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Uma mulher estonteante

06 de junho de 2013 0

Texto publicado em 22/05/2005.

Deus ou a natureza não são justos na distribuição dos dons e atributos aos seres humanos. Constatei isto sexta-feira quando me defrontei no estúdio do Jornal do Almoço com a atriz Cláudia Raia. Não sei quem foi o inspiradíssimo tecelão ou ourives que presidiu o design daquela acetinada e apetitosa pele. A pele da Cláudia Raia me pareceu um deslumbrante embrulho para presente.

Os seus pés de dedos simétricos e perímetro de harmônicas sinuosidades pareceram-me plasmados por um gênio da estatuária. Pés que ela astuciosamente permite que sejam entrevistos pelas fendas inteligentes das tiras das sandálias. Quem foi o escultor renascentista que desenhou aquele conjunto esplêndido da sua boca ornada pela serpentina de seus lábios desejantes e por dentes alvos e parelhos, coordenados com perfeição estética às duas paredes laterais de  seu rosto e à planície sedosa da sua testa, decorada delicadamente por insinuantes sobrancelhas?

Não falei de seu nariz porque a instigante perspectiva do seu perfil levou-me imediatamente a elogiá-la, quando ela disse que aquilo era obra de “um cirurgião plástico” e não da mão divina, que só ali falhara no talhe original. Vê-se assim que esta mulher ciclópica teve seu arcabouço de beleza indizível plasmado pela natureza, mais tarde aperfeiçoado pela ciência humana da cirurgia plástica rinofacial, da ginástica, da dança, das massagens e dos melhores cremes para a pele das mais destacadas grifes estrangeiras.

Por isso é que quando eu fazia este louvor desbragado a Cláudia Raia, perante várias mulheres circunstantes, a opinião delas foi unanimemente sincrônica e ressentida: “Se eu tivesse tempo e dinheiro para exercitar-me e para comprar os cremes que ela usa e fazer a plástica que me falta, se não tivesse que me preocupar com a cozinha e a organização da casa, poderia me aproximar do seu poder de atração”. Talvez pudessem?

Por que abri esta coluna escrevendo que há uma injustiça social na forma como Deus ou a natureza distribuíram entre os homens os seus dons e atributos? Porque, além da beleza acintosa e discriminatória com que dotaram Cláudia Raia, os deuses deram-lhe também talento e uma singular simpatia repleta de cordialidade, de que sua voz e gestos cativantes são instrumentos notáveis.

A injustiça é a seguinte: como pode haver só uma mulher assim ou talvez algumas outras raras que a ela se equiparem? E da mesma forma como ela ostenta esse privilégio, por que ele se estende a um homem só que possa desfrutá-lo? Por que o paraíso na Terra é concedido brutalmente a tão poucas pessoas? Uma só Cláudia Raia para um só homem desfrutá-la é como um clássico do futebol com portões fechados.

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