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Posts de julho 2010

Bateria de exames

31 de julho de 2010 3

O Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, é nosso companheiro aqui da RBS.

Sabendo que eu comparecia a muitos médicos e fazia muitos exames laboratoriais, ele me gozava: “Tu não tens nada, não existe quem tenha mais saúde de ferro do que tu. Isso não passa de hipocondria”.

Até que, há um mês, o Guerrinha vem sendo submetido a uma intensa e variadíssima bateria de exames no Hospital Mãe de Deus.

*

É exame de sangue, exame de urina, cintilografia, ecografia, raio X, ressonância magnética, um inferno astral perseguindo o Guerrinha, que pacientemente se submete à bateria de testes só porque os médicos andaram achando uma anormalidade no fígado.

Entre dois ou três exames, o Guerrinha apavorado vê os médicos o submeterem a vários testes, entre os quais o da esteira e o exame de sono.

Não passa dia em que o Guerrinha deixe de fazer todas as espécies de exames.

*

O Guerrinha já andava desconfiado de que alguma coisa há para os médicos tomarem tanto cuidado com sua saúde.

Foi então que o Guerrinha decidiu reagir, não suportava mais tanto exames médicos e testes.

Conseguiu reunir numa sala do Mãe de Deus os quatro médicos que requisitam os exames dele.

*

Os quatro médicos sentados um frente ao outro, o Guerrinha na cabeceira da mesa.

E o Guerrinha desabafou: “Alguma coisa há, eu sinto pelos exames que os senhores solicitam que alguma coisa eu tenho. Quero lhes deixar bem à vontade, estou desconfiado de que os senhores já descobriram alguma coisa grave nos meus exames, senão não me solicitariam tantos. Alguma coisa há”.

Os médicos se entreolharam, e até alguns deles sorriram timidamente.

Foi quando o Guerrinha arrematou: “Vamos deixar de mesuras. Eu gosto de jogo aberto, quero que sejam sinceros comigo. E pergunto desde já, respondam com sinceridade: quando é que eu vou começar a quimioterapia?”.

*

Os quatro médicos ciaram na gargalhada e mesmo assim marcaram novos exames para o Guerrinha.

Ele já tem os braços crivados de picadas de agulha.

E veio me dizer anteontem que não aguenta mais, o melhor é não procurar os médicos, caso contrário eles vão acabar achando doença nele. “Não vai a médicos, Sant’Ana, é melhor ficar bem longe de consultas, exames e testes, que são uma tortura, ou melhor, um terrorismo”, aconselhou-me ontem o Guerrinha.

*

Quando disse isso também aos médicos, um deles o chamou a um canto e consolou o Guerrinha:

– Cá para nós, amigo, eu sou também como tu: não vou a médicos.

*

Mudando de assunto, depois dos últimos jogos do Grêmio e do Internacional pela televisão, afirmo categoricamente: não existe pior tortura do que secar time bom e torcer por time ruim.

* Texto publicado hoje na página 47 de Zero Hora

Assaltante compassivo

31 de julho de 2010 13

Esta narrativa que coloco aí abaixo é uma prova de que esta onda de assaltos não é só gaúcha e porto-alegrense: um estudante universitário de Florianópolis já foi assaltado três vezes e está contando como foi a última.

É um texto saboroso, que vale a pena ler, melhor que se fosse uma coluna minha. O rapaz escreve bem e só tem 22 anos:

*

“Caro Sant’Ana. Fui caminhando e olhando pra frente, não iria dar bola pra ele. Mas ele deu bola pra mim. Eu sou irresistível, pelo menos para assaltantes. Uns dizem que eu tenho cara de rico, outros que eu tenho cara de trouxa. O fato é que em 22 anos eu nunca tinha sido assaltado, e essa era a terceira tentativa em três meses. Acho que são esses tênis All Star que enfraqueceram minha aparência viril.

Eram quatro horas da tarde!

O negão parecia o Will Smith no Hancock. Barbudo, de touca e de casaco canguru cinza. (Se fosse feito um B.O., seria: um masculino de cútis negra, com barba, vestindo gorro e casaco modelo surf ‘canguru’ cinza. 1,70m de altura.). Ele atravessou a rua e veio direto. Não tinha motivo nenhum para ele atravessar a rua no meio dos carros daquele jeito, além de me assaltar, porque do outro lado não tem nada, tinha eu. Era óbvio que ele ia tentar me assaltar.

Continuei caminhando, não corri, era óbvio o porquê. Eu não tinha nada.

O Hancock falou alguma coisa que eu não lembro, levantou o casaco e mostrou o negócio. O negócio que eu digo era uma arma. Eu atraio assaltantes, não estupradores. Piadinhas à parte, ele disse então pra eu continuar andando, sem sacar a arma. ‘Passa a carteirinha e o celularzinho, só isso’. Que gentil! Eu olhei meio atônito pra ele, mas não tava nervoso, afinal eram quatro da tarde e ele só me daria um tiro ali se fosse louco (e era meu terceiro assalto, experiência traz tranquilidade). Ele parecia um dos trapalhões com aquele gorrinho do Didi e aquela cara de Mussum, mas com barba.

“Pô, mano, eu não tenho nada”.

“Deixa eu ver”.

“Se eu não tenho nada, como que vou te mostrar?”

“Vou puxar a carteira aqui, ok?”

“Deixa eu ver esse bagulho”.

“Olha, não tenho nem documentos, quanto mais dinheiro. Tá aqui o B.O., fui assaltado mês passado, não tenho mais celular”.

Eu tirei o boletim de ocorrência e abri pra mostrar pra ele, enquanto ele analisava minha carteira.

Não parei de falar um segundo, indignado. Quando eu disse que era professor, ele se compadeceu.

