Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Entrevista com a artista plástica e designer Heloísa Crocco

13 de outubro de 2009 0

Para começar bem a semana, depois do feriado, posto aqui para vocês uma entrevista que fiz com Heloísa Crocco, residente em Porto Alegre. Ela formou-se em Desenho pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1970. Atua desde então em diversos segmentos como couro, cerâmica, cartonagem, têxtil e moda.

Participou de exposições coletivas, salões e bienais na Alemanha, Áustria, Hungria, EUA, França, México, Uruguai e Brasil. Viajou pelo País em pesquisas das fibras, suas transformações e aplicações, principalmente em visitas à Floresta Amazônica e à Ilha do Sal, no Piauí. Na América Latina, em viagens à Colômbia, Venezuela, México, Peru e Uruguai, dedicou-se ao estudo das tramas, texturas e iconografia da arte pré-colombiana.

Com o projeto Topomorfose e sua aplicação, obteve diversos prêmios. Desde 1980, envolve-se com projetos de revitalização do artesanato, de grande compromisso social.

Vale a pena também dar uma conferida no belo site de Heloísa: www.croccostudio.com


O que é Topomorfose?

HC – Elegi como ponto de partida de minha pesquisa o veio do tronco da árvore e seus anéis de crescimento. De seu corte em topo resultam grafismos, padrões e texturas que comecei a explorar como desenho. A esta pesquisa dei o nome de TOPOMORFOSE.

Uma vez desenvolvidos estes desenhos e texturas que a madeira revela, criei uma variedade de matrizes, imprimindo-as em matérias, como louça, tecido e papeis. A partir daí, crio produtos com os quais componho diferentes coleções com ênfase no design de superfície.

Como nasceu o teu trabalho com o veio da madeira?

HC – A preocupação com o meio ambiente é uma constante na minha vida. É difícil determinar o ponto exato em que começa minha pesquisa. Uma coisa é certa: o que faço é uma síntese das minhas experiências, nas quais o convívio com a natureza é algo marcante.

Em 1985, a convite do arquiteto e artista Zanine Caldas, fomos pesquisar na Floresta amazônica. Foi quando entrei pela primeira vez na floresta e fiquei perplexa com a grandiosidade do lugar e, ao mesmo tempo, com o que o homem vinha fazendo com ele. As arvores formam verdadeiras catedrais e é duro ver como o ser humano, com uma  moto-serra na mão, em pouquíssimo tempo bota tudo isso no chão.

O encontro com a madeira e a incorporação dela ao trabalho se deram por meio desse impacto doloroso.

Quais os desdobramentos deste trabalho?

HC – O conceito de base é sempre o mesmo. Os painéis de madeira nos quais exploro as texturas, seus veios revelando os desenhos que a natureza produz numa serie de Design/Arte. A eles acrescento ou não cores e desenhos.

Quantas coleções para a Tok&Stok você já fez?

HC – Muitas. Desde que a Tok&Stok nasceu, há 30 anos, nós mantemos uma parceria e lanço coleções periodicamente.

O seu atelier, na Vila Conceição, em Porto Alegre, tornou-se uma referência de arquitetura e design. Como nasceu a idéia do atelier? Quem o projetou? Qual é o seu conceito?

HC – Foi projetado pelo arquiteto Trajano Straggiotti. Eu queira uma casa  atelier, morada e síntese de toda esta pesquisa. A casa atelier combina um rigor dócil e uma beleza exata. Em três andares estão dispostos um escritório, uma galeria, a oficina e um pequeno ambiente museológico onde está exposto o processo Topomorfose. No ultimo andar fica um apartamento completo, com ambientes integrados. Há poucos moveis e os utensílios, quando  não são advindos da pesquisa, participam com simplicidade do conjunto. Grandes portas de vidro abrem-se sobre um deque como um trampolim sobre a paisagem da Vila Conceição, descortinando o Rio Guaíba.

O que é o Piracema design?

HC – É um núcleo de pesquisa da forma na cultura brasileira. Ele está centrado em meu atelier em Porto Alegre, RS, mas tem atividades volantes por todo Brasil. Somos uma equipe multidisciplinar, com profissionais de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, entre artistas designers e fotógrafos e outros profissionais. Juntos, desenvolvemos entre outras coisas um trabalho de aproximação entre design e artesanato.

No que você está trabalhando no momento?

HC – Na publicação do Livro sobre a pesquisa Topomorfose.

Envie seu Comentário