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Posts do dia 17 julho 2010

Severas proibições

17 de julho de 2010 25

É o tempo da proibição, estão proibindo tudo.

Noto que estão proibindo o sexo.

Primeiro, proibiram o sexo anal, por causa da aids.

Agora estão proibindo o sexo oral, causa câncer na boca.

E vão acabar proibindo o sexo manual.

Ora, vão se lixar! Proíbam logo o desejo.

*

Ah, áureos tempos aqueles em que eu fazia sexo três vezes por dia. Ah, esplendorosos tempos em que eu fazia tanto sexo, que por vezes era obrigado a fingir que tinha orgasmos.

Ah, belo tempo da grande demanda sexual, eu fazia sexo em casa à noite, sexo depois do Sala de Redação e finalmente sexo antes de ir para casa. Era bala e bala, um tiroteio.

*

Mas, se não me importo mais com a proibição do sexo por ter vencido meu prazo de validade, importo-me todavia com as outras proibições que me atingem: noto uma campanha na mídia para que não se coma massa nem arroz, ambos contêm imensa carga de carboidratos, fatais para o organismo.

Cá para nós, se não podemos comer arroz e massa, o que afinal iremos comer?

Então vamos comer carne? Mas há uma enxurrada de recomendações científicas para que não se coma carne vermelha.

De que cor querem que eu coma a carne, então? Azul?

*

Nem vou falar nos conselhos ou imposições para que a gente não fume. Já virou uma chatice o antitabagismo.

E também nos condicionam para não beber.

E os telespectadores, ouvintes, leitores, diariamente são aconselhados tanto a não consumir cocaína quanto ovo, que altera o colesterol.

A cocaína, lá sei eu o que altera.

*

Não se pode fumar maconha, cheirar cocaína, mas, por outro lado, o paciente é condicionado a não comer doces ou quaisquer outros alimentos que contenham açúcar.

O pobre do ouvinte fica atarantado. Esses dias, li um artigo que condena a ingestão de todas as espécies de biscoitos e bolachas.

Só não ouvi ainda conselho para não comer verduras e legumes. Prega-se que se deve comer verduras e legumes. Muita verdura, sempre verdura, proclamam os vegetarianistas.

Mas eu quero declarar veementemente que não sou coelho!

*

Proíbem-nos de fazer sexo e de comer a gordura da picanha. Mas, se não se pode comer a gordura da picanha nem a carne vermelha, não se pode comer a picanha em si. Como se irá imbecilmente evitar a gordura da picanha?

Quem sabe, nos permitam que comamos charque. Ah, charque não, porque está embutida nele alguma gordura.

Chegou-se ao cúmulo nos conselhos científicos de condenar-nos o consumo do sódio, isto é, do sal.

Mas, se nos proíbem todas as comidas, de que adianta nos proibirem o sal?

Sal, açúcar, ovos, doces, massas, arrozes, tudo proibido, de que acham esses metodologistas vamos nos alimentar?

Está impossível viver assim, eles vão acabar nos convencendo de que é agradável morrer.

De inanição.

Já notaram que essas campanhas proibicionistas têm um só objetivo, que é nos privar de todo e qualquer prazer?

Sádicos!

* Texto publicado hoje na página 39 de Zero Hora

O assalto

17 de julho de 2010 19

Entro no táxi em frente ao prédio de Zero Hora e me dirijo até a consulta ao médico.

Fiz a pergunta que sempre faço aos taxistas: “O senhor já foi assaltado?”.

O taxista me respondeu que já foi assaltado cinco vezes e a mais grave foi no ano retrasado.

Ele disse que entrou no seu carro um homem relativamente bem trajado. Era dia, quatro horas da tarde.

O ladrão, em meio ao caminho, puxou um revólver e o encostou no tórax do taxista. O taxista, sempre com o carro em movimento, fez menção de puxar dinheiro do bolso, o assaltante se assustou e deu o primeiro tiro no taxista. A bala entrou entre duas costelas.

O taxista engalfinhou-se com o ladrão nos dois bancos dianteiros.

Foi quando o ladrão, ainda portando o revólver, fez o segundo disparo, a bala atingiu a clavícula do taxista, que a essa altura, é lógico, já tinha parado o táxi.

Atingido por dois projéteis, o taxista caiu no chão da rua, imediações da Vila Cruzeiro.

Caído, o taxista sentiu que o assaltante saiu pela outra porta e veio em sua direção. O ladrão mirou na cabeça do taxista e puxou o gatilho por mais três vezes. Sorte que falharam os três tiros, alguém chamou a polícia e o ladrão foi preso. O taxista foi levado ao Pronto Socorro, se salvou e me contou esta história anteontem à tardinha.

*

Incrível o que esse ladrão disse na polícia, contou-me o taxista.

Interrogado pelo delegado, o ladrão falou: “Veja o senhor o que me aconteceu, seu delegado: na hora mais importante da minha ação, falhou o meu instrumento de trabalho”, referindo-se ao revólver que não disparou em três puxões do gatilho.

*

Só para se ter uma ideia do que o Brasil gastará em dinheiro público com a realização aqui da Copa do Mundo e da Olimpíada, basta que se diga que com o mesmo dinheiro poderíamos construir metrôs em 10 a 15 capitais brasileiras.

Este meu argumento da frase anterior é irremovível. É demais ver-se que Porto Alegre não tem recursos para erguer um metrô e nós vamos gastar uma fortuna incalculável para termos 30 dias de jogos na Copa do Mundo, mais 30 dias de jogos olímpicos.

Um absurdo monumental.

Repito a minha frase que fez sucesso: “Cueca de veludo e nádegas de fora!”.

*

Se, depois de realizadas a Copa do Mundo e a Olimpíada no Brasil, restassem para 10 a 15 capitais brasileiras linhas e estações de metrô, erguidas ou ampliadas, valeria a pena sediar os dois eventos.

Se, depois de realizadas a Copa e a Olimpíada no Brasil, restassem 80 presídios novos, 300 hospitais novos, valeria a pena realizar os dois eventos.

Mas querer mostrar ao mundo os dois eventos, escondendo do mundo as nossa misérias e as nossas necessidades, isso se constitui num escárnio e num desperdício inominável.

* Texto publicado hoje na página 47 de Zero Hora