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Jornalismo ao lado do povo

12 de maio de 2012 0

Há uns leitores que escrevem para que volte o Pablo a escrever esta coluna, ultimamente só o Paulo aborda os assuntos.
Estão com saudade do Pablo sentimental, poético, às vezes frívolo, outras vezes filosófico, a tratar dos assuntos do coração, da infidelidade, do ciúme, da inveja, do amor, do ódio, do fingimento, das relações conjugais etc.
Muitas dessas crônicas foram condensadas no livro O melhor de mim, editado aqui pela RBS, completamente esgotado, mas que será reedidato com milhares de exemplares em meados do próximo mês, aproveitando a aproximação do Natal.
Outras crônicas foram parar na Internet, uma delas, aquela em que me refiro aos meus amigos de quem me distanciei mas permanecem intactos e frementes em minha memória e lembrança, atribuída a Vinicius de Moraes, o que me encheu de orgulho.

Acontece, no entanto, que existe o ângulo social do jornalismo, a mídia se tornou uma espécie de grande e penúltima defensoria dos cidadãos, atribulados por inúmeros males.
Cedi à tentação de dar utilidade social a esta coluna.
Num tempo de graves aflições econômicas e financeiras para as populações, esta coluna decidiu sair em defesa dos consumidores e usuários de serviços públicos concedidos.
Na semana passada, por exemplo, recebi homenagem da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, que decidiu, por iniciativa dos vereadores Elói Frizzo e Marcos Daneluz, exaltar a luta deste colunista “ em denunciar o abusivo preço dos combustíveis pago pelos gaúchos, assim como a disposição de disponibilizar os espaços de que dispõe no Jornal do Almoço e em Zero Hora para ser porta-voz da indignação que toma conta dos usuários de rodovias do Rio Grande do Sul por conta dos pedágios espalhados pelas nossas estradas, retratando em suas opiniões e posições o que se sente a maioria da nossa população”.
Vai daí que também passou a circular na Internet a minha coluna do dia 14 de setembro, intitulada “ Pergunta cretina”, na qual acuso de indevida e capciosa a indagação que se fará aos eleitores no plebiscito de 23 de outubro próximo sobre o desarmamento.

Ou seja, as pessoas se sentem atacadas em seus direitos por toda sorte de atribulações e danos advindos das relações sociais, dos governos, dos parlamentos – e enxergam muitas vezes na imprensa a luz do fim do túnel das suas vicissitudes.
Um exemplo só: tão pronto se verificou o último aumento dos combustíveis, escrevi aqui no dia 13 de setembro a coluna “ Pobre Bossoroca!”, denunciando que um cartel composto dos dois únicos postos de gasolina daquele município impôs à população de 8 mil habitantes o preço de R$ 3,12 pela gasolina comum.
A coluna estourou como uma bomba na comunidade e dois ou três dias depois, com sensibilidade, os proprietários dos postos baixaram o preço para R$ 2,90.
Chovem e-mails de bossoroquenses agradecendo o benefício de redução em R$ 0,22 por litro de gasolina, mercê dos protestos vindos de lá e acolhidos aqui nesta coluna.
Sendo assim, outra vez esta coluna se transforma em agência reguladora de preços.
Em outra oportunidade, o preço da gasolina baixou sensivelmente nos postos de gasolina de Porto Alegre depois de uma campanha insistente realizada neste espaço da penúltima página de ZH.

Sei lá, às vezes sinto também impulsos de retorno do ímpeto desta coluna em abordar temas mais amenos, poéticos, filosóficos, mas, como diz o Luis Fernando Verissimo, “ poesia numa hora destas?”…
E a hora é dramática: estão desarmando os acuados e cobrando dos gaúchos, em alguns casos, preço superior em 69% de certos combustíveis com relação a outros Estados.
A hora é de vigilância dos oprimidos.

*Texto publicado em 25/09/2005

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