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O pecado da gula

25 de junho de 2013 0

Já repararam os leitores que as propagandas de alimentos com alto teor de gordura, açúcar e sal são exibidas mais intensamente na televisão perto do almoço e durante a tarde?

Por quê? Exatamente porque esse tipo de propaganda visa a atingir as crianças, altamente vulneráveis a esses tipos de anúncios. E as crianças costumam ver televisão nos horários diurnos, quando são exibidos desenhos animados e outras atrações para o público infantil.

Vai daí que os índices de diabetes e doenças do coração já se vêem incentivados desde a infância pela propaganda de alimentos gordurosos.

É grande a incidência de obesidade entre as crianças e os adolescentes. E não pode um fato exercer pior influência psicológica numa criança ou num adolescente que elas se tornarem obesas.

Além da desconstituição de sua auto-estima, as crianças e jovens gordos sofrem a troça dos seus colegas e amigos, sofrendo muito com essa pressão.

Por isso é que o Ministério da Saúde está lançando uma ofensiva para regulamentar a propaganda de alimentos com açúcar, sal e gorduras na televisão, licenciando a sua veiculação apenas para após as 21h, horário em que as crianças assistem menos televisão.

A propaganda de fast-food, guloseimas e sorvete, biscoitos, bolos e doces, refrigerantes e sucos artificiais constitui-se em 72% dos anúncios de alimentos veiculados na televisão.

Quase sempre esses anúncios são associados a personagens de programas assistidos pelas crianças, inclusive em desenhos animados que anunciam alimentos sedutores do público infantil.

Diz o Ministério da Saúde que não é uma questão de cercear a liberdade de expressão, mas sim de regular uma prática publicitária de mercado.

Uma das coordenadoras da pesquisa sobre esse tipo de propaganda, Elisabeta Racine, propõe que quem tem até 12 anos não consegue discernir entre o que é desenho animado e o que é propaganda de um produto apresentado por um personagem desses. “A criança”, diz ela, “não tem esse filtro. A televisão é chave na formação de hábitos dos pequenos, por isso é preciso controlar a propaganda de alimentos, sim”.

Assim como a propaganda de cigarro na televisão é obrigada a acrescentar aviso sobre os males de saúde que encerra o tabagismo, o Ministério da Saúde quer que, em anúncio de alimento com altas taxas de açúcar, tenha de ser exibida mensagem de que há risco de o consumidor desenvolver obesidade e cárie dentária.

E no caso de anúncio com alimentos que contenham muito sal, um aviso de que pode causar problemas de pressão alta e doenças do coração.

É mais uma das brigas a que se atira o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Ele já comprou encrenca com o cigarro e as cervejas, envolvendo até atrito com o cantor Zeca Pagodinho.

Ele tem a idéia fixa de que a sedução que certos produtos exercem sobre os consumidores, quando são pregados por anúncios bem elaborados pela arte publicitária, tromba muitas vezes com a saúde pública.

Realmente, não só em crianças, como também em adultos, certas delícias nos chamam para devorá-las ou bebê-las quando expostas em colorido musical da televisão.

Dá vontade de a gente beber e comer o que está sendo anunciado.

E, como tudo que é bom, cigarro, bebida, em suma, todos os prazeres são nocivos à saúde, agora chegou a hora dos alimentos.

Não é por outro motivo que um dos sete pecados capitais é a gula.

* Texto publicado dia 28/06/2008

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