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Voltaire Schilling: a capital das monstruosidades!

29 de outubro de 2009 19

Caros amigos, como vão?

Hoje posto aqui para vocês uma entrevista que fiz com o historiador Voltaire Schilling, a propósito do seu artigo publicado na ZH do último domingo, “A Capital das monstruosidades”. Penso ser uma oportunidade para aprofundar a compreensão sobre as idéias do Voltaire.

Você esperava tanta repercussão para o seu artigo sobre os monumentos em espaços públicos em Porto Alegre?


VS – Não, mas pelo impacto que o artigo ‘A capital das monstruosidades’ (ZH de 25 de outubro de 2009) causou junto a opinião pública posso concluir que expressei aquilo que milhares de porto-alegrenses pensavam e sentiam. Era um grito preso na garganta das pessoas que de alguma forma eu liberei.

Você acha que nossos monumentos são ruins porque são esteticamente comprometedores ou porque carecem de qualidade artística e conceitual?

VS – Tudo junto. Não se trata de condenar a arte moderna, mas especificamente a triste fatia dela que nos coube. Defendo uma política estética para a cidade. Nossas pontes sobre o riacho Ipiranga são grosseiras, sem nenhuma inclinação pela elegância, é cimento puro. A entrada da cidade pela Avenida Mauá é uma das piores coisas que existe. É uma corredor polonês, uma rua espremida pelo muro do Trensurb e por uma série de prédios tristes, medonhos, quase todos pichados. Como se pode esperar dar boas vindas ao visitante com tal ‘cartão de visitas’? Sofremos de um desleixo estético agudo. Sugiro urgentemente uma secretaria municipal voltada exclusivamente para tratar do embelezamento da cidade, algo que apresentasse sugestões para melhorar o visual da capital.

Quais as obras de arte em espaços públicos que você menos aprecia, e quais as que você mais aprecia? Por quê?

VS – As que não aprecio foram elencadas no artigo (os monumentos ao general Castello Branco e aos perseguidos pela ditadura, o ‘cuiódromo’, ao ‘timão’, que vim a saber tratar-se de um estrela, o tarugo de ferro velho que está apodrecendo na beira do Guaíba nas proximidades do Gasômetro, etc…) Gosto do dedicado aos açorianos, mas em geral nada me empolga.

Para Helio Oiticica, o artista com medo de provocar o estranhamento e preocupado com a decoração de um ambiente, ou de um espaço, estaria se perdendo quanto à capacidade de inventar e de produzir novos conceitos. Você concorda com esta premissa? Como você acha possível ornamentar uma cidade sem perder o caráter inventivo e revolucionário da arte?

VS – Para mim e para muita gente mais a vanguarda se exauriu faz tempo. Sobrevive para valorizar o enorme dinheiro que empresários e milionários empataram nela nestes últimos 50 anos. Não sei se algo disto tudo vai sobrar no futuro. Quem determinou que a arte tem que ser inventiva? Em qual cânone estético isto está consagrado. Em nome da tal inovação temos que suportar bestialismos de toda ordem e procedência? Aboliu-se a fronteira entre o bom e o mau gosto, caímos no abismo do vale tudo. Quem aponta para o verdadeiro artista e quem identifica o charlatão? A arte deixou há muito de ser revolucionária, tanto assim que quem sustenta a vanguarda são os bilionários e os especuladores (as maiores aquisições nos leilões londrinos têm sido os grandes bancos internacionais).

Você sente uma tendência semelhante de perda de qualidade artística na arquitetura moderna e contemporânea de Porto Alegre?

VS – Alguns arquitetos me telefonaram para dizer que a nossa arquitetura também está repleta de monstruosidades, mas eu não quero estender minha crítica a ela porque precisaria observá-la melhor.  .

Você acha que a Bienal tem contribuído para qualificar os padrões estéticos dos porto-alegrenses ou para sofisticar a sua compreensão da arte contemporânea?

VS – Sempre é bom abrir-se um espaço para arte, mesmo que não gostemos do que está exposto. A intenção da Bienal, segundo seus curadores, é educar a nova geração na ‘linguagem atual da arte’. Todavia, escutando os comentários dos visitantes, pode-se constatar que o intento resultou em poucos frutos, mas a intenção é válida.

