embarafusta nas defesas contrárias, tem uma apurada visão espacial e sempre passa a bola com acuidade.

Além disso, da sua perna canhota são arremessados potentes e certeiros disparos, um deles foi encontrar-se com a trave no jogo contra a Grécia.

Messi faz-nos imaginar, ele que é o centro nervoso da equipe, que esta Copa do Mundo está talhada para ser da Argentina, e Messi parece ser destinado a ser o grande craque do certame: às vezes, as coisas não se dão assim no futebol, mas estas parecem ser, hoje, as alvíssaras.

Mas o Brasil é obstáculo sério para a Argentina chegar ao título. No entanto, não há sequer um só jogador brasileiro que chegue aos pés de Messi.

Que jogador!

* Texto publicado hoje na página 63 de Zero Hora

Comentários (4)

  • Giuliano diz: 24 de junho de 2010

    Paulo,

    1 – Romário e Rivaldo também são jogadores sulamericanos que foram eleitos os melhores do mundo pela FIFA nos anos de 1994 e 1999, respectivamente e mereciam a citação.

    2 – Chamar os europeus de piratas do futebol é um exagero desnecessário e deslocado de algum próposito inteligente.

    Abraço

  • Alessandro Soledade diz: 24 de junho de 2010

    Duvido que os jogadores que são “raptados” por esses “piratas” não se sintam espoliados, afinal, se estão ali, é porque querem. Então, penso eu, que os jogadores não sustentam esse anseio de vingança citado que você citou.
    Os clubes europeus não são vilões, são apenas capitalistas – o que não é criminoso nem imoral.

  • Léo Santos diz: 24 de junho de 2010

    Calma Sant’ana! Calma que eu tô contigo!
    É verdade isso que tu disse! Basta compararmos a qualidade do futebol apresentado pelas seleções europeias na Copa com a beleza das jogadas feitas na Liga dos Campeões e campeonatos nacionais da Europa… Fica visível que se sacarmos os brasileiros e demais sul americanos dos seus planteis a casa cai! É deprimente ver a dureza de seleções como inglaterra e itália na Copa do Mundo! Sinto muito, mas… O futebol é daqui!

    E digo mais… A Copa da África terá uma Copa América à partir da semifinal!

    Tenho aqui lido e relido o teu livro O Melhor de Mim e vibro com teu novo lançamento, pois, dou ao teu trabalho o valor que deve ser dado a ele e quero ser como tu um dia!

    Um abraço!

  • Carlos Dias diz: 24 de junho de 2010

    Prezado Sant’Ana. Concordo contigo. Os clubes europeus são grandes porque contam com os jogadores sul-americanos. Quanto ao favoritismo da Argentina, se considerarmos os três jogos deles e compararmos com os nossos dois, realmente eles levam vantagem. Porém o próprio Maradona, conhecido por suas declarações bombásticas (disse que o Pelé deveria de estar no museu), admitiu que a Seleção Brasileira deve ser respeitada. Lembro daquela Copa América, na Argentina, em que os donos da casa eram considerados francos favoritos, e, no último minuto de jogo, o Adriano empatou o jogo e ganhamos nos pênaltis. Entre Brasil e Argentina não tem favorito. Eu acredito no hexa. Um abraço.

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