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Posts de setembro 2011

Novos jornalistas

30 de setembro de 2011 1

Recebi hoje à tarde, na redação de Zero Hora, um grupo de novos jornalistas que participam do Laboratório da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos (ACEG). O objetivo do projeto é inserir estes profissionais no segmento do jornalismo esportivo.

A coletiva foi realizada no nosso estúdio da TVCOM, onde conversamos sobre a Copa do Mundo de 2014, o futebol e a minha paixão pelo Grêmio.

Veja algumas fotos do encontro:


O segredo

30 de setembro de 2011 1

Texto publicado em 25/11/2010.

Tenho particularmente fascínio por um tema: o segredo. Acho até que uma das grandes atrações da vida é poder guardar um segredo. Há diversas nuanças entre os segredos. Vou pinçar agora uma: duas pessoas se amam e mantêm em segredo o seu amor. Ele é curtido silenciosamente entre os dois, as outras pessoas todas que vivem ao derredor  desses dois enamorados desconhecem completamente que eles se amam. Evidentemente que os compromissos e as convenções sociais impelem esses dois namorados secretos a manterem seu segredo.

Se por um lado custa-lhes muito caro manter esse segredo, que caso fosse violado ameaçaria a sobrevivência do amor oculto, por outro é extremamente delicioso para os dois amantes que eles não confiem a ninguém o seu segredo. Os dois comparecem a reuniões, almoços, jantares, festas, ninguém desconfia deles. E eles curtindo saborosamente o seu segredo.

O diabo é que o segredo sempre carrega dentro de si uma culpa, uma vontade de desabafar, um ímpeto de gritar ao mundo que todos deveriam ficar sabendo daquilo, libertar-se assim dos grilhões que amarram o seu segredo. “Ela sabe que eu a amo, eu sei que a amo, isto é o suficiente.”Será mesmo isso suficiente? Quantos e quantos casos de amor inundam o cotidiano, nos quais a marca mais genuína é a confidencialidade? Este segredo em amar é muito frequente em pessoas casadas, que querem manter seus laços conjugais e temem mergulhar nos riscos da aventura extraconjugal ou da separação, se o segredo for violado.

Mais frequente que o segredo guardado a sete chaves por duas pessoas é o segredo que pertence a uma só pessoa. Ela ama, mas ninguém sabe que ela ama, nem mesmo a pessoa que por ela é amada. Parece uma idiotice não noticiar a uma pessoa a quem se ama que ela é assim intensamente amada, mas não é. A vida trata ela mesma de antepor obstáculos vários entre as pessoas que amam. Quando alguém ama e a pessoa amada não tem conhecimento disso, imaginem a tensão, o nervosismo, a intensa emoção da pessoa que ama quando se encontra com a pessoa amada, o seu constrangimento em não revelar por nenhum gesto ou palavra o seu segredo!

Sempre, o detentor de qualquer segredo é um prisioneiro dele. Ele não vai dormir por sequer qualquer noite sem preocupar-se com seu segredo. E muitas vezes aquele segredo amassa tanto seu detentor, que ele não resiste e acaba rompendo o segredo. Se por um lado arrastará todas as consequências da violação do seu sigilo, por outro quem conta um segredo saboreia a deliciosa sensação de liberdade, tirou de cima do seu corpo aquele fardo pesado e insuportável. Pronto, não existe mais o segredo. Mas de que irá viver daqui para a frente quem não tem mais um segredo sob sua guarda? O violador do segredo mergulha num escuro abismo de vazio.

D'Alessandro simulou

29 de setembro de 2011 51

Depois de Mário Fernandes não atender à convocação de Mano Menezes para o jogo de ontem, foi a vez de D’Alessandro deixar na mão a seleção argentina.

A atitude dos jogadores foi comentada por Paulo Sant’Ana, no Sala de Redação desta quinta-feira. Para o colunista, enquanto o lateral do Grêmio teve coragem de assumir sua posição, “D’Alessandro escondeu-se atrás de uma pseudolesão para não servir à seleção de seu país”.

Ouça a íntegra do programa:

Em ritmo de carnaval

29 de setembro de 2011 0

Paulo Sant’Ana soltou a voz no Jornal do Almoço desta quinta-feira. Ao lado do intérprete Paulinho da Mocidade, o colunista cantou O Amanhã.

Assista ao dueto:

Kit antiassédio

29 de setembro de 2011 0

Texto publicado em 20/05/2004.