Como o problema em Porto Alegre poderia ser corrigido?

VS – Sou pessimista. A tirania ideológica que os agentes culturais e os artistas plásticos exercem no nosso tempo deixa pouca margem para a oposição (todos os que a contestam são considerados: 1) nazistas; 2) fascistas; 3 ) stalinistas, 4) ignorantes, 5) reacionários e burros) O discurso da intimidação aos que os criticam tem sido uma arma eficaz para obter o silencio constrangedor da multidão que não quer ser taxada de imbecil  pela vanguarda barulhenta dos nossos dias .

Comentários (19)

  • Gabriel B. diz: 29 de outubro de 2009

    Lamentáveis as posições do professor Schilling. Expressa um visão estreita e atrasada que eu não esperava que ele tivesse. Mas sem dúvida é uma opinião que estava demorando para surgir numa cidade como Porto Alegre.

  • Luiz Inacio Medeiros diz: 29 de outubro de 2009

    O Voltaire Schilling prestou um grande serviço a Porto Alegre e a arte contemporânea. Não concordo com tudo o que ele disse mas o debate é salutar e eu também tive que varias vezes tentar dar explicações sobre arte atual. Concordo com o que foi dito sobre a Bienal. Essa é uma instituição que teve enorme importancia para o Brasil nos anos cinquenta, quando o acesso a produção artística não existia de outra forma e as viagens eram para poucos. Lembro de meu deslubramento ao ver a guernica de Picasso na II Bienal de São Paulo, numa excursão do Anchieta. Aliás foi essa razão que me fez trabalhar tanto para tirar o MARGS de uma sobreloja, sem elevador na Salgado Filho, para aonde está hoje, a vontade de ajudar aqueles que não tinham acesso as coleções de arte. A Bienal hoje é uma instituição falida cuja relação custo beneficio não tem o menor sentido. Curadorias ,que não conhecem o que se faz aqui, representam a atitude cultuiral subdesenvolvida. Os Museus locais não tem durante anos o que se gasta em dois meses de Bienal. Se esse dinheiro fosse usado para melhorar todos os Museus do Rio Grande do Sul, teriamos um processo educativo de longo prazo. Como uma criança que não conhece nada de história da arte vai poder dar um salto no escuro? Evidentemente a arte contemporanea vem depois da invenção da fotografia e do cinema que tiraram das forma tradicionais funções que tinham, como o retrato, o quadro histórico, as imagens religiosas. Vieram os novos suportes, não só a tela ou a página de papel. O aspecto artesanal da pintura cedeu espaço ao impulso criador, mas nessa passagem apareceu muita coisa enganadora. As instalações que são uma forma muito de hoje as vezes precisam de uma bula como remédios e aí já são obra literária, não arte plástica. Viva o debate e parabens ao Voltaire por te-lo desabrochar. Inclusive com respeito ao nosso desrespeito com a cidade, porque não copiamos São Paulo no bom que lá foi feito ao devolver a cidade limpa do excesso de publicidade que tanto enfeia a nossa.

  • Francisco Marshall diz: 30 de outubro de 2009

    As péssimas conseqüências de um controle tradicionalista da arte aparecem muito bem no documentário “Arquitetura da destruição”, de Peter Cohen. Nosso corpo não é mais o de Policleto, nem nossa cidade segue sendo vitruviana. A assim chamada “arte degenerada” oferecia um espelho corajoso da condição humana moderna, insuportável para as bestas narcisistas do III Reich.
    Todavia, igualmente ruinoso é capitularmos acriticamente ao cerco da feitura, e deixarmos o descaso com a beleza e a inteligência ferir a paisagem de Porto Alegre. Eu aceito e desejo uma arte que não seja mera figuração clássica; há beleza na inteligência expressa visualmente, ainda que fora de cânones do meu bisavô. Mesmo não concordando nem com o espírito (ranzinza) nem com as conclusões (equivocadas) do prezado Voltaire, aplaudo-lhe a coragem de levantar uma pauta sobre arte e a estética de Porto Alegre, um debate oportuno e urgente.