“Ah, cara. Desculpa mesmo, mano. Desculpa mesmo. Só faço isso porque não tenho dinheiro e minha família tá passando fome”.

INACREDITÁVEL! Ele ficou com pena de mim.

Continuei falando, meio puto, e ele continuou pedindo desculpa. Eu não tava entendendo mais nada, e bateu uma certa pena dele, tanto que ofereci pra ir no mercado e comprar alguma coisa no crédito (desde que não fosse uma TV de plasma ou um Playstation).

Ele recusou! Ainda me disse: “Capaz, mano. Não precisa. Compra alguma coisa pra ti”, e continuou pedindo desculpa. Bateu um arrependimento gigante nele, parecia que era o primeiro assalto (dele, não meu, óbvio). Saí caminhando desconfiado e me sentindo meio mal. Ele voltou, me deu um abraço breve e pediu desculpas de novo.

Caminhei uns cinco metros, olhei pra trás e ele já tava em cima de outro cara pra assaltar. Então ele não tava arrependido.

Um assaltante ficou com pena de mim. É de se pensar.

Seria ele o Robin Hood moderno? Que rouba apenas dos que têm pouco, não dos que não têm nada? (ass.) Felipe Costa, estudante de jornalismo da UFSC.”

* Texto publicado hoje na página 55 de Zero Hora

Com a bailarina

30 de julho de 2010 0

Peguei carona com o Nilson Souza e estive na noite de autógrafos da colega Mariana Bertolucci, no BarraShoppingSul. A Bailarina sem Breu, cercada de amigos e admiradores, encantou como as belas crônicas de seu livro.

O cronista fingidor

30 de julho de 2010 5

Grande sacada publicitária da Unimed: “O melhor plano de saúde é viver. O segundo é Unimed”.

Torço para que minha querida Golden Cross reaja com a mesma criatividade.

*

Incrível, no Nordeste, um comandante da Polícia Militar exigiu, para fazer policiamento em um estádio de futebol, que dessem à própria polícia garantia de vida.

*

E não me sai da cabeça a sentença pronunciada por um famoso oncologista britânico: “Todas as pessoas morrem de câncer, a não ser que uma outra doença as mate primeiro”.

*

Recebo e transcrevo como exercício que faço para saber o que me move quando escrevo: “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente. Que chega a fingir que é dor. A dor que deveras sente’. Se até na poesia de Fernando Pessoa um poeta pode fingir, mais fingidor ainda pode ser o cronista; esse que convive com o imediatismo do dia a dia – no cronista, o poeta e o analista se fundem na fugaz interpretação dos fatos.

Existem cronistas cuja cultura faz com que o seu cotidiano sinta-se perfeitamente amarrado à história. Cada acontecimento é o resultado das conhecidas influências sociais e políticas do passado e do presente. Outros, apenas vivem o pico do momento colhendo as emoções disponíveis e as devolvendo em forma de palavras.

Coerência! Difícil encontrá-la no cronista. Nessa necessidade de escrever todo dia sobre qualquer coisa, com ou sem emoção, ele faz a poesia dos fatos que mudam e, assim, também ele vai mudando o foco da sua lente de espiador da vida.

Paulo Sant’Ana, ao escrever suas crônicas usando do ufanismo de Pablo, é capaz de fingir uma vaidade que não sente. Intimamente, jamais conseguiria se desfazer da sua essência de boêmio e de poeta popular; de seus companheiros fraternos, reais ou imaginados, dos diálogos casuais, e das suas longas noites de canções.

Concordo quando Pablo diz que suas melhores crônicas foram escritas com emoção. Lembro de uma, publicada há muitos anos, onde em frente ao espelho enxergava em si a imagem do próprio pai. Eis ali o homem numa tradução de imensa sensibilidade.

O cronista está descaradamente blefando quando diz que é contra a Copa do Mundo no Brasil. Como poderia ser contra o esporte que o trouxe ao encontro primeiro da multidão de gremistas, e depois ao reconhecimento de milhares de pessoas de todas as bandeiras? Como ninguém ele quer essa Copa, mas judia do seu desejo e assim derrama palavras capazes de cooptar admiração, mas também de instigar a uma nova conscientização através duma espécie de provocação socrática.

Suscetível, como tantos outros, a essa provocação filosófica, diria que é uma fingida coerência pensar em trocar o dinheiro da Copa do Mundo pela segurança pública e construção de hospitais e estradas. Se isso fosse verdade, onde estão então tais benefícios se em exatos 60 anos nenhuma Copa do Mundo foi sediada em nosso país, cadê o dinheiro dessas décadas de economia?

Na realidade, o Brasil não é um país pobre, pois se trata da oitava economia do mundo. O que existe por aqui é uma brutal má distribuição de renda. Um pouco mais de organização social pode bancar a Copa, as Olimpíadas, e uma imensa infraestrutura nacional.

Ao contrário do gol do Pelé, ao escrever cerca de mil crônicas, ainda temos muito caminho a percorrer, e muito a apreender até quiçá chegarmos próximos à emoção do espelho e das 13.000 crônicas do mais lido cronista gaúcho. A um mero aprendiz do feitiço das palavras não cabe contestar sua técnica bem-sucedida. Resta saudá-lo pelo mais novo livro, e igualmente desejar votos de muita boa sorte e otimismo ao Mano Menezes na Copa do Mundo do Brasil e da nossa geração. (ass.)

Vilnei Maria Ribeiro de Moraes, engenheiro civil (vilneimaria@bol.com.br).”

* Texto publicado hoje na página 55 de Zero Hora

Médicos engarrafados

29 de julho de 2010 4

Às vezes, quando estou inspirado, sento nesta poltrona, preparando-me para escrever a coluna, sentindo-me investido de uma verdadeira solenidade.

