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Posts de dezembro 2011

O brutal preconceito

30 de dezembro de 2011 2

Eu completei 28 anos de jornalismo. Nestes anos todos, tive somente três causas obsessivas: o abrandamento da discriminação contra os negros, a atenuação da política que barra nas empresas privadas o ingresso de empregados com mais de 40 anos e a humanização dos presídios.

Mesmo quando eu era exclusivamente cronista esportivo, defendia estas três causas com entusiasmo nos meus comentários, embora minha posição tivesse sido sempre isolada e sem repercussão.

Desta forma, eu só posso saudar a notícia que ontem vi estampada em Zero Hora: a prefeitura de Porto Alegre inicia esta semana a negociação de um acordo com a rede Zaffari em torno da construção de um novo hipermercado no bairro Tristeza, Zona Sul.

Segundo o noticiário, uma cláusula inédita e polêmica será inserida no acordo: ficará estabelecida uma cota racial, ou seja, a garantia de que pelo menos 5% dos empregados do hipermercado sejam negros ou pardos ( mestiços).

Além disso, o hipermercado garantirá também que pelo menos 10% dos seus funcionários serão recrutados entre pessoas de mais de 30 anos.

Mas como é que eu não vou saudar a primeira medida que vi qualquer entidade ou governo tomar nestes meus 28 anos de jornalismo a favor de duas modestas mas nobres bandeiras deste colunista, contra a violência surda do preconceito que não admite negros nem pessoas de idade avançada nos postos de trabalho exeqüíveis na iniciativa privada? Podem classificar de exótica ou de demagógica a medida.

Podem os racionalistas pregarem que não é com esses paliativos duvidosos que se vai pôr fim às discriminações.

No meu singelo posto de observador da temperatura social do meu país e do meu meio, sou obrigado a encarar a iniciativa como luminosa.

Porque nestes meus 28 anos de jornalismo nunca vi qualquer legislador, qualquer governante, qualquer entidade privada mexer uma palha para exorcizar da superfície social brasileira estes dois cancros malignos da discriminação racial e etária, que infelicita as suas vítimas silenciosamente, sem que nenhuma ação concreta os debele.

Só eu conheço as cartas ou depoimentos pessoais comoventes dessas pessoas que vagam como sombras macabras atrás de uma vaga de trabalho, mortas em vida, sem esperança, condenadas ao mais completo vazio existencial pela miséria. Tudo porque não são jovens ou brancos.  As mulheres negras sendo recusadas como balconistas de lojas, recepcionistas etc.  Os homens negros sendo subjugados apenas às tarefas mais rudes e insalubres.

E, como os automóveis, as pessoas de idade mais avançada são jogadas ao submercado do desprezo ou do preço vil pelo seu trabalho: o mercado dos automóveis usados, o mercado sem horizonte dos homens e das mulheres usados.

Sei que não vai ser um acordo entre uma prefeitura e uma rede de supermercados que vai solucionar este problema. Mas sei que a iniciativa foi tomada por pressão das entidades comunitárias que sentem na carne os dois preconceitos.

Desde que percebi que se pregará sempre no deserto contra o preconceito racial e etário, intuí que a única forma de viabilizar a luta em favor dos discriminados é o estabelecimento de leis de cotas, a exemplo dos Estados Unidos: tanto por cento das vagas nas universidades, nos cargos públicos, nos cargos privados serão destinados aos negros e aos pobres, tanto por cento das vagas de trabalho serão destinados às pessoas que não são mais jovens. Por lei. Só a lei pode derrubar o preconceito.

Essa consciência precisa ser ativada, até que se ponha fim a esta chacina social.  Até que a lei instrumentalize a coerção.  De outra forma, conviveremos com esse preconceito até o fim dos tempos, porque tudo que se quiser fazer contra ele será classificado de romântico ou demagógico.

Por isso é que saúdo esta negociação entre a prefeitura de Porto Alegre e o Zaffari.
É um clarão de luz sobre este hipócrita oceano de sombras. É um início, uma semente de libertação dos excluídos, que pode durar um século para que se realize, mas um dia há de se realizar.