    A escultura de Carlos Tenius no parque Moinhos de Vento é uma inteligente ironia sobre a alienação do poder dos ditadores. Alguém pretendia ver um ditador bonito? A cavalo como Bento “Marco Aurélio” Gonçalves? Não; ali temos uma massa quadrada, distante, pesada e com pouca base, ameaçando cair sobre nossas cabeças, que devem se erguer para tentar perceber o colosso férreo. Don Voltaire, sinto muito, mas te escapou completamente a compreensão de mais uma obra prima de Carlos Tenius, nada burguesa, insurgente e irônica para quem olhar, pensar e realizar a leitura.

    Que dizer, por outro lado, da horrível gárgula do Gasômetro, imagem cafonérrima e muito feia com que, a pretexto de se homenagear Elis Regina, insultou-se a cantora, a cidade e a arte?

    Que dizer do incurável vandalismo, que leva prá fornalha os bronzes de parques e necrópoles, sem qualquer controle?

    Eu tenho defendido, em consonância com o que o ilustre Luiz Inácio Medeiros acima comenta, que a Bienal gerasse ao menos algo como uma taxa Tobin – um percentual de 10 ou 20% das receitas – em prol do sistema de museus locais, e especialmente de um novo museu de arte contemporânea, que precisamos urgentemente.

    Fora isso, eu também acho a super cuia muito feia e o acesso à cidade, deprimente. E acho que nos faltam arquitetos, artistas e gestores à altura das possibilidades da arte pública contemporânea. Por ora, a Porto Alegre bela ainda mora em um passado em rápida degradação.

  • Adriano Schemoel diz: 30 de outubro de 2009

    Vou encher um penico e pendurá-lo por um fio no teto, sou artista? No meu entender vai depender de ter alguém para apreciar tal obra, e hj em dia não basta “ser artista” tem mais é que parecer artista, ah, e vender o peixe, no caso, o penico.

  • Andrei Schneider diz: 30 de outubro de 2009

    A discussão é válida e não pode para por aí. Particularmente gosto do tal “timão” que o prof. detona, mas o lugar dele não é ali!
    Acho tudo discutível quando se trata de espaço público!
    Na Europa, e mais especificamente em Londres, existe uma maluquice de vanguarda milionária (liderada por gente como Damien Hirst e Charles Saatchi) e que também é combatida e incensada na mesma proporção. Lá se vê o que de mais desparatado a arte contemporânea (basicamente composta de instalações) pode produzir. A diferença é que está tudo em museus e galerias. Como sabemos as ruas de Londres são imaculadas. Lá se dá valor a história viva da cidade. E aqui entro no que mais me agrada nessa pauta proposta pelo Prof. Voltaire: a estética da cidade. Nossa cidade é vergonhosa. Pessoas que de fora aqui chegam, e não falo só de estrangeiros, consideram a cidade “simpática”, mas muito feia. E quando se tem a oportunidade de construir algo novo – como a 3ª perimetral – faz-se o horror, com paradas de ônibus pseudo-modernas, fios de todas as tesões expostas em mil postes e estruturas viárias banais, maçantes e de materiais pouco duráveis. O centro da cidade, que em qualquer lugar que se preze é o coração de uma cidade, é o exemplo do desleixo, sem falar na sujeia. E ainda temos de aguentar desculpas de gerações de prefeitos e políticos. Também, o que podemos esperar de políticos além de política? Uma cidade não precisa ser uma galeria de arte a céu aberto, mas sem dúvida precisa ter a beleza estética em cada detalhe, com relevância histórica, mas contemporânea.
    Então sou a favor de a prefeitura tomar pra si essa “monstruosa” tarefa de transformar esteticamente essa cidade.

  • J. Saidl diz: 30 de outubro de 2009

    Estas frases merecem ser sublinhadas. Acertaram na mosca!
    “expressei aquilo que milhares de porto-alegrenses pensavam e sentiam. Era um grito preso na garganta das pessoas que de alguma forma eu liberei.”
    “A tirania ideológica que os agentes culturais e os artistas plásticos exercem no nosso tempo deixa pouca margem para a oposição. (…) O discurso da intimidação aos que os criticam tem sido uma arma eficaz para obter o silencio constrangedor da multidão que não quer ser taxada de imbecil pela vanguarda barulhenta dos nossos dias .”