É quando a inspiração cai sobre mim em catadupas, vocês já perceberam que quando estou inspirado chego ao pináculo de escrever em prosa com métricas sonoras? Escolho as palavras como se estivesse manejando um cinzel.

Confessem, leitores, pelo amor de Deus, confessem: às vezes é para vocês uma delícia ler esta coluna? Claro que é.

Às vezes.

Que eu não sou bruxo para agradar a todos em todos os dias.

***

Não é importante que você seja bela, o importante é que haja alguém que a ache bela.

Isto é que é importante.

***

O cúmulo da minha megalomania: eu sei tudo, e do pouco que não sei tenho raras dúvidas.

***

Leiam de novo a frase anterior e reflitam sobre ela, como refletiu ontem numa mesa de café da rua Padre Chagas o Maurício Estrougo, e quase explodiu de euforia intelectual.

***

Vou pela manhã ao otorrinolaringologista. Três médicos me examinam: Sadi Selaimen Costa, Sérgio Moussale e Paulo José Di Nardo.

Quando saio do consultório e entro no meu carro, dou de cara com um…engarrafamento.

Levo uma hora para chegar até dois consultórios, da fisioterapeuta Roxana e da fonoaudióloga Isabela. Elas me atendem e eu vou embora.

Antes, me deparo com outro…engarrafamento.

À tarde, visito mais três médicos: Jorge Gross, Nédio Steffen e Matias Kronfeld, uma consulta de cada vez.

Quando me despeço do terceiro, vou até a garagem e tento sair à rua com meu carro: em vão, outro…engarrafamento.

A minha vida é feita de engarrafamentos e consultas médicas.

Há no meu corpo doenças suficientes para abarcar todas as especialidades médicas. E há no meu carro, por enquanto, alguma gasolina para enfrentar os engarrafamentos.

Sou um festim para os médicos.

E sou presa viva para os engarrafamentos.

***

Estava eu ontem à tardinha escrevendo esta coluna que considero bem-humorada, quando estourou a notícia que, vítima de um mal súbito, morreu na direção do seu carro, em plena Avenida Nilo Peçanha, a nossa grande amiga Élida Lurdes Bartelli.

Se a seus filhos, Pedro Bartelli e Giovana, como a todos os seus parentes, a dor é imensa, aos amigos também é intensa, pois era fácil gostar de Élida, ela cativava a todos que tinham a oportunidade de conhecê-la.

A morte é um fenômeno que precisa melhor ser estudado, ela sai a lº de janeiro para matar o mundo inteiro e o mundo inteiro não lhe mata a fome.

Será muito difícil agora frequentar os lugares em que nos encontrávamos com Élida, diante de sua falta.

De qualquer maneira, a morte de pessoa querida nos traz um consolo: foram vastos e duradouros os momentos que convivemos com aquele ser estimado, o que nos proporciona deliciosas recordações.

Vai em paz, Élida.

As cerimônias fúnebres irão até as 12h de hoje no Crematório São José.

*Texto publicado hoje na página 55 de Zero Hora 

Velha rua do meu bairro

28 de julho de 2010 7

Cruzei a esquina do bairro com a mente povoada de recordações da adolescência e coração crivado de saudade dos amigos mortos ou distanciados.

Velha rua do meu bairro, onde senti as primeiras intensas emoções do encontro sempre conflitivo com a maturidade.

Velhos companheiros dos encontros febris da nossa camaradagem.

Eu daria tudo que tivesse para reviver aqueles momentos.

Mas o passado não volta mais, o futuro teima em me impor medos, e o presente quase sempre é um sobressalto.

***

Velha rua do meu bairro, onde tocava o realejo do periquito que escolhia a sorte num envelope cifrado.

Velha rua do meu bairro, onde passava a bandeira do Espírito Santo, entre foguetes e vivas, no meio da agitação das crianças e da admiração dos jovens.

Nós mal imaginávamos isso que a vida nos dá agora, repleta de incertezas e desenganos, suavizados pela esperança de que ainda podemos ser felizes. O último fio de esperança.

***

Velha rua do meu bairro, onde se vendia quentão e pinhão quente, outras vezes pipocas.

E a mania dos fogos de artifício: bomba-rojão, trique-traque, bombinhas, buscapés, lá adiante, a uma quadra de distância, sempre havia uma fogueira de São João ou de São Pedro e São Paulo, onde invariavelmente aparecia um louco para pisar nas brasas escaldantes, não lhe restando, por incrível que pareça, quaisquer queimaduras ou escaras na sola do pé intacta.

***

Velha rua do meu bairro, cuja paisagem de fevereiro era dominada pelo rubro das melancias partidas. Um talho na melancia, não há ritual mais saboroso que cortar uma melancia.

Velha esquina do meu bairro, onde aprendi os meus primeiros cânticos e ouvi as primeiras anedotas.

Tempo alegre em que a juventude teimava em não fugir de nós e a velhice era apenas uma lenda que continha ameaças perigosas.

Esquina onde se preparavam as pandorgas, os papagaios e os caixões para serem soltos lá ao longe, no riacho, que naquele tempo não era poluído e onde se podia arriscar algumas braçadas.

***

Mal pressentíamos que aquela paisagem urbana e humana iria para sempre quedar-se em nossas lembranças e alegrar nossas reminiscências.

Engraçado que naquele tempo não existia inveja, ciúme, fofoca, nada de ruim, ainda não tínhamos sido investidos da condição humana que agride os outros e nos transforma em feras na luta pela sobrevivência.

O que existia era namoro, era camaradagem, era amizade, um tempo poético de aventuras cotidianas.

O sexo, ah, o sexo era apenas um mistério, no máximo um plano, sufocado pelas obscuridades onanísticas.