O pressuposto básico do assédio sexual é o encurralamento da vítima. Só se caracteriza o assédio sexual quando não restar outra alternativa para a vítima, diante da coação partida do acusado, que não seja ceder. O assédio sexual é uma espécie de tentativa de estupro social. É um drástico e grave excesso do cavalheirismo e da galanteria. Mas parece que precisa ficar caracterizada no assédio a moeda de troca: o assediador tem de prometer à assediada, expressa ou tacitamente, que irá favorecê-la por uma sua ação ou omissão.

Quando houver quatro homens e uma mulher para viajar num carro e se quiser evitar o assédio sobre a mulher, deve-se evitar que a mulher sente no banco de trás: ela fica muito vulnerável naquele aperto. O melhor é conceder que a mulher viaje ao lado do motorista, que ocupado com o volante terá muito menores chances de molestá-la. Uma mulher espremida entre dois homens no banco de trás é um convite ao assédio sexual. Começa que as seis pernas haverão de fatalmente se tocar.

Convém à mulher que viaje espremida entre dois homens no banco de trás o uso de equipamento anticontato, recomendando-se tornozeleira, joelheira ou até mesmo aquelas extensas e sólidas caneleiras usadas pelos jogadores de futebol debaixo das meias. Com esse aparato, a mulher que viajar prensada entre dois homens no banco de trás de um carro ficará imune à pressão física e terá a vantagem de também poder resistir à tentação.

Se, no entanto, os dois homens que estiverem sentados no banco de trás, ou um deles, possuírem antecedentes de assédio sexual, não bastam apenas essas barreiras de proteção das pernas da mulher. Para descartar totalmente a possibilidade do assédio sexual, uma vez que é presumível que o assediador do banco de trás não se contentará com o entrechoque das pernas e avançará sobre o planalto da vítima, podendo tentar beijar-lhe as orelhas e o pescoço, convém o uso de equipamentos de proteção especializada.

Para evitar o beijo na orelha, a mulher deve equipar-se desses capacetes que usam os motoqueiros, isso inibirá completamente o assediador de arremessar ósculos sobre os pavilhões auditivos da vítima. Se ainda assim o pescoço da mulher ficar a descoberto, por ser zona altamente erógena, por isso apetecível ao assediador, é recomendável o uso pela mulher de um colar cervical, esse tipo de colete que as pessoas usam no pescoço para acertar desajuste na coluna. Não existe nada mais antierótico que um colete cervical. É capaz de espantar ou desanimar até mesmo um vampiro.

Com as transformações modernas, com a mulher tendo de sair de casa para trabalhar, estando quase sempre sob a chefia de homens, algumas cautelas têm de ser tomadas por elas. Depois que incrivelmente na passagem do século as cantadas masculinas sobre as mulheres evoluíram para a condição de assédio sexual, ilícito penal ou moral, é aconselhável que as mulheres tragam sempre dentro de uma bolsa um kit antiassédio, com todos os instrumentos acima descritos e mais alguns para eventos radicais.

Por exemplo: spray de pimenta ou de gás paralisante e cinto de castidade só em penúltimo e último caso, quando nada mais contém o assediador.

Uma mulher estonteante

28 de setembro de 2011 2

Texto publicado em 22/05/2005.

Deus ou a natureza não são justos na distribuição dos dons e atributos aos seres humanos. Constatei isto sexta-feira quando me defrontei no estúdio do Jornal do Almoço com a atriz Cláudia Raia. Não sei quem foi o inspiradíssimo tecelão ou ourives que presidiu o design daquela acetinada e apetitosa pele. A pele da Cláudia Raia me pareceu um deslumbrante embrulho para presente.

Os seus pés de dedos simétricos e perímetro de harmônicas sinuosidades pareceram-me plasmados por um gênio da estatuária. Pés que ela astuciosamente permite que sejam entrevistos pelas fendas inteligentes das tiras das sandálias. Quem foi o escultor renascentista que desenhou aquele conjunto esplêndido da sua boca ornada pela serpentina de seus lábios desejantes e por dentes alvos e parelhos, coordenados com perfeição estética às duas paredes laterais de  seu rosto e à planície sedosa da sua testa, decorada delicadamente por insinuantes sobrancelhas?