  • maria josé diz: 31 de outubro de 2009

    Oscar Niemeyer diz que a ‘estética também é uma função’. Na arte atualmente a estética não é um ponto central a todos os artistas. Alguns a utilizam, outros não. Não gostar, não ver valor num trabalho em arte contemporânea porque não é belo, é não gostar pelos motivos errados, como bem lembrou o David Coimbra.

    Agora, que não existe arte contemporânea ruim, a julgar pela eterna defensiva da comunidade artística, isso eu não sabia.

    Se um trabalho não tem como proposta ser belo, mas fazer pensar, trazendo uma questão sobre a vida, sobre o mundo ou sobre a própria arte, então é sobre a questão apresentada que recai a responsabilidade da obra ser interessante ou insignificante.

    Muito se culpa o Duchamp, mas suas questões sempre foram geniais. Não gostar da ponte para o nada, lá no Gasômetro, porque é feia é não gostar pelo motivo errado. Mas não gostar porque não quer dizer nada, porque é um mirante que não mira nada e porque não trás nenhuma questão interessante nem faz pensar em nada além da constatação de que, além de tudo, está muito mal situada, é não gostar pelos motivos certos.

  • Gustavo Nakle diz: 31 de outubro de 2009

    RESPOSTA AO HISTORIADOR VOLTAIRE SCHILLING
    (Autor da matéria “A capital das monstruosidades”, 25/10/2009)

    Diz a lenda que um general alemão olhando o quadro “GUERNICA” de Pablo Picasso, perguntou-lhe : “Foi você que fez esta monstruosidade?” , ao que o artista respondeu: “Não, foram vocês”.
    O conceito do belo, feio ou “monstruoso” se revisa ao longo dos séculos e o que hoje achamos ruim, gerações futuras poderão achar genial. Inúmeros casos na história da arte nos mostram esta mudança. O exemplo mais conhecido é dos impressionistas e pós-impressionistas, a princípio recusados pela crítica e pelo público, hoje considerados geniais. Antes deles, Goya ao fazer as pinturas negras teve que fugir da inquisição , hoje estas são consideradas obras primas. Rembrant ao pintar a hoje famosa “Ronda noturna”, foi criticado pela corporação que lhe encomendou esta obra , pois utilizou vermelhos e pretos em demasia. Na época da II guerra mundial a arte moderna foi considerada ARTE DEGENERADA pelos nazistas.Não acredito que o autor do artigo esteja identificando-se e defendendo estas mesmas idéias?
    Não duvido que há obras ruins e talvez a estrela seja uma obra sem qualidades, mas o linguajar do historiador ao referir-se a esta escultura, foi desinformado, desrespeitoso e ofensivo. Informo ao dito historiador que… “o primeiro timão” que parecia ter esterco como matéria original”…., intitulava-se “Estrela Guia” e o material era BRONZE (alheação de cobre, estanho e zinco), que com certeza desconhece. Com respeito ao furto desta obra, acho vergonhoso que um cidadão comum aceite e justifique a depredação de qualquer obra por “medonho” que lhe pareça, mas é duplamente lamentável ler esta justificativa escrita pelo HISTORIADOR E DIRETOR DE MEMORIAL DO ESTADO.
    Enfim senhor Voltaire , não fosse por suas ironias grosseiras e ofensivas, diria que seu artigo é cândido de tão primário. Este escultor sugere que tome cuidado para que junto com a comissão “AMIGOS DO BOM GOSTO” que o senhor quer convocar, não criem um movimento intitulado “ FUNDAMENTALISMO ESTÉTICO” . Sugiro também que não façam listas de obras que pretendem remover, de discos que não gostam, dos livros e prédios que não lhes agradam , sabemos pela historia no que isso vai dar.

    GUSTAVO NAKLE- ESCULTOR

  • Regina Ohlweiler diz: 31 de outubro de 2009

    Perfeito, Nakle.

