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Guri

07 de agosto de 2010 17

Ah que saudade, César Passarinho, da tua voz ecoando pelo auditório, os gaúchos e as prendas te ouvindo reverencialmente, o tom másculo e delicado das tuas estrofes encantando as pessoas:

Das roupas velhas do pai

Queria que a mãe fizesse

Uma mala de garupa

Uma bombacha e me desse.

* * *

Enquanto cantavas, César Passarinho, espalhava-se pelo auditório uma unção gauchesca e nativista que parecia aos ouvintes que a pátria primeira era o Rio Grande, o Brasil não passava de um território depois anexado:

Queria boinas e alpargatas

E um cachorro companheiro

Pra me ajudar a botar as vacas

No meu petiço sogueiro

* * *

De onde é que o João Batista Machado e o Júlio Machado da Silva Filho foram tirar tanta inspiração para compor este Guri?

É um hino comparável ao Canto Alegretense, tem de ser cantado ajoelhado ou em posição de sentido.

Mas tu, ícone amado, César Passarinho, pássaro canoro, emprestaste a esta canção célebre um cheiro de pampa e de tapera dificilmente conseguido em outras composições célebres.

* * *

Hei de ter uma tabuada

E o meu livro “Queres ler”

Vou aprender a fazer contas

E algum bilhete escrever

Pra que a filha do seu Bento saiba

Que ela é meu bem querer

E se não for por escrito

Eu não me animo a dizer

* * *

Que saudade que dá do tempo em que eras vivo, César Passarinho, embora as gravações te tenham eternizado.

Quando eu ouvia o Leopoldo Rassier, saudoso amigo, me lembrava de ti, quando ouço o João de Almeida Neto, o José Cláudio Machado, o Élton Saldanha, o Daniel Torres, o Wilson Paim, quando ouço todos estes rouxinóis, lembro-me de ti, César Passarinho:

* * *

Quero gaita de oito baixos

Pra ver o ronco que sai

Botas feitio do Alegrete

E esporas do Iborocai

Lenço vermelho e guaiaca

Compradas lá no Uruguai

Pra que digam quando eu passe

Saiu igualzito ao pai

* * *

É muito bom, César Passarinho, que nosso maior ídolo cantante sejas tu, negro, pois a raça negra forjou também este Rio Grande das peleias, do chimarrão, do churrasco, da bombacha, do tirador, do pingo, da cana, do carreteiro e das invernadas.

Tu tinhas e tens, César Passarinho, catinga de pampa e de coxilhas.

Mas, cá para nós, entre todas as pérolas que cantaste, este Guri foi de fazer-nos enlouquecer e “ir dormir nos trilhos”.

*Texto publicado em ZH deste domingo

Comentários (17)

  • clovis rossato barchet diz: 7 de agosto de 2010

    SANTANAAAAAAAAAAAA
    CADE O NOSSO GREMIO,SO TEM PAULISTAS, SEM A GARRA GAUCHA NÃO DA ,SAO MUITO MOLES…………
    PELO AMOR DO DEUS
    socorroooooooo
    teu fa desde os 8 anos d idade
    sds

  • Leonardo diz: 7 de agosto de 2010

    Viva o Internacional!!! Rumo ao Bicampeonato da América e do Mundo!!!

  • Marlon Cezar diz: 7 de agosto de 2010

    Caro Paulo Santana, Cesar Passarinho foi e sera o maior interprete da musica nativista do Rio Grande do Sul, que falta nos faz, dentre tantas musicas gravadas por ele Guri é sem sombra de duvidas um verdadeiro hino. Um forte abraço.
    Marlon Cezar

  • Fabio diz: 7 de agosto de 2010

    Ué,o Santana não fala mais de futebol????????

    Ahhhhh,já sei,torce pro Portoalegrense!!!!!!!!!!!! Que peninha rsrsrsrsr

  • Pedro Luis Henrique Moreira de Neves diz: 7 de agosto de 2010

    Bonito, mesmo, esta homenagem do Paulo Sant’Ana a César Passarinho. Só é estranho falar tanto assim no negro, no Rio Grande (vermelho, verde e amarelo), no gauchesco, espanhol, português, chimango, maragato, pica-pau, farroupilha, é tudo, tudo, tudo o que é tradição, raça, do mate ao lenço no pescoço, verde e vermelho, vermelho, vermelho, vermelho. Não existe gaúcho azul. Só se for “gaucho”. Tudo o que não é brasileiro, o que não é pampa, o que não é índio, missioneiro, negro, pampa, tudo. “Alegrense” é uma aberração. Até o grêmio, primeiro campeão gaúcho, o Brasil, brasa, vermelho, é vermelho, é Brasil !

