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O ciumento profissional

02 de outubro de 2011 9

Texto publicado em 09/01/2008.

Hoje vou começar com um tema que me agrada muito, o ciúme, apenas por um ângulo diferente. Vou analisar um tipo muito frequente na humanidade, que a minha turma da tardinha na Rua Padre Chagas denomina de ciumento profissional. O ciumento profissional é aquela pessoa que sente ciúme de todos e de tudo.

O ciumento profissional (todos os meus leitores o conhecem e convivem sempre com ele) é aquele sujeito que acorda mais cedo para ter ciúme durante mais tempo. Ele tem insônia de propósito para cultivar o seu ciúme doentio até mais tarde.

Há no meu condomínio um ciumento profissional conhecidíssimo. Apesar de ser um homem rico,  ele troca todos os anos de carro, mas sempre de carro popular: com a finalidade de poder invejar todos os proprietários de carros do condomínio, que têm, é óbvio, carros melhores.

O pior ciumento profissional que existe é uma flor do lodo que viceja entre os interinos de colunas muito lidas em jornais de grande circulação. Há uns sete anos, um tipo rondou a direção de Zero Hora com a intenção de ser interino da minha coluna. Era um tempo em que, de cada 10 colunas minhas, oito eram contra os pardais das nossas estradas e ruas. No dia que conseguiu ser designado para ser meu interino por eu estar doente, o tipo sorrateiro escreveu aqui neste meu espaço, só meu, uma coluna inteira e veemente a favor dos pardais. Se eu escrevesse a favor do grande e inesquecível sanitarista Oswaldo Cruz, aquele meu maldito interino escreveria a favor do mosquito.

Há ciumentos profissionais que ficam a tarde inteira bebendo uma só Coca light numa sorveteria, só para invejar as imensas, com bem decoradas coberturas, taças de sorvete devoradas pela clientela. Há um tipo perverso de ciumento profissional que finge ser contra o cigarro por motivos sanitários, mas na verdade ele tem é ciúme de quem é fumante e pode desfrutar do prazer inefável de fumar.

Mas a mais intrigante espécie de ciumento profissional é a daqueles que têm ciúme do salário dos outros. Aqui na RBS, há um ciumento profissional que vive me testando, querendo saber quanto eu ganho. Esses dias ele usou uma tática terrível, aproximou-se de mim no bar e me disse mansamente: “É verdade o que vazou do departamento pessoal: Fulano (e citou o nome de um artista) é o maior salário da RBS?”. Confesso que senti ímpetos de enfurecer, mas a tempo percebi que era uma armadilha do ciumento profissional. Calei-me e fui dormir, sob certo aspecto, um pouco tranquilo depois da intriga dele.

O ofício do ciumento profissional é o de bisbilhotar a vida de quem ele inveja. Pergunta a todos os que têm cartão de crédito qual o limite de gastos deles, com o fim de conscientizar-se, paranoicamente, que o seu é menor. Esses dias perguntei a um famoso ciumento profissional se ele era feliz. Resposta dele: “Por que me perguntas? Só o que me faltava é dizeres que tu és!”.