    Sem dúvida, Porto Alegre é a Capital das Monstruosidades. E este grupo de Monstruosidades tem espaço na mídia e na gestão pública. Não gostam de arte (já escutei de um deles que Hilda Hilst é merda, juro!!). Se parecem com sapos inchados de inveja e de pobreza de espírito.

  • Marcia diz: 1 de novembro de 2009

    Gostos, cores e amores nao se discute…podemos entao definir a arte boa da ruim ? arte é o realismo, o romantismo, o impressionismo, é a arquiteture antiga, as esculturas gregas e romanas… mas também é a arte e a arquitetura moderna… e a arte pop ! A arte popular… amada por muitos, mas que também foi durante muito tempo questionada, criando polêmica sobre sua legitimidade. Andy Warhol, cuja exposiçao passa nas maiores capitais do mundo, e suas obras Marlyn Monroe, Mickey Mouse, Coca-cola e Mick Jagger e tantos outros simbolos populares que marcaram nossos inconscientes desde a nossa infancia é um simbolo inconstestavel da arte pop. A arte pop substitui o espetacular, o magnifico pelo banal, barato e jetavel. A obra de arte nao é mais um objeto sagrado, mas uma banalizacao da cultura publicitaria de uma sociedade de consumo (apresentada muitas vezes com humor). Querendo ou nao, ela é o reflexo mais exato dos valores da sociedade atual e do mundo moderno, mundialisado, o que talvez explique o seu imenso sucesso. Esse movimento nao somente questionou varios conceitos artisticos (como por exemplo, Warhol reproduziu a mesma obra centenas de vezes, ou mesmo milhares de vezes, rompendo com o conceito de objeto unico) assim como se difundiu em outros ramos, influenciando diferentes aspectos das nossas vidas como a moda, a arquitetura, o design de moveis (sobretudo italianos) e outros. Gostemos ou nao da arte pop talvez um dia ja vestimos uma camiseta com Mickey Mouse para sair à noite com os amigos ou sentamos em uma poltrona Sacco (lembram? Aquele pouf gigante cheio de bolinhas de poliestireno e que muitas vezes explodia e eram bolinhas por todo lado) sem saber que eles foram influenciados pelo movimento da arte pop. De qualquer forma a arte tem, entre outros, o objetivos da provocacao, do questionamento, de espelhar a vida cotidiana de uma dada época, de uma dada sociedade em um dado pais ou de simplesmente de mudar o “local comum” e trazer um pouco de beleza para os espaços publicos. A arte que é compreendida em um dado lugar, cidade, pais, nao é necessariamente compreendida em outro. Por exemplo, o vanguardismo de Oscar Niemeyer é exaltado no Brasil, mas o Volcan, centro cultural na forma de um vulcao que ele construiu na França nos meados dos anos 70, foi considerado como um horror durante décadas (pois o francês é completamente indiferente ao concreto armado) e somente agora começa a ser valorizado como um estilo à parte, uma diferença da arquitetura tradicional francesa (que também é maravilhosa), um charme, uma identidade da cidade. Podemos dizer que o mesmo ocorreu com o Centro Pompidou, em Paris. Qual o minimo aceitavel para decretar hoje que uma obra sera uma obra de arte, hoje ou amanha ? Podemos definir hoje o que pensaremos amanha ? OK, podemos apreciar ou nao, pois gostos, cores e amores nao se discute.

  • Adriana Gomes diz: 3 de novembro de 2009

    Apenas Oh, que ignorância, Ah, que desrespeito, Oh, que ingenuidade.

    Essa é uma atitude muito esnobe dos especialistas, que deveriam aproveitar a situação criada para trazer algumas informações as pobres pessoas comuns … Todas essas Bienais em Port Alegre e foi um’ignorante’ que despertou todo um debate sobre arte entre a população.

  • luis trindade diz: 3 de novembro de 2009

    Em arte não é o belo contemplativo do homem antigo que devemos buscar. Esse aí andava a pé nos bosques. A Representação ideal da natureza mitigava a dureza da vida nos tempos mais antigos, da onde vem esse conceito de arte. O homem hoje é mais crítico, menos propenso a acreditar em ilusões, mas não menos em ficções. Não queremos nos iludir por um momento com a beleza, mas também não estamos dispostos a abrir mão da experiência de deixar-nos levar por uma obra de arte com a sensação de que algo sensível se somou a nós.