Não falei de seu nariz porque a instigante perspectiva do seu perfil levou-me imediatamente a elogiá-la, quando ela disse que aquilo era obra de “um cirurgião plástico” e não da mão divina, que só ali falhara no talhe original. Vê-se assim que esta mulher ciclópica teve seu arcabouço de beleza indizível plasmado pela natureza, mais tarde aperfeiçoado pela ciência humana da cirurgia plástica rinofacial, da ginástica, da dança, das massagens e dos melhores cremes para a pele das mais destacadas grifes estrangeiras.

Por isso é que quando eu fazia este louvor desbragado a Cláudia Raia, perante várias mulheres circunstantes, a opinião delas foi unanimemente sincrônica e ressentida: “Se eu tivesse tempo e dinheiro para exercitar-me e para comprar os cremes que ela usa e fazer a plástica que me falta, se não tivesse que me preocupar com a cozinha e a organização da casa, poderia me aproximar do seu poder de atração”. Talvez pudessem?

Por que abri esta coluna escrevendo que há uma injustiça social na forma como Deus ou a natureza distribuíram entre os homens os seus dons e atributos? Porque, além da beleza acintosa e discriminatória com que dotaram Cláudia Raia, os deuses deram-lhe também talento e uma singular simpatia repleta de cordialidade, de que sua voz e gestos cativantes são instrumentos notáveis.

A injustiça é a seguinte: como pode haver só uma mulher assim ou talvez algumas outras raras que a ela se equiparem? E da mesma forma como ela ostenta esse privilégio, por que ele se estende a um homem só que possa desfrutá-lo? Por que o paraíso na Terra é concedido brutalmente a tão poucas pessoas? Uma só Cláudia Raia para um só homem desfrutá-la é como um clássico do futebol com portões fechados.

Tatuagem

27 de setembro de 2011 1

Texto publicado em 21/06/1994.

Descobri em mim há pouco tempo uma capacidade: eu estou apto para todos os encontros. Se, como disse o Vinícius, a vida é a arte do encontro, então eu sou um artista. Mas eu contrariaria o grande poetinha, afirmando que a vida consiste também na arte da despedida. Porque muitas vezes um novo encontro depende vitalmente de uma anterior despedida. E eu não tenho nenhuma aptidão para as despedidas, daí porque sinto-me incapacitado para a vida.

Ninguém que não conseguiu despedir-se é capaz de encontrar-se novamente. Todo encontro é sempre informal, não o presidem quaisquer compromissos, nem o sucesso dele próprio. Já as despedidas, estas são solenes e formais, pesadas, derrubadoras, repletas e gritantes, de fracasso, até mesmo as despedidas agradáveis, imaginem as indesejáveis. Livrem-me de todos os adeuses, até mesmo porque todos são hipócritas, ninguém pode separar-se daquilo ou de quem já amou, mesmo que não ame mais. Mais atroz que uma chacina será então um adeus ao que ainda se ama. Eu expliquei isso uma vez aqui, quando afirmei que as pessoas que largam o cigarro o fazem por não terem amado o cigarro. Como vou deixar um vício que amo e me consome? Todos os amores são vícios que consomem.

Ainda tentando desmentir o grande poeta: o amor e a afeição não são infinitos enquanto durem, são eternos mesmo depois que acabam.

Quando me entrego a alguém ou algo nunca mais disso me libertarei. Em pouco tempo verei que aquilo que eram laços, embora desatados, permanecendo como grilhões. Só para dar um exemplo, é apenas um exemplo, nada tem com o concreto que faz desabafar assim: venho encontrando mais de uma vintena de amigos que se tornaram ex-fumantes, a quem interrogo sobre sua experiência. Quase todos eles me dizem que às vezes sonham com o  cigarro, têm pesadelos desejantes de cigarro, vacilam dramaticamente em voltar ao cigarro, a maioria não volta de vergonha, medo da vaia íntima ou exterior, ou porque seria um retrocesso desperdiçante do enorme sacrifício imposto pela renúncia.

É isto. Tudo que nosso coração conquista ou o que por ele é conquistado, disso ele se torna para sempre prisioneiro. Não há jamais como fugir-se daquilo ou de quem se amou, mesmo que agora se o odeie. E é mortal que a gente se afaste de quem ou de que se ama. Tolice o que se ouve: só um outro amor pode substituir um grande amor. Nada há que cure o que se cravou uma vez no coração, mesmo que já se tenha desencravado.