***

Quem me dera reviver-te, velha rua do meu bairro, a festa na paróquia onde os alto-falantes ressoavam nas dedicatórias incessantes: “Alô, alô, uma menina de saia azul com blusa branca, um rapaz de calça marrom dedica-lhe com todo o carinho a música Pensando em ti, com Nélson Gonçalves.

E o tiro ao alvo, as pescarias, o carrossel, às vezes até a roda-gigante. E o amendoim torrado rolando com picolé e refresco.

Idiotamente arrisco dizer que se era mais feliz do que agora, pelo menos não se pensava no futuro, isso não acontece agora, o que nos aterroriza.

*Texto publicado hoje na página 47 de Zero Hora

A estrela maior

27 de julho de 2010 27

Astrônomos vêm de descobrir no universo uma estrela gigantesca, com calor e luminosidade maiores que as do Sol.

É tão distante esta estrela da Terra que, calculam os astrônomos, o homem levaria, com os equipamentos que hoje possui, um bilhão de anos para chegar na nova estrela.

A estrela possui uma massa corpórea 256 vezes maior que o Sol. Se ela tomasse o lugar do Sol em nosso sistema solar, o Sol seria ofuscado na mesma intensidade em que ele ofusca a Lua hoje.

É uma descoberta fascinante.

E como a nova estrela ainda não possui nome bem definido, se é maior e mais luminosa que o Sol, só poderá vir a ter um nome: Pablo.

Seria a forma de dar a uma nova estrela o mesmo nome de uma velha e hoje decadente estrela.

Decadente em tamanho e calor, mas não em brilho.

***

Parece que é do Nélson Rodrigues o personagem chamado Palhares, um “cafajeste que foi capaz de apaixonar-se pela própria cunhada”.

Agora me mandam de Livramento a história de um homem que se casou com duas cunhadas.

Morreu sua mulher e ele casou com a irmã dela. Morreu a segunda mulher e ele veio a se casar com uma irmã das duas defuntas.

Mas como se pode chamar a isso: fetiche, tara ou meramente coerência genética no alvo?

Resta saber se, enquanto sobreviviam suas duas primeiras esposas, ele desejava as outras irmãs.

Se desejava, não tem perdão. Se se atraiu pelas esposas vindouras somente depois que as outras duas morreram, trata-se para mim de um homem normal.

Mais intrigante foi o que aconteceu estes dias em Cachoeirinha: um homem apaixonou-se pelo… cunhado.

***

Flagrou-se domingo passado, em Minas Gerais, o primeiro grande e imperdoável erro do treinador Silas do Grêmio: logo após ter sido marcado o segundo gol gremista, fixando o escore em 2 a 1 parciais favoráveis ao time de Silas, o treinador gremista, mandou sair do time exatamente o avante Jonas, autor do gol, colocando um volante em seu lugar.

Por que fez isso? Por que desmanchou o equilíbrio do time, que vencia com méritos o Cruzeiro?

Minutos depois da substituição errada e indevida, o Cruzeiro marcou o gol de empate.

Antes, quando estava ainda 2 a 1, eu bradava perante vários companheiros do Esporte de ZH, diante da televisão, que mesmo que o Grêmio ganhasse a partida iria criticar acerbamente Silas pelo erro. Meus colegas são testemunhas.

Por que os treinadores querem se tornar protagonistas principais, mexendo no time, quando o escore lhes fica favorável? Por que esta ânsia de aparecer?

Deu no que deu e quase sempre dá. Ao tornar o Grêmio mais defensivo, o infeliz Silas tornou o Cruzeiro mais ofensivo.

E foi-se por água abaixo a oportunidade magnífica do Grêmio sair da zona do rebaixamento e exorcizar de vez este fantasma que ronda novamente o Olímpico.

Até o momento em que foi substituído, Jonas foi indiscutivelmente o melhor jogador do Grêmio na partida.

Que lance infeliz de Silas! Que substituição tragicamente burra!

***

Bailarina Sem Breu, livro de crônicas de Mariana Bertolucci será o livro autografado pela autora, colunista de ZH, em sessão de hoje às 19h no Centro de Eventos do BarraShoppingSul.

Mano Menezes

26 de julho de 2010 45

Desejo felicidades a Mano Menezes na Seleção Brasileira.

Mas cumpro o dever de recordar dois casos que se passaram em 2005, no campeonato nacional da segunda divisão, protagonizados por Mano Menezes.

Impossível sonegá-los da lembrança do povo brasileiro.

Porque fomos testemunhas oculares ou auditivas dos episódios.

Corria o ano de 2005, novembro, e o Grêmio jogava contra o Santa Cruz no Olímpico.

O treinador era Mano Menezes. Para estupefação de todos, Mano Menezes descobriu uma sala com um televisor e ordenou que Anderson, a maior revelação do clube, tanto que foi logo vendido ao Porto de Lisboa, ficasse encerrado no cubículo, sem comunicar-se com ninguém, enquanto o jogo se desenrolava.

O episódio foi tão grotesto e bizarro que logo foi atribuída a Mano Menezes a intenção de não deixar Anderson no banco, onde ficaria exposto às súplicas dos torcedores e indicações dos jornalistas para que figurasse na escalação titular.

Mas incrivelmente Mano Menezes não só sonegou a Anderson um lugar no time como trancafiou-o num tugúrio, lá na ala administrativa do estádio, sem contato com a torcida e não podendo ver o jogo ao vivo do banco.

No banco, disse-se, Anderson seria solicitado veementemente pela torcida e pela imprensa a integrar o time titular, e isso poderia conturbar o ambiente no clube e no time.

Até agora o episódio restou como exótico e extravagante.

Dias depois, o Grêmio iria decidir contra o Náutico o título de campeão da segunda divisão, no Estádio dos Aflitos em Recife.

