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Entrevista com Vitor Ortiz, Secretário de Cultura de São Leopoldo

16 de outubro de 2009 0

Hoje, ofereço a vocês uma entrevista com o Secretário de Cultura de São Leopoldo, Vitor Ortiz.


Antes de assumir a Secretaria Municipal de Cultura de São Leopoldo, você desempenhou função na Funarte. Para que as pessoas possam compreender bem, qual o papel da Funarte? Quais foram os principais projetos aos quais você se dedicou lá?


VO – Fui diretor do Centro de Programas Integrados, na gestão do Antônio Grassi, no Rio, sede da Funarte, no Palácio Capanema. A Funarte, no Governo Lula, ficou com as prerrogativas de elaboração da política nacional para as áreas da música, teatro, dança, circo e artes visuais, e o Centro de Programas Integrados era o responsável pelas ações transversais: as edições da Funarte, o Centro de Documentação e Pesquisa da Rua São José (guardião de um dos mais importantes acervos da história cênica e musical brasileira) e a organização das Câmaras Setoriais (hoje chamados de colegiados setoriais), embrião do atual Conselho Nacional de Políticas Culturais.


Quais foram as principais dificuldades e desafios que você encontrou ao assumir a Secretaria em São Leopoldo?


VO – Dificuldades não foram muitas. A maior era sem dúvida o fato de eu não ser da cidade. O Prefeito Ary Vanazzi já havia estruturado a Secretaria da Cultura no primeiro mandato. Criou a Secretaria, montou um conselho municipal, implantou o Teatro. Já tinha feito muita coisa. Com a minha chegada, ganhamos para a SMC toda a gestão da área
do patrimônio cultural e essa é uma das nossas prioridades no momento.


O maior desafio foi compreender a cidade, estudá-la, estudar sua história, entender os diferentes períodos do desenvolvimento local para sacar o que é mais importante hoje. E acredito que o mais importante é que a cidade já entendeu que a cultura jogará um papel fundamental na construção da cidade do futuro, na qualidade de vida dos cidadãos leopoldenses.


É isso o principal: não queremos apequenar a cultura. Ela terá um papel central no segundo mandato do Prefeito Vanazzi, e para isso vamos costurar as alianças fundamentais: com as universidades locais (a EST e a UNISINOS), com as comunidades e com a intelectualidade e os artistas. E temos também que costurar, ao mesmo tempo, uma aliança metropolitana, com as demais cidades da região.


Como São Leopoldo está servida de equipamentos culturais?


VO – Os principais equipamentos públicos são o Teatro e a Biblioteca Viana Moog (que formam o Centro Cultural João Pedro Boéssio) e o Museu do Trem (que é o guardião de todo o acervo histórico da Rede Ferroviária do RS). Mas já temos projetos para outros três centros culturais: um em parceria com o SESC (em fase de estudo), também no Centro, e outros dois na periferia (a Casa da Música, no Arroio da Manteiga, e o Centro Cultural do Trem, na futura Estação Rio dos Sinos). Para isso, estamos elaborando os projetos.


Há também outros equipamentos e espaços culturais que são privados e que contribuem para a vida cultural de São Leopoldo: os espaços da Unisinos, da EST (Escola Superior de Teologia, dos luteranos); a Igreja do Relógio, que abriga concertos de música clássica e canto coral; o Museu Visconde de São Leopoldo; a Sociedade Orpheu e o
Clube Ginástica, entre outros.


Quais os principais projetos aos quais você está se dedicando no momento?


VO – A Câmara de São Leopoldo aprovou essa semana o nosso convênio com a Unisinos. Formamos um grupo de trabalho com as faculdades de história, arquitetura e design, mais as secretarias municipais da Cultura e do Planejamento, com a assessoria do arquiteto Marcelo Ferraz, um dos mais renomados do momento no país, para a criação do chamado Corredor Cultural de São Leopoldo.


Trata-se de um eixo histórico, um percurso, que vai da antiga Estação Férrea, onde está o Museu do Trem, seguindo pela Rua Independência (a Rua Grande) e chegando nas margens do rio dos Sinos, onde está a ponte 25 de Julho, tombada pelo Patrimônio Histórico do Estado, o prédio da antiga sede da Unisinos, o Museu Anchietano, o Museu Visconde e as praças Tiradentes e do Imigrante.


Desse grupo vão surgir várias propostas de revitalização, restauro e reurbanização. Vamos resgatar o que foi escondido e apagado pelo tempo e pensar o futuro, os próximos 20 anos da cidade, com a idéia de retomar a relação do Centro com o rio. São Leopoldo é a única cidade do Vale dos Sinos que tem o seu Centro voltado para o rio. Esse é um elemento importantíssimo, que precisa ser recuperado.


Quais são os principais parceiros da Secretaria? Governo Federal, Estadual, Terceiro Setor ou iniciativa privada?


VO – Todos estes entes são parceiros, mas, no momento, nossa parceria está centrada na relação com o governo federal e com as universidades. Estamos chamando também o IPHAE (Instituto do Patrimônio Histórico do Estado) porque os bens tombados na cidade são tombados pelo Estado. Na área privada, por iniciativa do Deputado Ronaldo Zulke, que é leopoldense, estamos formando um outro grupo de apoio com várias lideranças empresariais locais, como o Dr. Mário Gusmão, diretor fundador do Grupo Sinos, entre outras pessoas de mais vivência pessoal, e que sonham com a revalorização do Centro de São Leopoldo, com quem possuem uma relação afetiva e histórica.


São Leopoldo é a sede da Unisinos, uma de nossas mais importantes universidades. Há mais alguma relação de cooperação com ela?


VO – Sim. Temos um programa de rádio só para difusão da música local e da região metropolitana na Rádio Unisinos FM (93.3), que é apresentado pelo Bebeto Alves e o Jimi Joe, dois ícones da música popular do Rio Grande do Sul.


Temos também uma parceria com a Faculdade de Cinema em construção. Provavelmente estaremos em Cuba no mês que vem, para um convênio com a Faculdade de Cinema de Santo Antonio de los Baños, onde o Bado, o Gabriel Garcia Marques, foi o fundador. Também com a França, temos uma parceria em elaboração com o Studio Le Fresnoy, uma das escolas de cinema mais importantes da Europa.


Além disso, temos uma parceria para a preservação e para a captação de recursos necessário à preservação do acervo do Memorial Jesuíta,  uma coleção de livros raros com mais de 200 mil títulos, herança da Ordem Jesuítica, onde o mais antigo é de 1494, ou seja, antes do Guttemberg. É um verdadeiro tesouro.


Também com o Museu Anchietano. Apresentamos recentemente a candidatura do Padre Ignácio Schmidt, um dos mais importantes pesquisadores da arqueologia no Sul do Brasil, para o Prêmio Rodrigo Mello Franco de Andrade. A nossa secretaria propôs ao IPHAN e ele ganhou. Um reconhecimento nacional.


Por último, estamos desenvolvendo também uma idéia de formação dos gestores culturais da região metropolitana em parceria com o curso de Gestão Cultural da Unisinos. Em breve estaremos anunciando.

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