No coração plasmam-se impressões digitais indestrutíveis, são definitivamente dele, ele nunca conseguirá abdicar delas podem até despegar-se dele suas substâncias, mas lá continuará o desenho de suas linhas, como uma tatuagem inapagável.

Esqueça de esquecer o que um dia incendiou o seu coração. São labaredas eternas. O sopro de um vento ou
de um tufão podem amainá-las, mas logo em seguida elas voltam a crepitar. Nós somos vassalos do que bem queremos e escravos eternos de nossos ex-amores. Ninguém servirá dedicadamente a um novo amor, desde que já tenha assim se entregue o outro. O que passou não passou. A não ser que não tenha se passado.

Caso Mário Fernandes

26 de setembro de 2011 25

Depois de perder o voo para Belém, onde a Seleção Brasileira enfrenta a Argentina na próxima quarta-feira,  Mário Fernandes virou tema de debate no Sala de Redação desta segunda-feira.

De acordo com o empresário do jogador, Jorge Machado, o lateral-direito do Grêmio não quer atuar pela Seleção neste momento.

Confira a íntegra do programa.

Sonho de chegar à Libertadores

26 de setembro de 2011 4

Com a vitória de 2 a 1 sobre o Avaí, o Grêmio assumiu a 13ª posição do Campeonato Brasileiro, abrindo oito pontos da zona de rebaixamento.

O desempenho do tricolor no Brasileirão foi o assunto de Paulo Sant’Ana no Jornal do Almoço desta segunda-feira. “Até guardamos, remotamente, o sonho de chegarmos à Libertadores”.

Confira o comentário:

Qualidade do time colorado

26 de setembro de 2011 19

A convocação de cinco jogadores do Inter para as seleções brasileira e argentina foi tema do comentário de Paulo Sant’Ana no Gaúcha Hoje desta segunda-feira. “Isso demonstra a qualidade do plantel colorado”, elogiou o colunista.

Ouça!

A dor da genialidade

26 de setembro de 2011 0

Texto publicado em 17/04/2008.

Um dos equívocos mais correntes no mundo moderno é a confusão que se faz com o homem culto, preparado, eficaz nas suas ações particulares e profissionais e o mesmo homem sem nenhum talento e inteligência. Não raro se considera inteligente um equilibrista ou um trapezista que obtêm algum destaque em sua atividade circense mas que nunca obtiveram do público um estrondoso aplauso porque nunca criaram um lance de cabo de aço ou de trapézio em que tenham sido pronunciados o seu talento e sua criatividade de modo a empolgar a plateia ou levá-la ao delírio.

E, na vida real, em todas as profissões, tudo acontece como no futebol: há os jogadores medíocres e há os craques. Já citei o caso de escritores que escrevem durante uma vida inteira, alguns até adquirem prestígio junto a determinado público não diferenciado, mas não vendem seus livros. Houve até aqui no Rio Grande do Sul, poucas décadas atrás, o caso de um escritor muito conhecido que no entanto não era lido pelo público.

Há casos também de jornalistas que passam 50, 40 anos escrevendo em jornais e o público leitor nunca registrou na memória o que escreveram, não se conhece nenhuma frase deles e não se lembra qualquer matéria de sua autoria. São essas pessoas admiráveis que passam pela vida sem destacar-se, mas nem por isso deixam de ser úteis para seus tempos e para seus espaços, nunca alçam voos de águia ou condoreiros, mas seus voos de galinha são insistentes e esforçados.

Essas multidões de medíocres são os donos do mundo, constituem-se em expressivas maiorias em suas colmeias de trabalho, não raro suplantam em mérito e em nome os que não são medíocres e possuem talento, seja pela esperteza delas, seja pelo esforço que mascara a inteligência, seja também porque os raros gênios que vicejam no seu meio ou não são reconhecidos, ou são amassados pelo tropel do rebanho.

Mas quando uma inteligência superior irrompe entre a horda de mediocridade, quando a flor do pensamento superior,
como a aptidão singular para o raciocínio luminoso, surge em qualquer agrupamento humano, então jorra uma
tal luz transcendente sobre esse ambiente restrito que os raios desse brilho ofuscante não só se espalham pelo chão e pelo ar que cerca os integrantes embasbacados dessa coletividade como se arremessam para além do perímetro grupal e vão inundar de sabedoria ou arte, de conhecimento ou talento, de poesia, humor, ciência, outras cidades, os Estados, os países e o mundo.