Era tão complicado aquele jogo que o Grêmio podia até não sair da segunda divisão, se perdesse.

O Grêmio teve quatro jogadores expulsos, restaram somente sete gremistas em campo.

Além disso, foi cobrado um pênalti contra o Grêmio, defendido pelo goleiro gremista Galatto.

Um jogo como nunca o Brasil e o mundo tinham assistido, tantas foram as desventuras de um time de futebol num mesmo jogo, antes de conseguir ainda um gol salvador que deu a vitória ao Grêmio e fê-lo sagrar-se campeão da segunda divisão.

Ironicamente, o fabuloso gol da vitória gremista foi de autoria de Anderson
, o jogador que o técnico Mano Menezes tinha recolhido ao presídio privado daquela sala fatídica no jogo contra o Santa Cruz.

Mas onde eu queria chegar depois de contar tudo isso? É que estapafurdiamente o treinador Mano Menezes tinha deixado no banco naquele jogo os jogadores Anderson e Lucas, as duas maiores revelações gremistas, tanto que o Lucas seria logo em seguida vendido para o Liverpool.

Anderson, vendido ao Porto, Lucas, vendido ao Liverpool, por duas fortunas, estavam sentados no banco por ordem de Mano Menezes.

Só no segundo tempo é que entraram no time e levaram o Grêmio à maior vitória de toda a sua história mais que centenária.

No banco, Anderson e Lucas!

Deus queira que na Seleção Brasileira o treinador Mano Menezes não cometa mais estas tropelias atentatórias ao bom senso e à razão.

Nunca mais sairá da lembrança dos gremistas esses dois episódios surrealistas que encerraram dois dos maiores erros cometidos por treinadores entre nós.

Felicidades, na Seleção, Mano Menezes.

Mas não ouse mais tantas loucuras.

* Texto publicado hoje na página 43 de Zero Hora

A bacia das almas

24 de julho de 2010 11

Parece mentira que o assunto sobre a criminalidade reinante tenha sido completamente abafado pelos engarrafamentos de trânsito na Grande Porto Alegre e, principalmente, pelos congestionamentos na Capital.

São médicos, com seus carros engarrafados, chegando atrasados a consultas e cirurgias, são profissionais de todos os matizes chegando atrasados a seus serviços, são os clientes desses profissionais também chegando atrasados.

E todos os engarrafados gastando o dobro ou o triplo de gasolina no “para-segue-para-segue”, levando o quíntuplo do tempo para chegar aos seus destinos.

*

E cada vez mais se agrava o congestionamento das nossas ruas e avenidas.

Em última análise, talvez todos sejamos culpados, os governantes e nós. Os governantes porque cruzaram as mãos nas últimas décadas e não prepararam a cidade e o Estado para o futuro, tinham de ter previsto esse gigantesco engarrafamento.

E nós, pergunto, será que temos culpa? Acontece o seguinte, se tivéssemos ônibus em frente a nossa casa, interligado aos mais diferentes lugares, ainda assim deixaríamos de apanhar o coletivo e ainda assim iríamos em nossos próprios carros? Se a resposta for sim, então somos culpados.

*

Em Porto Alegre já chegamos à marca de quase 700 mil veículos emplacados.

É espantoso: chegamos agora a um veículo por dois habitantes. Tinha de estourar, um dia haveria de explodir.

Fui um dos primeiros, os meus leitores são testemunhas, a perceber que iríamos engarrafar, há anos escrevi colunas advertindo.

Fui julgado um louco, no máximo, e um precipitado, no mínimo.

*

Agora está aí o quase colapso. Aparentemente sem remédio, porque há recursos para realizar a Copa do Mundo mas não os há para construir metrôs.

Mais sério do que tudo isso é quando uma ambulância que traz um paciente que necessita ser atendido com urgência jaz engarrafada.

Dói no coração da gente.

*

O engarrafamento começa dentro de Porto Alegre e por osmose vai se transferindo de modo terrível para os municípios vizinhos, através das estradas principais.

E o que também é grave: não há como fugir ao engarrafamento desviando por outras avenidas: todas estão engarrafadas.

E, no meio da catástrofe, outras minicatástrofes: os táxis, os lotações e os ônibus entram na mesma bacia das almas, concorrem com os carros e terminam também engarrafados.

Vejo técnicos pregando que se deve investir no transporte coletivo para atenuar a crise.

Mas o transporte coletivo não está na mesma via e na mesma condição de engarrafamento? De que adiantaria o transporte coletivo?

Não sei qual será a solução: não se pode resolver em dias ou meses o problema criado com decênios de omissão.

Texto publicado em ZH deste domingo

Da Fronteira

24 de julho de 2010 3

Muito obrigado, mas muito obrigado mesmo a todos que me tocaram perto ou longe.

*

Recebo de Rivera: “Pauuuulo Sant’Aaaaana, como diria Pedro Ernesto!! Bueno, pra mim, que sou um ignorante literário mas não menos burro sei admirar, apreciar e me apaixonar. Pra ficar bem claro esclareço.

Bom, sou casado e minha esposa está grávida (só pra explicar o termo… me apaixonar). Paulo, senhor Paulo Sant’Ana, eu conheço inúmeros apaixonados por você, dentre eles, colorados fanáticos e, você sabe, colorado é bucha de aguentar, pior se fanáticos. Minha satisfação é imensurável quando leio na Zero Hora (internet) e diz o seguinte…. ‘Sant’Ana não escondia a emoção nos seus autógrafos e, diversas vezes, interrompia o que estava fazendo para enxugar as lágrimas’. Porque você não imagina o quanto representa para o Rio Grande do Sul. Talvez imagine, mas sua ‘modéstia’ o impeça de reconhecer isso.