Mas eu não vou deixar que passe este século em que nasci e vivi com a mancha sobre a minha consciência de que não bradei contra esta brutal e imensa injustiça enraizada e institucionalizada, acobertada pela ignorância, pelo fingimento, pela insensibilidade ou pela indiferença.

* Texto publicado em 29.12.2002.

Carne de gato

28 de dezembro de 2011 3

Em terremotos e outras situações extremas, admite-se que as pessoas comam ratos. Há até, como naquela célebre queda de avião nos Andes, notícias de pessoas que, arriscando morrer de fome, devoram carne humana.

Da minha parte, nunca fui dado a comer alimentos exóticos. Já me serviram escargô em culinária sofisticada, mas não pude engolir um grama da comida. Acho que meu preconceito era menos com o alimento do que com o nome popular que eu conhecia: lesma. “Deus me livre de comer lesma”, pensei.

O máximo que me permiti foi certa vez comer rã assada ali no Recreio Avenida, um dos grandes restaurantes da Cidade, na antiga Avenida Eduardo, hoje Presidente Roosevelt, nos anos 50 e 60. E olhem que gostei muito da carne de rã, que me pareceu mais saborosa que a de galinha.

Mas agora um apresentador de televisão escandalizou a Itália, país em que a cozinha costuma consumir com insistência coelhos, lebres, codornas, bois e cordeiros. O apresentador Beppe Bigazzi, em seu programa de culinária na televisão, aconselhou os italianos a comer carne de gato, que ele já teria experimentado várias vezes. As entidades de defesa dos animais reagiram violentamente: “Bigazzi é um cretino, na latitude em que vivemos, simplesmente não comemos os nossos melhores amigos.” Ué, como é que na França os cavalos são vendidos nos açougues!

A arte popular de versos brasileira se ocupa em várias obras do sacrifício de gatos para alimentação e outros fins. Há um samba do saudoso Jorge Veiga que diz assim:

Me convidaram pra fazer um samba
Lá no Morro da Arrelia
Me apresentaram pra o dono da casa
Era um tal de Malaquia
Ele me disse em sua homenagem
Eu já mandei preparar o prato
Eu fiquei indignado
Quando me disseram que comi carne de gato.
Malandro não dá mancada
Vou pôr minhas mãos à obra
Vou convidá-lo para uma peixada
Vai ser carne de cobra.

Mas a utilidade mais proverbial do gato na poesia popular brasileira não é como alimento:

Aquele gato
Que não me deixava dormir
Aquele gato
Agora nos faz sorrir
Às vezes saía bem da minha pedrada
Pulava e dava risada
Vivia zombando de mim
Aquele gato não é mais gato
Hoje é tamborim.

Você, meu leitor ou leitora, seria capaz de comer carne de gato? Pois é, mas o Anonymus Gourmet da Itália está aconselhando seus telespectadores a comer carne de gato. E dá os detalhes: o cadáver do gato tem de ficar três dias de molho em água corrente da torneira: até a carne ficar bem branquinha e virar numa iguaria, afirma ele.

* Texto publicado em 22/02/2010.

Barcelona seleção

19 de dezembro de 2011 9

A derrota do Santos para o Barcelona, na final do Mundial de Clubes, foi discutida no Sala de Redação desta segunda.

“Grande exibição do Barcelona. Todo mundo dizendo que o Brasil está atrasado, que nós temos que adotar o mesmo método prático do Barcelona, esquece-se que, para adotar aquele método tático com êxito, tem que ter grandes jogadores, tem que ter craques. E o que nós vimos foi um Santos clube, contra um Barcelona seleção. Porque, sem os estrangeiros, o Barcelona passa a ser um time medíocre, começando que Messi é argentino. E Messi, pelo que se viu mais uma vez ontem, é o maior jogador do planeta”, destacou Paulo Sant’Ana.

Ouça o programa!

Barcelona, uma fábrica de gols

15 de dezembro de 2011 2

A final do Mundial de Clubes, entre Santos e Barcelona, foi comentada no Sala de Redação desta quinta.