Só que um gênio só se revela depois de muita dor e sofrimento. E principalmente de muita dúvida que se manifeste sobre ele. Um gênio só se conhece depois que milhares de pessoas garantam que têm talento igual ao dele.

Um dos equívocos
mais correntes no
mundo moderno
é a confusão que
se faz com o homem culto,
preparado, eficaz nas suas ações
particulares e profissionais e o
mesmo homem sem nenhum
talento e inteligência.
Não raro se considera
inteligente um equilibrista
ou um trapezista que obtêm
algum destaque em sua
atividade circense mas que
nunca obtiveram do público
um estrondoso aplauso porque
nunca criaram um lance de cabo
de aço ou de trapézio em que
tenham sido pronunciados o
seu talento e sua criatividade de
modo a empolgar a plateia ou
levá-la ao delírio.

E, na vida real, em todas as
profissões, tudo acontece como
no futebol: há os jogadores
medíocres e há os craques.
Já citei o caso de escritores
que escrevem durante uma vida
inteira, alguns até adquirem
prestígio junto a determinado
público não diferenciado, mas
não vendem seus livros.
Houve até aqui no Rio Grande
do Sul, poucas décadas atrás,
o caso de um escritor muito
conhecido que no entanto não
era lido pelo público.
Há casos também de
jornalistas que passam 50, 40
anos escrevendo em jornais e o
público leitor nunca registrou
na memória o que escreveram,
não se conhece nenhuma frase
deles e não se lembra qualquer
matéria de sua autoria.
São essas pessoas admiráveis
que passam pela vida sem
destacar-se, mas nem por isso
deixam de ser úteis para seus
tempos e para seus espaços,
nunca alçam voos de águia ou
condoreiros, mas seus voos
de galinha são insistentes e
esforçados.

Essas multidões de medíocres
são os donos do mundo,
constituem-se em expressivas
maiorias em suas colmeias de
trabalho, não raro suplantam
em mérito e em nome os que
não são medíocres e possuem
talento, seja pela esperteza delas,
seja pelo esforço que mascara
a inteligência, seja também
porque os raros gênios que
vicejam no seu meio ou não são
reconhecidos, ou são amassados
pelo tropel do rebanho.
Mas quando uma inteligência
superior irrompe entre a horda
de mediocridade, quando a
flor do pensamento superior,
como a aptidão singular para
o raciocínio luminoso, surge
em qualquer agrupamento
humano, então jorra uma
tal luz transcendente sobre
esse ambiente restrito que os
raios desse brilho ofuscante
não só se espalham pelo
chão e pelo ar que cerca os
integrantes embasbacados
dessa coletividade como
se arremessam para além
do perímetro grupal e vão
inundar de sabedoria ou arte,
de conhecimento ou talento, de
poesia, humor, ciência, outras
cidades, os Estados, os países e o
mundo.

Só que um gênio só se
revela depois de muita dor e
sofrimento. E principalmente de
muita dúvida que se manifeste
sobre ele.
Um gênio só se conhece
depois que milhares de pessoas
garantam que têm talento igual
ao dele.

Só pode ser amor

25 de setembro de 2011 0

Texto publicado em 30/05/2004.

Eu já devia ter pressentido que era amor quando curtia magnífico prazer somente em olhá-la de longe. Eu já devia saber que era amor quando vibrava com seus êxitos e me entristecia com seus embaraços. Eu tinha que ter percebido que era amor quando me sentia invulnerável à solidão se me aproximasse dela a um raio de 20 metros.

Só podia ser amor aquele estremecimento que me percorria todo o corpo quando ouvia sua voz se dirigindo para os outros. E quando num ambiente repleto de pessoas eu passava a não distinguir as feições de todos, vendo-os apenas como vultos expletivos, realçando-se como esplendorosamente icônica sua figura arrebatadora, já naquele tempo eu não deveria ter duvidado de que era amor.

Já era fortemente suspeito que durante as minhas tristezas elas desaparecessem como por um milagre se eu usasse  como antídoto a simples lembrança do seu meigo sorriso. E que, quando diante da visão dela por apenas um segundo, durante o resto do dia os meus passos e gestos se impregnassem de alegre coragem de viver. Ou como naquele dia em que topei abruptamente com ela no estacionamento e fiquei tão ruborizado que parecia estar focado pelo facho de luz emanado da palavra de um profeta.

