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Meu sonho. Ou esperança

18 de junho de 2013 0

Passo ocasionalmente por um cinema e me chama a atenção o nome de um filme: Coisas que Você Pode Dizer só de Olhar para Ela.

Fico encantado com o título do filme.

Quem nunca se queda assim extasiado toda vez que se depara ante um homem ou uma mulher especiais? Eu, por exemplo, sinto-me investido de uma sensação térmica de 60ºC quando estou falando com ela no bar.

É um calorão por todo o meu corpo, quase me ponho dormente, domina-me uma lassidão febril, ao mesmo tempo que se excita a minha imaginação a ponto de crêla meu Éden, a minha única salvação, a última e definitiva enseada em que se amainará a tempestade.

Olha ela ali se aproximando! Não me viu? Ou finge, para se valorizar?

Aquela outra vez, realmente não me percebe, mas meus olhos de predador a perseguem devotadamente.

Vendo-a por apenas um instante, já me enche o dia.

Esquecendo-a por apenas um momento, sinto que desperdiço toda a vida.

Sua voz me soa a cântico de pássaro em bando folgazão.

Seu sorriso se abre para mim como uma corola de açucena.

Com quem ela se encontra quando não a tenho próxima?

Será que é tão terna também com os outros?

Aquela frase que me insinuou é uma sua constante em todos os seus circunlóquios?

Quando sem propósito me toca, ali onde me toca, minha pele fica coberta de um pólen de excitação e de ternura que se gruda à epiderme por vários dias.

Dissimuladamente, cruzo por onde ela passa, torcendo por um seu olhar, por uma palavra, ah, se ela demonstrasse contentamento em me ver!

Quando se ausenta por alguns dias, estou me asfixiando.

Quando volta, sinto falta de ar.

Quando me ignora, o dia todo é depressivo.

Quando me nota, sinto-me eterno.

Quando me zomba, decaio.

Quando me acaricia, estremeço.

Quando sei que vou vê-la, entonteço nos deveres.

Quando não a vejo, sinto que não me diferencio de um crustáceo.

Ela é o meu sol, a minha essência, meu horizonte, meu sopro de brisa, minha pétala, minha água de coco, meu samba de raiz, minha filha e minha mãe, meu ideal e minha utopia.

Meu sonho!

Ou minha esperança.

E pior – ou melhor – é que ela não sabe nada disso tudo.

(Crônica publicada em 29/07/2001)

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