É muito comum a confusão entre a tristeza e a depressão.
E uma não tem nada a ver com a outra.
A tristeza é movida pelo tédio.
E a depressão é movida pela dor.
Dominada pela tristeza, uma pessoa aceita de braços abertos a alegria e o prazer.
Enquanto que, dominada pela depressão, a pessoa rejeita terminantemente a alegria e recusa o prazer, a menos que o prazer consista num vício.
A pessoa triste pode ser razoavelmente sociável, pode ir tomar um chope com amigos, pode dançar até altas horas.
Já o deprimido, ninguém o arrasta para qualquer festa, rejeita qualquer sociabilidade, sofre tremendamente se tiver que trabalhar, qualquer aproximação com outra pessoa é para ele um martírio.
O triste tem esperança e sonha.
O deprimido está sem nenhuma esperança, sente-se num beco sem saída, imagina que só poderia se libertar se sua vida se extinguisse.
O triste ainda sai à rua no domingo à tarde.
O deprimido não quer sair, encerra-se no quarto e fica torcendo que ninguém entre no quarto.
Não vai a nenhuma festa nem freqüenta nenhuma roda o deprimido porque tem certeza de que estragará a festa ou a roda com seu azedume.
O triste pode aproveitar a paisagem e o sol.
O deprimido não enxerga nem a paisagem nem o sol.
Ele só tem olhos para sua melancolia.
A tristeza está presente em um estado mental sadio, normal.
A depressão é fruto de um estado mental mórbido.
Se formos levar em conta o nosso cotidiano, uma vida de trabalho, estudo, enfrentamento dos problemas familiares, veremos que este clima é propício à tristeza.
Se considerarmos que a alegria se manifesta pelo riso ou pela dança, há poucas horas de uma semana em que uma pessoa normal não esteja triste ou então possuída de tédio.
Então, a tristeza se alterna com a alegria.
O triste se dispõe a ser alegre, a alegria depende de suas circunstâncias.
Já o depressivo não atrai para o aparato de suas sensações pessoais a alegria.
Pelo contrário, a esconjura.
O triste escora a sua tristeza nos fatos ou ocasiões que o cercam.
Já o deprimido sustenta a sua depressão nos seus pensamentos, nos seus raciocínios, na sua cabeça doente, enfim.
O triste pode focar sua existência no presente, o que lhe acontece hoje de ruim pode amanhã estar melhor.
Já o deprimido centraliza sua existência no seu destino, que ele considera amargo, infeliz e irreversível, sem remédio.
Nada têm a ver entre si a depressão e a tristeza.
Não são sequer parentes.
O triste é uma pessoa viável, propícia à felicidade.
O depressivo está tomado de tal amargor, que calcula que sua vida já chegou ao fim, deprime-o cada vez mais que tenha de enfrentar esta sensação ainda vivo.
O triste é um alegre em potencial ou em eventual, o deprimido é um desistente.
Não há pessoas que mais careçam de apoio afetivo e sentimental que os deprimidos.
Eles têm de ser assistidos no seu desespero, na tragédia brutal do seu sofrimento.
E o pior é que muitas vezes os deprimidos se fecham, não se queixam para ninguém e se deixam roer inteiramente pela dor e pelo silêncio.
Peço o mais solene respeito para os deprimidos.
*Texto publicado em 04/05/2008



Nos dias atuais não temos o direito de curtimos nossa tristeza imagino só a rejeição que sofrem as pessoas deprimidas, são encaradas como fracassadas e são expulsas do convívio social. A sociedade porta-se extremamente cruel e egoísta. O que importa e o que se vende na mídia são sempre famílias, casais, crianças e idosos felizes sempre associados ao consumo de alguma coisa. Não havendo consumo não há felicidade.
Ora tédio, ora dor. Já a tristeza não tem fim, e a dor às vezes da pra engana-lás, Agora a depressão até onde fui e às vezes lá volto não toca na minha alma. já o pensamento às vezes ...
E nessa reserva que crio esqueço da dor e do tédio, vice e versa, e de seus atributos.
E quando aParente,mente um sentido emocional e físico esconde um e apresenta o outro, já é tarde ve vejo com jogo entregue, e desperdiço sei todos os caminhos, inclusive da corrupção, se abro o jogo eu perco, tbm qro uma colher de chá no grande jogo de xadrez.
só lamento!! antes vcs do que nós!!
Hoje eu to mais feliz que pinto em lixo!
Tenho acompanhado os textos referente ao tema -depressão - e preciso dizer que foi necessário acompanhar algumas "desgraças" do tipo suicídio, para então acreditar que depressão realmente é uma doença, e deve ser tratada com medicamentos e principalmente ser vista pela família e pelos amigos a tempo de se evitar tragédias. Importante conhecer os sintomas e acreditar que depressão existe sim, e, principamente que mata.