Não podia ser outra coisa aquela constante palpitação, aquela ruidosa esperança, aquele contentamento ansioso nas manhãs e o meu pulsante e taquicárdico coração vibrando ante a obsequiosa visão de sua esplendente silhueta vespertina. Só podia ser amor a minha alma assim tão cheia de cuidados para preservar o meu segredo, o medo de que minha palavra ou o meu escrito, num escorregão, violassem o esplêndido sigilo do sentimento abrasador que me dominava.

Só podia ser amor que, depois de ela ter surgido luminosa na escarpa da caverna da minha solidão, eu deixasse de me entregar ao exercício fastidioso da comparação. Ninguém ou nada mais se equivalia ou se assemelhava a ela, mãe, irmã, parceira, namorada, companheira. Cheguei loucamente a pensar que a única cidadela capaz de manter íntegro aquele meu frágil amor inconfessável era mantê-lo em segredo, imune ao conhecimento dos outros e até mesmo  incrivelmente dela. Dar a conhecê-lo arrastaria ao tremendo risco de fazê-lo soçobrar ali adiante, presa fácil do fastio da convivência ou de uma resposta contundentemente adversa.

Ah, silencioso amor cheio de delícias e ilusões. Precavido amor que não se declara com medo da quebra do cristal. Ah, amor que quanto mais distante mais crescente, quanto mais errante mais certeiro, quanto mais secreto mais ditoso, quanto mais expectante mais real, quanto menos empírico mais ideal, quanto menos dela mais meu, quanto mais irrealizado mais duradouro, quanto mais prometido mais honrado. Quanto menos compartilhado, mais definitivo. Amor por eleição, tão alto, tão profundo, tão desinteressado que não importa sequer o que faça dele e do seu mandato a sua eleita. Nem que o malbarate por não pressenti-lo.

A magia dos pés

24 de setembro de 2011 0

Texto publicado em 22/12/2002.

É imprescindível esmalte nas unhas do pé, das mãos nem tanto. São indispensáveis dedos simétricos, tanto nos pés como nas mãos. O dedão do pé não pode ser exatamente um dedão redondo e largo, tem de guardar uma justa proporção geométrica com os outros quatro dedos, sem agredi-los pelo vulto. É preferencial que o pé seja pequeno ou médio, embora se encontre sem muito grande frequência pés grandes de harmonia estética e apelo afrodisíaco consideráveis.

O dedo limítrofe do dedão, sob pena de sacrilégio e veto inapelável, não poderá jamais exceder em comprimento ao dedão. E os três dedos seguintes irão gradativa e discretamente diminuindo de comprimento na relação de um com o outro, até o quinto dedo, que terá de ter a graça desafiadora de uma cereja. O corte das unhas dos pés tem de ser desenhado em linha convexa, isto é, com curva mais elevada no meio que nas bordas. Fica fora de concurso o pé que contenha unhas cortadas em linha reta, do tipo para não encravar. Não há nada mais desanimador.

Há pés tão encantadores e espirituais que o aperto de mãos deveria ser dado com eles. Se os olhos são as janelas da alma, os pés são os portais do instinto. Os pés são a credencial da sensualidade, as outras partes do
corpo se constituem apenas em insígnias suplementares. Os pés têm tal poder hipnótico que, quando dotados de sedução irresistível, fazem emanar uma tal atração que não resta outro recurso aos seus espectadores, mesmo que nenhuma palavra tenha sido ainda pronunciada, senão sucumbirem de paixão. E esta paixão será mais duradoura que as outras paixões todas, porque os pés têm a capacidade incrível de envelhecer menos ou quase nada na relação com os outros redutos corporais. A lascívia pelos pés é eterna.

As sandálias são os biquínis dos pés, porque os desnudam. Os sapatos são os véus dos pés, porque os ocultam sedutoramente. Conheço maníacos de pés que se apaixonam por sapatos de salto alto, basta-lhes curtir o delírio lúbrico do imaginário concupiscente dos pés que os portam ou portaram. O pecado ancestral da escultura e da pintura foi não ter dado relevo aos pés. Só recentemente a moda vingou-se desse cochilo monumental dos mestres das artes plásticas, criando graciosos modelos de calçados femininos, que realçam a importância e o destaque dos pés na sensualidade da mulher.