Sou um cronista ‘pra meu consumo’, escrevo coisas quando perco o sono à noite, exponho indignações entranhadas na essência de minha ignorância, pois não vejo saída para algumas coisas e não sei que mundo minha filha irá encontrar e isso me incomoda muito, muito mesmo.

Bom, descobri há muito tempo que o conhecimento é maldito, pois, a partir daí (descoberta do conhecimento), o ser humano não consegue ser feliz, certamente aí se justifica a felicidade da criança. Então, quero ser o cara mais ignorante, alienado, e leio e procuro me informar para ser ignorante e não tenho conseguido. Se deixar de ler, ver e ouvir noticiários, parece que não consigo ficar ignorante e alienado, pois via de regra são eles que assim nos deixam. Incrivelmente, o consumo de notícias trágicas faz com que se mova a indústria jornalística, mas aí aparece quem???? Pablo Sant’Ana.

Então, você é o idiota que me faz pensar e perder o sono, descobri que você é o culpado de minha insônia. Então, descobri que, para fechar os olhos para as atrocidades políticas, imorais e tendenciosas entre outras, é melhor não ler sua coluna todos os dias. Então, o meu sono volta, mas, como um vício invencível, torno a ler, a ouvir e sinceramente meu cérebro faz com que seja feliz sabendo que você sente as coisas que sinto e para mim isso é um prazer e uma realização, pois não sofro sozinho. Cara, desculpa os erros de português, haja vista que fui alfabetizado em Rivera, no Uruguai, e mesmo tendo me esmerado para saber escrever melhor, ainda não consegui chegar ao nível satisfatório.

Quando digo ‘idiota’, por favor, não é pejorativo, é provocativo. Não conheço uma pessoa que não goste de você, inclusive os colorados mais fanáticos, tenho um tio que disse ‘o dia que o Paulo Sant’Ana morrer, não sei o que vai ser de mim nem da Zero Hora’… Colorado é que nem petista, não sabe administrar sentimento sem ser fanático. Grande abraço, muita saúde, aqui em casa somos apaixonados por você, ‘seu idiota que me faz pensar’. Parabéns pelo livro. E o teu sucesso é o meu sucesso.” (ass.) Julián Fontes, residente em Caxias do Sul, natural de Rivera, Uruguai”.

É só engarrafamento

23 de julho de 2010 32

Eu tinha de assinar autógrafos às 19h30min no Bourbon Country, Livraria Cultura, ontem.

Por que então resolvi sair aqui de ZH às 17h30min? Está na cara, por causa do engarrafamento.

O engarrafamento passou a ser um inferno diário para os porto-alegrenses. Dezenas de governos municipais omissos, com exceção do engenheiro Telmo Thompson Flores, que encheu a cidade de elevadas, levaram a esse purgatório torturante do engarrafamento em nossa cidade.

Sempre que pego um táxi, repito ao taxista a frase célebre de Dom Pedro I ao seu cocheiro: “Devagar, que eu estou com pressa”.

*

Imaginem os imensos embaraços por que têm passado os porto-alegrenses com os congestionamentos. Examinem o e-mail que recebi ontem e que relata os tormentos de andar pela Porto Alegre engarrafada:

“Caro Sant’Ana. Permita-me ‘filosofar’ um pouco sobre o dia de ontem, um dia de loucura no trânsito, mas nunca imaginei que na minha vida fosse acontecer o que, abaixo, quero relatar.

Ontem, ao meio-dia, recebi uma ligação de um primo. A nossa tia que mora em PoA tinha falecido e as cerimônias seriam às 18h30min no Jardim Saint Hilaire, em Viamão.

Diga-se de passagem que a falecida era uma querida madrinha de batismo da minha esposa.

Decidimos ir dar nosso último adeus e, para ganharmos tempo, nossa saída foi programada para as 16h.

Pensei que duas horas e meia fossem mais do que suficientes para chegar em tempo ao cemitério Saint Hilaire de Viamão, pois conhecia bem o trajeto.

Quando passamos pelo zoológico de Sapucaia, avisamos aos primos que, de qualquer maneira, nós iríamos até lá, mesmo chegando tarde, pois, o trânsito estava lento.

Imagina, Sant’Ana, às 18h40min, devido ao trânsito lento (eterno suplício!), apenas estávamos chegando à rótula da Carlos Gomes/Protásio, da Perimetral… e ainda faltava todo o trajeto dali até o Saint Hilaire.

Foi a hora em que o primo nos ligou para dizer que a cerimônia já estava encerrada (lógico, lá no cemitério não podem esperar, tudo é programado) e que estavam todos indo embora, já era noite.

Naquele momento, essa ligação significava um solene e definitivo ‘adeus ao nosso adeus’, que tanto queríamos dar à nossa madrinha.

Restou-nos uma única saída… retornarmos. E chegamos em casa com uma incrível ‘maratona’ de quase cinco horas ao volante.

Mas o pior: naquele momento, uma tristeza imensa, inexplicável, se apossou de nós (só quem sentiu isso pode falar) e, especialmente, da minha esposa, quando notei seu rosto. Discretamente, ela estava lacrimejando!

Cara… como se diz na gíria… isso doeu!

Querido Sant’Ana, leio quase sempre a Zero Hora de trás pra frente.

Tua imensa experiência, capacidade psicológica e filosófica de escrever sobre tudo e sobre todos, duvido que alguém neste mundo conseguiria descrever a sensação que senti do ‘momento’ de tanta desolação e tristeza espiritual que se abateu sobre a gente!

Somos impotentes, humanos, sem o que dizer!

