Texto publicado em 17/04/2008.
Um dos equívocos mais correntes no mundo moderno é a confusão que se faz com o homem culto, preparado, eficaz nas suas ações particulares e profissionais e o mesmo homem sem nenhum talento e inteligência. Não raro se considera inteligente um equilibrista ou um trapezista que obtêm algum destaque em sua atividade circense mas que nunca obtiveram do público um estrondoso aplauso porque nunca criaram um lance de cabo de aço ou de trapézio em que tenham sido pronunciados o seu talento e sua criatividade de modo a empolgar a plateia ou levá-la ao delírio.
E, na vida real, em todas as profissões, tudo acontece como no futebol: há os jogadores medíocres e há os craques. Já citei o caso de escritores que escrevem durante uma vida inteira, alguns até adquirem prestígio junto a determinado público não diferenciado, mas não vendem seus livros. Houve até aqui no Rio Grande do Sul, poucas décadas atrás, o caso de um escritor muito conhecido que no entanto não era lido pelo público.
Há casos também de jornalistas que passam 50, 40 anos escrevendo em jornais e o público leitor nunca registrou na memória o que escreveram, não se conhece nenhuma frase deles e não se lembra qualquer matéria de sua autoria. São essas pessoas admiráveis que passam pela vida sem destacar-se, mas nem por isso deixam de ser úteis para seus tempos e para seus espaços, nunca alçam voos de águia ou condoreiros, mas seus voos de galinha são insistentes e esforçados.
Essas multidões de medíocres são os donos do mundo, constituem-se em expressivas maiorias em suas colmeias de trabalho, não raro suplantam em mérito e em nome os que não são medíocres e possuem talento, seja pela esperteza delas, seja pelo esforço que mascara a inteligência, seja também porque os raros gênios que vicejam no seu meio ou não são reconhecidos, ou são amassados pelo tropel do rebanho.
Mas quando uma inteligência superior irrompe entre a horda de mediocridade, quando a flor do pensamento superior,
como a aptidão singular para o raciocínio luminoso, surge em qualquer agrupamento humano, então jorra uma
tal luz transcendente sobre esse ambiente restrito que os raios desse brilho ofuscante não só se espalham pelo chão e pelo ar que cerca os integrantes embasbacados dessa coletividade como se arremessam para além do perímetro grupal e vão inundar de sabedoria ou arte, de conhecimento ou talento, de poesia, humor, ciência, outras cidades, os Estados, os países e o mundo.
Só que um gênio só se revela depois de muita dor e sofrimento. E principalmente de muita dúvida que se manifeste sobre ele. Um gênio só se conhece depois que milhares de pessoas garantam que têm talento igual ao dele.
Um dos equívocos
mais correntes no
mundo moderno
é a confusão que
se faz com o homem culto,
preparado, eficaz nas suas ações
particulares e profissionais e o
mesmo homem sem nenhum
talento e inteligência.
Não raro se considera
inteligente um equilibrista
ou um trapezista que obtêm
algum destaque em sua
atividade circense mas que
nunca obtiveram do público
um estrondoso aplauso porque
nunca criaram um lance de cabo
de aço ou de trapézio em que
tenham sido pronunciados o
seu talento e sua criatividade de
modo a empolgar a plateia ou
levá-la ao delírio.
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E, na vida real, em todas as
profissões, tudo acontece como
no futebol: há os jogadores
medíocres e há os craques.
Já citei o caso de escritores
que escrevem durante uma vida
inteira, alguns até adquirem
prestígio junto a determinado
público não diferenciado, mas
não vendem seus livros.
Houve até aqui no Rio Grande
do Sul, poucas décadas atrás,
o caso de um escritor muito
conhecido que no entanto não
era lido pelo público.
Há casos também de
jornalistas que passam 50, 40
anos escrevendo em jornais e o
público leitor nunca registrou
na memória o que escreveram,
não se conhece nenhuma frase
deles e não se lembra qualquer
matéria de sua autoria.
São essas pessoas admiráveis
que passam pela vida sem
destacar-se, mas nem por isso
deixam de ser úteis para seus
tempos e para seus espaços,
nunca alçam voos de águia ou
condoreiros, mas seus voos
de galinha são insistentes e
esforçados.
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Essas multidões de medíocres
são os donos do mundo,
constituem-se em expressivas
maiorias em suas colmeias de
trabalho, não raro suplantam
em mérito e em nome os que
não são medíocres e possuem
talento, seja pela esperteza delas,
seja pelo esforço que mascara
a inteligência, seja também
porque os raros gênios que
vicejam no seu meio ou não são
reconhecidos, ou são amassados
pelo tropel do rebanho.
Mas quando uma inteligência
superior irrompe entre a horda
de mediocridade, quando a
flor do pensamento superior,
como a aptidão singular para
o raciocínio luminoso, surge
em qualquer agrupamento
humano, então jorra uma
tal luz transcendente sobre
esse ambiente restrito que os
raios desse brilho ofuscante
não só se espalham pelo
chão e pelo ar que cerca os
integrantes embasbacados
dessa coletividade como
se arremessam para além
do perímetro grupal e vão
inundar de sabedoria ou arte,
de conhecimento ou talento, de
poesia, humor, ciência, outras
cidades, os Estados, os países e o
mundo.
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Só que um gênio só se
revela depois de muita dor e
sofrimento. E principalmente de
muita dúvida que se manifeste
sobre ele.
Um gênio só se conhece
depois que milhares de pessoas
garantam que têm talento igual
ao dele.
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