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Lacunas restabelecidas

24 de janeiro de 2011 1

A notícia de que uma decisão judicial causaria a devolução de mais de 295 funcionários que atuam Hospital Materno-Infantil Presidente Vargas para a Fundação Riograndense Universitária de Gastroenterologia em Porto Alegre (Fugast) sensibilizou a médica Lizia Motta.

O risco de demissão deles é iminente, segundo relato da profissional.

Abaixo, reproduzo o comentário enviado pela nefrologista (Cremers 18213).

“Estimado Santana:

Sou médica nefrologista há 3 anos no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas e hoje me deparei com tua coluna. Aliás, em nada surpresa, pois estás sempre na vanguarda da defesa do SUS, o que me causa há muito profunda e deveras admiração.

Para quem não sabe… Em breve – prazo final é 8 de março de 2011 – haverá da devolução de quase 285 funcionários da FUGAST ( Fundação de Gastroenterologia do Estado do RS), que exercem atividades há 15 anos no Hospital Presidente Vargas(HMIPV), por força de decisão judicial já transitada em julgado no Supremo Tribunal Federal para a mesma.

Provavelmente ao serem devolvidos estes funcionários serão demitidos, pois a FUGAST não irá aproveitá-los( e quiça terá dinheiro para pagar as recisões…) . Destes, 52 são médicos…são colegas de profissão, preceptores das nossas residências médicas de ginecologia, pediatria e psiquiatria, especialistas com subespecialidades que formam futuros profissionais com perfil de atuação no SUS.

Isto gerará impacto de redução de 33% de nossa força de trabalho – atualmente em quadro reduzidíssimo de 871 funcionários – e em torno de 6% a menos no SUS de POA .
O que será dos pacientes neonatais, quando a UTI do HPV reduzir 50% da sua força de trabalho que imediatamente não será reposta? De certo leitos deste tipo abundam no estado? E a UTI pediátrica? E residência médica que forma recursos humanos para o SUS? E o centro obstétrico, que atende qualquer gestante que chega de qualquer lugar, inclusive interior do RS? E dos exames que realizamos – mamografias, rx, colonoscopias, endoscopias? E nossa internação psiquiátrica? E dos quase 30% de pacientes do interior do estado que consultam diariamente nos ambulatórios de HMIPV? De certo, as já comblaidas e superlotatadas emergências dos hospitais portoalegrenses absorverão todos eles?

E não esqueçamos que o pessoal da FUGAST entrou no hospital justamente para repor lacunas de RH que na época só podiam ser feitas desta forma… Imagina agora….

Santana, como servidora municipal em Porto Alegre há 11 anos, médica há 20, com maior parte de trabalho na saúde pública e funcionária do HMIPV, confesso extrema preocupação com o caos que poderá se estabelecer com, no mínimo, a dessassistência à saúde materrno infantil portolegrense que vai advir.

Conto com tua sensiblidade, relevância, importância e força na mídia falada, televisada e escrita, para mobilizar o apoio e sensibilizar segmentos da sociedade, politicos e gestores e reverter esta situação, pois a ninguém mais resta recorrer.

Mais uma vez, com prrfunda admiração e apreço, um grande abraço.

Lizia Maria Meirelles Mota
Cremers 18213”

Comentários (1)

  • Ricardo diz: 24 de janeiro de 2011

    Caro Santana, fico feliz em saber que pessoas que não estão envolvidas diretamente na situação, mostram-se sensíveis, não só ao nosso problema, mas também preocupados com o bem estar da população. Independente do desfecho agradeço a tua disponibilidade em ter lido meu desabafo e continuo contando com a tua brava postura perante as tuas opiniões. Um abraço,
    Ricardo Meyer

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