Desculpe este desabafo, esta carta que te envio, para dizer que sou mais uma voz que se junta a tantas que, certamente, fazem crescer, mais ainda, a montanha de mensagens solidárias ao teu raciocínio sobre a fortuna que vai se gastar para a Copa 2014 em detrimento a tantas outras necessidades extremas e urgentes, como a de dotar nossa cidade de obras que possam tornar o trânsito cada vez menos lento. Atenciosamente, (ass.) Albano Stein, Portão (RS)”.

* Texto publicado hoje na página 55 de Zero Hora

O dia do autógrafo

22 de julho de 2010 17

Hoje é dia de eu dar os autógrafos do meu livro Eis o Homem, da RBS Publicações. Os autógrafos serão na Livraria Cultura, do Bourbon Country, a partir das 19h30min.

O livro consiste num apanhado de crônicas colhidas durante minha vida, aspectos íntimos, confessionais, crivado de reminiscências, enfim, coisas da vida.

Espero que vão lá à tardinha para tomar um vinho nos autógrafos, bater um papo, se isso for possível, eis que sonho com filas de gentes.

***

Como foi muito grande o assédio e o interesse do público pela Priscila Montandon, a personagem viva que criei nas duas últimas colunas, a menina bela da tarde que de repente ficou conhecida do Rio Grande sem ter seu rosto desvendado, convidei-a para estar presente nos autógrafos hoje à noite.

Priscila me disse que vai, e pode ser aí a oportunidade para que o público sacie sua curiosidade sobre a excitação do imaginário que criei em torno de seu delicado vulto.

É linda mesmo esta garota que serve para ser minha neta.

Mas temo que sua presença hoje nos autógrafos me relegue a uma posição nitidamente secundária.

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A manchete dos últimos dias: “Alceu Collares pode ser expulso do PDT”.

Seria um acontecimento tão fantástico, que me atrevo a dizer que expulsar Collares do PDT seria o mesmo que expulsar Adão do Paraíso e expulsar os judeus da Terra Prometida.

Está me cheirando essa expulsão de Collares do PDT a um caso de amor mal solucionado.

Amor e traição.

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As 13 mil crônicas diárias que escrevi em Zero Hora durante esses últimos 38 anos serviriam para se constituir em 330 livros.

Não sei de onde tirei tanta imaginação, tanto estudo, tanta reflexão, onde pude colher tantos flagrantes do cotidiano, farpas de recordações do passado ou lampejos do presente, além de medos do futuro.

Muitas dessas crônicas foram frutos de rasgos, repentinos e, modéstia à parte, luminosos.

Outras tantas foram feitas às pressas porque o jornal tinha de baixar e não têm a mesma qualidade.

Foram assim as minhas milhares de crônicas, fruto da pressa ou da inspiração.

Incomodei-me com muitas. Já em outras, os leitores foram bondosos e tolerantes com as bobagens que escrevi.

Mas houve algumas, centenas, em que coloquei meu estro supremo, vazei a minha dor extrema ou escrevi dominado por uma euforia extraordinária em que vibravam totalmente os meus sentidos, as minhas sensações, as minhas emoções, como as cordas de uma harpa.

Foram estas crônicas o sumo da minha modesta obra, em que fiz os leitores chorar ou gargalhar.

Houve leitores, muitas vezes, que me mandaram dizer que molharam as páginas do jornal de lágrimas enquanto liam minhas crônicas, outros que, tão pronto leram, recortaram a coluna, fizeram um quadro e o dependuraram na cozinha ou na sala, onde até hoje permanece.

Obra é isto: é o que permanece. O resto o vento leva.

Se daqui a 20 anos, 30 anos, quando eu já tiver baixado há muito tempo à sepultura, houver um gaúcho ou gaúcha que recordar alguma crônica minha com emoção de nostalgia, terá valido a pena esta aventura esplendorosa que tive no mundo do jornalismo.

A vida vale a pena quando a emoção não é pequena, por isso as melhores colunas foram aquelas em que escrevi intensamente emocionado.

* Texto publicado hoje na página 55 de Zero Hora

O dia do sim

21 de julho de 2010 59

O repórter Juliano Schüler flagrou o momento em que Paulo Sant’Ana convence a Bela da Tarde a ir ao lançamento de seu livro, nesta quinta-feira, às 19h30min, na Livraria Cultura do Bourbon Country.

Após relutar, Priscila concede o esperado sim, para euforia do colunista no fumódromo de ZH. Confira:

Bela da tarde (II)

21 de julho de 2010 24

Uma frase que bolei ontem à tarde: “Não preciso tomar Viagra: já tem sido muito duro ser gremista”.

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Como devem saber os leitores diários, escrevi ontem um poema, uma ode a Priscila, a bela colega aqui de Zero Hora.

Choveram e-mails na coluna e posts no blog. Nunca vi tantas mensagens, mais do que quando escrevi que sou contra a Copa do Mundo.

E todas as mensagens exigem que eu mostre na minha coluna e/ou no meu blog a foto de Priscila.

Estou estudando a possibilidade jornalística e jurídica de publicar a foto da bela Priscila. Pode ser amanhã ou nos próximos dias.

Abaixo, uma amostra das mensagens.

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Ivan Lindenberg diz: Pelo amor de Deus, Pablo, e as fotos da guria?

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Flávio diz: Não vejo a hora de vê-la, Paulo Sant’Ana, você deixou todos com muita curiosidade… leve-a com você ao Jornal do Almoço de quinta-feira. Estou já imaginando…

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José Mario diz: Oi, Sant’Ana. Que tal botar umas fotinhos dessa formosura aí na tua coluna, para vermos se tu ainda tá em forma com relação à beleza feminina???