  • elias diz: 7 de agosto de 2010

    Belo texto. Mas, o que é que tem essa coisa com a página do inter? Coloquem só na página dos pijamas, no máximo.

  • José Mattos diz: 7 de agosto de 2010

    “Mas o que foi, nunca mais será”.

  • Luiz Carlos Gonsalves diz: 8 de agosto de 2010

    Paulo:
    Parabens por este belo texto, deveriamos lembrar e louvar figuras como as que sitaste com mais frequencia . Cada estrofe de canções como esta são um passeio pela alma do gaucho que realmente tem sentimento de orgulho por esta terra, cada estrofe nos conduz a cavalgar por nosso inconciente imaginário, nos nos transporta para todos rincões deste Rio Grande e nos faz entender como esta sociedade foi formada atraves dos seculos, mais que versos são historia escritas com poesia, tambem sinto Saudades Cesar Passarinho, Jaime Caetano Braum e tantos outros .

  • Flavio Eduardo Correa diz: 8 de agosto de 2010

    Parabéns Paulo Santana! Mais uma vez brilhante!
    Resgataste um grande ídolo dos gaúchos, o César cantou e encantou, como um “verdadeiro passarinho”, tive o privilégio de conhecer e conversar com esse imenso cantor lá na minha distante Quarai, homem simples.. como todo gênio..pena que foi embora cedo, mas a lembrança de sua voz ficou eternizada, e jamais deve ser esquecido..assim como o poetas dessa bela obra de arte que é o Guri, um abraço de um colorado que te admira!

  • Luiz Fabiano diz: 8 de agosto de 2010

    Sempre lembro do meu pai, quando escuto guri.
    uma versão muito bonita está no youtube.

    segue o link
    http://www.youtube.com/watch?v=OsokOgHxT0Y

  • rogerio de assis diz: 8 de agosto de 2010

    FELIZ DIA DOS PAIS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • sergio diz: 8 de agosto de 2010

    Homenagem de um colorado aos dia dos Pais!
    É isso aí Santana! Essa música do César Passarinho só faz me lembrar aquela linda música que fala assim: PAPAI É O MAIOR, PAPAI É QUE É O TAL…. HEHEHEHE… UM ABRAÇO E SORTE COM O TEU POBRE GRÊMIO.

  • J. Zart diz: 8 de agosto de 2010

    Nossos cantos não são ouvidos na Azenha, onde medíocres jogadores com salários altíssimos imaginam representar nossas cores. Duda & cia pensam no verde dos dólares a no multicolorido do euro ao vender os guris e ao comprar medalhões ultrapassados, que não conhecem bombachas ou gaita-ponto. Os livros omitem essas sujas negociações. Agora, só falta Duda pedir pra sair. Precisa?

  • JORGE LUIZ UMINSKI—KID diz: 8 de agosto de 2010

    SANTANA……..que coisa boa voce falar do PASSARINHO…….que coisa boa voce falar da nossa gente, dos nossos cantores, dos nossos artistas…….fui AMIGO do PASSARINHO….quantas vezes levei ele para cantar e encantar lá no meu CACEQUI……que SAUDADE do NEGRO DA GAITA……..daquele GURI que queria ser igualzito ao PAI…….daquele negro que questionava: QUE HOMENS SAO ESSES???….PARABENS SANTANA…..siga escrevendo sobre a nossa gente…..um abraçao…..KID

  • GAÚCHO GREMISTA diz: 8 de agosto de 2010

    Texto lindíssimo. Parabéns. Nessa hora em que o GRÊMIO sucumbiu de vez e o interzinho está nas alturas, ainda nos resta o orgulho de sermos gaúchos.

  • Álvaro diz: 9 de agosto de 2010

    Quero parabenizar o Sr. Paulo Santana pela ótima coluna, enaltecendo a tão mal valorizada cultura gaúcha. Eu, adepto da nossa cultura campeira, fico muito orgulhoso quando manifestações desse porte aparecem na mídia, ainda mais em se tratando de um jornal de grande circulação como a Zero Hora.

    Parabéns Paulo Santana!

  • antonio roque diz: 9 de agosto de 2010

    Caro Paulo Santana, sou colorado de doer e tô na festa de Abu Dhabi, mas, a admiração é grande, mesmo quando falas dos bananas de pijama ali da Azenha. Mas, a emoção é maior quando falas do Rio Grande e de nossa gente. Esse cuera que lhe escreve, extraviou-se, foi fazer a vida no Mato Grosso, onde somos muitos, inclusive temos o dia 20 de setembro, como data festiva gaúcha oficilizada por lei estadual, e é bom sentir esse nó na garganta quando falas do Guri e de César Passarinho. Bravo teu texto, obrigado pela emoção!

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