A julgar pelos novos anéis de dedos dos pés que estão sendo lançados aos magotes, os anéis e alianças de silicone para os dedos dos pés, as tatuagens de hena, as tornozeleiras que vão acabar tornando superadas as pulseiras, esses emergentes e luzidios adereços que irrompem vitoriosos nos pés femininos, em breve as joias mais cintilantes e mais caras se transferirão dos pescoços, dos dedos da mão e dos pulsos femininos para os pés. Isso só demonstra que nós, os ardorosos amantes dos pés, os fanáticos podófilos de todos os tempos, é que estávamos com a razão. O mundo descobriu finalmente a nossa secreta e deliciosa usufruição. E o nosso fetiche privativo virou finalmente uma mania universal.

A arte de esperar

23 de setembro de 2011 2

Texto publicado em 29/04/2011.

Agente tem de se conformar com o engarrafamento. Em realidade, a vida é feita de espera. A primeira vez que esperei de verdade foi quando, moço ainda, comprei o meu primeiro imóvel: um apartamento para morar com a família. O prazo de pagamento era de 20 anos (240 meses). Era no tempo em que havia o Banco Nacional de Habitação, uma forma para facilitar a aquisição da casa própria. Mas vejo só agora o horror: levar 20 anos para adquirir um imóvel. Acho que foi ali que aprendi a esperar.

Esperei para me formar em Direito, levei 10 anos. Esperei para ser delegado de Polícia, fui inspetor de Polícia durante 17 anos. Esperei para ter filhos; depois de longa espera, esperei para ter netos. Antes de ter carro, esperei durante muitos anos o ônibus; antes, quando ainda criança, esperava o bonde. Espero que cozinhem minhas comidas, espero que gelem minhas bebidas. Plantei um abacateiro e esperei muitos anos para que ele desse abacates. Esperei durante cinco horas, num nervosismo ímpar, para subir ao palco com Julio Iglesias. Esperei durante muitos anos para que trocassem minha coluna das páginas de esporte para esta página na qual agora me encontro. Deus sabe que espera angustiante.

Vejo só agora, neste balanço de esperas, que sempre houve desfecho para todas as minhas esperas. E estranhamente concluo que foram bons os desfechos de todas as esperas, com raras exceções. Nunca esperei ser rico, por exemplo. Ou apostar na Mega Sena, como aposto, é esperar uma fortuna? Acho que não: entre as esperas não se pode incluir os sonhos. Esperar é uma coisa, sonhar é outra. Esperar implica alguma materialidade no desejo. Sonhar já entra noutra esfera. É tão grande o que se pretende, que nem se exige do destino que ele nos dê tamanho contentamento. Ou euforia.

Em verdade, lhes digo, das coisas que me aconteceram na vida, uma só, uma única não esperei: a velhice. Ela foi chegando sorrateiramente, sem prenúncio, sem aviso, com leves indícios: uma vontade de não tomar banho pela manhã foi o primeiro pipocar da velhice. Logo em seguida, foi uma dificuldade em sair do táxi, as dobradiças do corpo da gente parecem que estão enferrujando. E as moças, em toda a parte que se vai, começam a nos chamar de“senhor”.

Velhice não tem espera, ela ataca à traição.Velhice é a pior doença. E ela ainda carrega consigo a pior maldição: é quando se tem pela primeira vez a ideia da morte. Mas esperar é sempre não a minha sina, mas a de todas as pessoas. Esperar que a pessoa amada diga sim.

Esperar de quem nos ofende gratuitamente uma explicação. Esperar que nunca um amigo pronuncie uma recusa. E uma espera que confesso me consumiu sempre em toda minha vida: a espera de uma reconciliação. Há ex-amigos que morreram brigados comigo, foi em vão a espera de que tivéssemos feito as pazes. Muito triste, desolador… A vida só é feita de esperas. Desde as mais curtas até as mais longas. E a mais dolorosa, a pior de todas as esperas, é a inútil.

Inter só pensa em desconvocar

22 de setembro de 2011 23

Foram anunciados nesta manhã os novos convocados do técnico Mano Menezes para a Seleção Brasileira.

Depois da convocação de Leandro Damião, Oscar – listado entre os jogadores de Mano – é o novo desfalque do Inter.

No Sala de Redação desta quinta-feira, Paulo Sant’Ana alfineta o rival: “O internacional só tenta desconvocar”.

Ouça a íntegra do programa.