” É uma fábrica de gols o Barcelona. Deve custar uma fortuna ter um grande jogador em cada uma das 11 posições. Se vai ganhar dos Santos? Não sei, porque o Santos tem Neymar e tem Ganso. Mas o que eu sei é que não há dúvida que o time mais equipado e aparelhado do mundo é este Barcelona, que nós vimos hoje rodar como um parque fabril contra o time do Catar”, elogiou Paulo Sant’Ana.

Ouça o programa!

Bálsamo conjugal

13 de dezembro de 2011 1

Um amigo meu chegou a um consenso com a mulher: saiu do quarto do casal e passou a dormir em outro quarto da casa. Ambos concordaram que era impossível a convivência entre ele, que é fumante, e ela, que não fuma, no mesmo quarto. Algum tempo depois, ele deixou de fumar. A mulher deixou passar um ano, quando viu que ele não reincidiria mais no antigo vício, propôs que voltasse para o quarto.

Ele voltou para o quarto e 15 dias depois estava fumando novamente. Atualmente, eles estão em quartos separados novamente e ele voltou a deixar de fumar. Mas já faz cinco anos que dormem separados. O meu amigo chegou à conclusão de que a aflição que o levava a buscar no cigarro um bálsamo era justamente originada no confronto direto de temperamentos que o quarto comum provocava. A fricção conjugal que o quarto de casal encerra acaba transtornando marido e mulher, o que pode levar os dois ou algum deles a procurar um vício para atenuar o nervosismo ou a depressão.

Há pesquisas que demonstram que cônjuges que moram no mesmo quarto estão sujeitos a consumir até três maços de cigarros por dia, cada um. Isso foi verificado porque constatou-se que esses maridos, quando se separavam de quarto com a mulher, dias depois baixavam o consumo para apenas dois maços por dia. E os casais que decidiam morar em casas diferentes, embora permanecesse o casamento, fumavam apenas um maço por dia, cada um. Se passassem a morar em cidades diferentes, deixariam de fumar.

Outras pesquisas divulgadas nos EUA atestam que o vício do cigarro pode estar mesmo ligado à convivência conjugal. Há muitos casais que não fumavam enquanto solteiros, adquiriam o vício depois do casamento. Entre os não-fumantes e os ex-fumantes está comprovado que a maior incidência está justamente entre os solteiros ou os que se separaram ou divorciaram-se e não voltaram a casar.Já entre os casados verifica-se uma maior resistência para deixar o vício.

As pesquisas também indicam que só existe um tipo de pessoa que fuma mais que os casados: são os que vivem separações não bem solucionadas, permanecendo os atritos após as desuniões. Entre esses últimos, verificou-se que é quase impossível aos maridos que se separam e pagam pensões alimentícias às ex-mulheres deixarem de fumar. Os fumantes mais compulsivos, podem notar, são aqueles que se separam, pagam pensões alimentícias às ex-mulheres e casam novamente. Os pulmões dessa última categoria são verdadeiras fornalhas de nicotina e alcatrão.

* Texto publicado em 10/10/2004.

Desonra técnica

05 de dezembro de 2011 16

“Não vou exigir que os torcedores do Internacional não festejem o ingresso do clube na seletiva da Libertadores, mas, no meu entender, o dia foi de lamento pro Internacional. Chegar em 5º lugar no Campeonato Brasileiro é uma desonra técnica. Quem tem Leandro Damião e D’Alessandro tem que ser o 1º lugar no Campeonato Brasileiro.”

O comentário é de Paulo Sant’Ana, no Sala de Redação desta segunda-feira.

Confira o programa!

O fracasso e a decepção

05 de dezembro de 2011 4

Não poderia ser diferente. O clássico deste domingo foi o assunto comentado por Paulo Sant’Ana no Jornal do Almoço de hoje.

“Se o Grêmio tivesse ganho o Gre-Nal, mascararia uma péssima campanha em 2011. Assim como o Internacional, tendo ganho o Gre-Nal, mascarou uma péssima campanha em 2011.”

Ouça o comentário!