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Antônio Magalhães diz: Pablo, tua coluna virou uma caixa de surpresas. Hoje falas de uma mulher linda, ainda bem que hoje valeu a pena ler. Noto que sempre tens te queixado de para ti ser tarde para tudo. A mim, parece estares te despedindo. Sant’Ana, vou te ensinar, te despede de nós com alegria, com força, para mostrar aos mais novos como se faz, pois chegará a hora deles. Faze teus últimos tempos por aqui tão brilhosos como foram os outros tempos de tua existência, e reflitas que só não passa por isso que estás passando aquele que se vai antes da hora. Um abraço e Feliz Copa do Mundo no Brasil!

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Rafael diz: Pô, Sant’Ana a descrição dessa garota me deixou louco, publica uma foto dessa maravilha, por favor!!!!!! Sou de Santa Maria e não vou poder entrar na fila de visitas da ZH.

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Luiz diz: Senhor Paulo Sant’Ana, com todo o respeito e, apenas como admirador da beleza feminina, coloque uma foto, um retrato da Bela da Tarde Priscila.

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Adelar diz: SANT’ANA, NÓS, LEITORES, PRECISAMOS VER A PRISCILA. NO PRÓXIMO COMENTÁRIO, COLOQUE UMA FOTO DELA.

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Bruno Johann diz: Eu gostaria de ver uma foto dessa tal Bela da Tarde! Sant’Ana, parabéns pela descrição… com muita elegância conseguiste descrever a beleza dessa mulher.

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Airton diz: Que crônica esta da Priscila! Parabéns pelo encerramento da coluna, perfeito. E agora é inevitável que coloques a foto dela, de algum jeito.

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Jean Voltz diz: Bom dia, Sant’Ana. Por favor, manda por e-mail uma foto da Bela da Tarde. Pois quero compartilhar a alegria visual.

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Nei diz: Para uma terça-feira de sol, aqui na Metade Sul, teu texto é a garantia de um ótimo dia. Muito bom.

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Felipe Delfino diz: Posta uma foto da Priscila, pô!!! Deixou a gente só na expectativa…

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Rogério diz: Já não aguento a ansiedade de tomar o rumo da Ipiranga e ir a esta peregrinação, vislumbrar esta beleza e talvez correr o risco de ser corrompido por um súbito e irreversível apaixonamento!!!

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JefLucas diz: Sant’Ana, decorei-a, da batata da perna à maçã do rosto… É e continuará sendo platônico. Pobres de nós, homens, nas mãos de uma mulher como a Priscila. As mulheres dominariam o mundo, se tivessem um arsenal como o dela.

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Fabio diz: Cadê a foto da Priscila????? Manda o telefone dela. Ela é uma labareda flamejante.

* Texto publicado hoje na página 47 de Zero Hora

A Bela da Tarde

20 de julho de 2010 45

Aqui, na Zero Hora, existe uma Bela da Tarde que nada tem a ver com a Belle de Jour da novela de Joseph Kessel, celebrizada no filme de Luis Buñuel.

Ou melhor, tem a ver pela beleza estonteante.

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Vejo os homens conversando com Priscila ao redor do fumódromo. O David Coimbra conversa com ela várias horas por semana. O David Coimbra é um espertalhão, ele vai até a zona das cercanias do fumódromo, sabendo que ali está a nata de mulheres e homens espirituosos e deita a rede da sua pescaria.

O David sabe que é no fumódromo que medra a carqueja e viceja o alecrim.

Uma das flores mais belas do jardim do fumódromo é Priscila. Ela tem os olhos cor de amêndoa, possui um quase imperceptível piercing na narina externa esquerda, um corpo esguio que a faz deslizar no corredor, esteja de tênis ou de salto alto, como se calçasse patins.

É a própria expressão da feminilidade.

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Ela é perfeita da cabeça aos pés. Além de tudo, Priscila abre um sorriso emoldurado por duas fileiras de dentes da mais absoluta simetria. Sorri por qualquer coisa, isso acontece com todas as pessoas que sabem que são belas e atraem os outros, pois Priscila tem apenas 27 anos e assim descortina um futuro de esplendor.

Uma pesquisa feita agora na Inglaterra perguntou a 2 mil homens e mulheres quais são as mulheres mais belas. A esmagadora maioria declarou que as mulheres mais bonitas têm 31 anos de idade.

Não por acaso, Juliana Paes, Carolina Dieckmann, Débora Falabela e Luize Altenhofen têm hoje 31 anos.

Os leitores podem imaginar como será a nossa Priscila quando tiver 31 anos: uma mulher para 500 talheres.

Daqui a quatro anos, será a Copa do Mundo de Priscila.

Priscila-2014.

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Como sou acurado observador perceptivo da beleza feminina, notei que havia um incidente num dos pés de Priscila: na articulação metatarso-falange do primeiro dedo, no antepé, surgiu uma ameaça perigosa de joanete, que passa despercebida aos principiantes do estudo anatômico das mulheres.

Por incrível que pareça, em vez de desmerecer Priscila, o risco do joanete deixou-a mais linda ainda, sob a luz dos holofotes dos fetiches.

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Parece incrível que esteja entre nós, aqui de Zero Hora, a mulher mais bonita do Rio Grande do Sul, que veste e anda como despojada.

Seu rosto é o mais cinematográfico aqui da província e para mal dos pecados ela trata a todos que a visitam turisticamente com ternura ímpar e bom humor notável.

Depois desta coluna, já providenciei que sejam organizadas filas para visitação a Priscila a partir das 7h de hoje, aqui na frente do prédio de Zero Hora. A Brigada Militar já foi avisada para prevenir prováveis distúrbios.

Assim é a minha, a nossa Bela da Tarde, eis que é à tarde que as mulheres ficam mais bonitas.

Eu ontem chamei Priscila a um canto, olhei-a no fundo de seus olhos de leoparda e disse-lhe: “Minha querida Bela da Tarde. Pena que para mim já seja demasiadamente tarde”.

* Texto publicado hoje na página 55 de Zero Hora