  • Giovane Luz da Costa diz: 4 de novembro de 2009

    Até que enfim alguém do quilate do professor Schilling para abrir a discussão.

    Muito de mau gosto algumas obras de Porto Alegre. As principais são a “Casa Monstro” e o “mirante” da orla do guaíba! Aberrações!!!!

    Arte é uma coisa, patetice e mau gosto é outra.

  • Martin diz: 5 de novembro de 2009

    Que Voltaire respeite a história, pois…

    (…) “quem garante que a História
    É carroça abandonada
    Numa beira de estrada
    Ou numa estação inglória?

    A História é um carro alegre
    Cheio de um povo contente
    Que atropela indiferente
    Todo aquele que a negue

    É um trem riscando trilhos
    Abrindo novos espaços
    Acenando muitos braços
    Balançando nossos filhos

    (…)

    Quem vai impedir que a chama
    Saia iluminando o cenário
    Saia incendiando o plenário
    Saia inventando outra trama?

    (…)

    Já foi lançada uma estrela
    Pra quem souber enxergar
    Pra quem quiser alcançar
    E andar abraçado nela”

    Canción Por Unidad Latinoamericana
    Pablo Milanés/Chico Buarque

  • nina hayla diz: 5 de novembro de 2009

    Seria pedir demais que Voltaire Schilling lesse seus colegas contemporâneos Mário Pedrosa, Rosalind Krauss, Arthur Danto e Hans Belting? Sim, até mesmo Heidegger, Nietzsche ou Hegel e Kant podem lhe ser indigestos pensadores sobre a arte.

    Recomendo então que leia o diálogo platônico “Filebo”, onde Sócrates alerta que não busquemos os prazeres (também os visuais) levianos. Pois a fruição estética de obras como a de Gustavo Nakle (e as dos outros “candidatos à condenação”) ao verdadeiro conhecimento nos conduzem, tal como propôs o sábio condenado pelos caluniadores da libertária beleza: aquela que provoca a reflexão, instiga o espírito e desconforta os preguiçosos.

  • A. T. diz: 6 de novembro de 2009

    Não é a mesma coisa que aconteceu com o impressionismo, é mais como se alguns quadros do impressionismo não tivessem ficado tão bons e tivessem sido enviados pra cá.

    A classe artística está se fixando nos detalhes das muitas bobagens que o prof. falou para argumentar, mas isso é reduntante e inútil.

    Muita gente está concordando com o Prof, não LITERALMENTE, é óbvio, mas essa questão do que se coloca nos espaços públicos está merecendo uma atenção e uma participação maior da sociedade.

  • Edith Janete Schaefer diz: 7 de novembro de 2009

    Nos últimos anos, talvez última década só ouço que a Bienal está “muito ruim”. Confesso que brinquei muito nas últimas visitas: tirei fotos de extintores, das lajotas, de uma luz refletida atrás do stand da obra… enfim, brinquei de artista.
    Acho que a arte não precisa ser “bela”, mas o que é ser “bela”? Isso dá muita conversa…
    O que acho que está acontecendo com a arte:
    Está difícil reconhecer algum código dado, algo que nos remeta a alguma coisa, e se remete, falta algo que instigue, que provoque, a arte está psicótica, acabou-se em grande parte a relação que existe com o outro, o outro que admira a obra. A arte está causando muito estranhamento, daí a conclusão de ela estar ” muito ruim”.
    Outra coisa, acho que a arte está sendo feita por artistas para artistas. Não se captura mais cidadãos comuns com a arte. Muito estranhamento, quase total ou total, pouca adesão.
    Isso seria o mal estar da cultura?
    Mas…
    Pra quem serve esta arte?

  • Maria Célia Gros diz: 3 de novembro de 2013

    O Prof. Schilling abordou aspectos periféricos de Porto Alegre. Vale informar/confirmar que encontrei a capital suja, abandonada e pichada. A classe média , os médicos e outros profissionais liberais se transferiram para bairros nobres. Ficou só a lembrança. Enquanto não reerguerem o Centro onde fica o orgulho gaúcho?

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